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constanca-megre
constanca-megre
A mulher semeia em mim E rega luz pelos meus campos. Os frutos imploram por ser. Os *** regam-me os campos E os frutos rezam gratidão. A mulher aguarda poder colher. A lua olha e sorri Incerta de que marés mover.
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May 12
May 12, 2026 at 10:35 AM UTC
a mulher e os frutos 30/01/2019
É impressionante que tanto sentimento de profunda inadequação À vida, ao meio, Não se traduza jamais em escrita. Houve um tempo em que o tormento Tinha um cariz distinto, sério, concreto Sei lá, provavelmente não tinha nada disso, Eu achava-me crescida e escrevia de forma Burguesa e pretenciosa. É isso. Agora que devia ser crescida e Burguesa e pretensiosa, quis-me criança Caótica e revolucionária, emocional, Desregulada, descontrolada, perdida, Sem rumo nem nau que navegar E que se lixe! Nem queria escrever bem. Detestar-me-ia se escrevesse bem! De forma bonita, lírica, Usando palavras caras e Metáforas complexas, como quem tenta Ser mais do que ao que é. Não quero colocar a voz e fazer Pausas emocionadas, não quero ser Respeitada poetisa, não quero sucesso De forma alguma, deixem-me ser Nada. O medo de falhar a mudança É de tal forma que fico! E se não fico Bato-me porque nunca fico, a minha percepção Da realidade não é fidedigna, não sou Confiável - para os outros ou para mim - O futuro é uma nódoa, mancha, nulidade, Não quero ser nada, nem ontem, nem agora, Quanto mais amanhã ou daqui a uma vida! Deixem-me em paz, se pudesse apodrecia Aliás, se pudesse florescia E passava a vida A apanhar sol Até morrer.
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May 12
May 12, 2026 at 6:26 AM UTC
Diarios de uma crianca mimada 19-11-24
Tantas vidas me deram os deuses E que deleite as maravilhas divinas! (Doces ou amargas, que me agrada não só O leite gordo e fresco, como talhado e azedo.) Sim, saciei a sede com podridão! Limpei o paladar fétido com mel - Tantas as dádivas com que me deleitar E um paladar maduro que fez proveito de tudo. Enquanto os deuses me tinham, sim, Como merecedora de si. Enfim, Tantas chances prendadas, rios De leite e mel e eu, nua, Esfregando o corpo nos seixos molhados Cantando odes às pedras que os deuses Plantaram para me distrair Lambendo delas o corpo salgado Ignorando os leitos; os deuses Saturaram-se da insolência Da menina-mulher que não os soube honrar Refém de um dizer antigo Que das pedras se farão castelos.
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May 12
May 12, 2026 at 6:22 AM UTC
O Mito de Sisifo - 12/05/2026
Fazíamos amor Mas nunca me deste filhos. As mulheres sonhadas, sim, Tantos que farei um livro. A ti, pouca coisa, Um par de odes, Nada mais.
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Sep 28, 2022
Sep 28, 2022 at 6:47 PM UTC
nunca me deste filhos - 28/09/22
Pensando nos lugares em que estive, Física e espiritualmente, Os tormentos de agora apresentam-se desmedidos Porque dói tanto isto que nem dói sequer? Que me não causa, isto, Miséria ou infelicidade, isto, Que embora a boca, amedrontada, O não tenha dito Era precisamente o que desejava para mim? É certo, não assim… Ah, cheguei a ousar dizê-lo! Em confidência à minha mãe, Sorrateiramente por versos escondidos. Isto que eu queria! É certo, não assim. Não mordendo o fruto Que me deste, oculto pela mão, Sobre os meus protestos gritados, À boca a provar; e, embora eu o cheirasse, Podre, juravas pelo amor ser são! O sabor, por não ser desesperante, Faz-se aditivo; logo estou eu trepando a árvore Sedenta de o devorar. Escorrendo-te pelo queixo, Sumo de laranjas meladas; A língua que to limpa não é a tua. Fixo a dor e tombo nela Como Narciso sobre si.
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Sep 28, 2022
Sep 28, 2022 at 5:32 PM UTC
28/09/22
não desaprendo o amor pelo sonho surge-se-me belo e ardente pelo olhar de dentro da alma, o amor, pelo rosto da mulher-anjo. sei quem é e que a amo quer porque lho digo, quer porque o sinto pela ausência que me arde as entranhas. sei quem é e que a amo, sei que o que é, é mais que ser mulher sei-a água na essência, incêndio e vento na ausência sei que a não posso conhecer.
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Apr 7, 2022
Apr 7, 2022 at 10:23 AM UTC
não desaprendo o amor pelo sonho 22/03/22
O mar já não salpica a janela do meu quarto, já nem me visita ao escuro, de noitinha, com canções ou poesia - de amor ou ego nunca cheguei a entender. Mas, ainda que incerta, quando o mar me salpicava a janela do quarto, dentro de mim eu cria, ah, e como queria, que fosse amor! Enfim, mudei-me para o interior, para me dedicar a amar as montanhas (que não há esperança para o rios por muito que neles me banhe). Se não é salgado, o amor terá que ser térreo e verde, imenso e divino, altivo e maternal. Enfim. O que amo nas montanhas não passa de um reflexo de mim. O que amo no mar é tudo o resto. A expectativa, a possibilidade, a esperança em algo para além de mim. Em algo bom e humano, leve e fluido, tempestuoso mas seguro, caseiro e real.
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Nov 26, 2021
Nov 26, 2021 at 10:35 AM UTC
O Mar - 9/08/2020
Escrevo sobre mim e digo-me criança nos versos. Olho-me ao espelho e não sei que idade me dar. Meu Deus, sou tão nova! Tão cheia de infantilidade nas minhas ações, tão Cheia de juvenilidade nos meus desejos. Quero saber para sempre amar com uma adolescente E talvez isso não seja bom. Romântica incurável Como digo que sou, deveria ansiar por um amor Maduro. Mas não. Quero amar inconscientemente. Quero Amar com o calor da pele aquecida pelo sol, com A frescura que a pele sente quando se aventura ao mar. Quero amar sem ter que pensar Muito sobre o amor. Porque, como os versos sinceros, A fluência do amor deve ser Impulsionada apenas por si.
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Nov 26, 2021
Nov 26, 2021 at 10:08 AM UTC
versos de criança 22/05/2020
Quando for grande quero Ter um jardim Para cuidar como não cuido de mim; Fazer cama de um vaso cheio de terra Onde cobrirei a semente de amor Com água fresca e luz do sol Palavras e doces melodias Até e depois de nascer. Quando for maior ainda, Se amar a flor tanto assim, Quero fazer uma horta do jardim, Para amar o que como Da semente até ao prato e, Se somos o que comemos, Plantarei amor em mim.
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May 6, 2020
May 6, 2020 at 6:39 PM UTC
O Jardim 06-04-2020
Colhi a alma de tudo quanto toquei e em tudo quanto olhei larguei parte da minha o que me torna, hoje, aquilo que sou, o que me constrói e constitui são os outros e não eu. Os outros: as flores banhadas de orvalho, as árvores vestidas ou nuas, as paisagens das cidades que amei mais do que as pessoas com que as corri, as pessoas que amei e as que toquei apenas e aquelas que nem a tocar cheguei. Não sou já gente, se é que fui gente vez alguma! Será esta alma que trago maior que a minha? Serei eu, tão cheia de natureza, mais ou menos natural? Mas serei eu a alma que carrego sem que seja a minha, o conjunto de seres racionais por dentro de mim que me controlam o pensamento e, por vezes, o sentir ou o ser único e puro que sente de forma única e pura? Serei eu a união de tudo isso, do que me resta de mim, de quantas versões tenha de mim, e o que trago dos outros? Serei eu algo ou alguém sequer? Importa definir o ser?
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Oct 27, 2017
Oct 27, 2017 at 12:40 PM UTC
Colhi a Alma de Tudo Quanto Toquei