"correm" poems
Vivemos num sono profundo
Os rios correm sem parar,
As estrelas enlaçadas no luar.
Ser comum de viver vagabundo,
Embriagado num sono profundo.
As montanhas inertes, transformadas,
Arvores mal tratadas.
Borboletas que poisam sobre as flores,
Riachos sem rouxinóis reprodutores.
Joio e as belas searas aloiradas,
Uvas e suas lagaradas.
Alegria e tristeza neste mundo controverso,
Caminhar num caminho incerto.
Estalar de dedos sobre sobreirais do destino,
Vaguear nos sonhos de menino…
As ervas daninhas e as grandes constelações,
Me adormecem com um sono de ilusões.
Victor Marques
Oct 10, 2013
Oct 10, 2013 at 9:02 AM UTC
Sinto a necessidade de ter calor humano,
Por puro conforto,
De sentir o meu corpo absorto.
Necessidade tão intensa e imensa
Longe do que se pensa,
Longe de qualquer dano.
O vento ouve-me, benevolente,
O que vai na alma.
Das palavras que correm na mente,
Traz a minha outra metade na sua palma
Para a alegria tomar conta da calma.
Reparo no meu cabelo a voar,
Nos meus dedos a moldar
As linhas do horizonte.
E tento retratar, magicar e afeiçoar
A imagem que tenho de ti na fonte.
Aproximo-me em passo na calada
E os meus olhos aborvem cada camada
Que no meu ver emerge.
Tudo diverge
Pois apareceste tu.
O meu coração acelera
Calmo noutra era.
Num ápice lento
Num rápido murmúrio
Olho-te com um muito atento.
Procuro fugir do teu olhar,
Com o sangue a ferver,
Com a cara a escaldar
Cansada desta fuga por resolver:
É aqui que vou ficar.
May 16, 2014
May 16, 2014 at 7:43 AM UTC
Na rua faz frio e sol de inverno.
Gelam-me os pés e o coração, secam-me os lábios e os olhos.
De visão turva, ano para onde o vento forte me levar, esperando que lá faça sol.
De cabeça baixa, olho o céu nas poças de água na estrada.
Não me atrevo a chorar, que as lágrimas congelam-me as maçãs do rosto.
De mente atribulada, forço a tosse para fazer silêncio e sussurro:
Partida. Largada. Fugida.
E correm-me os pensamentos de uma ponta a outra.
Correm para ver quem chega primeiro, quem merece a minha atenção.
Mais rápidos que a própria sombra. Nem os vejo.
Zangados, gritam-me. Gritam-me todos ao mesmo tempo e não percebo uma palavra.
Fartos, cansam-se de gritar, mas agora também eu sinto cansaço.
Cansam-me os olhos, cansam-me as pernas, cansam-me os pulmões e o coração.
Espero que eles estejam felizes
Mar 21, 2018
Mar 21, 2018 at 1:27 PM UTC
Foi cedo na vida que o meu livro de mágoas se abriu.
(Entendi-o desde nova pois senti-o.)
Um livro manchado pelo sangue da batalha,
Páginas carregadas de calafrios…
Ainda hoje me correm e ecoam no corpo.
(O som do ferro ainda me causa insónias.)
E o abandono…
Esse sempre o meu maior medo,
Cortou-me como uma espada a vida toda.
(Nunca o gritei…pelo menos em voz alta.)
Ferida, pelas entrelinhas o fui escrevendo.
(Nunca com tinta…sempre mascarado na dor das palavras.)
Marcado em mim desde o início.
(Nunca na pele…sempre uma ferida interna bem escondida
na alma.)
A Morte…
Essa parece chegar rapidamente
Para as almas incompreendidas.
(Mas calma, eu entendi.)
Choraste sem saber porquê…
Passaste e ninguém te viu…
Mas agora renasces com uma visão que eu sonhei.
E eu, que nunca te encontrei,
Vi-te encarnada em mim.
Quem me dera que tivesses vivido tempo suficiente, Florbela.
Só para que eu te tivesse desvendado o segredo da vida.
(Neste mundo não eras a única que andava perdida.)
(O segredo é que andamos todos.)
Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:25 PM UTC