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O Evangelho do Xisto No princípio era a Rocha, e a Rocha era silêncio. Até que o Sol a feriu, e do seu flanco brotou o meu pensamento. Nasci no frio de Novembro, sob o signo do tempo selado, Batizado nas águas do Douro, no ventre de um vale sagrado. Não é vinho é o Verbo encarnado na terra, É o fogo líquido que a treva da noite encerra. Touriga Nacional sombra de altar e clarão, Incêndio místico que arde no meu coração. Podo o verso e a vide, em prece, responde, Onde o tempo se curva e a face de Deus se esconde. Quinze graus de chama, de unção e de glória, Seda e silêncio, marca a nossa memória. Cada cepa é um salmo, gravado na encosta, Cada folha é um eco que não fala mas se mostra. Gouveio e Rabigato, sopros de luz no vento, Brancos puros que guardam o azul do firmamento . A videieira entranha-se na pedra, em comunhão sagrada, Bebendo o suor da montanha, na encosta calada. Ergue-se a Excelsa, austera, rainha e formosa, Filha primogénita da terra xistosa. Nos seus bagos pulsa a promessa a lágrima chorada, Doçura de séculos numa só gota guardada. No tanino vibra a memória, o fôlego e a vitória, Dos nossos antepassados que ergueram, em pedra, suor e história. Não bebais apenas escutai a emoção, O Douro é o Livro escrito em cada estação. Pois no cálice, onde a eternidade se faz unidade, O Xisto, o Homem e o Tempo são a mesma Divindade. Victor Marques Douro Portugal
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Mar 1
Mar 1, 2026 at 4:14 AM UTC
O Evangelho do Xisto
O Evangelho do Xisto No princípio era a Rocha, e a Rocha era silêncio. Até que o Sol a feriu, e do seu flanco brotou o meu pensamento. Nasci no frio de Novembro, sob o signo do tempo selado, Batizado nas águas do Douro, no ventre de um vale sagrado. Não é vinho é o Verbo encarnado na terra, É o fogo líquido que a treva da noite encerra. Touriga Nacional sombra de altar e clarão, Incêndio místico que arde no meu coração. Podo o verso e a vide, em prece, responde, Onde o tempo se curva e a face de Deus se esconde. Quinze graus de chama, de unção e de glória, Seda e silêncio, marca a nossa memória. Cada cepa é um salmo, gravado na encosta, Cada folha é um eco que não fala mas se mostra. Gouveio e Rabigato, sopros de luz no vento, Brancos puros que guardam o azul do firmamento . A videieira entranha-se na pedra, em comunhão sagrada, Bebendo o suor da montanha, na encosta calada. Ergue-se a Excelsa, austera, rainha e formosa, Filha primogénita da terra xistosa. Nos seus bagos pulsa a promessa a lágrima chorada, Doçura de séculos numa só gota guardada. No tanino vibra a memória, o fôlego e a vitória, Dos nossos antepassados que ergueram, em pedra, suor e história. Não bebais apenas escutai a emoção, O Douro é o Livro escrito em cada estação. Pois no cálice, onde a eternidade se faz unidade, O Xisto, o Homem e o Tempo são a mesma Divindade. Victor Marques Douro Portugal
Deus vinho xisto Douro
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