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Mar 25 · 36
Um raro sorvete
Mistico Mar 25
Quando meu paladar provar tua boca,
e o tato, em chamas, teu corpo evocar,
serás brasa viva, febril, intensa,
a suar desejos a me incendiar.

E nesse calor, meus beijos profundos
serão mais que beijos, serão tentação,
sentindo teu corpo em doce vertigem,
despertando em mim nova sensação.

E assim, no delírio de teu suor,
saborearei, com insaciável prazer,
o gosto que dança entre fogo e frescor,
um raro sorvete a se derreter.
Mar 25 · 36
O Reflexo do Encanto
Mistico Mar 25
Aquele espelho, marcado pelo tempo,
bordado de digitais, repleto de memórias...
Já viu de tudo, já guardou histórias,
mas um dia, límpido como o orvalho,
refletiu a beleza de sua dona,
e como um sol, ela brilhou.

Tão intenso foi seu fulgor,
que as portas se abriram, os olhos se ergueram,
e todos saíram para admirar
o calor daquela presença divina.

Esse espelho, fiel confidente,
revela não apenas o semblante,
mas a essência de quem nele se reflete.
E todos que a veem, a amam ainda mais.

Mas nada se compara ao encanto
quando sua doce voz ecoa,
quando seu sorriso ilumina,
e a simples proximidade
faz o coração ansiar por mais.

Hoje, sairei de casa de olhos fechados,
deixando o calor do sol me beijar,
imaginando que é ela,
a mesma que brilha no espelho,
tocando meu rosto
com a suavidade de sua alma.
Mistico Mar 23
A oportunidade é brisa sutil,
Que passa ligeira, sem repetir,
Se não a seguras com gesto gentil,
Como saber se irias sorrir?

O medo esconde o que o tempo revela,
Um passo hesitante, um sonho a ruir,
Aquela alma que te espera e zela,
Pode ser quem te fará florir.

Mas a cada dia, distante ela vai,
Como estrela que some no imenso céu,
E quando percebe, já não há mais,
Outro olhar tomou-lhe o véu.

O destino não dá segundas certezas,
Ele segue em frente, sem hesitar,
Se não valorizas o que a vida te entrega,
Outros braços irão lhe guardar.
Mistico Mar 16
Frio tornou-se aos próprios sentimentos,
Se antes almejava um amor, hoje se refugia em seu mundo.
Lá, ninguém entra, fortaleza impenetrável,
Santuário erguido contra a dor e a decepção.

Ao seu lado, a mulher que acalma sua alma,
Que o eleva, que o impulsiona a ser mais.
Ali, não há angústia, não há temor,
A depressão é sombra dissipada,
A ansiedade, um eco já distante.

Lembranças tristes dissolvem-se em névoa,
Chovem como gotas de uísque sobre a eternidade.
Naquele universo, ele se perde para se reencontrar,
Onde a felicidade é firme, imutável,
Intocável por mãos que apenas desejam usá-lo.

A distância? Apenas um sopro para onde deseja ir.
A cada dia, mais uma muralha se ergue,
Não como prisão, mas como escudo,
E nele, jamais haverá queda.
Mar 16 · 29
O preço do gelo
Mistico Mar 16
De tanto cair, aprendeu a se erguer sem ajuda,
De tanto doer, fez-se pedra, fez-se bruma.
No teatro dos falsos, veste a máscara do mundo,
Deixa que o subestimem, pois sabe o final do jogo.

Julgam-se astutos, senhores da própria sorte,
Mas quão tolo é aquele que se crê intocável!
Ensinado ao frio, agora lhe pedem calor,
Mas onde estavam quando a tempestade o assolava?

Hoje caminha só, intocável, inatingível,
Não por orgulho, mas por cicatrizes invisíveis.
E aquela que um dia teve sua essência em mãos,
Ao perdê-lo, perdeu mais que um homem: perdeu a si mesma.
Mar 15 · 112
"Eco da Superação
Mistico Mar 15
Mantenha firme a tua razão,
Não te iludas com vãs palavras,
Que sem ação se desfazem ao vento,
E ocultam verdades amargas.

Alma explorada, dor renascida,
Já foste presa de um jogo cruel,
Mas mãos divinas te resgataram,
Erguendo-te além do fel.

Quem te perdeu, agora implora,
Mas não por amor, não por bondade,
Apenas anseia um coração aos pés,
Para inflar sua vaidade.

Deixe que prove do próprio vazio,
Que colha da dor que semeou,
Pois quem não soube te valorizar,
No próprio desprezo se afogou.
Mistico Mar 15
Oh, consciência, implacável juíza,
Que fere mais que qualquer algoz,
Trazes lembranças de amor desfeito,
E um eco amargo de nossa voz.

O peito anseia reviver a chama,
Que outrora ardia em doce fulgor,
Mas logo a sombra do arrependimento,
Apaga os rastros do que foi amor.

Diz-se apaixonado, anseia o reencontro,
Mas trata-me frio, como um forasteiro,
Sou eu quem vaga por sonhos desfeitos,
Na vã esperança de um amor inteiro.

E então, cruel consciência alerta,
Diz-me que corro sem direção,
Alimento esperanças já esquecidas,
Num tempo que jaz na escuridão.
Mar 14 · 65
O Eco do Passado
Mistico Mar 14
Sua voz ressoa em meus ouvidos,
como um sussurro do tempo que insiste em voltar.
Finjo-me de pedra, de indiferença fria,
e revisto minha alma de lembranças amargas,
na esperança de que me sirvam de escudo.

Angústia… essa velha conhecida,
vem e me lembra de tudo que fiz,
de tudo que foi em vão.
Se antes nada bastou,
por que agora haveria de ser diferente?

E a confiança… onde ficou?
Talvez perdida na imensidão do esquecimento,
talvez guardada, adormecida,
à espera de um dia
em que a saudade seja mais forte
do que as dores que me ensinaste a sentir.
Mar 14 · 60
Ciclos Quebrados
Mistico Mar 14
Culpavas-me por uma energia invisível,
como se fosse eu a corrente a te prender,
quando, na verdade, eram teus olhos fechados
que te impediam de ver.

Gritei verdades em silêncio,
estendi minhas mãos ao vento,
mas foste surda ao meu chamado,
e, sem hesitar, me lançaste ao esquecimento.

Fui o grudento, o exagero, o erro.
E, ironia do tempo, agora retornas,
quatro estações depois,
com promessas de amor tardias.

Mas já não sou mais quem espera,
não sou refúgio para quem desperdiça,
quero a brisa de um amor sincero,
não o peso de quem só volta
quando já perdeu tudo o que tinha.

Grato pelo passado,
mas meu presente é outro.
E meu futuro, ah…
esse já não te pertence mais.
Mar 14 · 60
O Jogo das Máscaras
Mistico Mar 14
Há aqueles que se aproximam com palavras doces,
tecem laços enfeitados de promessas vazias,
e, sorrateiros, sugam tua essência,
tomam de ti tudo o que podes ofertar.

Quando já não restam vestígios de tua luz,
te lançam ao vento como folha seca,
e, sem remorso, plantam discórdia ao teu redor,
fazendo da tua dor um espetáculo sem plateia.

Mas a vida, justa em sua própria dança,
não se deixa enganar por artifícios humanos.
Aos que creem estar no trono da vitória,
ela surge, implacável, desmascarando a farsa,
derrubando impérios erguidos sobre enganos.

E enquanto os falsos se perdem na queda,
aquele que foi traído observa do alto,
com o olhar sereno de quem compreende
que a verdade, ainda que tardia, sempre vem.
Mar 9 · 71
Frieza e Destino
Mistico Mar 9
Sê gélido como jamais foste,
até que teu peito não mais pulse,
pois o amor não te pertence—
ele vem para dilacerar, para ruir,
para provar que é dádiva aos outros,
mas maldição para ti.

Não há luz em teu ser que possa iluminar,
pois tua essência jaz congelada,
tão vasta e impenetrável
que nem mil sóis a derreteriam,
nem mesmo a fúria de uma explosão atômica
romperia tua fortaleza de gelo.

Sê apenas passagem, um vulto, um nome,
nada além de um sopro efêmero.
Não almejes mais do que isso,
pois não há proveito algum em querer.
As gentes não te amarão pelo que és,
mas pelo que tens,
e se nada tens, serás o nada diante delas.

Refugia-te em tua bolha,
ergue muros contra tudo o que existe,
mais sólidos que a própria matéria,
mais impenetráveis que a razão.
Sê apenas pensamento,
ou quem sabe nem isso.

E quando o destino vier com suas chamas,
tentando derreter tua couraça,
não te enganes:
não é ilusão, mas sim prova,
um eco do tempo sussurrando
que, talvez, apenas talvez,
o frio seja tua única verdade.
Mar 8 · 59
Reflexão do Ser
Mistico Mar 8
Talvez eu deva me esforçar,
Para que ao escrever, algo possa brotar.
Mas ainda prefiro viver momentos tão profundos,
Que minha mente transborda de mundos.

No papel, as palavras vêm e vão,
Frases, lugares, tempos da invisível criação,
Eu, eu mesmo, e ninguém mais,
Num jogo de "talvez" e "mas" sem iguais.

Ruiva ou loira, pouco importa o aspecto,
Quando olho para o nada e vejo o universo em meu reflexo.
O planeta, tão distante, se reflete em minha mente,
Onde palavras surgem sem sentido, mas com uma força latente.

Perfume forte, perfume fraco,
No final, ambos se tornam um só, sem o que era de fato.
A essência se transforma, em algo imenso,
A imperfeição se revela a mais bela no tempo imenso.

O caráter, verdadeiro e inquebrantável,
Prevalece onde a alma se torna admirável.
O futuro leva essa virtude com firmeza,
E a beleza reside na sinceridade, sem outra defesa.

Viver sozinho, talvez uma opção,
Mas a perfeição não se encontra na solidão.
Um abraço, um carinho, um beijo profundo,
São desejos que buscam ser compreendidos neste mundo.

A carne é efêmera, apenas carne,
Mas o espírito é eterno, algo além de qualquer arte.
Palavras ao vento, levadas pelo tempo,
Transformam-se em desejos, em crescimento.
Mar 8 · 46
A Força do Silêncio
Mistico Mar 8
Encanta-se o mundo com versos suaves,
E há quem duvide do que a mente esculpe.
Sereno, discreto, sem ira aparente,
Mas na escrita, a palavra ressurge potente.

Flui sem esforço, sem rumo, sem norte,
Do nada renasce um traço mais forte.
Pensar no vazio, mas dele extrair,
A essência da vida, o dom de sentir.

Palavras que moldam, que marcam o tempo,
Que revelam segredos em cada momento.
Do silêncio, um eco, da sombra, um brilho,
Na pena do "ninguém", o verbo é um trilho.
Mar 8 · 47
A Sogra Encantadora
Mistico Mar 8
Ah, mas não são todas, sejamos justos,
Mas esta em questão desperta desgostos.
Uma sandália voando, quase inevitável,
Na mente imagino, cenário inigualável.

Fértil é a mente, mas dói só de ver,
Dá até vontade de em bolinhas a esconder.
Tão amável, tão doce, um ser reluzente,
Que faltam elogios, mas sobram na mente.

Ah, se sumisse a dentadura em um canto,
Talvez o silêncio trouxesse encanto.
Que fala, que espalha, que nunca descansa,
O prédio é alto, mas falta esperança.

Na praia perdida, no mar rejeitada,
Nem Iemanjá quer ser incomodada.
Sogrinha querida, que doce é teu ser,
Grudada em meu pé, sem querer se render.

Larga da vida que não lhe pertence,
Deixe que o amor siga e se estenda.
Engula seu ouro, sua sede insana,
Que a vida responde, e o tempo não engana.
Mar 8 · 54
A Voz da Verdade
Mistico Mar 8
Sou eu, tão somente, a dizer o que deves ouvir,
Sem temor do que o mundo venha a pensar.
Minhas palavras, como flechas, sempre a partir,
E se elas ferem, não hesito em lançar.

Nem todos têm olhos para ver a clareza,
Nem ouvidos para a pureza da minha fala.
Falo o que me é justo, sem qualquer sutileza,
E se não suportas, a culpa não me embala.

Sou senhor das minhas ações, com alma tranquila,
Mas não sou o eco das palavras que a ti te assombram.
O que eu digo é meu, e minha verdade brilha,
Sem que me importe com as vozes que me julgam.
Mar 8 · 57
Sombras da Multidão
Mistico Mar 8
Não importa para onde vás,
o mundo tomará de ti o que for luz,
e quando nada mais houver,
te lançará à escuridão do esquecimento.

Seja só, seja frio, faça apenas o teu,
que não haja brecha para desmoronar.
Nenhum rumor, nenhum desvio,
somente teu ser a te guiar.

Não lamentes, não te curves,
o mundo é palco de ilusões frágeis.
Os falsos se afastarão na distância,
pois somente os verdadeiros encontrarão teu caminho,
na pureza da tua verdadeira essência.
Mar 5 · 95
O Encanto do Vermelho
Mistico Mar 5
Um dia, olho ao lado e lá vem ela,
Menina de batom vermelho, essência singela.
Seu vestido rubro dança ao vento,
E com um olhar, congela o tempo.

Seus passos firmes, seus olhos profundos,
Empurra o mundo, desvia segundos.
Um leve sorriso, de canto de boca,
E meu coração, por ela, já louca.

Ao passar por mim, sem uma palavra,
Seu olhar me chama, sua presença agrada.
Diz sem dizer: "Vem ficar comigo",
E eu, sem pensar, já sou seu abrigo.

Sempre que a vejo, meu dia se acende,
Com seu sorriso bobo, tão doce, tão quente.
Ela pouco fala, mas diz tudo sem som,
O coração entende, sem precisar de tom.

E quando escreve, se perde no meio,
Manda palavras onde não há segredo.
Mas pouco importa o destino errado,
Pois entre nós, já está selado.

Da amizade ao desejo, um passo tão breve,
A saudade aperta, a presença me serve.
Pois a vontade de estar junto grita forte,
Mais que a distância, mais que a sorte.
Mar 4 · 68
Raios de Sol
Mistico Mar 4
Vagueio pelo espaço, absorto no tempo,
quando o raio de sol toca tua face,
despertando em ti a alegria serena,
enquanto repousas sob a máscara
que embala tua pele em suave frescor.

A luz intensa, ao cruzar teu olhar,
traz consigo o reflexo dos meus pensamentos,
como um eco silencioso do que em nós habita:
o deleite insano do aroma solar,
a seiva ardente que nos envolve e consome.

As horas deslizam, furtivas e leves,
perdidas na ânsia do brilho esperado,
na urgência do sol que beija a pele,
libertando a essência mais pura do ser.

O instante se faz eterno na espera,
na calmaria do calor que não queima,
no frio que não afasta, mas nos une,
abraçados no espaço que só a nós pertence,
onde o encaixe é perfeito, e o tempo se dissolve.

Ao amanhecer, um braço adormece,
mas o sabor do sol permanece nos lábios.
Respirações profundas, sôfregas,
a suplicar por mais um dia de luz,
por mais um raio que, inevitavelmente,
retornará ao teu rosto,
iluminando, uma vez mais, o universo em nós.
Mar 4 · 46
Ressonância da Alma
Mistico Mar 4
Minha mente, um vasto vácuo, divaga,
enquanto o ar me escapa em ofegante lamento.
Não corri, mas a ansiedade galopa, impávida,
pressionando-me o peito como fardo violento.

Uma manada impetuosa ruge em meu ventre,
e, ainda assim, sustento a face serena,
pois acostumei-me a silenciar tormentos
e a ocultar a dor sob a névoa amena.

Os pensamentos, frágeis, esvaem-se na hora exata,
as palavras, impensadas, brotam sem freio.
Ergo os olhos ao teto e as lembranças me assaltam,
umas ternas, outras ásperas como o vento alheio.

As más, tão insistentes, insistem em ficar,
embora eu relute, embora eu as negue.
Mas nunca mais será como outrora,
pois meu próprio querer a saudade repele.

E assim sigo, exausto, mas atento,
deixando que a sonolência me embale em devaneios.
É no limiar do sono que encontro o intento:
escrever sem sentido, mas pleno de anseios.
Mar 4 · 49
Oásis da Alma
Mistico Mar 4
Preciso de um refúgio, um santuário etéreo,
um espaço onde o vazio se estenda sem limites,
onde minhas mágoas se afoguem, dissolvendo-se no tempo,
e, ao emergir, fiquem à deriva, sem âncora para retornar.

Não apenas as tristezas desejo abandonar,
mas também os pesares que ecoam na mente,
os tormentos insondáveis, os pensamentos errantes,
toda sombra que, impiedosa, se aninha em meu ser.

Almejo um refúgio, um bálsamo sem toque,
onde minha própria consciência me embale,
pois já não espero gestos nem promessas,
talvez nem mesmo de mim próprio.

Um refúgio onde, após a água fria em dias abrasadores,
eu possa fechar os olhos sem temor,
e, na vastidão do pensamento, encontrar descanso,
certo de que, ao despertar, serei renovado.

Preciso de um mergulho profundo,
tão intenso que, ao emergir,
seja eu outro, despido do peso do passado,
meus fardos escoando pelo ralo do esquecimento.

Que até minha essência resplandeça,
e a escuridão oculta, há tanto arraigada,
seja iluminada por quem deseje permanecer,
pois tal redenção não se dá por acaso,
mas pelo encontro de almas que veem além.

Tão restaurador será esse refúgio,
que nele reencontrarei o que há muito se perdeu:
a centelha que, adormecida,
aguarda apenas um sopro para arder outra vez.
Mar 4 · 61
Silêncio e Paz
Mistico Mar 4
Pensamentos em turbilhão, desejo de amparo,
Mas o justo é vilipendiado, o nobre, raro.
Palavras rudes são luzes em falsas vitórias,
Enquanto o zelo se perde em memórias.

Quisera eu largar-me dessa insana missão,
De abraçar um mundo que jaz na ilusão.
Proteger o que é vão, sem merecer,
Mas por laços atados, deixei-me envolver.

Anseio o silêncio, a paz, o vazio,
Ser sombra esquecida ao sopro do frio.
Nenhuma palavra, nenhum olhar,
Apenas existir, sem precisar falar.

Por um dia, talvez dois, ou um breve instante,
Que o mundo se esqueça, que tudo se afaste.
Ser visto apenas por quem vale o momento,
Enquanto o vento leva palavras ao tempo.

E se acaso alguém, num canto perdido,
Sentir o que sinto, num eco contido,
Saiba que a dor de querer se ausentar
É, por vezes, apenas o desejo de paz encontrar.
Mar 4 · 62
O Refúgio da Alma
Mistico Mar 4
Sozinho em meu canto, sem nada esperar,
Fecho os olhos, deixo a mente vagar.
As palavras fluem, tentam me salvar,
Mas se as prendo, podem me sufocar.

Mudar? Talvez não seja a solução,
Pois não se molda a essência do coração.
Ou luto para ser quem desejo ser,
Ou morro tentando, sem me render.

Minhas palavras, fiéis companheiras,
Expressam a dor e a alegria verdadeira.
Em meio à multidão, sou só solidão,
Ruídos me cercam, mas vazio é o chão.

Uma cabana em meio à floresta,
Um sofá macio, escuridão modesta.
Filmes e séries, lágrimas e gritos,
Sustos e risos, prazeres restritos.

Então, um sopro, o vento lá fora,
Ela retorna, vestida de aurora.
A dama de vermelho, presença tão forte,
Faz-me esquecer do que chamo de sorte.

Venha sempre, acalme meu ser,
Roube meus pensamentos sem eu perceber.
Use e abuse de minha alma e meu corpo,
Pois só em teus braços esqueço o desconforto.
Mar 4 · 74
O Peso do Silêncio
Mistico Mar 4
Hoje estou aqui, despejando o que sufoca,
palavras que me engasgam, que me prendem a garganta,
gritando em silêncio, chorando sem olhos que vejam,
esperneando sem mover um só músculo da alma.

Minha única companhia é aquela que me embriaga,
derruba-me num sono sem sonhos, sem cor,
onde o vazio se torna refúgio,
onde nem ecos nem ruídos ousam entrar.

Sou árvore que lança suas folhas ao vento,
mas também galho seco no rigor do inverno,
preso ao tronco, congelado no tempo,
sem cair, sem renascer, apenas existindo.

Ainda estou de pé, mesmo quando já caí,
pois algo maior me sustenta,
algo mais forte que o abismo dentro de mim.
Preciso mudar, seguir, esquecer…

Mas falar é sempre mais fácil do que fazer.
Mar 4 · 46
O Grito Silencioso
Mistico Mar 4
Um grito, talvez de socorro,
tão intenso que se perde no silêncio.
As palavras me fogem, a voz me trai,
e mesmo querendo pedir ajuda,
o som não se forma, e tudo se esvai.

Afogado em penas de uma depressão densa,
com saudades eternas daquela que partiu.
Tão viva esteve, tão breve ficou,
hoje repousa em paz, enquanto eu,
preso aqui, luto para seguir.

Tento me erguer, tropeço no vazio,
o peso de existir me ancora ao chão.
Talvez eu seja uma rocha fria,
forte o bastante para proteger,
mas incapaz de ser protegido.

E quem cuidará de mim,
se fui feito para amparar?
Talvez minha missão seja essa,
ser o escudo e não ser abraçado,
ser o alicerce e jamais o lar.

No fim, sou apenas eu,
sozinho com pensamentos que gritam,
querendo sumir, mas percebendo
que desaparecer é fútil,
pois já sou invisível ao mundo.
Mar 4 · 48
A Bolha
Mistico Mar 4
Talvez não seja minha visão que se turva,
mas a sua, que não alcança o que há no fundo.
Você enxerga em mim o brilho, a bondade,
mas de que adianta ver luz onde só há sombras?

Sou um mosaico de gestos e sorrisos
cercado por pensamentos que gritam em silêncio.
A depressão é um sussurro constante,
um eco que se repete dentro de mim.

Não gosto da solidão, mas escolho tê-la,
não por desejo, mas por proteção.
Se me fecho nessa bolha imensa,
é para que ninguém sinta o peso que carrego,
para que ninguém se perca onde já estou perdido.

E talvez, aqui dentro, o tempo passe devagar,
ou talvez eu passe a vida inteira sem notar,
preso na transparência dessa redoma,
vendo o mundo, sem jamais tocá-lo.
Mistico Mar 4
Nos abismos da mente, onde não há início nem fim,
existe uma porta oculta, frágil e silenciosa.
Ela se abre nas decepções e se esconde nas alegrias,
e, em certos dias, nem sei se ainda está lá.

Qual é o verdadeiro fundo dos pensamentos?
Quão profundo se pode mergulhar
antes que a própria consciência se torne um labirinto?
Será que já cheguei ao limite do que posso suportar,
onde as palavras se chocam e as dores se escondem,
presas em gavetas que nunca quero abrir?

Talvez, nas sombras dos pensamentos,
repousem memórias que eu preferia esquecer,
ou um vazio sem nome,
um cemitério de sentimentos
que ainda ecoam dentro de mim.

Mas hoje, recuso-me a afundar nesses destroços,
prefiro escrever palavras bonitas,
pintar poesias que me representem
em vez de gritar dores que não desejo reviver.

Falar? Para quê?
Se minha voz já se perdeu no tempo.
Prefiro o silêncio da observação,
o encanto do que é admirável,
e o alívio de traduzir em versos
aquilo que nunca conseguiria dizer.
Mar 4 · 64
O Peso das Relações
Mistico Mar 4
É válido dizer, sem medo ou receio,
que quem cresce ao seu lado, muitas vezes,
será o primeiro a lhe deixar para trás.
O poder sobe à cabeça como um veneno lento,
e, de repente, quem precisava de você
já não se lembra de gastar sequer dez segundos
onde antes passava horas.

No fim, a solidão se torna uma escolha imposta,
e recomeçar parece a única saída.
Mas sempre há alguém que chega
para fazer pior do que já fizeram,
e aquilo que custou tanto a esquecer
retorna com ainda mais força.

Assim é a vida: um ciclo de promessas vazias,
de emoções que se perdem nas mãos erradas,
de amizades que juram eternidade
mas se esvaem ao primeiro sinal de oportunidade.

E quando não restam mais opções,
quando todas as chances já foram desperdiçadas,
o que sobra além do cansaço?
Por que insistir em oferecer oportunidades
a quem vê apenas o que pode tomar?

A ironia amarga da vida é que
tiramos alguém do fundo do poço
e, no instante seguinte,
somos nós os afogados,
empurrados por quem ajudamos a salvar.

Se ao menos as pessoas viessem com um trailer de cinco minutos,
seria tão mais fácil evitar esse roteiro repetido...
Mas a vida não dá prévias,
apenas cenas cortadas de um filme
que sempre insiste em se repetir.
Mar 3 · 69
A Dama de Vermelho
Mistico Mar 3
Uma visão cintilou em meu olhar,
A dama de vermelho, em fulgor e encanto,
Roubou-me o fôlego com seu esplendor,
E fez-me cativo de sua essência.

Seus cabelos, rubros como fogo ardente,
Seu olhar, lâmina que estrangula a razão,
E em cada gesto, uma promessa de ternura,
No brilho de seus olhos, a paz e a perdição.

Seu vestido longo, vermelho como desejo,
Seu batom, rubra tentação que percorre caminhos,
E, embora todos a admirem em seu caminhar,
Somente meu olhar deseja conquistar.

No ar, um perfume inebria os sentidos,
Notas de rosas que me enlaçam sem forma,
Cego pelo aroma antes mesmo da visão,
Apaixonado antes mesmo do toque.

Então ela foge, rindo, seduzindo,
Segura minhas mãos e me faz levitar,
Sobre as águas, entre os ventos,
Em um êxtase que me faz voar.

No vazio do instante, seu vestido se desfaz,
E nua ela surge, chama azul em brasa,
E quanto mais a contemplo, mais me consumo,
No fogo insaciável da paixão que me devora.
Mar 3 · 52
O Julgamento do Tempo
Mistico Mar 3
O tempo, tão exato quanto a própria existência,
Tecelão do passado, do futuro e do agora,
Transfigura palavras em verdades concretas,
Mas revela, também, a futilidade do amor ilusório.

Diz-me que me ama, que sou seu destino,
E eis que, ao final, a mesma voz que jurou
Transforma-se em lâmina afiada,
Em ameaça, em sombras, em dor.

Que amor seria esse, senão um sopro passageiro?
Um sentimento efêmero, moldado ao capricho do instante,
Que se desfaz como cinza ao sopro do vento,
Deixando apenas o eco do que nunca foi.

O tempo avança, impassível e justo,
E aquele que me feriu se perde em seus próprios dias,
Consumido pela roda que um dia girou contra mim.

E eu, desperto pelo golpe do tempo,
Sigo em frente, intacto, sábio, renovado,
Pois o tempo que me resta é meu,
E só a ele devo fidelidade.
Mar 3 · 40
O Silêncio do Sono
Mistico Mar 3
sono se impõe, mais vigoroso que a ânsia de escrever,
Fecho os olhos e, sem esforço, as palavras emergem,
Tão naturais quanto a vontade que delas se desprende,
Até que, inesperado, o sono se anuncia.

Anjos admiráveis adornam o etéreo sonhar,
Mas eis que o desejo de um devaneio sublime
Dissolve-se na neblina do nada,
E o sonho se faz ausência.

Por que então dormir, se não é o sonho que nos move?
Não repousamos pelo anseio de visões encantadas,
Mas pela exigência do corpo,
Que anseia pelo renascer dos sentidos,
Para que, ao despertar, sejamos inteiros.

E quando, por fim, o sono nos envolve,
Toda inquietação silencia,
As palavras se desfazem em murmúrios vãos,
E o tempo nos conduz, inevitável, à aurora.
Mistico Mar 3
Engraçado como passam pessoas,
deixando marcas que o tempo não apaga.
Algumas ficam, outras partem,
e há aquelas que se demoram,
só para no fim abandonarem sem aviso.

E assim seguimos, colhendo lições,
descobrindo que o valor que temos
depende menos de quem chega
e mais de quem escolhe ficar.

Todos os olhares, todas as emoções,
instantes de felicidade intensos,
mas passageiros como o vento,
eternos apenas na lembrança
de quem ousa sentir.

Chutamos o ar em fúria contida,
pois sabemos que, por mais que sejamos tudo,
para muitos seremos nada.
E todo esforço, todo afeto,
pode ser apenas um eco lançado ao esquecimento.

No fim, resta a certeza:
colocar-se em primeiro lugar
é a única forma de não se perder.
Talvez, se nos priorizássemos mais,
as dores seriam menores,
os erros, evitáveis,
as mágoas, inexistentes.

Palavras doem mais que silêncios,
pois ferem onde os olhos não alcançam.
E ainda que façamos de conta,
o coração sente.

A distância, às vezes, é a cura,
o sumiço, uma solução,
um recomeço onde a dor não chega.

Ah, se pudéssemos apagar memórias,
deletar as mágoas como arquivos perdidos!
Mas enquanto isso não é possível,
seguimos… esperando que o tempo,
a seu modo, nos ensine a esquecer.
Mistico Mar 3
Cabelos dourados, um olhar que fuzila,
capaz de encarar até o próprio diabo.
Sagitária indomável, livre e destemida,
desperta o riso e aquece o espaço ao seu lado.

Simplicidade e furacão num mesmo existir,
é louca, pirada, ativa, sem fim.
Cuida dos outros, mesmo sem querer,
e mesmo distante, faz-se sentir.

Onde passa, deixa sua marca,
a presença intensa, difícil esquecer.
Tão chamativa e tão original,
que quem não gosta, um dia irá se render.

Sabedoria ágil, mente brilhante,
derruba paredes, desfaz ilusões.
Seu riso prende, sua alma encanta,
como um farol em meio aos corações.

E o tempo, ciumento, corre veloz,
pois teme que, em sua luz ardente,
possamos amá-la por tempo demais
e nunca mais deixá-la ausente.
Mistico Mar 3
As inspirações que agora me tomam
Fazem-me pensar se olhei para o lado errado.
Talvez a mesma sensação que me invade neste instante
Seja eco da que senti mais cedo.

Mas seria possível que a indireta enviada fosse real,
Ou apenas um devaneio da minha mente inquieta?
Não seria mais justo seguir o caminho reto,
Dizer o que se quer sem rodeios?

Talvez o medo da negativa
Seja um fardo maior que o desejo,
E por isso as palavras se perdem
Antes mesmo de serem ditas.

Serenidade e culto tom são vistas como antigas,
Enquanto a irreverência e o descuido
Se tornam os novos versos da modernidade.

A juventude já não entende o querer genuíno,
Pois são poucos os que escolhem pelo ser,
E já não há quem ame por essência,
Mas apenas pelo reflexo de um instante passageiro.
Mistico Mar 3
Em um instante fugaz, num breve segundo,
Olho ao lado e ali a vejo, serena,
Esperando, talvez por algo, talvez por alguém,
Ou apenas pelo inesperado que muda o destino sem avisar.

E sem notar, o alguém já entrou,
Como brisa leve que invade sem permissão,
Sem que palavras precisem ser ditas,
Sem que a intimidade tenha tido tempo de nascer.

Ela, a mulher que sabe cantar,
Firme, inabalável em seu silêncio cativante,
E mesmo sem chamar, atrai,
Hipnotiza os que orbitam sua presença.

Tantos ao redor, movidos pela simplicidade,
Enquanto aquele que chegou por acaso,
Se distancia por medo de não ser suficiente.

Talvez o anonimato seja refúgio seguro
Para um alguém que não se julga digno,
Mas quem sabe, um dia,
O que hoje é sombra torne-se luz,
E deixe de ser ninguém para se tornar prioridade.
Mar 3 · 62
Um Encontro ao Acaso
Mistico Mar 3
Estava distraído, e de repente a vi,
Tímida no canto, e ao mesmo tempo eloquente,
Explicando com sutileza as regras que regem aquele instante.

Interessei-me, mas permaneci em silêncio,
E sem aviso, sem tempo para ponderar,
Sugeri uma hipótese e, no ímpeto do momento,
Embolei-me nas palavras sem querer, querendo.

O dia passou, e à medida que o horário se aproximava,
Segui meu caminho, tomado por uma vontade intensa,
Tão forte que esqueci, era madrugada!
O tempo se esvai depressa quando a alma se deleita.

Trocamos palavras tão naturalmente,
Que ao fundo, uma canção se fez presente,
Uma bela voz entoando versos em espanhol,
Inspirando a noite, abrilhantando a madrugada.

Melhor que ouvir tal melodia,
Seria apenas estar perto da própria canção,
Da voz que ecoou em notas suaves,
Transformando o tempo em poesia
Mar 3 · 54
Mundo Invertido
Mistico Mar 3
Neste mundo onde o certo se torna erro,
E o erro se veste de pura razão,
Onde o valor se mede em números frios,
E o amor é jogado ao vento, em vão.

Construir um lar é sonho distante,
Um eco perdido no tempo que foi,
Onde promessas se tornam poeira,
E o laço se rompe, deixando só dor.

Homens errantes, sempre culpados,
Mulheres que usam os filhos em troca,
Transformam afeto em jogo cruel,
E fazem da paz uma eterna revolta.

Oh, tempo passado, onde tu estás?
Quando o amor era feito de essência,
E a honra valia mais do que o ouro,
Antes da farsa e da indiferença.

Que volte o dia, que cesse a ilusão,
Que brilhe a verdade no olhar de alguém,
E que no caos deste mundo insensato,
Renasça o amor como outrora se tem.
Mistico Mar 3
A potência de minhas palavras
sussurra ao som dos ventos bravos,
como um fogo que arde sem forma,
sem rosto, sem rumo, sem dono.

Não sou eu quem escreve agora,
mas algo além de minha razão,
talvez um fragmento de mente desperta,
que acredita estar pensando em pensar.

As frases nascem sem comando,
derramam-se como rios sem leito,
e se perdem, dançando no ar,
tentando justificar o próprio caos.

Não há bordas na consciência,
não há contornos na emoção,
apenas ecos de algo que pulsa,
sem nome, sem peso, sem explicação.

E agora, ao tentar compreender,
percebo que pensar é desvendar,
mas o que escrevo não se explica,
apenas flui e assim deve ficar.
Mar 3 · 49
O Peso das Palavras
Mistico Mar 3
Hoje duvidei de mim mesmo,
das asas que carrego sem saber.
Questionei se minhas palavras voam,
se tocam almas ou se se perdem no vento.

Pensei em compartilhar meus versos,
essas páginas dispersas do meu ser,
com alguém que lê o mundo em silêncio,
e carrega a sabedoria nas entrelinhas da vida.

Minha irmã, tão distante e tão perto,
um farol de inteligência e lucidez,
que nunca mediu esforços para me erguer,
mesmo quando a maré quis me levar.

E agora, em um impulso insano,
quero entregar-lhe minhas loucuras,
esses rabiscos de minha alma inquieta,
essas estrelas soltas no cosmos do meu peito.

Ah, que mistério é essa espera!
Mostro-me calmo, respiro sereno,
mas dentro de mim, um vendaval,
um turbilhão prestes a se romper.

Meus versos são uma galáxia viva,
matéria escura ansiando por luz,
e eu imploro ao tempo que corra,
que me traga logo sua resposta.

Meu Deus, fala logo o que achaste!
Porque enquanto espero, sou mar em fúria,
sou tempestade contida na calmaria,
sou poeta aguardando seu próprio destino.
Mistico Mar 2
No momento de inspiração, é curioso perceber,
que muitas vezes não me encontro tão facilmente.
Mas o tempo chuvoso, ah, este é o meu refúgio,
onde palavras e melodias se tornam minhas aliadas,
e consigo me expressar de forma pura, sem receios,
como um Shakespeare sem tragédia,
escrevendo uma história de amor sem fim,
onde o coração não se perde, mas se encontra.

Enquanto Chopin ecoa em "Spring Waltz",
uma leveza me invade, transformando o dia,
ou quem sabe a madrugada,
em um único suspiro de criatividade.
Mas confesso, a fonte dessa inspiração
tem nome e um rosto que ainda não surgiu,
e em cada pensamento meu,
meu ser se perde nas imaginações que crio,
de um alguém que, por ora, só existe no meu interior.

Nem mesmo na minha dose de inspiração,
enquanto ressurjo do mar de meus próprios sentimentos,
sinto que a música me acalma,
enquanto estou aqui, sentado no telhado,
escutando Chopin e escrevendo para uma pessoa
que ainda não existe, mas que habita em meus sonhos.
Onde mais encontraria alguém com tamanha inspiração,
senão nesse lugar peculiar da alma,
onde a imaginação dá vida ao que ainda não é real?

Com certeza, há alguém nesse mundo,
bem mais digno de inspirar do que eu,
capaz de construir uma história para alguém
que ainda não existe.
No entanto, talvez a inexistência de alguém
seja mais preciosa do que a presença de quem nos faz sofrer,
pois evitar o sofrimento, por medo de nos machucar,
não nos tornará mais fortes para o que está por vir.
Mar 2 · 54
Desejo e Toque
Mistico Mar 2
Em cada curva sua, encontro o fascínio,
que me leva a viajar pela mente,
perdendo-me nas infinitas possibilidades
de um encontro entre olhares que se cruzam.

Imagino o prazer de nosso corpo a corpo,
a delicadeza de acariciar sua pele,
e perder-me no toque suave de suas formas,
dedicando-me completamente ao momento,
abraçando você em palavras silenciosas,
onde o suspiro da minha respiração
será o único som a envolver sua essência,
tocando cada parte secreta de seu ser.

Quero explorar o desejo de forma profunda,
saboreando cada instante,
com a suavidade de meu toque e a intensidade
de um beijo mudo,
onde nossas almas se entrelaçam
mais do que nossos corpos.

E além dos momentos de pura intimidade,
desejo compartilhar uma música suave,
que envolva nossos sentidos,
enquanto nos aproximamos,
como se cada nota nos provocasse,
e nem o fôlego de nossos corpos
fosse suficiente para impedir
que nos aproximemos,
deixando que a vontade nos guie,
compartilhando o suor do desejo
até que a melodia se torne o cenário perfeito,
onde nossos corpos dançam
ao ritmo de uma paixão mútua.

Um desejo que, à medida que cresce,
revela-se em cada suspiro, em cada gesto,
até que o espaço entre nós desapareça,
e nos lancemos,
perdendo-nos um no outro,
entregando tudo para que aquele momento
seja o melhor de nossas vidas.
Mar 2 · 62
O Vício da Ilusão
Mistico Mar 2
Muitos pensam que entrar na vida de alguém
é tão simples quanto permanecer,
mas esquecem que corações não são portas abertas,
são laços que se tecem sem perceber.

A proximidade cresce com gestos sutis,
o apego se infiltra sem permissão.
Talvez eu tenha me entregado sem querer,
ou talvez, no fundo, tenha querido sem saber.

O olhar se transforma, o medo desperta,
o desejo de estar, de sentir, de pertencer.
Mas e se tudo for apenas um jogo?
Se eu for só um brinquedo, e o erro for meu?

A própria ilusão me embriaga,
me vicia como droga sutil.
No momento, é êxtase, é luz, é vida,
mas quando o efeito se esvai,
a dor sufoca, a depressão afoga,
e o mar que me carrega não me deixa sequer boiar.

E assim, o ciclo se repete,
um querer que ao mesmo tempo nega,
um desejo que nunca se cumpre,
um vício que finge ser amor.

Mas a questão não é viver nessa escuridão,
é encontrar frestas de luz para respirar.
Nem que seja um segundo, um instante,
onde a mente se desvia, e o coração repousa.

Pois esse único segundo pode ser tudo,
o instante que reconstrói, que resgata, que liberta.
E então, o mar evapora,
a ilusão se desfaz,
e resta apenas você,
aprendendo, enfim, a nadar.
Mar 2 · 45
O Valor
Mistico Mar 2
No fim, não é o silêncio que fere,
nem a frieza dos que passam sem olhar.
Não é o esquecimento dos instantes marcantes,
mas a constatação de quem, de fato, permanece.

Os que verdadeiramente importam
carregam tua essência na memória,
e, nos dias em que o tempo te celebra,
serão eles a iluminar tua existência.

Já aqueles que um dia pareciam próximos,
mas que hoje te ignoram sem hesitar,
são meros ecos do passado,
sombras que não merecem tua luz.

Apegar-se ao que não tem valor
é a forma mais sutil de se perder.
Curioso é perceber que aqueles desprezados
acabam encontrando morada em teu coração,
enquanto os que estimavas se dissipam como névoa.

A dor do desprezo ensina,
mas não deve prender-te ao chão.
A liberdade está em reconhecer
que algumas ausências são bênçãos disfarçadas.

E os que ferem, um dia perceberão:
o mundo devolve cada cicatriz imposta,
e o ciclo da dor que semearam
se tornará sua mais amarga lição.
Mistico Mar 2
O fim talvez não seja o fim,
mas apenas um instante onde tudo desaba,
onde os pés tocam o fundo do abismo
e, ao olhar ao redor, percebes: ainda há caminho.

Olhas para trás e corres,
não para reviver, mas para rasgar páginas,
para incendiar memórias,
como se o fogo pudesse consumir a dor.

Nós, que pensamos demais,
nos agarramos ao que foi belo,
mas lutamos para esquecer o que fere,
ainda que o passado insista em nos rodear,
sussurrando lembranças que não pedimos para ouvir.

Será, então, que uma nova vida nos faz esquecer,
ou apenas nos ensina a conviver com o que fomos?
As palavras ecoam em nossos pensamentos,
lutamos contra nós mesmos em silêncio,
tentamos preencher o vazio com alguém,
como se um novo rosto pudesse apagar as cicatrizes de um antigo.

Mas há um dia – distante, mas certo –
em que tudo o que um dia nos pesou
se desfaz como poeira ao vento,
e o que antes nos consumia, torna-se nada.
Nenhuma mágoa, nenhum apego, nenhum nome.
A dor se reformata, a memória se apaga,
e enfim, a alma descansa.

O poço nunca terá fim,
mas dentro dele há uma escada invisível,
que surge quando menos esperamos.
Não há pressa, não há fuga,
porque até o sofrimento é passageiro,
e a vida, por si só, nos ensina a subir.
Há uma evolução emocional ao longo dos versos, indo da dor profunda até a libertação.
Mar 2 · 60
1 Dia de Carnaval
Mistico Mar 2
E assim foi… mais uma história marcada,
não pelo encanto da reciprocidade,
mas pela ilusão de um afeto passageiro,
que se desfez tão rapidamente
quanto a folia de um dia de carnaval.

Representaste, por um breve instante,
o que havia de melhor em mim,
fingindo corresponder à sinceridade
que, em meu peito, era eterna.
No entanto, tua lealdade revelou-se fugaz,
tua entrega, mera conveniência,
e ao primeiro sopro da euforia mundana,
trocastes um amor sincero
por uma aventura vazia,
tão efêmera quanto tua promessa de permanência.

Pensamentos atropelam-se, o coração pesa,
e mais uma cicatriz se forma na pele da experiência.
Algumas lágrimas caem, não por arrependimento,
mas pela constatação amarga
de que fui generoso demais,
ao conceder espaço a quem jamais o soube valorizar.

Não me culpo por sentir, nem por entregar
o que havia de mais puro em mim.
A culpa recai sobre quem se perde
em suas próprias artimanhas,
fadado a colher os frutos de suas escolhas,
quando o tempo cobrar sua dívida.

Assim segue o jogo da vida:
hoje engana-se, amanhã é enganado.
Não somos perfeitos, mas a verdade sempre se impõe,
e eu fui prova viva de que minha sinceridade jamais titubeou.
Pena que nem todos possuem a mesma grandeza.

Trocar uma vida inteira por um instante de prazer
é um preço alto a se pagar.
No fim, não há rancor,
apenas a constatação do óbvio:
agora, todos sabem quem realmente és.

Por isso, deixo apenas um agradecimento –
não por tua presença, mas por tua partida.
reflexão, decepção e uma lição aprendida

— The End —