"nele" poems
Todos me dizem que o seu coração é impenetrável
O Castelo mais seguro perderia
Não tenho códigos, chaves e nem força
Tenho apenas palavras escritas
Mas como também me dizem, palavras abrem portas
E se portas podem ser abertas
Seu coração também pode ser penetrado
Por mais difícil que seja
Leia o que eu escrevo
Pode ser meio complicado pelas lágrimas que mancham o papel
Nas palavras manchadas pelas lágrimas
Finja que "amor" está escrito
Por que com amor as coisas ficam mais bonitas
Mais uma lagrima cai no papel
Mais amor eu vejo nele
É aconselhável eu parar por aqui
Pode ser que o papel se rasgue
E se meu papel se rasgar
Ler isso você não vai
E então as portas continuaram fechadas
Ficarei sem códigos, chaves, força e agora sem palavras
Então o que você guarda ai dentro do seu coração não será desvendado
Por toda a eternidade.
Oct 28, 2015
Oct 28, 2015 at 7:59 PM UTC
Á procura de um olhar sobre minhas vinhas
Na fogueira do rosmaninho sem aroma,
Nele o teu olhar se agita,
Olhar ganhando forma,
Sem ser explicita.
Esse teu olhar sem contrapartida,
Parece uma longa vida,
Peculiar e sem ter motivo,
Porto seguro com abrigo.
Pendulo de eterna censura,
Ai olhar que procura,
Nobre e entrelinhas,
Olhar sobre minhas vinhas.
Victor Marques
Feb 28, 2012
Feb 28, 2012 at 12:21 PM UTC
O coração não mais bate ansioso
Não se queixa se se parte
Mudo, calado,
Pede que me esqueça que existe
E que sucumba,
Muda, calada,
Ao vazio que me toma o peito
Para que nele faça casa novamente.
A cabeça divaga, inquieta,
Queixando-se só de não se queixar
Calada, indiferente,
À impulsividade que me toma
E que me torna,
Feroz, calada,
Num outro animal qualquer
Que me rasga a pele e alma sujas.
Sou presa e predadora nesta Primavera que chega
Não mais borboleta mas fera sedenta
Do sangue que em si mesma corre
Feroz, abafada,
Por drogas rotineiras
E uma cabeça que se não cala
Abafada, empurrada,
Por whiskey rasca e brancos quentes
Caio no ímpasse do quase esquecimento.
O corpo que me prende não é o meu
O Ser, levou-o a nortada
Sou só sentires inexistentes e pensares duvidosos
Matei-me e, impura, continuo a viver
Presa na vida e presa de mim.
Mar 21, 2017
Mar 21, 2017 at 6:19 PM UTC
Vive de alternâncias imperceptíveis;
possui a maldição de viver momentos
somente para si inesquecíveis.
Quando se volta para o equilíbrio apolíneo,
percebe nele a maior incongruência,
uma limitação impraticável.
Vê-se desfocado de seus próprios pensamentos;
não julga, mas observa.
Tem medo.
Somente sente-se promissor ao som de seus poderosos companheiros,
que o auxiliam a destituir-se de seus próprios pesares.
Em sequência a isso, por um tamanho ardor é acometido
e tantos sentimentos que até ele vão para compor,
que sua existência e vida tornam-se intensas demais;
de tão pesadas e densas,
o levam ao caos,
a observar e esperar pelo surgimento de estrelas e brilho.
Jul 4, 2013
Jul 4, 2013 at 3:41 PM UTC
Tudo é incerto.
Nunca haverão respostas corretas. Nunca ninguém há de saber a verdadeira razão e essência das coisas.
O mundo em nosso redor precisa que alguém repare nele, em vez de vivermos na nossa própria fantasia. Cada um tem o seu próprio mundo, mas o mundo em geral é de todos, e nós temos de começar a agir como se não fosse nada connosco. O mundo precisa de atenção. O mundo tem uma alma. Uma alma que não se consegue decifrar se aquilo a que chamam de "amor" não for sentido. A alma do mundo precisa de alguém, e esse alguém somos nós. A nossa alma precisa de alguém e esse alguém é quem nos vai fazer perder o folgo, sem razão aparente. O mundo precisa que reparem nele para viver, não por egoísmo, mas sim por cuidado. Nós tomamos conta do mundo, mas não sabemos o porquê. Talvez nunca chegaremos a saber, mas a alma do mundo continua a precisar de nós e nós continuamos a precisar de alguém que tome conta da nossa alma também.
As respostas podem, talvez, nunca chegar, mas a um certo ponto, nós acharemos que as temos na mão, mesmo que sejam as respostas erradas. Tudo é incerto.
A alma do mundo apodera-se de nós, para que nós também possamos ter uma alma.
Queremos respostas que apenas pertencem à alma do mundo. São respostas que nunca teremos, mas contentamo-nos com isso, pois sabemos que elas existem.
Jul 1, 2014
Jul 1, 2014 at 10:42 PM UTC
E nesta tarde em que a chuva cai madura
Pego nesta folha e neste lápis de carvão
Rascunho esta tua suave pintura
Com a subtileza desta minha mão.
Quem desenha sou eu, feito alquimista
Que em ti sempre viu algo especial
Com estes meus olhos de artista
E esta minha sensibilidade radical.
Estou simplesmente apaixonado por ti
E p´ró papel, eu te levo p’ra te ter
P’ra sempre ficarás junto de mim
Nesta pintura que de ti estou a fazer.
E em teus olhos eu vejo acalento
Um brilho especial e muita alegria
Um dia destes chegará o momento
Em que ficaremos junto o dia-a-dia.
Este singelo papel é agora um tesouro
Porque nele está desenhada a tua imagem
És a face dum anjo que vale mais que ouro
Por mim criado em tua homenagem.
Venero-te com sublime fervor
Agora que és o meu quadro principal
Para sempre te darei o meu amor
Minha filha, minha princesa real.
Jun 6, 2013
Jun 6, 2013 at 5:43 AM UTC
Tu e o meu espelho
És mais bela que a rosa,
Vejo tua imagem,
Tua boca formosa,
Digna miragem.
O espelho desperta,
Nele a tua fotografia,
Acorda na hora certa,
De noite e de dia.
Espelho e sua fada,
A imagem é sagrada,
A ter calma me ensina,
Logo de madrugada.
Victor Marques
Feb 28, 2012
Feb 28, 2012 at 11:37 AM UTC
Para quê passado?
Se já não é?
E o presente?
É quando?
Desde do momento em que é
Deixa de ser
E o futuro
Esse há-de existir
Mas nunca existe
Nem existiu
Dizem que o tempo
É como um rio
Come se o pudéssemos seguir
Se rio é
Flutuar tentamos
Mas sempre afogamos
Apenas temos pé
E o afogo demora anos
Nele imaginamos
A água que à de vir
Essa mais calma
Que não havemos de engolir
Que bom é o futuro
Pois ele nunca chega
Nunca aleija
O presente
Com violentos lábios nos beija
E o passado
Sabor a sangue e tormentas nos deixa
Feb 11, 2019
Feb 11, 2019 at 9:21 AM UTC
Navego neste mar
sozinho
mas acompanhado sonho
sonho em ser algo melhor
pois nada perco em sonhar
dizias que sonho demasiado
talvez fosse o meu problema
mas nunca os te disse
e assim aqui estou eu a escrever-te um poema
talvez fosse pelo medo que te destruísse
Pois sonhava e tu estavas nele
agora vejo-te feliz
mas no meu sonho não acabavas com ele.
Mar 1, 2017
Mar 1, 2017 at 10:35 PM UTC
Olhos inocentes de criança.
Nascemos para o mundo da vida, da abundância,
Com sorriso ou choro profundo com muita esperança,
Feitos por Deus à sua semelhança.
Nascemos para o mundo e nele sempre reinar,
Sobre todos os animais, aves e peixes do mar,
Nasceu homem e mulher para procriar,
E Deus com topázio e diamante o homem o idolatrar.
Nascemos com uma imortalidade por Deus abençoada,
Vivemos e morremos sem hora marcada.
Nesta viagem procuramos uma recompensa material,
Vivemos com Deus e sua conexão espiritual,
Todos nós temos direito à felicidade,
No Céu também noutra dimensão e realidade.
Parace que nascer é milagre e também banalidade,
Pois não temos nome, nem idade...
Estarei eu por todos os meus antepassados sempre agradecido .
Fruto do que eles passaram e de tudo e por tudo eu tenha nascido,
E também como sua semente tenha vivido.
Jan 22, 2024
Jan 22, 2024 at 11:18 AM UTC
Sou uma criança apaixonada!...
E tu bem sabes que sou uma criança apaixonada!...
Mas isolo-me, confortavelmente, na esfera do casulo.
Pronta a renascer,
Mas ainda enganada…
Sinto um amor!...
Que de tanto ser infantil,
Chega a ser puro!
(E talvez o deixemos assim, meu amor.)
Talvez nos encontremos apenas no ar.
Como dois passarinhos feridos,
Ainda ingenuamente atrapalhados,
Pelas asas que os guiam.
Apenas cruzando estas simples energias,
Em cada nuvem batente daquele tal céu ardente.
E onde nelas escalarei…
Até ao cimo do teu próprio inferno.
Onde nele, ainda te manténs refém.
Amarte-ei pela literatura,
Como tu tão bem me sabes amar…
(E quanto do nosso amor,
Será também feito poesia?)
Sou uma criança apaixonada!...
E tu bem sabes que sou uma criança apaixonada!...
E agora, pronta a renascer,
Bato, suavemente, as minhas asas…
Sinto um vento!...
Alegremente, espreito fora do casulo!...
E a brisa que corre e me leva,
Carrega em cada batida,
Só para mim,
A sustentável leveza do amor.
(E talvez o deixemos assim, meu amor.)
Talvez nos encontremos apenas no fogo.
Como duas belas fénixes,
Usando as suas próprias cinzas,
Para pintar a mais bela das telas.
Apenas cruzando os nossos caminhos,
Em cada folha queimada que paira
Sobre os nossos tristes olhares.
E onde nelas escalarei…
Até ao cimo do nosso paraíso distante,
Onde nele ainda me mantenho refém.
Amarte-ei pelo silêncio,
Como tu tão bem me sabes amar…
(E quanto do nosso amor,
Será também feito poesia?)
Sou uma criança apaixonada!...
E tu bem sabes que sou uma criança apaixonada!...
E aquelas frágeis asas que me bateram,
Criaram em mim uma bela metamorfose.
Onde na beleza do simples ser,
Encontramo-nos e fomos voando.
(E quanto do nosso amor,
Será também feito poesia?)
(Cada bater de asas da borboleta o dirá…)
Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 2:48 PM UTC
Do fundo de um poço escuro de água fria
Vejo outro mundo, nele não há divisas
Nele não há distâncias, mas tão pouco vida
Levanto a face ao medo ecumênico
Tão democrático da morte
Neste tempo efêmero igualar o frio
O pavor da sorte dos que os vivos temem
Do fundo da alma, questionei as pontes
Vejo tantos caminhos, entre tantas fontes
Nenhuma delas, mesmo vida que não
leve a morte, deste poço vivo e ocre
Neste ar respiro silenciosamente
onde pestilências murmuram a sorte
Vejo meu passado e espíritos torpes
onde meus anseios buscam o toque
Toque inexistente, pela efêmera morte
Apr 12, 2020
Apr 12, 2020 at 10:37 AM UTC