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Gil Cardoso Feb 11
Sinto uma pressão que puxa
A cabeça que roda parado
Uma flor que quando cresce murcha
A vontade de cair mesmo deitado

Vi-me feliz
E uma outra vez aceitei
Não mudarei o que fiz
Eu sei que não errei

Mas a dúvida é dor
Esperar é ficar parado
Esperar por amor
Esperança de não ser destroçado

A alma em fraqueza
Parte-se o coração
Não tenho sequer certeza
Porque sofro tanto então?

Sofro em antecipação
De um mundo escuro
Imaginado a pior situação
Mas tenho esperança para o futuro

Ondulo como ondas do mar
E por mais que tente navegar
Ou chego à costa e posso respirar
Ou acabo por me afogar
Escrito: 21/07/2018
Gil Cardoso Feb 11
Para quê passado?
Se já não é?

E o presente?
É quando?
Desde do momento em que é
Deixa de ser

E o futuro
Esse há-de existir
Mas nunca existe
Nem existiu

Dizem que o tempo
É como um rio
Come se o pudéssemos seguir

Se rio é
Flutuar tentamos
Mas sempre afogamos
Apenas temos pé
E o afogo demora anos

Nele imaginamos
A água que à de vir
Essa mais calma
Que não havemos de engolir

Que bom é o futuro
Pois ele nunca chega
Nunca aleija

O presente
Com violentos lábios nos beija

E o passado
Sabor a sangue e tormentas nos deixa
Escrito: 30/12/2018
Gil Cardoso Feb 11
Odeio ver o fim da estrada
Fixo apenas esse ponto
Não vejo nada
É ainda não estou pronto

Olho para a paisagem
Finjo-me distraído
Admiro das aves a plumagem
Dos grilos o ruído

Mas vivo no futuro
Sempre no futuro
Já sabe a podre
O fruto maduro

Sofro com o que ainda não aconteceu
E mesmo o que nunca acontecerá
Quando acontece já não é meu
E quando não, penso no que virá

Então aparece outra estrada
Mas a mesma dor em mim
Mudou a morada
Mas fixo o mesmo fim
Escrito: 28/05/2018
Gil Cardoso Feb 11
Sol queima a minha pele
Inicialmente
É agradavel
Depois, é dor

Como bolo doce que vou comer
Efeito da gulosia
Afoga o meu saber
Para mais tarde me aperceber
Que foi demasia
Aí puderei me arrepender

E então pergunto, qual é real?
Qual sigo nisto tudo
O presente ou o futuro?

Dizem-me “Carpe Diem!”
Então deixem-me comer bolo
Deixem-me queimar ao sol
Deixem-me viver a vida tolo

Depois dizem, “sê comedido”
“Tudo com moderação”
Então vivo o futuro agora
Não sigo prazer
Fujo à dor
Sempre a atrasar
A minha fatalidade

Eu sei lá

Mas enquanto escrevia isto
O sol fez o seu capricho
Tenho o poema terminado
E o meu braço queimado
Escrito: Maio 2018
Gil Cardoso Feb 8
Oh coração, por onde vais?
Por que te causas tanta dor?
Isso é tudo por amor?

As minhas razões não as conheço
Nós apenas carnes somos, os corações
A mente, essa, que trate das motivações

E se ela não as tiver?
Que fazes então
Oh meu pobre orgão

Já te disse que não sei
Não quero saber
Nem quero ver

Bem dizem que o amor é cego
então é ceguês voluntária?
Ou será ela necessária?

Porque não os dois?
Mas deixa-me estar quieto
Nesse assunto eu sou analfabeto

Mas não tens medo?
Olha para o teu passado
Não te lembras de como tinhas acabado?

Já te disse que sou carne
Não me lembro de nada
Exepto da minha realidade apaixonada

Essa paixão já a vi
Mas o que eu questiono
É o que acontece em caso de abandono

Nesse caso que venha a mente
Ela que me cure
Ela que me ature
Escrito 23/01/2018
Gil Cardoso Feb 8
O melhor das viagens
É o fim do trajecto
É o impacto do novo
É cheirar novas cores
É ver outros adores

Sim, porque em novos mundos
Até os sentidos estão ao contrário

O que é dor agrada
E o veneno não mata

Que pena durar tão pouco
E ter de voltar a partir
Escrito 01/02/2018
Gil Mar 2018
Coço a cabeça porque está suja.

Lavo a cabeça, mas não deixa de estar suja.

Por mais que coce e lave não deixa de estar suja.



É porque a sujidade vem de dentro e o cotão é difícil de limpar nos cantos do pensamento
Gil Mar 2018
Na rua faz frio e sol de inverno.

Gelam-me os pés e o coração, secam-me os lábios e os olhos.

De visão turva, ano para onde o vento forte me levar, esperando que lá faça sol.

De cabeça baixa, olho o céu nas poças de água na estrada.

Não me atrevo a chorar, que as lágrimas congelam-me as maçãs do rosto.

De mente atribulada, forço a tosse para fazer silêncio e sussurro:

Partida. Largada. Fugida.

E correm-me os pensamentos de uma ponta a outra.

Correm para ver quem chega primeiro, quem merece a minha atenção.

Mais rápidos que a própria sombra. Nem os vejo.

Zangados, gritam-me. Gritam-me todos ao mesmo tempo e não percebo uma palavra.

Fartos, cansam-se de gritar, mas agora também eu sinto cansaço.

Cansam-me os olhos, cansam-me as pernas, cansam-me os pulmões e o coração.

Espero que eles estejam felizes
Gil Mar 2018
caio quando fecho os olhos

não sei o acontecerá quando aterrar.
não vejo o fundo deste buraco imenso, mas também não o temo.
aliás, anseio-o.

tenho a cabeça crua.

já não sei se caio para o chão ou do chao,
ou para cima.
posso cair de diversas maneiras e faço-as todas ao mesmo tempo.

sou um só com o buraco ***** que me engole.
talvez até seja eu a engoli-lo.
vou ficar com uma indigestão.

quando penso que vou parar, escorrego mais fundo para o
estômago do vazio e o vazio desce-me pelo esófago.

se fechar os olhos adormeço ou acordo? vou tentar.
Expo 86' Oct 2015
Seu rosto já não é mais o mapa que me guia
Seu sorriso já não representam as estrelas que me fascinam
E as morfina de suas palavras estão longe de ser efetivas
Mas o que fazer?
Sempre soube que meu sim foi carregado de insensatez
E mais uma vez tenho que pensar
Em qual moeda essas fantasias devo pagar
Angustia que pode virar combustível
Ou talvez, raiva que será nosso castigo

Talvez apenas devo esquecer isso
Mas o pensamento de puxar o gatilho
É muito mais forte do que o de sofrer sozinho
E você não sabe como é difícil
Saber que essa noite estarei sozinho
E a falta que sinto dos seus carinhos

Mas agora tudo isso é passado
E apenas agora consigo enxergar
O que onde existia um começo
Coexistia um erro
E o que achávamos que seria amor
Apenas era a euforia de um perdedor que ocupa o segundo lugar no pódio do amor
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