O Altar de Xisto: A Eucaristia da Terra
Nas encostas que o tempo esculpiu com rigor,
Ergue-se o Douro, catedral de pedra e luz,
Onde cada videira, em silêncio e fervor,
Carrega o mistério da própria cruz.
O bago não é fruto, é partícula sagrada,
Sangue de Deus que no xisto se faz pão,
Na transmutação da uva, pela mão calejada,
Opera-se o milagre da comunhão.
O vinho é a Eucaristia desta encosta,
Onde o Criador se derrama em cada socalco,
A terra exausta é a oração que me dá resposta,
E o suor do homem é o incenso deste palco.
Não há cálculo humano que explique este dom,
A aguardente é o sopro, o Espírito que acalma,
Transformando o mosto num cântico bom,
Que cura o corpo e batiza a alma.
Pois quem colhe no Douro, colhe a divindade,
Bebe do cálice que a videira oferece,
Sentindo que o vinho, em toda a sua verdade,
É Deus que na terra, gota a gota, floresce.
Victor Marques
Douro
Portugal
Feb 9
Feb 9, 2026 at 2:53 AM UTC
O Altar de Xisto: A Eucaristia da Terra
Nas encostas que o tempo esculpiu com rigor,
Ergue-se o Douro, catedral de pedra e luz,
Onde cada videira, em silêncio e fervor,
Carrega o mistério da própria cruz.
O bago não é fruto, é partícula sagrada,
Sangue de Deus que no xisto se faz pão,
Na transmutação da uva, pela mão calejada,
Opera-se o milagre da comunhão.
O vinho é a Eucaristia desta encosta,
Onde o Criador se derrama em cada socalco,
A terra exausta é a oração que me dá resposta,
E o suor do homem é o incenso deste palco.
Não há cálculo humano que explique este dom,
A aguardente é o sopro, o Espírito que acalma,
Transformando o mosto num cântico bom,
Que cura o corpo e batiza a alma.
Pois quem colhe no Douro, colhe a divindade,
Bebe do cálice que a videira oferece,
Sentindo que o vinho, em toda a sua verdade,
É Deus que na terra, gota a gota, floresce.
Victor Marques
Douro
Portugal
