"andei" poems
Vou vagueando de rua em rua
Observando rostos desconhecidos
E vazios
Tenho a certeza que nunca andei por estas vielas
Mas algo nelas é tão familiar,
Tão meu
Sento-me num banco escondido
Pouco iluminado
E penso em ti
Tu que me persegues para onde quer que vá.
Fujo, corro para longe e por mais longe que esteja
Perguntam-me: Em que estás a pensar?
E eu como sempre respondo:
Em nada.
Porque tu és para mim
O Nada do Mundo
Nov 17, 2014
Nov 17, 2014 at 5:41 PM UTC
De repente
olho para trás
e postais antigos
invadem-me a memória,
fotografias já sem cor
de um tempo que não poderei fazer regressar.
Sou alguém, ou assim dizem
mas o que sou jamais importa.
Rebelei-me contra a escola
ataquei os professores
fui pateta
Andei por aqui e acolá
a biblioteca, os livros
sua magia, seu encanto
na adolescência a história do rock
um verão esplêndido
e à noite
uma garrafa, uma rapariga e um abençoado sonho.
Abraço as imagens de outros tempos
e torno-me num palhaço
o que faço
bebo
bebo para vos poder ridicularizar
estar bêbedo é um bom disfarce
depois
minha cabeça pifou
lamento as noites, os anos, tudo o que perdi.
À medida que o corpo se destrói
o espírito torna-se mais forte.
May 5, 2014
May 5, 2014 at 5:02 PM UTC
Passa-se num quarto
luz ténue
velhos livros empoeirados
o cigarro queima-me a ponta dos dedos
nos meus ouvidos, um leve melodia
um telefone toca
saio
andei por aí
a prostituta olhou-me
tremo de frio
uma cabana
recordo o passado, ainda presente
passei por tua casa para te ver
tinhas saído
ocultas-te dos convidados
mas eu sou teu amigo
os meus olhos
perturbam-te
infinitamente!
as melhores ideias vêm-me quando...
enfim
vou partir
pousei o livro
estou vivo
procuro a paz
esse momento de liberdade
está a ficar tarde
a noite começa
lentamente e cheia de sossego.
May 6, 2014
May 6, 2014 at 7:32 PM UTC