"muitas" poems
Geografia (2)
Havia a lua a conquistar: magno evento.
Mas a vida corria normal em solo firme
Ah, e os sustos: o estômago puro vento
Eu silente, exausto, adormecia inerme.
Entanto, no cerrado havia muitas frutinhas.
E havia a revolução, e reuniões de oração.
Quando dormia no meio do Pai-Nosso.
Uma centena de orantes à espera de um milagre.
Então Seu Roque viajava para o Interior –
Com seu carrossel de slides e nossas fotos
Não havia quem não doasse alguma coisa:
- Um capado, um saco de arroz, bananas
Em cachos; voltava no fordinho velho
Mas bem fornido; tão feliz, e barbado.
& The United Brothers enviavam cartas.
Dentro dessas meu primeiro bookmark
E o desejo de conhecer o estrangeiro...
Na escola dominical, aprendi os 10 Mandamentos.
Ficava triste nas tardes de domingo; ainda agora.
Um gosto de mangaba e o dedão do pé doendo
Como quando chutava lobeiras em lugar de bolas.
O abrigo era o melho lugar do mundo limpo
O quintal; o milharal capinado; havia o Careta
Nosso cavalo; o Thinka – latindo para o Leão.
Éramos tão felizes quando banhados à espera
De vovó Cecília e seus doces de buritis...
Jesus, como era o teu nome chamado.
Até que o Filemon teve convulsão e tudo desabou
Sobre nossas cabeças como o Apocalipse de S. João.
Fim.
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Feb 8, 2016
Feb 8, 2016 at 12:17 PM UTC
A solidão espalha os seus frutos
Sou um ser controverso,
Com pena e verso.
Eu tenho uma vida,
Bem ou mal vivida.
A vida é um flagelo,
Um trovão descontrolado,
Um amor mal amado,
Um fio fino dum cabelo.
Coisas lindas eu já vi,
Muitas nem senti,
Existe por vezes beleza,
No pousar da natureza.
Na solidão e melancolia,
Vivo o dia-a-dia,
Gosto de amar de sentir saudade,
Caminheiro da liberdade.
Victor Marques
Jun 29, 2010
Jun 29, 2010 at 2:50 AM UTC
A correnteza espalha as lágrimas rio abaixo
Aglomeradas, tornam-se banais
Ninguém vê, liga a TV
Outra hora a gente se vê.
Misturadas, ainda estão lá
Cada vez, mais e mais
Acostumadas, satisfaz
Invisíveis não perturbam nossa paz.
Deixe que o rio leve
São muitas para se importar
Combinado, ninguém cede
Como a burguesia e a plebe.
Nov 7, 2016
Nov 7, 2016 at 5:50 PM UTC
Eu estou atado ao garoto de cabelos negros
Ele é o rei das flechas
O príncipe e o próprio monarca
Ele é o último pássaro humano
Eu estou atado ao garoto de cabelos negros
Ele possui olhos pálidos
E canta como um rouxinol
Ele vai te enfeitiçar e atar
Eu estou atado ao garoto de cabelos negros
Ele me prendeu ao seu coração azul
Meu lar é mais frio que gelo
Eu, que um dia, fui uma fênix
Eu estou atado ao garoto de cabelos negros
Ele é o vilão de muitas lendas
Eu sou seu prisioneiro em todas elas
Inclusive em meu próprio mito
Eu estou atado ao garoto de cabelos negros
Eu fui seduzido por sua tristeza e solidão
Eu fui enganado por suas lágrimas
Eu fui preso por seus lábios
Eu estou atado ao garoto de cabelos negros
E nunca serei livre
Meu coração foi tomado de mim
Pelo garoto de cabelos negros
Dec 13, 2016
Dec 13, 2016 at 1:08 PM UTC
O quadro da parede tem
uma casinha na fazenda
A televisão da parede tem
alguns atores na fazenda
A caixinha de vidro tem
uns peixinhos no aquário
A cama da fazenda tem
uma colcha de retalhos
A caixinha de vidro tem
um trabalhador adormecido
A rua de ladrilhos tem
muitas lojas de tecido
A velha da rua tem
pegado muitas tiras
A velha caipira tem
retalhos de caxemira
A velha da cidade tem
medo de arrastão
A velha da piraquara tem
medo do cramunhão
O homem de vidro tem
medo de se quebrar
O homem divino tem
medo de se ausentar
O homem ultramarino tem
medo de não voltar
O homem saturnino tem
medo de não chorar
May 17, 2015
May 17, 2015 at 6:55 PM UTC
Pra você eu deixo todo o meu desprezo,
Junto com os presentes que você me deu.
Está tudo aí, em cima da cabeceira da sua cama.
Onde muitas vezes fizemos planos juntos.
Planos para o nosso futuro.
Que foi jogado no lixo, por você.
Agora quem está no lixo é você,
E lá vai apodrecer.
Junto com meu remorso.
Jan 15, 2013
Jan 15, 2013 at 7:56 PM UTC
Hoje fui no medico
E fui diagnosticado
Ele falou abismado
Você está com o coração quebrado!
Quem me dera que isso fosse tudo
Porque ele me disse ainda um pouco acanhado
Que graças a minha aptidão poética
O meu apego ao passado
E sentimentalismo exagerado
Eu vou sofrer muitas mais nessa paixão que há muito já é passado
Dec 4, 2015
Dec 4, 2015 at 9:22 AM UTC
Quando passamos num bonito lugar,
Onde temos muita vontade de estar,
A noite parece dia feito luar,
Talentos da minha poesia por explicar,
Conexões com pessoas de outras terras,
Visões passadas de paz e guerras.
Parece que nos conhecemos numa vida anterior,
Que o nosso espírito quer estar num estado superior.
A energia da alma nunca é destruída,
Ele passa de vida para vida,
A energia de sempre querer viver,
Passa de ser para ser.
Espírito meu que pareces embarcar numa viagem,
Pareces ser um alegre trem sem carruagem.
Queres te purificar para a Deus e universo agradecer,
Reencarnando muitas vezes sem querer,
A vida perde sentido por vezes com a racionalidade,
Pois a morte terrena é sempre uma realidade.
Victor Marques
May 20, 2022
May 20, 2022 at 3:48 AM UTC
Eu não sei se você já reparou,
Mas vivemos diferente cada amor.
Faz todo o sentido não é mesmo?
As pessoas são diferentes.
As conexões são diferentes.
Não podemos nos exigir o mesmo comportamento em todo o relacionamento, só porque a sociedade nos empurra um modelo de casal perfeito.
Já parou pra pensar que muitas das nossas frustrações amorosas acontecem também por isso?
Focamos tanto em um modelo ideal de amor,
E esquecemos de amar.
Não existe amor ideal,
Não existe casal perfeito.
Não existem regras pro amor.
O amor é algo inexplicável, é sensível e nada mais!
Jun 12, 2017
Jun 12, 2017 at 6:46 AM UTC
um dia eu descobri que te gostava.
um tempo depois descobri que tu me gostava.
meu gostava era fraco e só esqueci
e segui.
não sei quanto a ti, se o fogo que te habitava
era quente como um fogão aceso no verão
ou
um fósforo que se apaga quando queima a madeira no fim.
te visitei muitas vezes aqui dentro e sempre imaginei como seria
se
te beijasse durante o dia
elogiasse teus dentes de sorrisos geométricos
convidasse prum gole de café
tocasse teu ombro bem devagar com a
ponta dos dedos
encontrasse teus olhos perdidos
te fizesse enxergar que existe coisa além
de solidão
só
fotografei teu corpo seminu
te beijei em noites bebadas
conheci tuas poesias
te segui sem saber
e me deu nó quando soube do teu
coração preenchido
ouço o que ouves agora
e penso em ti com frequência
senti tua falta
e penso que peco porque meu coração também
preencheu
e se só o que fosse pra ser fosse ser só sem ser a gente
Dec 16, 2018
Dec 16, 2018 at 9:36 PM UTC
Muitas são as cabeças que se agilizam em governar Portugal. Sim cabeças de políticos, que bem, ou mal formados nos encaminham no fracasso.
Aquilo que é de todos e contributo de todos deveria ser nosso. Falo do Sistema Nacional de Saúde em primeiro, para o qual todos contribuímos e onde muitos dos que lá trabalham, optam por de uma necessidade populacional fazer uma fonte de rendimento. A seguir e porque também a mim me toca, justiça. Como pode ser possível que a justiça, solene e a segunda coisa mais importante da Constituição, esteja hoje nas mãos da comunicação social que diariamente condena e absolve tanta gente, cometendo diariamente vários crimes de devassa e nada lhes acontece.
Infraestruturas de Portugal, redes viárias construídas com o dinheiro de todos nós e muitas delas exploradas por particulares.
TAP, EDP, PT, Correios de Portugal, águas e outras instituições privatizadas que hoje só esvaziam os nossos bolsos.
Em tempos Portugal era mais que um retângulo ao largo da península ibérica, era o Brasil, Angola, Moçambique, Guiné, Timor, Macau e muito mais ainda foi derretido nas mãos de quem as teve.
Cá dentro, apesar de pequenos hoje, Portugueses julgam-se os que vivem em cidades grandes e o interior cada vez mais é esquecidos e despovoado, onde os Portugueses que lá vivem apenas servem para pagar impostos, e no resto cada vez mais esquecidos, até o direito há saúde tem horário para se estar doente.
Caros senhores do poder, se querem que o interior do país não seja habitado mas sim esquecido, entreguem aos espanhóis o que lhes foi tirado tal como fizeram quando entregaram Macau há China, talvez assim as pessoas que lá vivem consigam sentir-se como pertencendo a um país .
Chega de arruinar a vida de quem trabalha e vangloriarem-se com a epidemia de gente que quer morrer, com a pandeleiragem e a prostituição humana que nos assola diariamente por nossas casas a dentro e nos chegam pela TV desde manhã cedo. Basta de maus costumes e má gente.
António Benigno
Codigo Activista 2018.06.04.01.06.2050
Jun 4, 2018
Jun 4, 2018 at 4:52 PM UTC
Poema de: Anonymous Poet
A partir de hoje
vou amar te com silêncio,
provocando ausências
e inventando distancias,
desde hoje vou amar te sem poemas,
com muitas poucas ações,
e poucas palavras...
a partir de hoje vou amar te assim,
como tu me amas.
May 5, 2017
May 5, 2017 at 9:49 AM UTC
Quando eu era pequena, eu via a morte, com uma capa preta e uma foice, e uma expressão melancólica no rosto, sombria por vezes, de quem já havia levado muitas vidas.
O peso, em suas vestes, das almas corrompidas, que não queriam partir, o sangue da sua foice, onde também haviam lágrimas de quem ficava.
Com o tempo, eu passei a ter medo dela.
A vi como má.
Injusta.
Insensível.
“Como pôde Dona Morte, levar aqueles que eu amava?” Eu perguntava.
Mas a morte é só uma passagem.
Eu demorei a entender.
A aceitar.
É como se a Dona Morte fosse uma guia turística, que vem nos buscar rumo às nossas férias eternas.
Ela vem, nos despimos de qualquer bagagem, a passagem, é a nossa vida. Esse é o preço.
E então embarcamos no trem.
Rumo ao desconhecido.
Mas ao eterno.
Sep 28, 2018
Sep 28, 2018 at 10:31 PM UTC
de tantas pessoas cinzas
que há no mundo
ninguém me tocou
de verdade, profundo
repentino aparece alguém
é você, meu bem
uma pessoa com boas energias,
que vai me trazer muitas alegrias
você é uma inspiração,
quero conhecer a cor
do seu coração
cada alguém carrega outras cores
elas crescem por dentro como flores
saiba que a pessoa colorida,
facilmente se tornará a sua
pessoa preferida
ela espalhará essa coloração,
pintará as paredes do seu coração
com cada beijo, cada abraço
delicadamente, traço a traço
e eu me encanto,
e amo tanto,
como ela pinta cada canto.
- gio, 10.04.2020
Apr 22, 2020
Apr 22, 2020 at 1:06 PM UTC
Repito em alto e bom grito:
Enterremos a dualidade!
A constante escolha entre o bem e o mal.
O certo e o errado.
Isto ou aquilo.
A frustração de parecer nunca conseguir fazer a escolha certa.
Porque não há uma escolha certa!
Que alívio!
Aceitemos a existência.
A existência da luz e do escuro,
dos extremos que se tocam.
Aceitemos que a luz branca carrega nela um espectro enorme
de muitas outras cores.
E não ignoremos nenhuma!
Aprendemos a ver.
A ver e a reconhecer que tudo existe ao mesmo tempo,
independentemente da nossa vontade.
Não há escolha possível entre isto e aquilo
quando ambos se misturam a toda a hora.
Aceitemos o ridículo.
O quão patéticos somos ao achar que estamos no controlo da nossa vida.
E desfeita a ilusão, vivemos então!
Aprendemos a viver.
A amar na incerteza
de que amanhã ainda amaremos
Mas certos de que o amor está na nossa Natureza.
E a natureza,
Essa ninguém controla.
Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:28 PM UTC
Acho curioso como, só na língua portuguesa, existem mais de 450 000 palavras e, é impossível manter uma conta exata porque todos os dias são criadas palavras novas.
E por muitas palavras que se tenham criado ao longo da existência da linguagem verbal, muitas das vezes, continuam a ser todas insuficientes para nos expressarmos, para chegarmos ao outro, para que ele nos entenda ou àquilo que tentamos transmitir. Curioso, não é? Nem sempre a abundância serve de muito se não soubermos como a repartir.
Há coisas que não podem ser escritas…Descritas…Mas é tão bonito tentar!
Há coisas que nasceram para serem faladas, outras para serem simplesmente observadas, outras para serem sentidas, outras para serem ignoradas…Mas há sempre muito mais, muito mais para além do que se vê e do que se pode compreender.
Quantas mais palavras me passam pela cabeça, menos vontade tenho de as escrever. Quanto mais enrolada estiver no meio das emoções, menos vontade tenho de falar sobre elas.
Não acredito que algum dia se possa ter dito tudo, há sempre mais, muito mais.
Mas às vezes, parece que não há nada mais a escrever ou a comunicar. (Mas quem estou eu a tentar enganar?!)
A escrita é só outro abrigo para onde fujo da vida. Um bom abrigo, sim, mas o que acontece quando não quero fugir da vida e sim entrar nela de cabeça?
Ora, aí fujo da escrita!
Talvez seja nesses mesmos momentos em que não consigo escrever nada. Como se não me lembrasse de uma única palavra entre as 450 000 existentes. Nos momentos em que mais quero saltar para a vida, agarrá-la e abraçá-la, senti-la simplesmente, como se nunca me tivessem ensinado o que são as palavras e como as posso utilizar. Há momentos em que não sinto que as precise de usar, então, abro o caderno, olha para a página em branco e, fico só a contemplar.
Neste momento, parei de perseguir a vida para a poder vir escrever, porque tenho sempre algo mais que quero dizer. E curioso, há muito mais em mim que se pode ler sem ter de carregar o peso de uma única palavra.
Há uma linguagem secreta entendida por toda a gente, uma linguagem universal e paciente, mas só pode ser compreendida no silêncio, na beleza do olhar, em duas mãos entrelaçadas ou entre lábios que se estão prestes a beijar.
Mar 9, 2022
Mar 9, 2022 at 9:53 AM UTC
Histórias
Não sei ainda como pretendo escrever, nem sei se há alguma forma de dizer nada.
A cabeça, pelo menos a minha, não pensa, não age como pretendia. Porquê?
-Talvez porque esta minha escrita seja apenas para mim. Dito isto, explico.
Como posso pensar, sentir, refletir ou agir em descrever se o resultado são risos e graça que se acha na minha análise sobre as coisas. Os meus sentidos podem estar fracos e eu ser enganado permanentemente sobre as minhas análises.
Nem sempre ouço discórdia ou oposição.
Não pretendo que mundo pare nem as mentes do homem. Apenas me aborrece ver as minhas ideias bizarras e desinteressantes servirem de trampolim há intelectualidade alheia.
Não é um mundo este em que as ideias rápidas e prematuras possam servir para consolidar direções. As raízes são fortes e as mente também já foram mais brilhantes. Muito do que parece engraçado e fácil hoje pode ser destrutivo.
O ciclo pandémico do conhecido vírus de 2019, mostrou fragilidades e uma enganosa mudança que faleceu à nascença.
A mente teve e sofreu um clique real. A fragilidade. Tudo está muito mais confuso agora há medida que seguimos esta direção. Mas muitas mentes se agruparam em função de uma estirpe próxima. Parece que o interesse é salvar uma determinada espécie. Hoje é mais fácil combater qualquer inimigo. O capitalismo manda muito mais.
Esconde-se o dinheiro, até onde? Esconde-se a solução, até quando?
O que não interessa é haver uma sociedade sólida de princípios.
Quer mesmo o ser humano descobrir o que deveria estar perdido, desafiar a divindade como nunca.
Nesta derradeira e desafiante cruzada eu não serei um mero expectador, não irei temer nada, e viverei isto como um conflito de presença de sentir a vida como ela deve ser sentida.
Nenhuma outra desgraça espero passar por defender o certo e seguir os princípios da doutrina, que uns profanam e negam por mera conveniência.
Autor: António Benigno
Código de autor: 2020081022300801
Aug 10, 2020
Aug 10, 2020 at 6:48 PM UTC