O Verbo no Xisto
No princípio era o Silêncio, e o Silêncio era Deus,
Antes da vinha, do homem e do arado.
O Douro não é terra é o traço que Ele deu
Para que o eterno fosse em nós desenhado.
Não busquem o meu nome em pergaminhos vãos,
Nem em títulos erguidos sobre a areia.
Minha escrita é o calo gravado nas mãos,
É o sangue do Pai que em meus vales ondeia.
Recusei o rebanho, a norma e o altar de papel,
Fiz da encosta o meu templo e do lobo o vigia.
O vinho que guardo não conhece o fel
Dos que vendem a alma por uma alegria.
Cada bago é um mistério, cada xisto é um sinal,
Onde a fome e a sede se tornam louvor.
Não engarrafo o lucro entrego o Ritual,
O suor transmutado no brilho do Senhor.
Dizem que o Douro se perde em números e leis,
Eu digo que o Douro é o corpo de Cristo.
Esquecem a fé os mercadores e reis,
Mas a alma do mundo ainda vive no xisto.
Sou sentinela do sol que se deita no abismo,
Bebendo a luz da fonte que o mundo ignorou.
Minha vida é um salmo, um puro batismo,
Na terra que o dedo de Deus consagrou.
O vinho é a alma, e a alma é de Deus,
Antes que o tempo a pudesse tocar.
Tudo o que é carne volta aos seus,
Mas o que é oração... nada pode apagar.
Victor Marques
Douro
Portugal
Feb 5
Feb 5, 2026 at 1:03 PM UTC
O Verbo no Xisto
No princípio era o Silêncio, e o Silêncio era Deus,
Antes da vinha, do homem e do arado.
O Douro não é terra é o traço que Ele deu
Para que o eterno fosse em nós desenhado.
Não busquem o meu nome em pergaminhos vãos,
Nem em títulos erguidos sobre a areia.
Minha escrita é o calo gravado nas mãos,
É o sangue do Pai que em meus vales ondeia.
Recusei o rebanho, a norma e o altar de papel,
Fiz da encosta o meu templo e do lobo o vigia.
O vinho que guardo não conhece o fel
Dos que vendem a alma por uma alegria.
Cada bago é um mistério, cada xisto é um sinal,
Onde a fome e a sede se tornam louvor.
Não engarrafo o lucro entrego o Ritual,
O suor transmutado no brilho do Senhor.
Dizem que o Douro se perde em números e leis,
Eu digo que o Douro é o corpo de Cristo.
Esquecem a fé os mercadores e reis,
Mas a alma do mundo ainda vive no xisto.
Sou sentinela do sol que se deita no abismo,
Bebendo a luz da fonte que o mundo ignorou.
Minha vida é um salmo, um puro batismo,
Na terra que o dedo de Deus consagrou.
O vinho é a alma, e a alma é de Deus,
Antes que o tempo a pudesse tocar.
Tudo o que é carne volta aos seus,
Mas o que é oração... nada pode apagar.
Victor Marques
Douro
Portugal
