#outono
Outono no meu Douro
O Outono desce pela calada,
como um véu de luz cansada.
As vinhas vestem-se de forma peculiar,
num arco-íris que só o tempo sabe pintar.
Cada folha que cai é um ciclo encerra,
dita em murmúrio pela terra,
como quem agradece o fruto, desprendido
antes do repouso merecido.
O Douro respira em silêncio sentido,
Nas adegas, o vinho novo agita-se recolhido,
ainda quente de fermentação e esperança.
Lá fora, o rio reflete ternura e bonança
e o coração do homem acompanha o ritmo de quem nunca se cansa.
É São Martinho e com alegria ele venha,
a festa da alma e da lenha,
do riso que aquece o frio,
da castanha que estala perto do rio,
e do vinho que renasce, puro e verdadeiro,
para recordar que a vida também se prova assim:
devagar, à luz de um velho candeeiro.
Mas o Outono não é fim com pressa,
É apenas o silêncio da promessa.
A videira, de braços nus, parece morta,
mas no interior do tronco o sangue ainda canta.
Ela sabe que seu vinho o amor ao Douro ela comporta,
que o Inverno é apenas o sono da fé e do sentir,
e que a Primavera há de chegar, e com ela a videira florir,
como quem chega e quer logo partir.
No Douro, o tempo não passa
amadurece.
Cada ciclo é um espelho do homem:
nascemos, damos fruto, descansamos,
e tornamos a florir quando anoitece ,
Mas a videira calada tudo ama e ao pequeno produtor ela sempre agradece.
Victor Marques
Oct 10, 2025
Oct 10, 2025 at 1:51 AM UTC
Nem pareces Primavera, nem Inverno,
Chegas com pouco calor humano,
Acabam as colheitas do engano e desengano.
Outono que parece não ter dono...
Sobrevivem plantas e tudo parece se perder,
Semente e terra castanha que é vida e quer viver,
Os ventos são frequentes.
Ficam frios, deixam de ser quentes.
As árvores adormecem sem querer,
Outono amarelo que recicla todo o meu ser.
Mãe terra de todas as colheitas,
Das coisas bem ou mal feitas.
Vibração do ciclo da vida,
Pareces desgarrada e despedida.
Comemorar derrotas e todas as conquistas do grão estar maduro,
Outono sonolento e mais escuro.
Mas és Outono com as flores de acácia,
Madresilva da vida que te enlaça,
Outono da vida que te abraça,
Janela aberta para o dia amanhecer,
Renascer, renascer , renascer...
Sep 25, 2024
Sep 25, 2024 at 7:19 AM UTC
Chegar sem calor humano,
Colheita do engano e desengano.
Mas chegas sem mágoa e desejos,
Outono de doces palavras e beijos.
Tudo despes e ao mesmo tempo vestes,
Sem saber ao certo porque vieste.
Mas és Outono, com magia e muito sono,
Com nevoeiros e ventos que te cham pai, e ao mesmo tempo dono...
Sobrevivem plantas, tudo parece se perder,
Para ser vida, semente e ao mesmo tempo ser.
As árvores parecem adivinhar sem querer,
Que suas folhas vão deixar de viver.
Outono de amarelar, de bem querer,
Pareces nascer e ao mesmo tempo morrer.
Mas responde Outono que me consomes,
Sem ter respostas para as coisas vivas e mortas.
Ai por do sol que se deita cedo e sem cara lavada,
Outono e Inverno de mão dada.
Sep 23, 2024
Sep 23, 2024 at 7:20 AM UTC