
Odeio a forma como ela desacolhe,
não se expressa
e muito menos se interessa
Vomita seu ego e seu caos
Duvido de mim e dela
seus sentimentos me quebram
e os meus me desintegram
Nosso lar é permeado por uma enorme serpente
presente, invisível e insensível
tenta me arrancar um riso
antes de me esmagar com gosto
Durmo num pântano de rancor
e me sinto protegida
enquanto estou despida e injuriada
Ardo e desando a cada noite dormida
De peito esmagado eu gargalho
respiro suavemente o veneno
e agradeço
o meu apreço pela pena e pelo ódio é tudo o que eu conheço
Jul 1, 2019
Jul 1, 2019 at 11:20 AM UTC
Alcool e pipoca
pipocando a jiripoca
piando, forte, ensurdecedor
puxou o gatilho atirou.
Pessoas e pipocas
pipocando multidão
desconhecido lampião
luz escuridão.
Alcool desmaiou
ninguém notou nem pipocou
ouvidos e olhos detidos
bandidos de balcão.
Nov 26, 2016
Nov 26, 2016 at 2:22 PM UTC
Partículas minúsculas de uma história
no espaço-tempo
Não há registros de sua década
ali ela está, aglomerada
levada pelo vento.
Um pensamento ou um fato
Um cheiro ou um tato
Sensação perante a multidão
Inigualável pela escuridão.
Baú protetor de todos os momentos
Infinito finito da madeira acobreada
Inexistente aos olhos que buscam a razão
Inexplicável pela língua falada.
Nov 24, 2016
Nov 24, 2016 at 6:27 PM UTC
Eu disse que você ficava linda
com aquele óculos pink;
você não acreditou, extravasou,
de mentirosa me chamou.
Disse que sua bota amarela
caía muito bem com o chapéu verde limão;
você começou a usar apenas cinza,
ranzinza.
Que sua lingerie bege contrastava bem
com o tom escuro de sua pele;
você apareceu com um sutiã vermelho,
rendado, ao banal destinado.
Disse que seus pelos ficavam engraçadinhos
arrepiados no frio;
você podou todos, rodou,
virou, trocou.
Minha paixão a transformou
chama apagada de desilusão.
Eu disse sim,
ela disse sim não sim,
cala a boca,
vamos comprar feijão.
Amava sua breguice,
não se contentava com a mesmice.
Voltaria no tempo
revê-la pela primeira vez,
na praça na noite de natal,
de vermelho e avental,
blusa estampada com um neandertal,
metendo moral no ******* maioral.
Ah, que visão surreal.
Ali eu te amei. Ali eu te beijei.
Nov 15, 2016
Nov 15, 2016 at 11:23 PM UTC
Altruísmo não há
Como se libertar?
Prisão do egoísmo
No limbo do paraíso.
Um avião que não decola
Um sapato sem sola
Aprendendo a viver
Sem um bem querer.
Com o que nascemos
e o que aprendemos?
Bem e mal
Mais um produto industrial.
Nov 15, 2016
Nov 15, 2016 at 10:13 PM UTC
Era uma partícula minuscula
Germinando numa rústica cúpula
Simpática, foi alimentada
Mas nada a agradava.
Cresceu, virou espada
Violenta, sem controle
Nada a parava
Da cúpula se libertara.
Derrotou amores
Explodiu sem cores
Não era bonita, sem sabores
Mas via-se como uma pepita de flores.
Nov 10, 2016
Nov 10, 2016 at 11:42 PM UTC
Me arrastava pelo deserto
quando lembrei dela.
Curvas magnificas, macias
estrutura singela.
O único momento de paz
era um oasis fugaz.
Rápido, sôfrego.
Aliciando o próprio ego.
Aproveita o vento
para me fustigar com areia.
Sem dó, serpenteia
a pele que um dia acariciou
a boca que já desejou.
Me arrastava pela terra seca
quando lembrei dela.
Quebradiça, áspera.
Cambaleando enquanto me flagela.
A cor é a mesma
das suas costas.
Cor que eu beijava
agora olho enquanto evapora
e incendeia.
Seca.
Quente.
Serpente.
Floresça.
Nov 9, 2016
Nov 9, 2016 at 6:00 PM UTC
Desculpa.
Eu estrago o perfeito.
Acabo com o infinito.
Transformo a realidade em mito.
Digo as palavras erradas mesmo dizendo as certas.
Escrevo cartas rasgadas e as envio abertas.
Rabisco palavras bonitas.
E no lugar coloco feridas.
Oras
Você vai se acostumar.
No meu mar eu vou te afogar.
Você tenta me erguer e eu te puxo.
Tenta compreender e eu fujo.
Tenta fugir e eu rujo.
Sou um animal selvagem e sujo.
Eu cresci errado.
Eu sorri errado.
Eu menti errado.
Eu senti errado.
Mas me conta, qual a sensação de ser amado?
Nov 8, 2016
Nov 8, 2016 at 12:03 AM UTC
Quando acordou,
o pedaço de clavícula ainda estava lá.
Nov 7, 2016
Nov 7, 2016 at 9:21 PM UTC