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Outono  no meu Douro O Outono desce pela calada, como um véu de luz cansada. As vinhas vestem-se de forma peculiar, num arco-íris que só o tempo sabe pintar. Cada folha que cai é um ciclo encerra, dita em murmúrio pela terra, como quem agradece o fruto, desprendido antes do repouso merecido. O Douro respira em silêncio sentido, Nas adegas, o vinho novo agita-se recolhido, ainda quente de fermentação e esperança. Lá fora, o rio reflete ternura e bonança e o coração do homem acompanha o ritmo de quem nunca se cansa. É São Martinho e com alegria ele venha, a festa da alma e da lenha, do riso que aquece o frio, da castanha que estala perto do rio, e do vinho que renasce, puro e verdadeiro, para recordar que a vida também se prova assim: devagar, à luz de um velho candeeiro. Mas o Outono não é fim com pressa, É apenas o silêncio da promessa. A videira, de braços nus, parece morta, mas no interior do tronco o sangue ainda canta. Ela sabe  que seu vinho o amor ao Douro ela comporta, que o Inverno é apenas o sono da fé e do sentir, e que a Primavera há de chegar, e com ela a videira florir, como quem chega e quer logo partir. No Douro, o tempo não passa amadurece. Cada ciclo é um espelho do homem: nascemos, damos fruto, descansamos, e tornamos a florir quando anoitece , Mas a videira calada tudo ama e ao pequeno produtor ela sempre agradece. Victor Marques
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Oct 10, 2025
Oct 10, 2025 at 1:51 AM UTC
Outono no meu Douro
Outono  no meu Douro O Outono desce pela calada, como um véu de luz cansada. As vinhas vestem-se de forma peculiar, num arco-íris que só o tempo sabe pintar. Cada folha que cai é um ciclo encerra, dita em murmúrio pela terra, como quem agradece o fruto, desprendido antes do repouso merecido. O Douro respira em silêncio sentido, Nas adegas, o vinho novo agita-se recolhido, ainda quente de fermentação e esperança. Lá fora, o rio reflete ternura e bonança e o coração do homem acompanha o ritmo de quem nunca se cansa. É São Martinho e com alegria ele venha, a festa da alma e da lenha, do riso que aquece o frio, da castanha que estala perto do rio, e do vinho que renasce, puro e verdadeiro, para recordar que a vida também se prova assim: devagar, à luz de um velho candeeiro. Mas o Outono não é fim com pressa, É apenas o silêncio da promessa. A videira, de braços nus, parece morta, mas no interior do tronco o sangue ainda canta. Ela sabe  que seu vinho o amor ao Douro ela comporta, que o Inverno é apenas o sono da fé e do sentir, e que a Primavera há de chegar, e com ela a videira florir, como quem chega e quer logo partir. No Douro, o tempo não passa amadurece. Cada ciclo é um espelho do homem: nascemos, damos fruto, descansamos, e tornamos a florir quando anoitece , Mas a videira calada tudo ama e ao pequeno produtor ela sempre agradece. Victor Marques
Dorme Douro Outono
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Oct 10, 2025
Oct 10, 2025 at 1:51 AM UTC
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