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Portuguese Wake up everyday full of life. Loving nature and respecting all the rules regarding the beauty of the universe. Poetry is an excellent opportunity of showing to the world what you think, what you feel and the vision that you have about everything. / I raise a glass of red wine to all ...! / Best wishes / Victor Marques
Eu Escuto o Xisto Há quem olhe para o Douro e veja uma paisagem. Eu vejo rostos. Vejo mãos marcadas pelo trabalho. Vejo vidas inteiras entregues à montanha. Vejo homens e mulheres que, geração após geração, transformaram a pedra em esperança e o suor em património. Nasci para amar esta terra. Não apenas pela beleza que encanta o mundo, mas pela verdade humana que nela habita. Quando caminho entre as vinhas, não caminho sozinho. Caminho acompanhado pela memória dos que vieram antes de nós. Escuto os seus passos nos socalcos. Escuto o eco das suas enxadas. Escuto os seus sonhos e os seus sacrifícios. Escuto o xisto. E o xisto fala. Fala das lutas vencidas. Fala das dores escondidas. Fala da coragem silenciosa de um povo que nunca esperou facilidades da vida. Hoje, porém, sinto que essa voz corre o risco de ser abafada. O Douro é celebrado nos quatro cantos do mundo. Os seus vinhos são admirados. A sua paisagem é fotografada. O seu nome é pronunciado com respeito. Mas muitas vezes esquecemo-nos daqueles que tornam tudo isso possível. Esquecemo-nos do homem da terra. Da mulher da vinha. Da família que resiste. Da aldeia que luta para permanecer viva. Por isso escrevo. Não para procurar reconhecimento. Não para alimentar protagonismos. Mas porque acredito que o silêncio, perante a injustiça, seria uma forma de abandono. Escrevo porque amo o Douro. Escrevo porque acredito que uma região não pode sobreviver apenas da sua beleza. Precisa de dignidade. Precisa de futuro. Precisa de gente. O Douro não é apenas uma região vinhateira. É uma civilização construída ao longo de séculos. É uma herança que recebemos emprestada dos nossos antepassados e que temos o dever moral de entregar aos nossos filhos. Se um dia as minhas palavras tiverem algum valor, desejo apenas que sirvam para recordar esta verdade simples: Nenhum vinho vale mais do que as pessoas que o tornam possível. Nenhuma paisagem vale mais do que a comunidade que a preserva. Nenhuma riqueza vale mais do que a dignidade humana. Enquanto tiver voz, continuarei a defender esta terra. Enquanto tiver força, continuarei a acreditar nela. Porque o Douro não vive apenas nas encostas, nas adegas ou nas garrafas. O Douro vive na alma do seu povo. E essa alma merece ser defendida. Victor Marques Douro
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3d ago
May 31, 2026 at 2:20 PM UTC
Eu escuto o xisto
Eu Escuto o Xisto Há quem olhe para o Douro e veja uma paisagem. Eu vejo rostos. Vejo mãos marcadas pelo trabalho. Vejo vidas inteiras entregues à montanha. Vejo homens e mulheres que, geração após geração, transformaram a pedra em esperança e o suor em património. Nasci para amar esta terra. Não apenas pela beleza que encanta o mundo, mas pela verdade humana que nela habita. Quando caminho entre as vinhas, não caminho sozinho. Caminho acompanhado pela memória dos que vieram antes de nós. Escuto os seus passos nos socalcos. Escuto o eco das suas enxadas. Escuto os seus sonhos e os seus sacrifícios. Escuto o xisto. E o xisto fala. Fala das lutas vencidas. Fala das dores escondidas. Fala da coragem silenciosa de um povo que nunca esperou facilidades da vida. Hoje, porém, sinto que essa voz corre o risco de ser abafada. O Douro é celebrado nos quatro cantos do mundo. Os seus vinhos são admirados. A sua paisagem é fotografada. O seu nome é pronunciado com respeito. Mas muitas vezes esquecemo-nos daqueles que tornam tudo isso possível. Esquecemo-nos do homem da terra. Da mulher da vinha. Da família que resiste. Da aldeia que luta para permanecer viva. Por isso escrevo. Não para procurar reconhecimento. Não para alimentar protagonismos. Mas porque acredito que o silêncio, perante a injustiça, seria uma forma de abandono. Escrevo porque amo o Douro. Escrevo porque acredito que uma região não pode sobreviver apenas da sua beleza. Precisa de dignidade. Precisa de futuro. Precisa de gente. O Douro não é apenas uma região vinhateira. É uma civilização construída ao longo de séculos. É uma herança que recebemos emprestada dos nossos antepassados e que temos o dever moral de entregar aos nossos filhos. Se um dia as minhas palavras tiverem algum valor, desejo apenas que sirvam para recordar esta verdade simples: Nenhum vinho vale mais do que as pessoas que o tornam possível. Nenhuma paisagem vale mais do que a comunidade que a preserva. Nenhuma riqueza vale mais do que a dignidade humana. Enquanto tiver voz, continuarei a defender esta terra. Enquanto tiver força, continuarei a acreditar nela. Porque o Douro não vive apenas nas encostas, nas adegas ou nas garrafas. O Douro vive na alma do seu povo. E essa alma merece ser defendida. Victor Marques Douro
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Grito de Pedra e Luz Nas fragas do Douro profundo, ouve-se um lamento que percorre o mundo. Não vem do rio, nem do vento a passar, vem da terra ferida que insiste em me chamar.... Chama pelo homem de mãos consumidas, que semeou esperança por entre as encostas erguidas. Chama pelo suor que regou cada videira, e pela verdade que incomoda a terra inteira. Ó Douro sagrado de pedra e de luz, onde o xisto rasga e a coragem conduz, quem te escuta ao longe vê ouro e beleza, mas quem vive contigo conhece a tristeza. Vejo sombras subindo o meu caminho, como espíritos guardando o vinho. Entre marcos de pedra e socalcos sem fim, parece que Pombal ainda fala por mim. "Dizei aos poderosos", murmura o vento, "que a terra não vive de mero argumento. Não bastam discursos, promessas ao luar, quando o homem da vinha já não pode ficar." E o rio responde num canto profundo: "Quem abandona o Douro perde o mundo. Quem esquece o lavrador e o seu valor, mata a paisagem, a memória e a cor. As videiras rezam quando a noite desce, cada folha é uma alma que não se esquece. Cada bago encerra um mistério vivido, um pacto entre Deus e o que o Douro tem sofrido. Mas há quem troque a essência pela ilusão, quem venda a herança por pouca razão. E o vinho chora no silêncio da adega, quando a verdade se afasta e a ganância se apega. As nossas raízes descem mais fundo que a dor, procurando na pedra a nascente do amor. E quando tudo parece perdido e sem fim, Eu ergo o cálice Do Douro e louvo a Deus que habita em.mim. Victor Marques Douro Portugal
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3d ago
May 31, 2026 at 2:50 AM UTC
Grito de Pedra e Luz
Grito de Pedra e Luz Nas fragas do Douro profundo, ouve-se um lamento que percorre o mundo. Não vem do rio, nem do vento a passar, vem da terra ferida que insiste em me chamar.... Chama pelo homem de mãos consumidas, que semeou esperança por entre as encostas erguidas. Chama pelo suor que regou cada videira, e pela verdade que incomoda a terra inteira. Ó Douro sagrado de pedra e de luz, onde o xisto rasga e a coragem conduz, quem te escuta ao longe vê ouro e beleza, mas quem vive contigo conhece a tristeza. Vejo sombras subindo o meu caminho, como espíritos guardando o vinho. Entre marcos de pedra e socalcos sem fim, parece que Pombal ainda fala por mim. "Dizei aos poderosos", murmura o vento, "que a terra não vive de mero argumento. Não bastam discursos, promessas ao luar, quando o homem da vinha já não pode ficar." E o rio responde num canto profundo: "Quem abandona o Douro perde o mundo. Quem esquece o lavrador e o seu valor, mata a paisagem, a memória e a cor. As videiras rezam quando a noite desce, cada folha é uma alma que não se esquece. Cada bago encerra um mistério vivido, um pacto entre Deus e o que o Douro tem sofrido. Mas há quem troque a essência pela ilusão, quem venda a herança por pouca razão. E o vinho chora no silêncio da adega, quando a verdade se afasta e a ganância se apega. As nossas raízes descem mais fundo que a dor, procurando na pedra a nascente do amor. E quando tudo parece perdido e sem fim, Eu ergo o cálice Do Douro e louvo a Deus que habita em.mim. Victor Marques Douro Portugal
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O DOURO ESTÁ A SER VENDIDO EM COPOS DE CRISTAL ENQUANTO O VITICULTOR MORRE NA VINHA Há qualquer coisa de profundamente obsceno no silêncio que cobre o Douro. O mundo inteiro fotografa estas encostas como se fossem eternas. Os barcos sobem o rio carregados de turistas. Os hotéis anunciam “autenticidade”. As garrafas atingem preços de luxo. Mas o homem que segura esta montanha com as próprias mãos começa a desaparecer. Não por falta de amor à terra. Não por preguiça. Não por incapacidade. Desaparece porque já não consegue sobreviver. O Douro transformou-se num paradoxo cruel: uma região milionária construída sobre produtores empobrecidos. Cada socalco que deslumbra o mundo foi arrancado ao xisto por homens que trabalharam debaixo de 40 graus, carregaram pedras às costas e aprenderam desde crianças que a vinha não perdoa distrações. Aqui não existe agricultura romântica. Existe sobrevivência. Existe o corpo destruído pelas podas de inverno. Existe o medo silencioso da próxima vindima. Existe a conta bancária vazia ao lado de vinhos premiados internacionalmente. E depois perguntam porque morrem as pequenas quintas. Morrem porque o Douro passou a ser tratado como cenário, não como território humano. A UNESCO protegeu a paisagem. Mas ninguém protegeu o viticultor. Hoje vendem o Douro como experiência sensorial enquanto expulsam lentamente aqueles que lhe deram alma durante séculos. Transformaram o Vigneron num figurante turístico: um homem para aparecer na fotografia, servir um copo e desaparecer em silêncio da história. Em 1972 adulteravam o vinho. Em 2026 adulteram algo muito mais grave: a verdade. Porque vinho sem povo é apenas indústria com marketing elegante. E atenção ao que aqui fica escrito: No dia em que o último pequeno produtor abandonar estas encostas, o Douro continuará bonito. Os hotéis continuarão cheios. Os barcos continuarão a navegar. As garrafas continuarão caras. Mas o espírito terá morrido. Restará uma paisagem perfeita construída sobre um cemitério social. Um museu agrícola sem agricultores. Um vinho sem memória. O Douro nunca pediu piedade. Pediu apenas justiça: preço justo para a uva, dignidade para quem trabalha a montanha, e respeito por aqueles que ainda acreditam que a terra não é um ativo financeiro é sangue, herança e identidade. Se este texto incomoda, ainda bem. É porque o Douro verdadeiro ainda respira debaixo das campanhas de marketing. Mas se depois de ler isto continua apenas a ver uma paisagem bonita, então talvez já faça parte da engrenagem que está a matar lentamente a alma da região. Porque o Douro não morre de uma vez. Morre em silêncio. Morre devagar. Morre enquanto o mundo aplaude a vista. Victor Marques Douro Portugal Este artigo é dedicado aos nossos antepassados durienses que ropmperam o xisto com picaretas.
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6d ago
May 28, 2026 at 5:25 AM UTC
O Douro est a ser vendido
O DOURO ESTÁ A SER VENDIDO EM COPOS DE CRISTAL ENQUANTO O VITICULTOR MORRE NA VINHA Há qualquer coisa de profundamente obsceno no silêncio que cobre o Douro. O mundo inteiro fotografa estas encostas como se fossem eternas. Os barcos sobem o rio carregados de turistas. Os hotéis anunciam “autenticidade”. As garrafas atingem preços de luxo. Mas o homem que segura esta montanha com as próprias mãos começa a desaparecer. Não por falta de amor à terra. Não por preguiça. Não por incapacidade. Desaparece porque já não consegue sobreviver. O Douro transformou-se num paradoxo cruel: uma região milionária construída sobre produtores empobrecidos. Cada socalco que deslumbra o mundo foi arrancado ao xisto por homens que trabalharam debaixo de 40 graus, carregaram pedras às costas e aprenderam desde crianças que a vinha não perdoa distrações. Aqui não existe agricultura romântica. Existe sobrevivência. Existe o corpo destruído pelas podas de inverno. Existe o medo silencioso da próxima vindima. Existe a conta bancária vazia ao lado de vinhos premiados internacionalmente. E depois perguntam porque morrem as pequenas quintas. Morrem porque o Douro passou a ser tratado como cenário, não como território humano. A UNESCO protegeu a paisagem. Mas ninguém protegeu o viticultor. Hoje vendem o Douro como experiência sensorial enquanto expulsam lentamente aqueles que lhe deram alma durante séculos. Transformaram o Vigneron num figurante turístico: um homem para aparecer na fotografia, servir um copo e desaparecer em silêncio da história. Em 1972 adulteravam o vinho. Em 2026 adulteram algo muito mais grave: a verdade. Porque vinho sem povo é apenas indústria com marketing elegante. E atenção ao que aqui fica escrito: No dia em que o último pequeno produtor abandonar estas encostas, o Douro continuará bonito. Os hotéis continuarão cheios. Os barcos continuarão a navegar. As garrafas continuarão caras. Mas o espírito terá morrido. Restará uma paisagem perfeita construída sobre um cemitério social. Um museu agrícola sem agricultores. Um vinho sem memória. O Douro nunca pediu piedade. Pediu apenas justiça: preço justo para a uva, dignidade para quem trabalha a montanha, e respeito por aqueles que ainda acreditam que a terra não é um ativo financeiro é sangue, herança e identidade. Se este texto incomoda, ainda bem. É porque o Douro verdadeiro ainda respira debaixo das campanhas de marketing. Mas se depois de ler isto continua apenas a ver uma paisagem bonita, então talvez já faça parte da engrenagem que está a matar lentamente a alma da região. Porque o Douro não morre de uma vez. Morre em silêncio. Morre devagar. Morre enquanto o mundo aplaude a vista. Victor Marques Douro Portugal Este artigo é dedicado aos nossos antepassados durienses que ropmperam o xisto com picaretas.
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As Pedrinhas que Me Deste As pedrinhas que me deste, trago-as dentro do olhar, não são pedras são segredos que o tempo vai guardar. Pequenas como o silêncio, mas pesadas de emoção, cabem todas num instante junto ao meu coração. Cada uma tem um gesto, um rumor, um respirar, como se o mundo inteiro nelas viesse descansar. Quando as toco em segredo, o mundo pára de andar, e até o vento se cala para o teu nome chamar. Não são pedra são carinho, são memória e são mar, são migalhas de destino que o teu amor me veio dar. E guardo-as, uma a uma, no lugar onde há luar, onde a viver se aprende sem nunca se explicar. E se um dia me perguntam o que é saber amar, mostro apenas estas pedras… e deixo o silêncio falar. Victor Marques
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May 23
May 23, 2026 at 12:37 PM UTC
As pedrinhas que me deste
Ó gente da minha terra… Escutai o rio a correr como um velhinho a adormecer. Não é somente água e desilusão nem socalco ou tradição . O Douro é corpo sagrado, por mãos divinas moldado. Há vozes presas no xisto, há sombras do próprio Cristo, Há passos pelos caminhos entre cepas e espinhos. Quando o nevoeiro cai e o vento no vale vai, ouve-se um murmúrio profundo como o respirar do mundo. É o Douro… lento e calado, rei nunca derrotado, que viu o tempo passar sem jamais se ajoelhar. Ó terra de fogo e vinha, de dor que nunca definha, cada cepa tem memória, cada bago guarda história. Tem nas mãos o sofrimento e nos olhos sempre o firmamento. Quem nasce nestas encostas traz estrelas sobrepostas na alma feita de sentimento, de solidão e alento. E quando setembro desce e o vale inteiro estremece, o mosto canta no lagar como um Santo sobre o altar. Há qualquer coisa divina na luz dourada da vindima… como se anjos viessem ver o vinho novo a nascer. Porque o vinho do Douro não vale apenas ouro vale lágrimas sentidas silêncios, fome e cantigas. Nasce da mulher que espera, da geada e da primavera, das promessas junto ao rio, das noites de calor e frio. Mas mesmo cansado o povo faz do desespero renovo. Mesmo ferido resiste, mesmo em lágrimas insiste. Porque o duriense não verga quando a vida se carrega. Tem fundações na eternidade, na pedra e na verdade. Ó gente da minha terra duriense nenhuma força oculta nos vence, Sem vós o Douro era vazio, sem alma, sem voz, sem rio. E quando o mundo esquecer quem vos ajudou a erguer, as vinhas irão falar e o próprio vento lembrar: Que houve um povo neste mundo dos mais nobres com sentimento profundo, que fez vinho com coração e da dor uma eterna oração. E enquanto houver uma videira, uma enxada verdadeira, um duriense olhando o horizonte ou uma luz atrás do monte… O Douro jamais morrerá. Porque Deus ainda está lá. Victor Marques Douro
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May 23
May 23, 2026 at 2:08 AM UTC
0' gente da minha terra
Ó gente da minha terra… Escutai o rio a correr como um velhinho a adormecer. Não é somente água e desilusão nem socalco ou tradição . O Douro é corpo sagrado, por mãos divinas moldado. Há vozes presas no xisto, há sombras do próprio Cristo, Há passos pelos caminhos entre cepas e espinhos. Quando o nevoeiro cai e o vento no vale vai, ouve-se um murmúrio profundo como o respirar do mundo. É o Douro… lento e calado, rei nunca derrotado, que viu o tempo passar sem jamais se ajoelhar. Ó terra de fogo e vinha, de dor que nunca definha, cada cepa tem memória, cada bago guarda história. Tem nas mãos o sofrimento e nos olhos sempre o firmamento. Quem nasce nestas encostas traz estrelas sobrepostas na alma feita de sentimento, de solidão e alento. E quando setembro desce e o vale inteiro estremece, o mosto canta no lagar como um Santo sobre o altar. Há qualquer coisa divina na luz dourada da vindima… como se anjos viessem ver o vinho novo a nascer. Porque o vinho do Douro não vale apenas ouro vale lágrimas sentidas silêncios, fome e cantigas. Nasce da mulher que espera, da geada e da primavera, das promessas junto ao rio, das noites de calor e frio. Mas mesmo cansado o povo faz do desespero renovo. Mesmo ferido resiste, mesmo em lágrimas insiste. Porque o duriense não verga quando a vida se carrega. Tem fundações na eternidade, na pedra e na verdade. Ó gente da minha terra duriense nenhuma força oculta nos vence, Sem vós o Douro era vazio, sem alma, sem voz, sem rio. E quando o mundo esquecer quem vos ajudou a erguer, as vinhas irão falar e o próprio vento lembrar: Que houve um povo neste mundo dos mais nobres com sentimento profundo, que fez vinho com coração e da dor uma eterna oração. E enquanto houver uma videira, uma enxada verdadeira, um duriense olhando o horizonte ou uma luz atrás do monte… O Douro jamais morrerá. Porque Deus ainda está lá. Victor Marques Douro
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A mulher duriense é como a videira. Nasce em terra dura. Cresce entre pedras. Aprende cedo que, no Douro, viver nunca foi um ato leve foi sempre um combate silencioso contra o tempo, o calor, a solidão e o abandono. Tal como a videira agarrada ao xisto, também ela rasga a rocha para encontrar força onde ninguém imagina existir vida. E quanto mais cruel é o ano, mais profundas se tornam as raízes. Porque há sofrimentos que não quebram: transformam-se em eternidade. Existe uma ligação quase sagrada entre a mulher do Douro e a vinha. Ambas sangram para oferecer vida. Ambas carregam o peso das estações sem perder a dignidade. Ambas conhecem o silêncio das encostas e o milagre de continuar quando o mundo já desistiria. O turista vê socalcos. O mundo vê vinho. Mas eu vejo mulheres curvadas sobre a montanha como se rezassem com as mãos dentro da terra. Vejo mães. Vejo filhas. Vejo avós marcadas pelo sol e pelo vento, transportando gerações inteiras às costas sem nunca pedirem reconhecimento. Foram elas as verdadeiras guardiãs do Douro invisível. Enquanto os homens partiam, enquanto o mundo esquecia estas encostas, eram elas que ficavam. E permaneceram firmes como videiras , mesmo quando o tempo lhes roubou a juventude e lhes endureceu as mãos. Talvez essa seja a verdade mais profunda do Douro: o vinho não nasce apenas da terra. Nasce da resistência invisível da mulher duriense. Cada cacho amadurecido traz dentro dele uma história de coragem feminina. Cada vinha guarda segredos de lágrimas, silêncio e amor. Cada garrafa que atravessa o mundo leva consigo um pouco da alma dessas mulheres que aprenderam a transformar sofrimento em beleza. Porque a mulher duriense e a videira partilham o mesmo destino: viver presas ao xisto… e ainda assim oferecer grandeza ao mundo. Victor Marques Douro
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May 21
May 21, 2026 at 7:14 AM UTC
A mulher duriense como a videira
A mulher duriense é como a videira. Nasce em terra dura. Cresce entre pedras. Aprende cedo que, no Douro, viver nunca foi um ato leve foi sempre um combate silencioso contra o tempo, o calor, a solidão e o abandono. Tal como a videira agarrada ao xisto, também ela rasga a rocha para encontrar força onde ninguém imagina existir vida. E quanto mais cruel é o ano, mais profundas se tornam as raízes. Porque há sofrimentos que não quebram: transformam-se em eternidade. Existe uma ligação quase sagrada entre a mulher do Douro e a vinha. Ambas sangram para oferecer vida. Ambas carregam o peso das estações sem perder a dignidade. Ambas conhecem o silêncio das encostas e o milagre de continuar quando o mundo já desistiria. O turista vê socalcos. O mundo vê vinho. Mas eu vejo mulheres curvadas sobre a montanha como se rezassem com as mãos dentro da terra. Vejo mães. Vejo filhas. Vejo avós marcadas pelo sol e pelo vento, transportando gerações inteiras às costas sem nunca pedirem reconhecimento. Foram elas as verdadeiras guardiãs do Douro invisível. Enquanto os homens partiam, enquanto o mundo esquecia estas encostas, eram elas que ficavam. E permaneceram firmes como videiras , mesmo quando o tempo lhes roubou a juventude e lhes endureceu as mãos. Talvez essa seja a verdade mais profunda do Douro: o vinho não nasce apenas da terra. Nasce da resistência invisível da mulher duriense. Cada cacho amadurecido traz dentro dele uma história de coragem feminina. Cada vinha guarda segredos de lágrimas, silêncio e amor. Cada garrafa que atravessa o mundo leva consigo um pouco da alma dessas mulheres que aprenderam a transformar sofrimento em beleza. Porque a mulher duriense e a videira partilham o mesmo destino: viver presas ao xisto… e ainda assim oferecer grandeza ao mundo. Victor Marques Douro
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O Douro Mora em Mim Antes que a noite me feche por dentro, o Douro respira com seu encanto Não é rio é presença, ferida aberta na própria essência. Pedra que pensa sem voz nem rumor, xisto em oração, matéria e dor. E entre os socalcos, suspenso e profundo, o tempo esqueceu o nome do mundo. Aqui a montanha não fala escuta. E o silêncio desce em forma absoluta. Nem Deus se anuncia: apenas permanece no intervalo onde tudo acontece. O rio não corre recorda o seu ser, como se fosse memória a nascer. Leva nos ombros séculos calados, gestos de homens em sombra lavrados. Não há fronteira entre terra e destino: tudo é passagem, sopro divino. E cada vinha, em lenta ascensão, é uma escada feita de oração. Quando a noite cobre o vale ferido, o visível torna-se apenas ruído. E o invisível mais real do que o chão respira dentro da própria criação. E eu, dissolvido na margem amiga já não sou forma, nem voz que se diga. Sou intervalo, ausência e clarão, algo que flui sem direção. Victor Marques Douro Portugal
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May 17
May 17, 2026 at 5:23 PM UTC
O Douro mora em mim
O meu Douro murmura baixinho A luz sobe lenta do ventre da serra, como um salmo nascido da terra. O vale em silêncio ajoelha primeiro, e Deus passa oculto no meio do nevoeiro. O xisto desperta em brasa calada, memória do mundo na rocha gravada. Não é pedra morta, nem sombra vazia: é carne do cosmos bebendo a luz do dia. Há vozes ocultas na vinha dormente, há raízes rezando debaixo da gente. Descem ao fundo da noite fechada buscando a nascente da água sagrada. Cada socalco parece um altar, suspenso entre abismo, céu e luar. E o homem que sobe as encostas do vento leva nos ombros o peso do tempo. No lagar de sombra e suor, o vinho começa o caminho da dor. Os pés sobre o mosto, lentos, profundos, parecem chamar os mortos outra vez ao mundo. Escuta-se um cântico vindo do chão, mistura de cansaço ,vinho e oração. O xisto soluça na uva esmagada, como alma por Deus visitada. Há um pacto secreto na rocha e no céu, entre a videira e o fogo cruel. O Douro não grita murmura baixinho o nome divino escondido no vinho. Ser duriense é morrer devagar, para que a terra nos possa habitar. É dar o próprio corpo à montanha ferida, e beber do silêncio o sentido da vida. As mãos já não sabem de orgulho ou vaidade, apenas conhecem o peso da eternidade. O tempo atravessa a carne cansada, como uma profecia na noite já passada. Aqui tudo volta ao primeiro clarão: o barro, o homem, a videira e o pão. E Deus desce ao mundo onde eu estou e existo, fazendo do Douro o seu corpo em Cristo. Porque no fim, quando a luz se desfaz, e o rio adormece na sombra da paz, fica somente o eterno registro: Deus, o Homem, o Vinho, e o Xisto. Victor Marques Douro Portugal
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May 15
May 15, 2026 at 5:09 PM UTC
O meu Douro murmura baixinho
O meu Douro murmura baixinho A luz sobe lenta do ventre da serra, como um salmo nascido da terra. O vale em silêncio ajoelha primeiro, e Deus passa oculto no meio do nevoeiro. O xisto desperta em brasa calada, memória do mundo na rocha gravada. Não é pedra morta, nem sombra vazia: é carne do cosmos bebendo a luz do dia. Há vozes ocultas na vinha dormente, há raízes rezando debaixo da gente. Descem ao fundo da noite fechada buscando a nascente da água sagrada. Cada socalco parece um altar, suspenso entre abismo, céu e luar. E o homem que sobe as encostas do vento leva nos ombros o peso do tempo. No lagar de sombra e suor, o vinho começa o caminho da dor. Os pés sobre o mosto, lentos, profundos, parecem chamar os mortos outra vez ao mundo. Escuta-se um cântico vindo do chão, mistura de cansaço ,vinho e oração. O xisto soluça na uva esmagada, como alma por Deus visitada. Há um pacto secreto na rocha e no céu, entre a videira e o fogo cruel. O Douro não grita murmura baixinho o nome divino escondido no vinho. Ser duriense é morrer devagar, para que a terra nos possa habitar. É dar o próprio corpo à montanha ferida, e beber do silêncio o sentido da vida. As mãos já não sabem de orgulho ou vaidade, apenas conhecem o peso da eternidade. O tempo atravessa a carne cansada, como uma profecia na noite já passada. Aqui tudo volta ao primeiro clarão: o barro, o homem, a videira e o pão. E Deus desce ao mundo onde eu estou e existo, fazendo do Douro o seu corpo em Cristo. Porque no fim, quando a luz se desfaz, e o rio adormece na sombra da paz, fica somente o eterno registro: Deus, o Homem, o Vinho, e o Xisto. Victor Marques Douro Portugal
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Fidelidade a Deus e ao Xisto A luz rasga a fraga antes do primeiro fôlego, E o silêncio do vale faz-se templo de Deus. O xisto não é pedra: é o corpo do cosmos, Que guarda os segredos que nunca foram seus. Há uma liturgia oculta em cada socalco, Onde a raiz desce ao abismo da terra. Procura a água no centro do mundo, Na noite profunda que a montanha encerra. O homem que pisa o lagar não está só, Comunga o mistério do sangue divino. O mosto que escorre é o pranto do xisto, Que cumpre, na sombra, o seu místico destino. Há um pacto de silêncio entre o céu e a lousa, Uma prece sem palavras que a videira grita: Ser duriense é ser o altar e a oferenda, Onde a carne humana na rocha habita. Despem-se as mãos do orgulho da terra, Entrega-se a alma ao sopro do vento. Aqui, a matéria regressa ao início: Deus, o homem e o xisto num só elemento. Victor Marques
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May 15
May 15, 2026 at 1:17 PM UTC
Fidelidade a Deus e ao Xisto
Perguntai às uvas do Douro se conhecem o seu destino final. E o vale permaneceu em silêncio. Porque há silêncios que são mais antigos do que os impérios e mais profundos do que as águas do rio. Desde o princípio, o Douro foi escrito em pedra. Não por reis, nem por mercados, mas pela mão invisível do tempo, quando o homem e a terra ainda falavam a mesma língua. E Deus colocou a videira sobre o xisto como quem entrega um mistério à humanidade. Disse ao homem: — Cultivarás a encosta com suor e paciência. E da tua fadiga nascerá um vinho que guardará a memória do mundo. Então vieram gerações de homens queimados pelo sol, profetas anónimos das montanhas, que abriram socalcos como Moisés abriu o mar, rasgando a pedra para libertar a vida escondida dentro dela. E as uvas cresceram. Pequenos planetas suspensos da videira, carregando dentro de si o sangue da terra e o fogo secreto do universo. Mas hoje, no grande templo do comércio moderno, há quem olhe para o Douro sem reverência. Transformaram o sagrado em estatística, a vinha em ativo financeiro, e o agricultor num servo invisível do luxo alheio. Falam de mercados como antigos sacerdotes falavam de deuses, mas esqueceram-se da primeira verdade: sem homem, não existe vinha; sem alma, não existe vinho. Perguntai então às uvas do Douro se conhecem o seu destino final. Talvez respondam: — Não nascemos apenas para morrer numa garrafa cristalina, nem para alimentar banquetes de gente distante da terra. Nascemos para recordar ao homem aquilo que ele esqueceu. Que toda a criação é sagrada. Que a terra não pertence ao mercado. Que o vinho verdadeiro é uma aliança entre o céu e o sofrimento humano. Porque cada bago esmagado contém uma paixão. Cada cepa velha é uma escritura viva. Cada vindima é um evangelho repetido desde o princípio dos tempos. E o Douro… o Douro não é apenas uma região. É um livro bíblico escrito em socalcos. Um altar de xisto erguido entre montanhas. Um reino antigo onde o rio corre como uma serpente de luz, transportando a memória dos homens para a eternidade. E talvez venha o dia do julgamento das civilizações, quando os povos serão perguntados não pelo ouro que acumularam, mas pela terra que destruíram e pelas raízes que abandonaram. Nesse dia, as vinhas do Douro falarão. E delas levantar-se-á a voz dos esquecidos, dos trabalhadores da encosta, dos velhos vinhateiros, dos homens que transformaram pedra em vida. Então compreenderão finalmente que o destino final das uvas nunca foi o luxo. Era a transcendência. Com muita estima e consideração Victor Marques Douro Portugal
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May 10
May 10, 2026 at 3:26 AM UTC
Pergunta s uvas do Douro
Perguntai às uvas do Douro se conhecem o seu destino final. E o vale permaneceu em silêncio. Porque há silêncios que são mais antigos do que os impérios e mais profundos do que as águas do rio. Desde o princípio, o Douro foi escrito em pedra. Não por reis, nem por mercados, mas pela mão invisível do tempo, quando o homem e a terra ainda falavam a mesma língua. E Deus colocou a videira sobre o xisto como quem entrega um mistério à humanidade. Disse ao homem: — Cultivarás a encosta com suor e paciência. E da tua fadiga nascerá um vinho que guardará a memória do mundo. Então vieram gerações de homens queimados pelo sol, profetas anónimos das montanhas, que abriram socalcos como Moisés abriu o mar, rasgando a pedra para libertar a vida escondida dentro dela. E as uvas cresceram. Pequenos planetas suspensos da videira, carregando dentro de si o sangue da terra e o fogo secreto do universo. Mas hoje, no grande templo do comércio moderno, há quem olhe para o Douro sem reverência. Transformaram o sagrado em estatística, a vinha em ativo financeiro, e o agricultor num servo invisível do luxo alheio. Falam de mercados como antigos sacerdotes falavam de deuses, mas esqueceram-se da primeira verdade: sem homem, não existe vinha; sem alma, não existe vinho. Perguntai então às uvas do Douro se conhecem o seu destino final. Talvez respondam: — Não nascemos apenas para morrer numa garrafa cristalina, nem para alimentar banquetes de gente distante da terra. Nascemos para recordar ao homem aquilo que ele esqueceu. Que toda a criação é sagrada. Que a terra não pertence ao mercado. Que o vinho verdadeiro é uma aliança entre o céu e o sofrimento humano. Porque cada bago esmagado contém uma paixão. Cada cepa velha é uma escritura viva. Cada vindima é um evangelho repetido desde o princípio dos tempos. E o Douro… o Douro não é apenas uma região. É um livro bíblico escrito em socalcos. Um altar de xisto erguido entre montanhas. Um reino antigo onde o rio corre como uma serpente de luz, transportando a memória dos homens para a eternidade. E talvez venha o dia do julgamento das civilizações, quando os povos serão perguntados não pelo ouro que acumularam, mas pela terra que destruíram e pelas raízes que abandonaram. Nesse dia, as vinhas do Douro falarão. E delas levantar-se-á a voz dos esquecidos, dos trabalhadores da encosta, dos velhos vinhateiros, dos homens que transformaram pedra em vida. Então compreenderão finalmente que o destino final das uvas nunca foi o luxo. Era a transcendência. Com muita estima e consideração Victor Marques Douro Portugal
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