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Sowilo Oct 2020
Sim! A loucura lancinante!
Embaralhemos as cartas...
É tarde para o velho amor!
Permanecemos na Morte...

No fundo do baú, o selo do sonho,
no horizonte infinito dos seres,
uma estranha alegria diabólica,
o barulho de asas se agitando no ar...

Marteladas! A Torre de Babel!
Escavações! Montanhas de gelo...
Para onde?! Quem se importa!
Esquizofrenia de ser sempre eu
inventando personas, aberturas,
passagens para mundos insuspeitados...

Quebre as correntes!
Avance para o núcleo do Eu ...
Quem sabe encontremos, finalmente,
a autêntica melodia de nosso espírito?
Sowilo Apr 2018
Na asa dum morcego
Que rói vísceras de discórdia
Voei sobre a dúvida num ébano profundo
De lugar nenhum, sem aconchego
Carregando pálidos segredos, sem misericórdia
Desvanecido de mundo em mundo 

Num minguar de desdém
Cantando de túmulo em túmulo
Jaz a alma de meu ser ninguém
No mausoléu do cúmulo

E desse maculado desdém
Com olhos duma coruja malfazeja
Vislumbro os corações que ladram na igreja
Como meretrizes, reféns de um efêmero além
Sowilo Sep 2020
Caldeirão ácido, dissolução
Espectro sem cheiro sem cor
Palavras areia ao reverso do eu
Disposições inumanas, rasgou de esfuziote
Os limites da interpretação, e correu
E cansou e assassinou o sol.
Modorra metálica trânsito aparente de variáveis.
Pseudoparênquima, musgo, caracóis
Rotação resultante de cambaleio onírico
Vômito, chuva sanguinolenta, vértice
Virando as páginas da história, bombas
Funk do cataclisma, tensão dos quatro ventos,
Entrave.
Ao diabo com redundâncias,
erupções angelicais de devaneios,
acendeu o cigarro, cantou com a letra embolada
A canção que se confundia com cactos
Peyote, seria preciso atravessar as fronteiras.
Inútil; pestanejo impreciso, manquitolante firula,
A mosca na teia, cuspe, recorte de cena em preto e branco,
Congelamento em narrativa fantasma: o passado, o outro;
Engano, a língua demoníaca lambendo as nuvens da dissipação.
Constirpação, retrocesso; retalhos de constituição,
Ternos fedorentos, chinelos, lama industrial, enxofre.
Tijolos, bigornas, bigodes, abatedouros, vacas voadoras.
Linearidade forçada: construção progressiva de dois mais dois
Igual a quatro. Como driblar esta imagem que se repete?
Vermes, buraco *****, isolamento, discórdia, carícias, maquinações.
Triangular a projeção explodida dos hologramas delirados:
Espirro, suco de limão, despedidas, voltando ao fio da meada:
Pular, pular, cair, cair; estaremos prontos quando a lua disparar
Raios de intuição no núcleo desconjuntado de processos –
E tudo aquilo se esvanecia... Renúncia, desaceleração...
Ainda não estivemos suficientemente inspirados pela terra.
A terra precisava nos engolir; fauna, flora, multiplicidades ardentes
De além-mortes cantando êxtases; numa outra encarnação talvez;
Longe do ritmo odioso das celas de comunicação obstruídas.

Ossos.
Sowilo Oct 2020
Condene-me ao solstício de inverno
Onde as flores são de cristal e os rios congelantes
Onde posso fazer uma fogueira e ver deus em uma tapera
E invocar das batidas de meu coração
A verdade mais clara que já existiu
Cavalgar com as sombras para dentro de um castelo
E ver o mistério fluir em minhas veias
Tão fútil quanto a matéria é o deus que a criou
E dentro de cada molécula vibra um raciocínio interior
Um tesouro filosófico distante de se encontrar
Mas que sempre esteve dentro de si
Heterodoxo, com a essência sólida
Em meu ser amálgama de mil verdades
Luz que estremece os abismos de deus
Entrando na consciência do desconhecido
Há um vazio onde o sagrado fogo queima
Onde o todo se consome para dar vazão ao verdadeiro
Dançar ao som da música inaudível
Tambores da dissolução, rachaduras do cosmos!
Lydeen May 2020
Sic Itur Ad Astra.
Assim para as estrelas eu viajarei,
Em tempos de luto e perda,
Através das estrelas e galáxias,
Ao calor fugaz do sol,
Sic itur ad astra.
Sowilo Oct 2018
A síntese é a guerra
Umbrais derradeiros sobre mausoléus imundos
A realidade abre-se, e o corvo ri, geme a terra
Enquanto as trevas servem a hóstia das crenças
No lodo da agonia destroçando os mundos
Verdades, assombros, paradoxos, desavenças

Paixões e quimeras, velando os prantos
Encobrindo os devaneios sob os ossos, os sonhos sem cores
O mundo serve seu ludibriante circo de horrores
E em toda parte, meu coração em espanto

Mas o agouro nos casebres desmantelados
Tombando as sombras das ilusões
Desesperança espalha-se como peste em demônios alados
Na clarividência aterradora das visões

E conduzindo em uníssono, a loucura e sanidade, vou eu, desarranjado
Rasgando a nebulosa deste sonho, com os olhos de todos os amaldiçoados!
The stars did a flashmob
on this moon night
in full parking in the open,
Where each car have
a name star, galaxy,
asteroid, comet or a planet,
And the heart doing
a spatial symphony...
Mar Oct 2019
“Se você quer ser um escritor, continue escrevendo”

Encaro em minha frente a folha em branco
canto a canto,
escrevo
porque escrevo?
poesia
retrato minha dor
agonia
e percebo que não mais sei escrever.
eu paro, penso, olho, busco
inspiração
em vão
não sinto mais prazer na escrita
e me irrita; quando desaprendi a escrever?
terrível é a dor do poeta
que sofre ao perceber
o modo como desaprendeu a ver
inspiração no mundo
e ele que não sabes ser nada mais que poeta
nada mais que escrever sobre sua dor
não sofre mais pela vida, pela morte, pelo amor
não sente mais agonia, alegria; caiu na apatia
e a poesia?
desaprendeu…
e o que lhe resta escrever?
metalinguagem…
Lua Apr 2019
Nas palavras da mulher que viveu em 1910
Os "anos 80" eram 1880
E suas reclamações da nova Rússia eram tão atuais quanto as nossas
Em meio a semi ditadura e intolerância política e religiosa
Eu, que quase achei que estávamos progredindo e crescendo
Esqueci que esse é o maior defeito dos seres humanos, o esquecimento
Esquecer que isso tudo já aconteceu
E vai acontecer de novo e de novo
Mesmo eu, assim, maldizendo.
Talvez uma ou outra coisa melhore
Como disse um conhecido certa vez
Mesmo que o mundo se afogue
No consumismo, e exploda de vez
Em puro esquecimento
Afinal, você não pensa?
Sim, sobre isso mesmo
Sobre o sentido de tudo isso
Em meio a minha juventude nunca entendi a complexidade desse pensamento
Hoje, perdida entre sentimentos, compreendo
Não é sobre o sentido da vida
Mas sim de tudo do mundo
Afinal o ser humano gosta de se ver como uma dádiva, uma criação
Mas não pára para pensar na simples ocasião
De ser fruto de um erro de equação
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