O Guardião do Ciclo Branco
No Douro, o tempo não corre, ele demora-se,
Nas rugas da mão que a terra conhece,
Onde o inverno, em manto, se demora e esquece
O ruído do mundo que lá fora se consome.
Não há uvas agora, nem o ouro do mosto,
Há apenas o branco, o silêncio e o frio,
Onde o Homem, de pé, frente ao monte vazio,
Segura a neve com o mesmo rigor e gosto.
O vinho que virá já dorme na paz
profunda,
Bebe da geada a força para o estio,
Pois no Douro, o milagre não é um desvio,
É a fé de quem na rocha a sua vida funda.
Nesta mão que molda o gelo como quem poda,
Resiste a verdade de uma herança antiga:
Que a terra é mãe, é mestra e é amiga,
E o Natal é o eixo onde a esperança roda.
Brindamos ao silêncio que prepara a vida,
Ao vigneron que no frio encontra o seu altar,
Pois só quem sabe com o inverno comungar,
Verá no verão a promessa cumprida.
Victor Marques
Vigneron
Dec 22, 2025
Dec 22, 2025 at 4:27 AM UTC
O Guardião do Ciclo Branco
No Douro, o tempo não corre, ele demora-se,
Nas rugas da mão que a terra conhece,
Onde o inverno, em manto, se demora e esquece
O ruído do mundo que lá fora se consome.
Não há uvas agora, nem o ouro do mosto,
Há apenas o branco, o silêncio e o frio,
Onde o Homem, de pé, frente ao monte vazio,
Segura a neve com o mesmo rigor e gosto.
O vinho que virá já dorme na paz
profunda,
Bebe da geada a força para o estio,
Pois no Douro, o milagre não é um desvio,
É a fé de quem na rocha a sua vida funda.
Nesta mão que molda o gelo como quem poda,
Resiste a verdade de uma herança antiga:
Que a terra é mãe, é mestra e é amiga,
E o Natal é o eixo onde a esperança roda.
Brindamos ao silêncio que prepara a vida,
Ao vigneron que no frio encontra o seu altar,
Pois só quem sabe com o inverno comungar,
Verá no verão a promessa cumprida.
Victor Marques
Vigneron
