"neles" poems
O mar já não salpica
a janela do meu quarto,
já nem me visita
ao escuro, de noitinha,
com canções ou poesia -
de amor ou ego
nunca cheguei a entender.
Mas, ainda que incerta,
quando o mar me salpicava
a janela do quarto,
dentro de mim eu cria,
ah, e como queria,
que fosse amor!
Enfim, mudei-me para o interior,
para me dedicar a amar as montanhas
(que não há esperança para o rios
por muito que neles me banhe).
Se não é salgado, o amor terá que ser
térreo e verde, imenso e divino,
altivo e maternal. Enfim.
O que amo nas montanhas
não passa de um reflexo de mim.
O que amo no mar é tudo o resto.
A expectativa,
a possibilidade,
a esperança
em algo para além de mim.
Em algo bom e humano,
leve e fluido,
tempestuoso mas seguro,
caseiro e real.
Nov 26, 2021
Nov 26, 2021 at 10:35 AM UTC
tenho estado morta na vida e não sonho muito
distraio-me com o querer disfarçado de quimera disfarçado de amor
tenho estado
e quando me canso de estar
crio versos e mundos e personalidades e sentires
crio-os tão avidamente que começo a crê-los reais
faço-me crer tanto e tão avidamente neles que, quando dou por mim,
já não sei se não serão reais mesmo
não sonho
e por frustração de não sonhar
chamo de sonho a cada envolver ténue de sensação
que quase reanima este punho ensanguentado coração dito
e corro atrás de si como se pela vida como se por mim
vou estando, em toda a insuficiência que é estar apenas
e forço-me à queda livre das sensações pensadas
o frio na barriga lembrando-me que Sou.
May 16, 2017
May 16, 2017 at 5:03 PM UTC
Luana;
Tinha uma voz doce;
Um cabelo ***** cumprido;
Olhos de ressaca;
Ficava bonita até de batom rosa;
(Odeio, batom rosa).
Mas melhor de tudo;
Foi a mulher mais linda;
Que eu já vi na vida.
Ela não cabe em um livro;
Ela está nos menores frascos;
Até porque,
Neles estão os melhores perfumes.
E como diz aquele velho ditado:
''Secretárias são sensacionais''.
Mas eu,
[Tenho esse erro;
De me apaixonar todo dia;
Sempre pela pessoa errada].
Aug 23, 2017
Aug 23, 2017 at 2:20 PM UTC
Vais na noite calma:
olhar-sono como se de um aceno
se tratasse.
Calcando o vapor que o sol
que agora se põe liberta.
Herói cansado que salva
o dia nefasto.
Dorme a preguiça que o teu
corpo exalta; queda-te em sonhos
mil e em mil embaraços.
Sê neles o mundo
e neles - um abraço.
Sep 1, 2014
Sep 1, 2014 at 8:31 AM UTC
Não sou senão poemas
Sem qualquer liberdade neles
Ou em mim, presa nas horas
Que perco neste lugar em que não sei ser
Só tenho asas em papel
E não voo senão escrevendo
Fecho-me do que é real
Para me abrir no que é realmente real
Ninguém me lê, mas se lessem
Será que me sabiam?
Escrevo em charadas ou parece-me só?
O tempo é sem ser e nada sei senão a mim.
E saber-me não dói como não saber o resto
Como não querer saber o resto
Como não querer senão os versos
O que importa? O que é real?
nada nada nada
Como ser?
Dec 8, 2016
Dec 8, 2016 at 5:53 PM UTC
Não sou senão poemas
Sem qualquer liberdade neles
Ou em mim, presa nas horas
Que perco neste lugar em que não sei ser
Só tenho asas em papel
E não voo senão escrevendo
Fecho-me do que é real
Para me abrir no que é realmente real
Ninguém me lê, mas se lessem
Será que me sabiam?
Escrevo em charadas ou parece-me só?
O tempo é sem ser e nada sei senão a mim.
E saber-me não dói como não saber o resto
Como não querer saber o resto
Como não querer senão os versos
O que importa? O que é real?
nada nada nada
Como ser?
Dec 6, 2016
Dec 6, 2016 at 3:05 PM UTC