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Othon May 16
Eu
Tenho a eternidade dentro de meus olhos
O barco do infinito entre os abrolhos
A sanidade e a loucura entre um humano e deus
A dança das visões de todos os meus eus!

Sou o cosmos que anuncia, na hiperestesia
De todas as guerras congregadas
A minha alma, a vencedora supremacia
No gládio das verdades rebeladas!
© Othon B.
Othon Oct 2018
A síntese é a guerra
Umbrais derradeiros sobre mausoléus imundos
A realidade abre-se, e o corvo ri, geme a terra
Enquanto as trevas servem a hóstia das crenças
No lodo da agonia destroçando os mundos
Verdades, assombros, paradoxos, desavenças

Paixões e quimeras, velando os prantos
Encobrindo os devaneios sobre os ossos, os sonhos sem cores
O mundo serve seu ludibriante circo de horrores
E em toda parte, meu coração em espanto

Mas o agouro nos casebres desmantelados
Tombando as sombras das ilusões
Desesperança espalha-se como peste em demônios alados
Na clarividência aterradora das visões

E conduzindo em uníssono, a loucura e sanidade, vou eu, desarranjado
Rasgando a nebulosa deste sonho, com os olhos de todos os amaldiçoados!
© Othon B.
Othon Jan 27
O todo vai desvanecendo, ao eco panteístico
E no labirinto deste mundo, sacrifico meu coração
Como um fantasma da escuridão
Sou visões do infinito e de um salmo apocalíptico
Escrito com litania e sangue

O mundo é um ente exangue
Que nunca para de sangrar
E eu sou o príncipe, o filho dos seus horrores
Mas não és para mim, assim como nunca o foste os meus amores
Nem sua pérola mais oculta posso amar

Sou a luciferina flor da desilusão
E a mesma irei desfolhar
Para ser pétala livre no jardim de minha desrazão
Pelos dédalos sibilinos de meu mistério irei voar
© Othon B.
Epiphylllum Apr 10
A noite sussurra seu lânguido canto entremeado pelos gritos agora abafados pela distância.

Arquejo enquanto caminho pelas fétidas ruas decoradas com cadáveres em decomposição, festa de vermes e aves carniceiras;

O tintilar dos vitrais anuncia a chegada da morte. Sua foice esbarra no delicado vidro das igrejas formando uma melodia fúnebre que gela meus ossos e consome minha mente.

Quantas vezes implorei de joelhos como um fraco para que me levasse junto, quantas vezes matei para saciar minha sede doentia; esperando, desejando que o castigo do Deus de que falam recaísse sobre minha existência amaldiçoada e retirasse de mim a não-vida eterna.

O gosto quente do sangue ainda pulsa em minha boca

Repulsa.
Arold Apr 4
Ele é confusão
Inesperado como a chuva no Verão
Turbulento e confuso

Ouve-me de noite
Adormece de dia
Discorda dos meus princípios
É terramoto na minha personalidade

Ele é diferente
Por ser igual a tudo aquilo que procuro
Agita-me até água transbordar
Toca-me violentamente
E ainda me sinto virgem

Diálogos viram ausência
Abraços viram respirações suspensas
Memórias viram mensagens espaçadas

Ele é banho de água fria
Café queimado
Areia branca que queima
É desnecessário
Mas inevitável
A efêmera existência
No tênue fio entre a vida e a morte
Busca a razão na essência
Chega ao fim sem entender a sorte

A mais simples dúvida
No mais complexo ser
Se ainda resta muita vida
O que temos que escolher?

Se é tão fácil resistir
Onde estão os que sobraram?
Se todas as portas vão se abrir
Quantas já se fecharam?

Mas viver é tão bonito
Que não há quem resista
Mesmo encarando o risco
Mesmo quando não há terra à vista
Mar Oct 2019
“Se você quer ser um escritor, continue escrevendo”

Encaro em minha frente a folha em branco
canto a canto,
escrevo
porque escrevo?
poesia
retrato minha dor
agonia
e percebo que não mais sei escrever.
eu paro, penso, olho, busco
inspiração
em vão
não sinto mais prazer na escrita
e me irrita; quando desaprendi a escrever?
terrível é a dor do poeta
que sofre ao perceber
o modo como desaprendeu a ver
inspiração no mundo
e ele que não sabes ser nada mais que poeta
nada mais que escrever sobre sua dor
não sofre mais pela vida, pela morte, pelo amor
não sente mais agonia, alegria; caiu na apatia
e a poesia?
desaprendeu…
e o que lhe resta escrever?
metalinguagem…
Luís Jun 2019
Neste dia a minha lamuria tem dois metros,
O meu amor é este fragil ramo.
A minha vida é esta cadeira.

Neste dia ponho-me a cima da vida.
pois o momento de atar a minha lamuria ao meu fragil amor chegou.
Assim tenho um bilhete só de ida
Com esta atitude pontapeio a vida
a minha lamuria estica,
pois ela assim me farta
e a minha ultima esperança é que o meu fragil amor não se parta.


On this day my grief is six feet long,
My love is this fragile branch.
My life is this chair.

On this day I put myself on top of life.
For the moment of tying my whining to my weak love has come.
So I have a one-way ticket
With this attitude I kick life...
my grief stretches,
for she's making me sick of it.
and my last hope is that my fragile love won't break.
Lua Apr 2019
Museus e construções em chamas
Invadem sonhos dos quais não me recordo
Acordo, então, com teias em meu coração
E um sentimento vazio em meio as tramas
Sem lembranças e sem desejar vingança

Primeiro aqui, depois lá
E tantos outros ocorreram
E você nem irá recordar
Pois não era Estados Unidos ou Europa
Se for Rússia, Alemanha ou China
Se lembrará então da Índia, Chile ou Argentina

Pois construções divinas como esta e outras mais
Mal se comparam com as árvores centenárias e os rios que aqui não mais jazem
Nas mãos dos donos do primeiro mundo
Possíveis conspiracionistas enquanto tomam seu chá
E fumam seus charutos caros, despreocupados
Exalando a fumaça de Notre Dame, de museus nacionais e ainda mais
Bebendo em seus chás
As águas dos rios que assistiram secar
alex Feb 2019
as ruas do coração dela
estavam desertos
ela não tinha nada
para ajudar cidades
que ela não tinha visto

ela estava sozinha
mas as cidades,
eles chamaram
o nome dela.
past imperfect

the streets of her heart
were deserted
she had nothing
to help the cities
that she had never seen

she was alone
but the cities,
they called
her name.
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