"foram" poems
Espero a madrugada
A noite escura estava cansada,
De esperar pela madrugada.
O galo ansioso por todos despertar,
Eu abandono-me a este fenómeno peculiar.
No ermo onde existe um Senhor da Boa morte,
Noite escura em Castanheiro do Norte.
Os cedros parecem ter luz,
Eu perdido no silêncio que seduz.
A noite aqui é simples, singular,
A madrugada de encantar.
Candeias de outrora, cavalos e suas ferraduras,
Madrugada de anseios e aventuras.
O vento sopra solitário e as mimosas são fustigadas,
As madrugadas que tantas vezes foram madrugadas.
E eu aqui sozinho espreito com curiosidade,
Uma madrugada sem tempo nem idade.
Victor Marques
Feb 18, 2014
Feb 18, 2014 at 9:46 AM UTC
Amigos queridos,
sem faces e sem nomes.
Retiradas foram suas vísceras,
logo antes de seus corpos imergirem
em um exacerbadamente denso volume de sangue
grotesca e plenamente apreciado
pelos algozes responsáveis,
certos irreconhecíveis demônios.
Vieram dos *** os tais tiranos,
visíveis, mas imateriais,
enquanto esperávamos
inconscientes e inevitavelmente despreparados
para uma luta justa.
Sobre os indiferentes, distantes,
mas ainda amigáveis e queridos companheiros,
ainda recordo de alguma ordem:
O primeiro não sentiu dor alguma,
bem como nada viu ou percebeu; fora partido ao meio.
O segundo, já desesperado e afogando-se em lagrimas,
tornou-se borrão de um vermelho pesado, grosso e brutal;
Dos outros, três ou quatro,
somente tenho em mente os gemidos inexprimíveis;
uma junção entre suspiros e soluços
de uma morte nada convidativa e próxima.
Foram todos rostos sem faces perdidos
na espera do desconhecido fatalmente promulgado
pelas minhas ânsias.
O ultimo vivo me induziu à única ação possível:
pude cair meus quinhentos intermináveis metros;
deslizando, enquanto tentava me segurar,
por um material recoberto de farpas
que transpassavam minhas mãos,
as quais sangravam em direção a um mar, sombrio e obscuro;
me afundei irremediavelmente em minhas próprias aflições.
May 22, 2013
May 22, 2013 at 8:21 PM UTC
O dia que chegou tão depressa ao seu final,
Trouxe-me a certeza de uma noite fria e pálida,
Onde chego à cama, e espero ver-te ali deitada,
Pelos tempos fora, sinto a certeza desse sinal!
Foram três longos anos de vazio, tais como os teus sinais,
As estrelas que carregas nos ombros, são juntas na tua lua,
São profundos sonhos de um golfinho que a ti, se junta, lua tua,
Imensas vezes, a olhei, para te ver a ti brilhar em vendavais!
Hoje percebo porque sentia e via o meu quarto sempre vazio,
Quando chegaste em dia de temporal, na noite sadia e vadia,
Estava eu junto daquele precipício, esperando sair desse presidio,
De cores sem tom, de cheiros sem fragância, naquela estadia!
E assim nas voltas que dei, das estrelas que vi, tu chegas-te,
Mesmo na hora que tudo parecia perdido, desenhada perfeitamente,
E de todas as preces e palavras que preguei a Deus e ele me advir-te,
Trazendo-te a ti, contornada de perfeitas coisas, cantando acusticamente!
E assim percebi que a força que têm a cobardia de destruição,
De um coração como o meu, perfeitamente bom e agora teu,
Me dá ganas de pegar em ti, ao meu colo teu, deitar-te no céu,
Decorar as estrelas, contigo no centro, meu quarto cresceu, paixão!
Autor: António Benigno
Escusado será dizer-te a ti, que te vejo, sabia que virias, não te imaginava chegando, mas surpreendentemente, tudo que lhe havia pedido, ele me trouxe triplicando, abusando mesmo de galhardia, e eu agora me contemplando, porque tudo que me trazia, era muito mais do que lhe pedia. Liliana, lhe peço agora mesmo, que meu coração mereça sempre, tudo aquilo que Deus me prometia.
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:12 AM UTC
Branco e bege se fundem na cortina
Feixes de luz tentam passar
despercebidos
para um mundo onde há muito
foram esquecidos
a poeira e a maneira.
Observe o movimento sutil
do tecido repetido e entretido
A transparência é genuína
mas a poeira
é contínua.
Subjetividade
O espaço tímido não se revela
Escondendo sua sequela
de quando tão ingênuo
escondia uma janela aberta.
Bem, está trancada agora.
Apr 7, 2015
Apr 7, 2015 at 2:06 PM UTC
Falta-me progressiva consistência
que me tire desta constante inércia do recordar.
Permeiam-me contrarreações ilógicas do universo;
do meu universo.
Irrisório inaceitável tempo
que desfaleça minha imutável memória
atormentada por falsas angustiadas imagens.
Maldito brilho
que por vezes ofusca meu coeso e desejável
leal raciocínio.
Fatos agora estáveis foram,
por vezes,
acontecimentos importunos,
que propuseram ao meu bem estar uma obscuridade incontínua,
porém intransigível.
Embora uma situação não muito clara e nítida a mim mesmo,
pude perceber confessadamente o que de caótica maneira me ponderava
– e que talvez ainda o faça -
meu oneroso conivente dionisíaco.
Ainda não compreendo
porém,
se estou franqueado disto que mal posso interpretar;
que nem mesmo sei se ainda existe legitimamente.
É tudo inevitavelmente sobre eles,
os olhos que me acorrentam por anos em um relance de ódio freudiano;
a mais esplêndida e simplesmente bela face de todo e qualquer universo:
hei de conquistá-la em meus sonhos platônicos
ou tristemente afogá-la em minha morte
vividamente devotada em tê-la.
May 22, 2013
May 22, 2013 at 8:09 PM UTC
Nua estava ela
deitada sobre a cama
Um anjo sem auréola
e meu coração em chamas
A olhar tamanha ternura
poderia dizer que era amor,
porém além da doçura
um silvo cruel, desolador
Invadindo-me o espírito
depravando meus pensamentos
morrem-se os lírios
nascem os tormentos
Muitos foram os dias
que amores ela jurou,
mas que anjo, maldosamente, diria
quimeras para quem lhe adorou?
Oh, Lilith, demônio cruel
que dos homens a alma apodrece
limpaste da boca o fel?
que como eólia-lira me entorpece
Lilith, este nome ela não o tem
nem demônio nem anjo o é, apenas mero alguém
que soube através do silêncio calar meus instintos
e com seu corpo esbelto invadir meus recintos
Contudo, nenhuma ilusão é eterna
e a tal verdade proeminente, interna
morre, a cada dia, com seus movimentos
bem como meu amor morreu por dentro !
Jul 11, 2013
Jul 11, 2013 at 11:38 PM UTC
As fontes antigas
Nas fontes antigas eu gosto de beber,
Vejo arte e saber.
As pedras moldadas por mãos doridas,
Ali estão parecem adormecidas.
Fontes antigas de aldeias perdidas,
Tantas histórias ali foram vividas,
Cabelos soltos ao vento,
Bebo água e me sento…
Todos bebem pela mesma jarra,
Machado e sua guitarra…
Os animais ao lado tem sua pia de água transparente,
Pois também bebem e ficam contentes.
Os velhinhos contam das moças de outrora,
De alguém que com água as benze e namora.
As oliveiras e vinhas espreitam com leveza,
Amor às fontes e sua beleza…
Victor Marques
Oct 7, 2013
Oct 7, 2013 at 2:53 PM UTC
Português
"Lembranças, fragmentos de pensamentos que tivemos, vidas que vivemos. Este é o nosso purgatório, nosso inferno. Sim, estamos mortos. Nós destruímos a terra e já não mais vivemos e tudo o que nos restou foram as lembranças, fragmentos de pensamentos que tivemos. Estamos mortos agora...".
Francês
"Souvenirs, des fragments de pensées que nous avons eues, vit dans lequel nous vivons. Ceci est notre purgatoire, notre enfer. Oui, nous sommes morts. Nous détruisons la terre et ne plus vivre, et il ne restait que des souvenirs, des fragments de pensées que nous avons eues. Nous sommes morts maintenant ..."
Inglês
"Memories, fragments of thoughts we had, lives we live. This is our purgatory, our hell. Yes, we're dead. We destroy the land and no longer live and all that remained were the memories, fragments of thoughts we had. We are dead now ..."
Italiano
"Ricordi, frammenti di pensieri che abbiamo avuto, vive viviamo. Questo è il nostro purgatorio, il nostro inferno. Sì, siamo morti. Noi distruggere la terra e non più dal vivo e tutto ciò che restava erano i ricordi, frammenti di pensieri che abbiamo avuto. Ci sono morti oggi ..."
Espanhol
"Recuerdos, fragmentos de pensamientos que teníamos, vive vivimos. Este es nuestro purgatorio, nuestro infierno. Sí, estamos muertos. Destruimos la tierra y ya no vivo y lo único que quedaba eran los recuerdos, fragmentos de pensamientos que teníamos. Estamos muertos ahora ..."
Dinamarquês
"Memories, fragmenter af tanker, vi havde, lever vi lever. Dette er vores skærsilden, vores helvede. Ja, vi er døde. Vi ødelægger jorden og ikke længere bor og alle, der forblev var minderne, fragmenter af tanker, vi havde. Vi er døde nu ..."
Mar 20, 2016
Mar 20, 2016 at 7:47 PM UTC
Eu sinto falta.
Da chuva.
Do riso que já não sai dos meus lábios.
De enrubescer ao te ver.
Do meu coração disparar ao se aproximar de você.
Do brilho dos seus olhos ao me ver.
Das lágrimas choradas por saudade.
De te ver.
E principalmente das suas mentiras.
Aquelas que me nutriram durante muito tempo.
E foram descobertas por meus olhos.
E apagaram todo o sentimentalismo que havia aqui, em meu peito.
Sep 13, 2012
Sep 13, 2012 at 4:35 PM UTC
DESTINO QUE É DESTINO
Antigos sonhos que se sonharam,
Amores que passaram.
Gotas de orvalho cristalino,
Destino que é destino.
Paixões turbulentas e calmas,
Cavernas que já foram cavernas,
Doenças que são grandes traumas,
Destino e paz às almas.
Sentimentos sem ter prazo,
Comboios no cais do acaso,
Saudades do tempo que passou,
Destino daquilo que fui e sou.
Avezinhas cantam belas melodias,
Suaves com suas crias,
Embalado na corrente do rio Tua que ainda corre,
Destino meu que não morre…
Alijó, 22 de Outubro de 1991
Victor Marques
Jan 5, 2015
Jan 5, 2015 at 9:46 AM UTC
A minha aldeia
Na minha aldeia as casas foram erguidas com amor,
O pedreiro foi rei sim senhor.
Os rebanhos deixaram de passar.
Na minha aldeia os cavalos deixaram de pastar,
O lobo de uivar,
O galo de cantar…
Na minha aldeia os meninos deixaram de nascer,
Escolas abandonadas sem livros para ler.
Os grilos com herbicidas para beber,
Os ratos sem queijo para comer.
Na minha aldeia onde o Senhor da Boa Morte,
Evoca Deus em Castanheiro do Norte.
Na minha aldeia onde o horizonte se enaltece,
Amanhecer do lindo dia que aparece….
Victor Marques
Oct 1, 2013
Oct 1, 2013 at 12:49 PM UTC
Marinheiro, marinheiro
Você sente o cheiro?
A morte chegou afinal
Marinheiro, marinheiro
Você sente o medo?
Seus companheiros se foram afinal
Marinheiro, marinheiro
Você sente o peso?
A escuridão abraçou você afinal
Marinheiro, marinheiro
Você sente o desespero?
Você quebrou afinal
Marinheiro, marinheiro
Você sente a floresta?
Foi lá que você morreu
Marinheiro, marinheiro
Você sente o mar?
É onde você nunca mais irá
Marinheiro, marinheiro
Se você é a própria morte
Por que você está morto afinal?
Dec 3, 2016
Dec 3, 2016 at 5:52 PM UTC
Quando me levanto e olho da minha janela,
Agradecendo a vida e o amor que tenho por ela.
As encostas por trabalhadores durienses foram esculpidas,
E suas memorias nunca esquecidas ....
Agradecendo as geadas que gelam nosso olhar
Vides que esperam uma Primavera,
Nevoeiros que esfumaçam na nossa terra,
Pastores que pernoitam com o brilho do luar...
Lagartos que hibernam sempre no Inverno,
Noites longas que nos deixam monótonos e tristonhos,
Agradecendo o amor que parece eterno,
Vivendo segundo a lei dos nossos sonhos...
O Sol espreita por vezes de soslaio e sorrateiro,
Agradecendo as noite frias em Janeiro,
O céu fica limpo e pronto para ser contemplado,
E eu fico meio embasbacado ...
Victor Marques
Jan 11, 2017
Jan 11, 2017 at 11:28 AM UTC
E como a qualquer criança
Brilharam-se-me muitos os olhos
À primeira vista deste prado
Verde e húmido e florido
Com bichos passageiros, pardais a chilrear.
Mas com o tempo secou-se a relva
Foram-se as flores e com elas as borboletas
Só a cigarra canta, metódica,
Já nem os *** se pintam em aguarelas
Nem versos deslizam perdidos mais.
Feb 21, 2017
Feb 21, 2017 at 3:50 AM UTC
Nos últimos dias,
Nem sei o que tenho escrito,
Se é que tenho escrito algo.
Tenho delírios de escritora,
Mas não ponho nada no papel.
O livro que queria escrever,
A tempo ficou no passado.
E os amores que um dia tive,
Foram todos relembrados.
Mar 6, 2013
Mar 6, 2013 at 8:19 AM UTC
Deitada no chão frio,
Olhando as estrelas,
E vendo a Lua.
Eu vejo a sua face,
Desenhada em uma estrela qualquer.
Eu vejo o seu silêncio,
Andando em uma rua qualquer.
Foram noites e noites,
**** e vinho.
E eu gostava de você.
E eu olhava pra você.
Mas não, não te amava.
Jun 25, 2013
Jun 25, 2013 at 9:41 PM UTC
Fiquei feliz ao ouvir as chaves rodar na fechadura.
“Porque é que a cozinha está tão escura?”
“Tive saudades, tudo nesta casa me faz lembrar de ti.”
“Por isso apagaste a luz?”
“Aproxima-te. Porque é que ainda estás aí?”
Pegou-me pela mão, subimos a escadaria
Acabámos uma garrafa de vinho, duas talvez
Deitada,
A cama subia
Pelo menos parecia.
Acho que as garrafas foram três
“Amor, não leves as chaves outra vez.”
Nov 16, 2014
Nov 16, 2014 at 3:01 PM UTC
oh! taças, na memória, vividas.
oh! taças de vinho tão cheias.
oh! castas lembranças erguidas
em tabernas de gente tão cheias...
oh! castas antigas... de porte.
oh! castas lembranças vividas.
oh! taças cheias de morte
tão tristes me foram em vida.
oh! turbulentas lembranças
que me trazem essas taças
em tristes desesperanças.
mas oh! taças erguidas em vão
erguidas à vida tão cheias
tão cheias de solidão.
Sep 10, 2015
Sep 10, 2015 at 5:28 AM UTC
todos aqueles que escreveram as músicas que eu amo estão mortos. enterrados sobre grama e concreto em diferentes partes do mundo. os artistas que pintaram as telas que me alegram dentro e fora dos museus também. já não há mais fotógrafos do the post espalhados pela cidade que captariam uma foto do nosso beijo na times square. no fim, cabe a mim escrever e representar a arte dessa jornada
May 7, 2018
May 7, 2018 at 10:09 PM UTC
Desisto de te desistir
Várias foram as tentativas de destruir possibilidades
Enfeitadas com piadas e um pouco de dor natural do amor (e de mim)
Mas gentilmente barradas por ti
Sem esforço ou cansaço
Natural e fácil
Não como se nos conhecêssemos há muito mais tempo
Mas como se tivéssemos tempo a perder
E com prazer perco a hora esperando entardecer na tua íris
Subitamente invadida pela ideia de que não queria estar em nenhum outro lugar
Já não luto contra
Aceito
Deixo entrar
Apr 27, 2017
Apr 27, 2017 at 12:58 AM UTC
É incrível pensar que quando você se envolve com alguém e deixa esse alguém entrar em sua vida, sua casa, seu lar, você está deixando a energia dela entrar e integrar seu ser, sua casa, seu lar.
É incrível como nosso cérebro captura diversos momentos e mais tarde torna-os em memórias que ficam presentes nos ambientes que foram compartilhados por essas pessoas. E quando você experimenta dessa memória nesses ambientes, você se vê presente nela mais uma vez, trazendo a tona tudo o que foi vivido, compartilhado.
É incrível, tipo quando eu deito na minha cama (lugar onde acumula muito da nossa energia por ja termos passado variados instantes nela) e revivo cada toque seu, diversos sorrisos involuntários trocados e os seus com essa covinha marcante, carícias em minha pele, relembro aquele famoso cafuné no meu undercut que já cresce um pouco, respiradas profundas seguidas de abraços apertados, imagino e a imagem parece real de novo, retratando aqueles sorrisos que os olhos fazem questão de dar.
É incrível como me vejo nesta cena representada por lembranças e me sinto feliz.
May 21, 2017
May 21, 2017 at 7:57 PM UTC
serei eu uma aberração?
ou dominam-me por ser deslumbrante?
preso nos ruídos que me parecem livres
mas que não o meu
preso no instinto da minha pobre existência
preso com as minhas próprias cores
mas nunca com a cor do céu
porque essa nunca vi
olhem-me a alma
e vejam a angústia e o desespero
que aqui se encontram
vejam o saber que posso mais
mas que não me foi digno
as minhas asas foram trocadas
por ganância e exibicionismo
tenham empatia e voem vocês
para um dia me deixarem voar a mim
a voz de um pássaro numa gaiola
Sep 8, 2018
Sep 8, 2018 at 2:35 PM UTC
Tu és um milhão de coisas;
Desejos, pesadelos, alucinações que nem bálsamos aplacam
Olho ao meu redor, e lá estás,
Porém, em meu ser, não te sinto.
A voz do povo, como um roubo de opiniões, revela a lógica
E o absurdo,
Pois o verbo é o que é,
E também o que não pode ser.
Antigas poesias,
Clamando às estrelas e à lua,
Mais um divertimento fugaz.
Sentimentos que não encontram sentido em tua mente turvada,
Como uma epiléptica a observar um estroboscópio sem fim.
Tu fizeste flores brotarem em meus pulmões
E em meu peito;
Embora formosas sejam,
Não consigo respirar.
Arrancaria tais flores e te as entregaria,
Um ramo de “eu te amo” que jamais foram ditos.
Teu nome, como gelo, cala meu coração.
Espero, aguardo, pela próxima mensagem,
Risadas que me impelirem ao retorno,
Ansiedade que confunde o pensamento,
Sofrendo por males que não ocorreram… ou ainda ocorrerão?
Na minha sepultura, portas se fecham,
Meu corpo se desfaz,
As flores se tornam parte de mim,
Pouco chegam a mim as vozes que falam
De uma fantasia.
Resta, enfim, a solidão.
Jan 14, 2025
Jan 14, 2025 at 4:59 PM UTC
OS NOSSOS LÁBIOS FORAM FEITOS PARA ENCAIXAREM UM NO OUTRO, COMO AS PEÇAS CERTAS QUE SE JUNTAM NUM PUZZLE
Dec 8, 2014
Dec 8, 2014 at 4:52 PM UTC
E tu, ansiosa por te afogar,
Foste apanhada na corrente
Deste teu precioso mar.
À superfície da água salgada,
Onde te deixavas flutuar,
Saíram das mais ínfimas profundezas
Mil duzentos e sete braços
Ansiosos por te abraçar.
Envoltos num corpo inanimado,
Não o deixaram recuar.
Nunca mais deu à costa,
Nem soube o que era respirar.
Pois peso morto sempre naufraga
E não há volta a dar.
Mas há coisas que não têm peso
E são mais difíceis de afundar...
Descem, e logo voltam à tona
Como se estivessem a ressuscitar.
Dizem que a mulher que lá entrou,
Naquele tenebroso mar,
Entrou criança
E foi feita sereia.
Não sei o que lhes deu essa ideia,
Talvez estejam obcecados com a mudança.
Talvez pela forma como o seu corpo balança
Por entre as ondas da maré cheia.
Quem espera sempre alcança...
Numa noite escura,
num silêncio de levar à loucura,
Num céu envolto em trevas
onde nem espreitava o luar...
Avistaram uma sereia em pleno alto mar.
Dizem que o seu canto,
Simultaneamente belo e perigoso,
Fazia qualquer homem desesperar.
Como sou mulher, cética e descrente,
Com olhar atento mas duvidoso,
Nunca cheguei a acreditar.
Iludidos!
Aqui está mais uma prova,
Os homens são muito fáceis de enganar.
Nem se aperceberam que eram gritos
Aquilo que se espalhava pelo ar,
Os seus e o dela.
O som do massacre com que ela os iria brindar.
A única diferença é que os gritos da sereia
Eram de puro prazer,
E os gritos dos homens
Eram de puro sofrer.
A única diferença é que ela ia sobreviver,
Para ver outro dia nascer,
Para ter mais uma história que escrever.
Iludidos!
Não podem ver uma mulher que já não sabem pensar.
E ela, inteligente, usa esse instinto contra eles,
para os convencer a mergulhar.
Assim, num mar de tinta vermelha
Habituara-se a sereia a nadar.
A cada morte ria mais alto,
“Tanta ignorância ali jaz a boiar”,
E ria, como se os seus pulmões fossem estourar,
Com uma ingenuidade encantadora
De quem não sabe que está a pecar.
Dançava, louca e despreocupada,
Por entre centenas de corpos desfeitos
Que corriam na sua água, doce e salgada,
Livre de amarras e preconceitos.
Dizem que em noites de tempestade,
Por entre o caos da trovoada,
Ecoam os gritos de uma sereia
Juntamente com a sua doce risada.
“Não há homem neste mundo
Capaz de me tocar
Sem eu o petrificar.
Ainda bem que os braços
Que me envolveram,
No fim de tudo,
Foram os de uma deusa
Chamada Mar”.
Mar 12, 2022
Mar 12, 2022 at 8:55 AM UTC