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No Douro, entre Céu e Vinha No anfiteatro de socalcos, o Douro ergue-se como oração, pedra e videira entrelaçadas, mãos de homens atarefadas, vivendo em comunhão... Deus habita aqui, na lágrima do sol que cai sobre o rio, no céu alaranjado que se desfaz em brio, no cântico escondido das aves, no rumor das folhas ao vento, sempre suaves, no zumbido que a noite recolhe em simpatia, como quem embala a tristeza em alegria. O vinho, fruto sagrado, feito com amor desdobrado, é comunhão, é missa sem tempo nem hora, é respeito, é Deus, é memória, é abraço partilhado à mesa do povo, é corpo de terra e espírito de fogo, que se oferece em cada copo matizado, entre céu, vinha e pecado. No alarido da natureza, há silêncio que fala à noite, ao luar, há o mistério de Deus por contar, a tocar cada rama, cada galho, cada coração que precisa de agasalho. E quando a noite cobre os montes, com véu de prata e murmúrio de frescas fontes, fica-nos a certeza de que o Douro é saudade sentida: aqui se reza sem palavras, aqui se ama sem medida, aqui o homem e Deus são vizinhos eternos para sempre, terra e vinha, sua semente. Victor Marques
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Sep 7, 2025
Sep 7, 2025 at 11:00 AM UTC
Céu terra Deus Vinha
No Douro, entre Céu e Vinha No anfiteatro de socalcos, o Douro ergue-se como oração, pedra e videira entrelaçadas, mãos de homens atarefadas, vivendo em comunhão... Deus habita aqui, na lágrima do sol que cai sobre o rio, no céu alaranjado que se desfaz em brio, no cântico escondido das aves, no rumor das folhas ao vento, sempre suaves, no zumbido que a noite recolhe em simpatia, como quem embala a tristeza em alegria. O vinho, fruto sagrado, feito com amor desdobrado, é comunhão, é missa sem tempo nem hora, é respeito, é Deus, é memória, é abraço partilhado à mesa do povo, é corpo de terra e espírito de fogo, que se oferece em cada copo matizado, entre céu, vinha e pecado. No alarido da natureza, há silêncio que fala à noite, ao luar, há o mistério de Deus por contar, a tocar cada rama, cada galho, cada coração que precisa de agasalho. E quando a noite cobre os montes, com véu de prata e murmúrio de frescas fontes, fica-nos a certeza de que o Douro é saudade sentida: aqui se reza sem palavras, aqui se ama sem medida, aqui o homem e Deus são vizinhos eternos para sempre, terra e vinha, sua semente. Victor Marques
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Sep 7, 2025
Sep 7, 2025 at 11:00 AM UTC
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