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"fiz" poems
Primavera que acordas vinhedos adormecidos Hoje fiz uma promessa a mim mesmo que seria escrever para ti: Primavera! Desde menino que me encantas, me envolves, me rejuvenesces…Sim, és tu Primavera que me acordas de sonos bem ou mal dormidos. Com os crescer dos dias parece que tudo cresce de uma forma descontrolada e um infindável colorido permanece aos olhos de quem te acolhe e enaltece. Sim, só poderias ser tu a bendizer todas as rosas campestres que por ti anseiam para comunicar e nos fazer sentir odores, por vezes já esquecidos. Os jardins se enfeitam com violetas, lírios, hortênsias. Os charcos ficam mais esverdeados e alegres, pois as rãs têm mais tempo para cantar. Primavera abençoada que acordas vinhedos durienses adormecidos, que aqueces rio Douro e Tua. Amendoeiras em flor brancas e puras que acolhem abelhas que procuram alimento param se saciar. Nos campos é imensa a alegria de semear sementes que servirão de alimento para tantos seres que não compreendem o poder de nascimento contínuo que existe em todas as Primaveras. Parece que tudo está com disposição de despertar… Parece que tudo ressuscita, que tudo nasce, que tudo vive com maior apego e sintonia com o Deus Criador. Por tudo isto queria também eu ser uma Primavera excelsa e porque não celestial aos olhos de quem nunca teve ou sentiu uma Primavera. Victor Marques
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Feb 24, 2015
Feb 24, 2015 at 8:44 AM UTC
Primavera que despertas
Triste e sem caminho, assim ela pensava. Cansada de acordar todos os dias e ter aquela mesma sensação. Porra, eu já fiz isso! Todos os dias, toda hora, a mesma coisa. As pessoas não ligavam para isso, todo mundo sempre acha que o seu problema é maior do que o do outro. Mas no final, o problema de todo mundo é maior que o outro. É um ciclo repetitivo sem fim. Um ciclo de merda infinito. Assim era a vida dessa menina. Ela realmente estava perdida. Ou, achava que estava perdida. Nossa cabeça as vezes, ou sempre, nos faz prisioneiros de nós mesmos. Nós usamos, involuntariamente, nossos erros e medos contra nós mesmos. Onde ela estava com a cabeça? Eu quero ser assim, pensava ela... Pobre menina. Por que as pessoas acham "bonito" ter problemas emocionais, vidas dramáticas, coisas trágicas e o caralho a quatro de problema? Talvez a gente só queira ter uma aventura na vida, mas as vezes nós não lembramos, que a vida não é um filme, e que o final não vai ser feliz como sempre, ou que nós podemos evitar tal coisa, imaginamos sempre que sera aquela tragedia clichê tipo um Christiane f e no final tudo vai ficar bem. Não fica tudo bem. A nossa juventude está perdida. Realmente. Eu faço parte dessa geração. Nós temos vários tipos de pessoas, grupos sociais, gostos variados, culturas diferentes. Mas em uma coisa nós somos iguais. Nós sofremos. E isso meu amigo, não é brincadeira. Hoje em dia, não temos mais aquela amizade com as pessoas igual era 40 anos atrás, hoje em dia ta tudo muito superficial, muito mentiroso, muita encenação. O ser humano está perdendo cada vez mais a sua compaixão, a sua criatividade e a sua liberdade de se expressar. A nossa população está completamente alienada a coisas negativas e coisas que não levam a nada. Estamos perdidos. E eu, sou só mais uma, perdida. Mas em meus problemas, que eu não sei resolver.
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Nov 24, 2013
Nov 24, 2013 at 10:26 AM UTC
Perdida
Triste e sem caminho, assim ela pensava. Cansada de acordar todos os dias e ter aquela mesma sensação. Porra, eu já fiz isso! Todos os dias, toda hora, a mesma coisa. As pessoas não ligavam para isso, todo mundo sempre acha que o seu problema é maior do que o do outro. Mas no final, o problema de todo mundo é maior que o outro. É um ciclo repetitivo sem fim. Um ciclo de merda infinito. Assim era a vida dessa menina. Ela realmente estava perdida. Ou, achava que estava perdida. Nossa cabeça as vezes, ou sempre, nos faz prisioneiros de nós mesmos. Nós usamos, involuntariamente, nossos erros e medos contra nós mesmos. Onde ela estava com a cabeça? Eu quero ser assim, pensava ela... Pobre menina. Por que as pessoas acham "bonito" ter problemas emocionais, vidas dramáticas, coisas trágicas e o caralho a quatro de problema? Talvez a gente só queira ter uma aventura na vida, mas as vezes nós não lembramos, que a vida não é um filme, e que o final não vai ser feliz como sempre, ou que nós podemos evitar tal coisa, imaginamos sempre que sera aquela tragedia clichê tipo um Christiane f e no final tudo vai ficar bem. Não fica tudo bem. A nossa juventude está perdida. Realmente. Eu faço parte dessa geração. Nós temos vários tipos de pessoas, grupos sociais, gostos variados, culturas diferentes. Mas em uma coisa nós somos iguais. Nós sofremos. E isso meu amigo, não é brincadeira. Hoje em dia, não temos mais aquela amizade com as pessoas igual era 40 anos atrás, hoje em dia ta tudo muito superficial, muito mentiroso, muita encenação. O ser humano está perdendo cada vez mais a sua compaixão, a sua criatividade e a sua liberdade de se expressar. A nossa população está completamente alienada a coisas negativas e coisas que não levam a nada. Estamos perdidos. E eu, sou só mais uma, perdida. Mas em meus problemas, que eu não sei resolver.
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Em frente do espelho Em um surto de lucidez, penso O que foi que eu fiz com meu corpo? Ele era tão saudável Mas eu não me amava antes E também não me amo agora Eu lembro de desejar a todo custo “Emagrecer até morrer” E é essa frase que corre em minha mente Quando eu sinto minha visão escurecer Eu lentamente estou morrendo Em frente ao espelho, me pergunto Se era essa a minha vontade então por que eu estou tão assustada?
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Jan 3, 2022
Jan 3, 2022 at 12:55 PM UTC
Espelho
Celebro o medo através da poesia O medo, não do mundo para o qual fugi, Mas do inevitável retorno àquele que deixei para trás. Celebro a despedida a Lisboa, Menina e moça dos meus olhos, De juventude esvaída. Outrora casa e ser e essência Perdeu a cidade a capacidade de amar E de acolher amantes na sua calçada gasta E assim, perdi eu a capacidade de a sentir um lar. Desprendo-me, feroz, do seu abraço Choro só a beleza de não lá ser mais E aprendo (ou tento) amar outras fachadas. Tudo o que em si importava - o calor dos gestos, a poesia - Morreu em mim. Fiz do meu berço uma cidade vazia.
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Aug 26, 2017
Aug 26, 2017 at 1:59 PM UTC
26/08/2017
Imagino um caminho fechado, ***** e sujo, Dentro do escuro, saem sombras despidas, Suas almas são vertidas, na solidão e eu fujo, Deixo para trás cores pretas, ficam perdidas! Apela-me ao coração, tantas vezes, a voz perfeita, Diz-me segredos da cor magnifica, a cor do arco iris, E agora que ficaria eu fazendo, fugindo da tal ceita, Que entrou na minha vida e saiu, como liquido que fiz! Transformou-se toda a minha vida, e a sujidade saiu, Como do túnel que antes descrevi e de lá almas libertei, Alegra-me plenamente o valor que meu coração adquiriu, Se entregou a ti alma gémea que amo e sinto, eu encontrei! De que serviu todo o antibiótico que tomei, senão para cura, Foi remédios de sentimentos sombrios, me transformaram, Meu ser é hoje de um homem, completamente de alma pura, Necessito apenas de oportunidade segura, que me partilharam! A tua entrega neste momento difícil, merece um festejo celestial, Não terá de ser festejado amanha, porque é hoje a tal festa ******* Meu coração encheu-se de sonhos, minhas armas carregaram igual, Completamente firme, penetro no mundo que deste, é o divinal! Autor: António Benigno Código de autor: 2013.07.31.02.12
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Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:06 AM UTC
Como seria, agora o é!
Minha Terra Nasci em entre fontes e montes, Nasceu o filho dos vinhedos, Nasci sem saber, Nasci para viver… Meus horizontes dourados, Caminhos pisados, Saudade incontida, Nasço com vida. Lágrimas que chorei, Tristeza que abalou, Nasci nem sei, Terrinha minha Transmontana, Onde a sinceridade nada ganha. Aqui o sol se põe distante, O calor é sufocante, Nasci menino, fiz me gente, Sou feliz, estou radiante. Victor Marques
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Jun 29, 2010
Jun 29, 2010 at 1:01 AM UTC
Minha Terra
ou 'querer' em quatro tempos 1. Você está aqui Eu estou lá Perco o espetáculo Por querer Demais, mas Sem querer-- Todos querem Um pedaço de mim agora. 2. Você está aqui Eu estou lá Prendo-me ao espetáculo Por querer Demais, mas Sem querer-- Porque querer foi O que sempre fiz(emos). 3. Você está aqui Eu estou aqui Cegos ao espetáculo Por querer Demais, mas Sem querer-- Amanhã, quando 'quero' for Sinônimo de 'podemos'. 4. Você está lá Eu estou lá Partes do espetáculo Por querer Demais, mas Sem querer-- Querer nunca foi, O suficiente, foi?
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Nov 29, 2010
Nov 29, 2010 at 12:32 PM UTC
distância
Poderíamos só continuar andando pela estrada, E esquecer tudo de errado que já foi feito, Eu não sei você, mas isso basta pra mim. Andando na chuva, e eu não sei porquê você se irrita tanto, Se agora odeia o Sol. Estamos apenas andando na chuva. E ainda não descobri porquê me olha, Como se eu tivesse feito algo imperdoável. Eu tento me convencer de não saber o porquê. Eu estou apenas chorando na estrada, E você está apenas ao meu lado, me culpando, Por algo que não fiz. Poderíamos só continuar andando pela estrada, Sem erros,sem culpa e sem medo. Sem lágrimas e arrependimentos. Poderíamos fingir de uma vez, Que nada houve, Nada haverá. Que no final só restará eu e você.
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Dec 22, 2012
Dec 22, 2012 at 5:55 PM UTC
Andando pela estrada
Right before I called, I imagined --- is there anything left other than Pages? Pages yellow in time and red ink becomes wine stronger than your average cooler that settles. When bottles clink and drown bubbles endlessly, when the fiz dilutes memory always fondled with friends. Is there anything left other than pages? I have your fingerprint and the scent of your hair fading like your name in my eyes. Nothing's left when stubs have burned the last of crumpled letters into ashes, and the ember consumes what I remember the most.
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May 29, 2011
May 29, 2011 at 8:52 AM UTC
Of All The Things
Nova Andradina, meu moinho Sua gente me recebeu com carinho Lembro-me de cada rua e praça Ali construí uma vida cheia de graça Domingos entre amigos e festas Passeios pelos seus rios e florestas Sábados aminados em seus bares Papeando com os tipos populares No caminho do trabalho aventuras garantidas Na “Escola Agrícola” se vai parte da minha vida Ali fiz amigos e tenho estudantes incríveis E aprendi com as mais situações horríveis Política, cultura, dia-dia e aventuras Aproximaram-me da vida dura Que esse povo forte e lutador Ostenta com graça e esplendor Aqui somente abri portas e janelas Aprendi o preço da liberdade Descobri a força da vida e da solidariedade Para sobreviver às contradições e querelas
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Jan 13, 2015
Jan 13, 2015 at 12:39 PM UTC
Nova Andradina, meu moinho
for now my eyes feast, on the great famine at least how appetizing it is, to feel ***** swell in your throat like fiz nobody cares that you have something to contribute they just want *** and attention to increase the hypertension, so sleep evades and weakness of the mind body and soul pervades every corner of your mouth every cracked bloodied lip and spike driven into your chest, bled out trailing south ignorant steps with sketchers on your chest they want to be ****** on your coffin and the rest they want you to hear it when your life ends when time bends and your mind extends, cranial fluid dripping saddened eyes drooping, maddened lies falling apart drama takes center stage as the hot lead part
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Sep 17, 2013
Sep 17, 2013 at 4:41 PM UTC
pity
Eu pensei, refleti, E acabei de me ver. Um futuro nebuloso, A névoa me cobrindo, Sem lágrimas caindo, E eu sempre quis Ser mais indecisa, Fiz uma pesquisa, E não estou só. Não tem desespero, O amor é conselheiro, E eu ouvi dessa vez. Eu olhei no espelho, Meu olho vermelho, E vi que não tem remédio melhor, Que adeus bem dado.
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Sep 23, 2014
Sep 23, 2014 at 4:16 PM UTC
Adeus
Eu não sei, mas eu sinto que meus pés encontraram um rumo, E esse é meu sinal de partida, Mesmo eu não indo tão longe, Eu vou acabar te deixando pra trás, Mas eu não sei, se mesmo assim, Tudo vai continuar, E eu fiz tanta loucura, pra estar com você, Sem saber, que iria te deixar sem mágoa, Eu fiz tudo que podia ter feito, E acordei preparando minha mala, E acordei deixando me levar, Pelo vento, e pela água do mar.
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Sep 18, 2013
Sep 18, 2013 at 4:41 AM UTC
Untitled
Sinto uma pressão que puxa A cabeça que roda parado Uma flor que quando cresce murcha A vontade de cair mesmo deitado Vi-me feliz E uma outra vez aceitei Não mudarei o que fiz Eu sei que não errei Mas a dúvida é dor Esperar é ficar parado Esperar por amor Esperança de não ser destroçado A alma em fraqueza Parte-se o coração Não tenho sequer certeza Porque sofro tanto então? Sofro em antecipação De um mundo escuro Imaginado a pior situação Mas tenho esperança para o futuro Ondulo como ondas do mar E por mais que tente navegar Ou chego à costa e posso respirar Ou acabo por me afogar
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Feb 11, 2019
Feb 11, 2019 at 9:22 AM UTC
Navegar
Eu fiz um pedestal Só pra você Te dei até o que não deveria Todo o amor disponível Mas, meu bem, Isso é realmente amor? Eu estou exagerando? Eu estou me pressionando, Cada vez mais, me esvaziando... Te dando tudo de mim. Te tornando uma necessidade ou um vício? É como se você fosse cafeína... E sua ausência as minhas noites insones... O seu amor é uma droga.
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Nov 16, 2022
Nov 16, 2022 at 7:10 AM UTC
Pedestal
O fulgor do ódio incauto, a devastação em chama ardente, faz cambalear o ser andante. Carrego o que fiz do destino como se embalasse um filho morto. Um aborto deformado e coberto por repugnância. Engendrado em ventre seco. Fruto interrompido de um estupro incestuoso. Esquartejado pelo bisturi de um hospital clandestino e imundo. Levo as partes dilaceradas deste feto hediondo à boca, devorando-as, freneticamente saboreio o sangue ainda morno e a carne mole desossada, elas descem entalando pela garganta, me engasgo, tropeço, vou de encontro ao chão, superfície áspera de concreto, me fere a face queimando minha pele, me observo nu enquanto vestido, vejo transeuntes vivendo suas vidas pacatas, com suas roupas da moda, seus farrapos, com seus carros de passeio, populares ou de luxo, com seus apartamentos, suas casas, sobrados ou mansões, os vejo em bares, em igrejas, no trabalho, alegres, tristes, esperançosos, desiludidos, preocupados, já não pertenço a este lugar. Ando léguas sem freio em meus devaneios, meus pés estão em carne viva, os calos sangram, continuo a caminhar carregando um destino morto, estou sozinho em uma estrada deserta, me desfiz de tudo. Abandonei qualquer esperança, qualquer desejo, o impulso me movimenta. A estrada de terra levanta ao longe uma nuvem de poeira, a nuvem é carregada pela ventania em minha direção, a poeira adentra aos meus olhos como vidro cortante, tento me proteger me encolhendo em posição fetal, está escuro, e mais, meus olhos não conseguem se abrir, a tempestade de poeira já passou, restando apenas uma bruma que permanece sem alvoroço, mas que se misturando com a noite transforma-se em uma parade opaca, intransponível, impossível de se enxergar através, algo parece se mover dentro dela, e trazer de volta a tempestade, está se aproximando de mim rapidamente. Um ônibus velho e cheio de ferrugem pára ao meu lado, escuto o ranger metálico estridente das portas se abrindo, todos os meus pêlos se arrepiam, sou derrubado novamente à realidade, à estranheza deste evento inesperado, mais uma vez o impulso me guia, pela primeira vez desde aquele dia sinto medo, pânico. Qual ser atroz faria ali, no meio do nada, esta parada insidiosa? O interior do veículo está completamente coberto pela poeira e a escuridão.
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Nov 7, 2018
Nov 7, 2018 at 12:57 AM UTC
Capítulo 2 - Pela poeira e a escuridão
O fulgor do ódio incauto, a devastação em chama ardente, faz cambalear o ser andante. Carrego o que fiz do destino como se embalasse um filho morto. Um aborto deformado e coberto por repugnância. Engendrado em ventre seco. Fruto interrompido de um estupro incestuoso. Esquartejado pelo bisturi de um hospital clandestino e imundo. Levo as partes dilaceradas deste feto hediondo à boca, devorando-as, freneticamente saboreio o sangue ainda morno e a carne mole desossada, elas descem entalando pela garganta, me engasgo, tropeço, vou de encontro ao chão, superfície áspera de concreto, me fere a face queimando minha pele, me observo nu enquanto vestido, vejo transeuntes vivendo suas vidas pacatas, com suas roupas da moda, seus farrapos, com seus carros de passeio, populares ou de luxo, com seus apartamentos, suas casas, sobrados ou mansões, os vejo em bares, em igrejas, no trabalho, alegres, tristes, esperançosos, desiludidos, preocupados, já não pertenço a este lugar. Ando léguas sem freio em meus devaneios, meus pés estão em carne viva, os calos sangram, continuo a caminhar carregando um destino morto, estou sozinho em uma estrada deserta, me desfiz de tudo. Abandonei qualquer esperança, qualquer desejo, o impulso me movimenta. A estrada de terra levanta ao longe uma nuvem de poeira, a nuvem é carregada pela ventania em minha direção, a poeira adentra aos meus olhos como vidro cortante, tento me proteger me encolhendo em posição fetal, está escuro, e mais, meus olhos não conseguem se abrir, a tempestade de poeira já passou, restando apenas uma bruma que permanece sem alvoroço, mas que se misturando com a noite transforma-se em uma parade opaca, intransponível, impossível de se enxergar através, algo parece se mover dentro dela, e trazer de volta a tempestade, está se aproximando de mim rapidamente. Um ônibus velho e cheio de ferrugem pára ao meu lado, escuto o ranger metálico estridente das portas se abrindo, todos os meus pêlos se arrepiam, sou derrubado novamente à realidade, à estranheza deste evento inesperado, mais uma vez o impulso me guia, pela primeira vez desde aquele dia sinto medo, pânico. Qual ser atroz faria ali, no meio do nada, esta parada insidiosa? O interior do veículo está completamente coberto pela poeira e a escuridão.
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tremi de falar já o que te esconde embaixo da saia. tecido pesado esse que te faz caminhar um tanto mais lento. e se só a gente tivesse asas e mais ninguém? que injusto pinguins se amarem durante a vida inteira e a gente não. arranquei mechas de cabelo e fiz de cada fio uma história pra contar. mas eu nem tenho coragem de colar na parede... fica palpitando. é normal. errei várias vezes. a cara já começa a enrugar e escurecer. primeiros sinais do infinito dos teus olhos. plante. ou não também. escreva uma coisa absurda depois ponha fogo. ou não também. corte as pontas dos dedos, mas não jogue fora. use como fones de ouvido. não dá pra escapar da tristeza. capturei uma coisa pra ti, olha só. mais uma linha de algo escrito que não era pra ser escrito assim.
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Oct 25, 2017
Oct 25, 2017 at 5:05 PM UTC
porta, rua, casa, jardim
Encurtei o monólogo Nascia no horizonte, não tão longe Um novo psicólogo. Um ano e meio de auto sabotagem Repetia e repetia: vai melhorar Mas só piorava, parecia tudo bobagem E eu seguia a me enganar, Achava que tinha que, logo, me formar. Aquilo foi, cada vez mais, pesando E eu, no fundo, sabia que tava me enganando Até pra sair da cama, me esforçando E quase em depressão, entrando. Num choro de desespero busquei auxílio espiritual Pedi pros preto, pelo amor de Deus, um sinal E ele veio. Veio muito claro. Explícito. Gutural. Enxerguei a possibilidade de cumprir minha missão, afinal. Fiz minha escolha e decidi mudar O campus do vale abandonar No tempo, voltar Até o vestibular prestar Pra poder me encontrar E a psicologia estudar. Com muita fé em mim e na minha capacidade Estudei muito. Tive vontade. Fiz o que pude num tempo que eu não tinha. Tive que ser crente. Era mãe doente, trabalho de 8h, namorado e cursinho. Podia ficar doente. Mas o sucesso é meu destino. Já tava escrito. Meu nome no listão parecia em negrito. O alívio se fez. Grande sinal. Me senti mais perto de cumprir minha missão, afinal. E agora sigo. Ávido pela descoberta Desse novo mundo. Estou alerta. Nascia no horizonte, não tão longe Um novo psicólogo.
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Jun 18, 2018
Jun 18, 2018 at 1:41 PM UTC
16/06/18
Where shall we go? To get our fix? To get our relief? Peace?! To the fiz? To the ***** To the fax, Pals, Or to our faith? Wherever 'it' is, is our saviour. The gods of this world, Masquerading as possible solutions, But leaving everlasting aches, Not true peace -- Leaving us, searching, in Purgatory?
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Mar 7, 2024
Mar 7, 2024 at 12:04 AM UTC
Where Shall We Go?
fiz de difícil mas foi fácil me amolecer. o tempo conseguiu deixar fraco toda resistência que as feridas demoraram pra fazer virar cascas. e o que foi construído logo depois parecia certo, parecia um sonho que só se via em filmes, parecia que podia durar toda uma eternidade no seu devido potinho de conserva. minha mãe sempre falou, na verdade todo mundo pensa mas tem medo de falar alto - nada dura pra sempre, uma hora as coisas só se acabam. teimosia é um nome bom. vou usar pra escrever talvez. ando tão cansada. cansada só de pensar e não chegar em lugar nenhum. eu acho que não quero mais escrever mas também acho que eu quero muito escrever. não sei o que eu quero. nada dura. talvez era isso que queria mostrar pra mim antes de dormir.
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Nov 21, 2017
Nov 21, 2017 at 9:42 PM UTC
pra escrever até cansar
quinta eu fiz 25 e ainda meu corpo não parou com as estações e ainda continuo a despencar cabelos e ainda vou perdendo minha visão e ainda a pele vai caindo no chão e ainda continuo a morrer mais cada dia.
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Apr 15, 2018
Apr 15, 2018 at 10:10 PM UTC
dia de nascer
As vezes percebo que eu não sei nada do que tá acontecendo na minha vida, sempre que parece estar tudo bem, quando vou a fundo, vira caos... fico me perguntando se um dia isso se normaliza. Creio eu que não, que a cada tempo que passa as coisas vão se tornando mais difíceis e assim a vida segue. Mas qual o momento que podemos nos permitir ser fracos, digo fracos porque a sociedade assim a entende, mas quero dizer na verdade, nos permitir sentir, qual o momento? Estou aqui me julgando por um ato que fiz e não gostaria que os outros fizessem comigo, mas todo mundo erra né, e aprende com seus erros. **** happens all the time and of course we can predict some things, but some times the ego grows up in our head and takes the lead, that’s bad, but it happens and we have to accept that. So you have to embrace this guilty and turns into power to don’t do this again, and one more time, learn from your mistakes. That’s all folks
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Nov 23, 2018
Nov 23, 2018 at 6:51 PM UTC
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