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#legado
Passarinhos fazem ninhos com devoção, Peregrinos em oração.   Natureza serena e sem mágoa, Bom vento que trás água, Arco iris multicolor, Viver sem se amar por amor... Flores belas  do teu sentir, Viver por amor sem o pedir. Abraços trocados que até dão prazer, Amar o dia e o anoitecer. Razões para viver por amor sem se amar, Tenho as guardadas  no meu olhar. O céu é lindo e imaculado, É  divino e sagrado. Parece que vagueio num Ribeiro que parece rio, Que sou barco sem ser navio. Viver por amor sem se amar não é pecado, Pois ficará nas entranhas do meu legado. Victor Marques
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May 14, 2022
May 14, 2022 at 3:00 PM UTC
Viver por amor sem se amar
​O Barril da Eternidade ​ ​No princípio, o silêncio era a única vinha, E a pedra, em camadas, o tempo continha. A raiz é o raio que o escuro devora, Buscando o amanhã na carcaça de outrora. Não nasce uma planta; desperta um destino, Pois o xisto é o corpo de um d Deus que é menino. ​O barril não é vácuo, é um cofre sem esferas, Onde o mosto transmuta as suas quimeras. Ali, no abandono do mundo lá fora, O sangue da terra não teme a sua hora. A madeira é o livro, o vinho é a tinta, Escrevendo a memória que a morte não sinta. ​ E o oxigénio ensina o tanino a voar. O que era matéria faz-se agora oração, Um pacto de estrelas na palma da mão. A magia não mudo o que a uva nos traz, Ela apenas liberta o que o tempo é capaz. ​ ​Não provas um lote; comungas a Lei, Do único reino onde o xisto é o rei. Cada garrafa é um sol que se deixa prender, Um pedaço de vida que não quer morrer. Bebe o poema, o fado, a arquitetura... Pois quem prova este verso, na luz perdura, Buscando prazer nesta nobre aventura. Victor Marques ​
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Feb 14
Feb 14, 2026 at 5:02 PM UTC
O Barril da eternidade
O Verbo no Xisto ​No princípio era o Silêncio, e o Silêncio era Deus, Antes da vinha, do homem e do arado. O Douro não é terra é o traço que Ele deu Para que o eterno fosse em nós desenhado. ​Não busquem o meu nome em pergaminhos vãos, Nem em títulos erguidos sobre a areia. Minha escrita é o calo gravado nas mãos, É o sangue do Pai que em meus vales ondeia. ​Recusei o rebanho, a norma e o altar de papel, Fiz da encosta o meu templo e do lobo o vigia. O vinho que guardo não conhece o fel Dos que vendem a alma por uma alegria. ​Cada bago é um mistério, cada xisto é um sinal, Onde a fome e a sede se tornam louvor. Não engarrafo o lucro entrego o Ritual, O suor transmutado no brilho do Senhor. ​Dizem que o Douro se perde em números e leis, Eu digo que o Douro é o corpo de Cristo. Esquecem a fé os mercadores e reis, Mas a alma do mundo ainda vive no xisto. ​Sou sentinela do sol que se deita no abismo, Bebendo a luz da fonte que o mundo ignorou. Minha vida é um salmo, um puro batismo, Na terra que o dedo de Deus consagrou. ​O vinho é a alma, e a alma é de Deus, Antes que o tempo a pudesse tocar. Tudo o que é carne volta aos seus, Mas o que é oração... nada pode apagar. ​Victor Marques Douro Portugal
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Feb 5
Feb 5, 2026 at 1:03 PM UTC
O Verbo no Xisto
​O Grito do Xisto ​O Douro não é seda, nem moldura, É carne de rocha, suor e bravura. Não nos tragam palmas, nem vinhos de gala, Enquanto o silêncio no Douro se cala. ​Piso o degrau que o meu avô ergueu, Sob o mesmo sol que a encosta morde. O vinho é o sangue que a terra nos deu, Mas há quem, de longe, o destino desorde. ​Batizam o Porto com álcool de fora, Enquanto a uva, no cesto, chora. É escolha política, é frio abandono, De quem trata o Douro como se fosse dono. ​Senhores de Belém, que o povo convoca, A verdade é dura e não cabe na boca: Celebrar a paisagem e esquecer quem a faz, É roubar ao vinhateiro a sua própria paz. ​O Douro espera. O Douro resiste. Não há postal lindo se o povo está triste. Erguemos o cálice, mas antes o meu abraço. Sou duriense e a Deus criador estou grato. ​Victor Marques
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Jan 15
Jan 15, 2026 at 9:02 AM UTC
O Grito do Xisto