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Marco Raimondi Jun 2017
Narrador:
O sol, fadando aos seus desmaios,
Em falta de luz aureolava
A face natura com seus distantes raios;
A areia qual aos clarões brilhava,
Neste sol d'agora dorme junto às figueiras
Às terras, aos vales, às distantes matas altaneiras

Gaia, que nas folhas de carvalho
Rompe a escuridão do céu vultuoso
E jorra em seu corpo as águas d'orvalho
Cobre-se, nas horas, d'um véu moroso;
Quando olham ao zênite, estrelas podem ver
Como áureo tesouro a na escuridão se irromper

Por este turvo azul sidéreo,
Entre as florestas tem-se o canto,
E dos troncos retorcidos, um mistério
Cuja noite predomina em seu encanto,
Cobrindo as nuvens do olhar,
Com seu etéreo resplendor lunar

Divagam as almas que dormem
E divagam as que repousam, sob o sentir de fantasia
As mais atormentadas, que de sonhos envolvem,
Veem nos vastos pesadelos dores de uma visão sombria;
Se em prantos, quando dormem, não podem culminar
Vezes quebram, em gritos e desatino, um longo calar

Destes prantos, cujas lágrimas caem nas profundezas
Ressoam em uma perdição do infinito
Entoando pérolas e cânticos desta proeza
Que é constituir, no espírito, o próprio mito;
Tudo não mais cintila, Gaia se cobre,
Os olhos da matéria se fecham após tanto obre

Enfim, fez-se da natureza uma realidade escrava
Na qual os dias, tão somente o tempo envenena
Mas Gaia, quando os serenos campos lava
A realidade, a mudança é ela quem condena,
À miséria dos povos, as glórias, a graça
Tudo é ao tempo, que a natureza trespassa

O lar dos sentires se silencia sob aurora
Todos desprezos, amores e outros enganos
Agrados, estupores, inclemências de outrora
Contiguamente extinguem-se, ao eclipsar dos raios meridianos
O som enleia as serranias noturnas
Sussurrando longínqua a madrugada soturna

É a glória do Destino! Ânsia abissal e dolorida,
Aprisionando a natureza em seu prazer de ilusão
Subitamente, em brumas, um estirpe que é vida
Das lembranças renovadas, canções d'uma visão
Logo o sol nascerá em amplitude
E clarear-se-á o dia em suas virtudes

Idália, a vaguear nos cúmulos imaginários
Vê as estrelas em umedecidos rochedos
A ecoarem devaneios visionários
As névoas quais, do delírio, são divinos segredos,
Empíreo enigma, perpetua-se em infinita imensidade,
Que há de trovejar os pensamentos na obscura eternidade
Los adjetivos que me sobran
van como siempre al cubo de desechos
más tarde llegarán
a la galaxia de los basurales

allí se encontrarán con un pueblo de cosas
cáscaras de naranja / de huevo / de discursos
mechones de peluca y huesitos de pollo
condones de prudentes sementales
promesas de almanaque / telegramas
de mal y bienvenidas / invitaciones rotas
nimios perforadores de la capa de ozono
boletas estrujadas con inquina
caspas uñas verrugas papilomas
fetos de mucamitas y señoras de pro
cucarachas resecas y sin deudos
paños higiénicos hollejos puchos
postales de un prehistórico año nuevo
mirko te quiero silvia
citaciones vencidas arrugadas
recibos de la luz / facturas de apagones
propuestas de asco siempre renovadas
un taco sin zapato y sin chapita
un decímetro / resto de algún metro amarillo
chau viejita esta noche no me esperes
un pescado podrido con bigotes de gato
un pie de inconsolable maniquí
un afiche político sin vergüenza y sin rostro

desde su infierno / desde la inmundicia
mis adjetivos sufren como verbos
no merecían semejante oprobio
juro no echarlos más a la basura
cuando me sobre alguno en buen estado
lo entregaré a las damas de la beneficencia
Sirena que en el sueño me has llamado
desde tu frágil costa de neblina:
en tu vaga canturia ultramarina
un reclamo de abismo me ha llegado.

Tal vez me tengas, de coral labrado,
para el final descanso, almohada fina
y extraigas ya de la profunda mina
la nácar que perfile mi costado.

Hoy, frente al mar de arpas renovadas,
yo, la que nunca por el mar anduve
y nunca entre mis manos timón tuve

ni remo para islas alejadas,
siento que el barco de la muerte sube
hacia mí con las velas desplegadas.

— The End —