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O Pacto do Xisto Na encosta onde o tempo se perde, E o sol grava brasas no chão, O homem parece que ferve , Com tanta chuva, silêncio e tensão. O Douro não nasce revela-se lento, Num ventre de xisto partido em dor; Cada muro erguido é um juramento, Cada vinha plantada é um acto de amor. Degraus de esperança talhados na rocha, Escadas que sobem ao céu azulado. São mãos que o destino desabrocha, São séculos vivos num gesto calado. O mau tempo desce em fúria que perdura Se o vento açoita e à rocha tira o verniz. É o homem que firma a sua postura, Com a fé l de quem sempre o Douro quis. "A terra é minha porque me fez!" Não por posse, mas por pertença sagrada; Foi ela que ensinou assentar dos pés, E moldou cada socalco da alma lavrada. Não é só vinho o que verte no copo, É sangue tornado clarão, É o grito do vale que sobe ao topo, É eternidade em fermentação. Do fundo do vale à crista dourada, Corre uma aliança que o tempo não quebra: O homem e a montanha mesma jornada, Mesmo silêncio que arde e celebra. Enquanto houver xisto e fé profunda, Enquanto o sol beijar a videira nua, Haverá Douro memória fecunda, E um vinho que guarda o mundo na sua. Victor Marques Douro Portugal
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Feb 19
Feb 19, 2026 at 2:04 AM UTC
O Pacto do Xisto
O Pacto do Xisto Na encosta onde o tempo se perde, E o sol grava brasas no chão, O homem parece que ferve , Com tanta chuva, silêncio e tensão. O Douro não nasce revela-se lento, Num ventre de xisto partido em dor; Cada muro erguido é um juramento, Cada vinha plantada é um acto de amor. Degraus de esperança talhados na rocha, Escadas que sobem ao céu azulado. São mãos que o destino desabrocha, São séculos vivos num gesto calado. O mau tempo desce em fúria que perdura Se o vento açoita e à rocha tira o verniz. É o homem que firma a sua postura, Com a fé l de quem sempre o Douro quis. "A terra é minha porque me fez!" Não por posse, mas por pertença sagrada; Foi ela que ensinou assentar dos pés, E moldou cada socalco da alma lavrada. Não é só vinho o que verte no copo, É sangue tornado clarão, É o grito do vale que sobe ao topo, É eternidade em fermentação. Do fundo do vale à crista dourada, Corre uma aliança que o tempo não quebra: O homem e a montanha mesma jornada, Mesmo silêncio que arde e celebra. Enquanto houver xisto e fé profunda, Enquanto o sol beijar a videira nua, Haverá Douro memória fecunda, E um vinho que guarda o mundo na sua. Victor Marques Douro Portugal
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Feb 19, 2026 at 2:04 AM UTC
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