Submit your work, meet writers and drop the ads. Become a member
 
o céu preto comungando com a luz dos postes fez nossos corpos dançarem no chão
o que você tem vontade de fazer com a lava do vulcão?
beijou meu olho como se tudo não estivesse prestes a desmoronar
de repente mil capivaras no horizonte pra gente fitar
corremos de encontro
de repente mil capivaras em pause.
e eu pensei que se pudesse congelar o tempo feito uma capivara eu congelava agora.
(queria te amar sem que se abrissem todas as feridas no meu corpo)

meus dedos te procuram ainda que me dê medo te encontrar
e te olhar
e me ver nos seus olhos
é que nos seus olhos eu sou tão pequena
dou a volta no mundo mas esbarro em você todas as vezes
circulo, te evito  
mas tenho medo de ficar sozinha
porque sei que meus dedos vão te procurar
dentro de mim
sonhei com seus cabelos amarelos a percorrerem o rio
nadei entre as pedras
arrastei seu corpo cheio de água doce
meu pulmão queria explodir
nunca quis tanto chegar a borda
mas quando cheguei

desejei ir com você
.
eu queria gritar com você e te rasgar por debaixo da pele
queria comer suas mãos inteiras e arrancar os seus olhos
mas me tocas tão devagar e me chamas tão baixo
que sendo tão pouco
não sei como existe tanto de você aqui
.
o escopo da minha boca tem sido o teu corpo por tanto tempo

(minhas pernas se recusam a ir a outro lugar)
.
‪uma cidade inteira pra me engolir e eu aqui presa nos seus dentes

um bando de gente pra me ver dançar e eu aqui contabilizando as vezes que você me olhou

um monte de bares pra eu me apaixonar e eu aqui me embriagando de solidão
.
guardei tudo tremido na memória
feito tuas pequenas mãos
mas as cores são bem vívidas
feito teu jeito
Next page