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"corpos" poems
Amigos queridos, sem faces e sem nomes. Retiradas foram suas vísceras, logo antes de seus corpos imergirem em um exacerbadamente denso volume de sangue grotesca e plenamente apreciado pelos algozes responsáveis, certos irreconhecíveis demônios. Vieram dos *** os tais tiranos, visíveis, mas imateriais, enquanto esperávamos inconscientes e inevitavelmente despreparados para uma luta justa. Sobre os indiferentes, distantes, mas ainda amigáveis e queridos companheiros, ainda recordo de alguma ordem: O primeiro não sentiu dor alguma, bem como nada viu ou percebeu; fora partido ao meio. O segundo, já desesperado e afogando-se em lagrimas, tornou-se borrão de um vermelho pesado, grosso e brutal; Dos outros, três ou quatro, somente tenho em mente os gemidos inexprimíveis; uma junção entre suspiros e soluços de uma morte nada convidativa e próxima. Foram todos rostos sem faces perdidos na espera do desconhecido fatalmente promulgado pelas minhas ânsias. O ultimo vivo me induziu à única ação possível: pude cair meus quinhentos intermináveis metros; deslizando, enquanto tentava me segurar, por um material recoberto de farpas que transpassavam minhas mãos, as quais sangravam em direção a um mar, sombrio e obscuro; me afundei irremediavelmente em minhas próprias aflições.
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May 22, 2013
May 22, 2013 at 8:21 PM UTC
Sonhos que se foram; pensamentos que eu não sei
Terra Linda Os coqueiros, as paisagens esverdeadas, As águas puras, cristalinas, abençoadas. O sol que aquece, afugenta ilusões, Aquece a pele, mas não os corações. Pobreza com simplicidade confrangedora, Mundo de supérflua riqueza, Cultura enriquecedora, Mistura de mar e natureza. Corpos esbeltos e danças ritmadas, Nas areias deste mar deixei pegadas, O céu lindo, esbranquiçado, Sorriso lindo, rasgado. Victor Marques
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Aug 30, 2010
Aug 30, 2010 at 7:09 AM UTC
Terra linda
Brasil Os coqueiros, paisagens esverdeadas, As águas, puras cristalinas, abençoadas. O sol que aquece afugenta ilusões, Aquece a pele e corações. Pobreza com simplicidade enganadora, Mundo de supérflua riqueza. Cultura sempre enriquecedora. Tudo tem sua beleza. Corpos com danças ritmadas, Areias que deixam pegadas. Céu lindo, esbranquiçado, Coqueiro bem-amado. Victor Marques
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Jan 24, 2011
Jan 24, 2011 at 9:26 AM UTC
Brasil
Um medíocre seixo formado por um aglomerado espalhafato de pulgas flutua e veleja por oceanos saturados de desaproveitas lágrimas amarelo-chumbo nas mais desoladas camadas de sua privativa órbita, em uma intersecção de múltiplos limbos supra-reais, bem entre dois muros de um corredor estreito, escuro e corroborado pelo lodo - sobre o qual, cabe-se dizer, resta imóvel uma pequena patrola laranja de brinquedo, esquecida. Inevitável e também incoerente, Continuar a ser (peleja) "Um equívoco desmistificado; uma perturbação" Os ideais se contrapõem aos já extintos/ Sedimentos navegam eternamente sem rumo/ Inexprimível Sensível/ O oculto que assim permanece/ Pedregulho pulguento perpetuamente a protuberar-se na imensidão dos mares de um ópio por si próprio proferido, ofendendo e perseguindo leis individuais de universo, causando o óbito comum a todos os parciais ínfimos pares de não-instantes, parados. Estarrece-se o lógico pela busca do externo consenso, indiferente a todo gotejar de pia: fundir-se pela semelhança! tornar-se pela simples analogia! Homo-Sutra; Homo-Isso. Homo-Tundra; Homo-Aquilo. **** Sapiens **** Gênio Entrementes, através de seus poros abertos pela alta temperatura, sente por seu corpo, de muitos corpos, a circulação efervescente do mais intenso calor, o sopro de vida hebraico de um cosmos também filisteu, (de tudo aquilo que pode até não estar de todo vivo - ou de todo morto); contradição de um todo-devir também carrasco, mas, em essência, todo-devir de um sorrateiro espaço de tempo do bater de asas de um besouro não mais vivo e nunca catalogado, capturado somente por um pequenino ponteiro vermelho de segundos de um relógio velho, possuído,  em circunstâncias afortunas, por uma avó - ainda hoje vivente - de um tempo atormentado pela tirania e propositalmente esquecido, a proferir não só eternidades-nascedouros e cede ansiada, como, de igual infinita intensidade, a inferir a sublimidade em poderios majestáticos estruturados na mais esplendorosa magia humana, a sua despropria linguagem; ...se apercebe o amontoado, tudo, menos genérico, mesmo não sendo, agora, inseto, nem humano, apenas animal, Que Mantêm-se em correnteza, Metamorfose lavareda.
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Nov 7, 2014
Nov 7, 2014 at 7:55 AM UTC
Sedimento Agonizantardil
Um medíocre seixo formado por um aglomerado espalhafato de pulgas flutua e veleja por oceanos saturados de desaproveitas lágrimas amarelo-chumbo nas mais desoladas camadas de sua privativa órbita, em uma intersecção de múltiplos limbos supra-reais, bem entre dois muros de um corredor estreito, escuro e corroborado pelo lodo - sobre o qual, cabe-se dizer, resta imóvel uma pequena patrola laranja de brinquedo, esquecida. Inevitável e também incoerente, Continuar a ser (peleja) "Um equívoco desmistificado; uma perturbação" Os ideais se contrapõem aos já extintos/ Sedimentos navegam eternamente sem rumo/ Inexprimível Sensível/ O oculto que assim permanece/ Pedregulho pulguento perpetuamente a protuberar-se na imensidão dos mares de um ópio por si próprio proferido, ofendendo e perseguindo leis individuais de universo, causando o óbito comum a todos os parciais ínfimos pares de não-instantes, parados. Estarrece-se o lógico pela busca do externo consenso, indiferente a todo gotejar de pia: fundir-se pela semelhança! tornar-se pela simples analogia! Homo-Sutra; Homo-Isso. Homo-Tundra; Homo-Aquilo. **** Sapiens **** Gênio Entrementes, através de seus poros abertos pela alta temperatura, sente por seu corpo, de muitos corpos, a circulação efervescente do mais intenso calor, o sopro de vida hebraico de um cosmos também filisteu, (de tudo aquilo que pode até não estar de todo vivo - ou de todo morto); contradição de um todo-devir também carrasco, mas, em essência, todo-devir de um sorrateiro espaço de tempo do bater de asas de um besouro não mais vivo e nunca catalogado, capturado somente por um pequenino ponteiro vermelho de segundos de um relógio velho, possuído,  em circunstâncias afortunas, por uma avó - ainda hoje vivente - de um tempo atormentado pela tirania e propositalmente esquecido, a proferir não só eternidades-nascedouros e cede ansiada, como, de igual infinita intensidade, a inferir a sublimidade em poderios majestáticos estruturados na mais esplendorosa magia humana, a sua despropria linguagem; ...se apercebe o amontoado, tudo, menos genérico, mesmo não sendo, agora, inseto, nem humano, apenas animal, Que Mantêm-se em correnteza, Metamorfose lavareda.
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O espectro é virtual por trás do vidro vive-se uma vida notícias seguem soltas e o rio desce A correnteza leva levas de burros que berram bobagens bradando incongruências aos seus estilos de vida e o rio desce A turba canta canções de esquecimento que em dias se esgotarão pelo cansaço, pela delonga e o rio desce Solitárias fotografias sorrisos que não riem os olhos e frases bonitas e ideologias baratas e batalhas inúteis e pratos ornados e opiniões passageiras reiteradas, reiteradas, reiteradas e o rio desce Como corpos despidos e livros abertos lê-se por ler fala-se por falar mostra-se pra ser e se é por mostrar e o rio desce
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Aug 27, 2015
Aug 27, 2015 at 12:53 AM UTC
Espectro de uma vida
Se eu sou neste mundo a lua e tu o sol, Se tu és a estrela, que me ilumina o meu dia, Porque teme o sol a lua, se é dela o seu brilho? Aparecerei nos momentos da tua maior luz, Nos dias fantásticos de magia da tua alegria, Na beleza da continuidade dos teus dias, Na herança dos nossos corpos unidos, Eu, lua, estarei ali, junto de ti, quando deres à luz! Quando estiver eu no céu pela manha, Esperando que chegues aos meus braços, Estarei ali para brilhar junto contigo, O meu brilho será reflectido para ti, Apesar das voltas que dês no mundo, Eu, estarei ali, sempre esperando por ti! Quando nos dias perderes o brilho, Virei abraçar-te para te mostrar que estou contigo, Leva os dias comigo, preciso de ti como és, Nos teus momentos de alegria e tristeza, Porque só assim eu poderei amar-te, Fazer-te a surpresa da minha companhia, E dar-te a ti a força e manter o teu lindo brilho, Em tão poucos dias que tem a nossa eternidade, Nas voltas todas que deu o mundo sobre nós, És o centro do mundo minha estrela brilhante, Não é um acaso é uma certeza bem divina, Não é coincidência, para nós é evidência, Darei voltas sempre sobre ti e pela terra, Porque ela é a família que temos E aquela que um dia com o teu dar de luz faremos, Mas eu e a família que é nossa, Há tua volta com tua luz, viveremos. Te adoro muito mesmo, Liliana minha estrela! Autor: António Benigno Esta é a lógica do que fazemos
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Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 9:56 AM UTC
Porque agora o mundo é nosso
Como é escasso o sorriso sem brilho e frio Há alguma coisa ebulindo uma bomba Mas não, eles não sairão de lá nunca explodirão pois não existem sorrisos bocas se movem em formatos semelhantes sem dentes e podres toxinas exalam-se, o veneno é o licor divino o paraíso é logo abaixo da ponte não se dorme no paraíso se ao menos conseguissem dormir... mas os putrefatos corpos que andam parasitando consumindo restos e ruínas patifes e loucos bailam a vida vida que não é vida O perfume está no ar as flores são tão belas as abelhas não tem ferrões e se tivessem não ferroariam a jovem virgem caminha exuberante fotografias da bela matriz onde a arquitetura supera a fé mas ao lado, no canto escuro onde ninguém vê canta o homem escuro que a todos observa observa e observa....
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Feb 1, 2014
Feb 1, 2014 at 1:18 PM UTC
poema 7
E estas palavras que escorrem na vidraça ensanguentada, numa tarde em que a chuva cai tumultuosa. E estas palavras que escorrem junto com estas lágrimas, p’la face carregadas de um sentimento obscuro. E estas palavras que escorrem com o suor do nosso corpo, numa noite em que corpos ardem de paixão. E estas palavras que escorrem com o orvalho, num amanhecer em que o sol raia esplendoroso. E estas palavras que escorrem junto com o sangue, que corre nas nossas veias, numa violência interior. E estas palavras que escorrem com a tinta do pintor, pela tela que brota das suas mãos diabólicas. E estas palavras que escorrem nas ondas, que embatem violentamente nas rochas das praias. E estas palavras que escorrem como o álcool, e que inunda a alma pejada de medo e tristeza. E estas palavras que cheiram a **** e que o tempo impregnou nas páginas da vida. . . . São palavras que profiro em silêncio, são palavras em que eu te imploro, para que pares essa tua raiva mórbida e doentia que te leva à demente violência e me deteriora.
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Jan 3, 2014
Jan 3, 2014 at 7:12 AM UTC
violência
Tenho ao meu lado o metro dos Restauradores E um cigarro na mão Em frente ao Hotel Avenida Palace põe se o dia Em frente a mim que o vi a nascer. A cidade corre por entre mim, vejo-a Os pés apressados e quase serenos rostos Que reparam por vezes também em mim Tão exatos e certos os movimentos E sei que nenhuns outros corpos poderiam ter por mim passado Que não estes. O céu escurece sobre os prédios Estou posicionada de modo a ver todos os Ângulos certos Dos telhados sob o quase ***** azul Estamos em meados de novembro e não chove quase nunca Os dias claros e as noites geladas Mas não há frio algum nesta noite criança E o cigarro vai-se rápido (certa que não irá nunca Para sempre em mim como o melhor cigarro que já fumei Pois, como tudo o resto que vi e escrevi, não podia ser mais certo)
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Dec 6, 2016
Dec 6, 2016 at 3:12 PM UTC
meados de novembro, anoitecer
Cai-me o silêncio na mente, uma mescla de nostalgia e solidão invade-me a alma, vozes silenciosas em vão suplicam o perdão. Corpos acorrentados à r e a l i d a d e , olhos molhados de lágrimas perdidas, tormento e ódio, amor, perdão. Na vigília da noite uma luz ténue surge lá no fundo, gestos provocantes pairam na silhueta do mundo, ventos tempestuosos derrotam quimeras distantes, hoje pintadas de c i n z e n t o . Sociedade imunda, profanada por cultos ignorantes que hoje se abrigam sob um manto de fantasias enubladas. Águas mansas de um lago, onde cisnes se banham, águas de lágrimas vertidas pelos tempos. Ouço tua voz na brisa dos pinhais, onde minha alma vagueia... porquê?
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Mar 17, 2014
Mar 17, 2014 at 7:33 PM UTC
nostalgia do sequeso
Dos mistérios escuros, os gritos convocam Mil sombras perdidas ao mundo que pungem, Rompendo os ossos, cruas almas que tocam Da carne agredida, os corpos ressurgem Atravessam o vestíbulo e os cadáveres deslocam Permitem o fogo e o enxofre que o mundo turgem Em mar de sangue, no inferno desembocam Aqueles que a luz e o paraíso urgem Com fúria ensurdecedora, o céu troveja A face da estrela, na neblina encoberta Suportando a noite d'alma que a flerta Das montanhas, um último sol alveja Lacrimeja a pálpebra antes aberta Pois nas terras do anjo caído agora deserta
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Jan 25, 2018
Jan 25, 2018 at 12:54 AM UTC
Paisagens de Verão - Lo Stregozzo
Corpos moribundos arrastam-se por entre as sombras de débeis humanos, raios de sol atravessam cérebros putrificados pelo perecer das eras. O caos havia chegado, campos arrasados, mostravam-se nus e tristes, mas tudo isto é uma quimera e a felicidade manter-se-á eterna.
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Jul 15, 2014
Jul 15, 2014 at 4:03 PM UTC
quimera
na cadeira do velho relvado, chá com sol, leituras de romance em romance. até o sol cair como uma moeda na fenda da terra. lembra-me o verão pirâmide de luz corpos amarrados queimavam ao sol laranja escondendo os halos com a pele gretada destes lábios. figuras a fumar fecha os olhos parte.
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Mar 17, 2015
Mar 17, 2015 at 5:36 PM UTC
001
E tu, ansiosa por te afogar, Foste apanhada na corrente Deste teu precioso mar. À superfície da água salgada, Onde te deixavas flutuar, Saíram das mais ínfimas profundezas Mil duzentos e sete braços Ansiosos por te abraçar. Envoltos num corpo inanimado, Não o deixaram recuar. Nunca mais deu à costa, Nem soube o que era respirar. Pois peso morto sempre naufraga E não há volta a dar. Mas há coisas que não têm peso E são mais difíceis de afundar... Descem, e logo voltam à tona   Como se estivessem a ressuscitar. Dizem que a mulher que lá entrou, Naquele tenebroso mar, Entrou criança   E foi feita sereia. Não sei o que lhes deu essa ideia, Talvez estejam obcecados com a mudança. Talvez pela forma como o seu corpo balança Por entre as ondas da maré cheia. Quem espera sempre alcança... Numa noite escura,   num silêncio de levar à loucura, Num céu envolto em trevas onde nem espreitava o luar... Avistaram uma sereia em pleno alto mar. Dizem que o seu canto, Simultaneamente belo e perigoso, Fazia qualquer homem desesperar. Como sou mulher, cética e descrente, Com olhar atento mas duvidoso, Nunca cheguei a acreditar.   Iludidos! Aqui está mais uma prova, Os homens são muito fáceis de enganar. Nem se aperceberam que eram gritos   Aquilo que se espalhava pelo ar, Os seus e o dela. O som do massacre com que ela os iria brindar. A única diferença é que os gritos da sereia Eram de puro prazer, E os gritos dos homens Eram de puro sofrer. A única diferença é que ela ia sobreviver, Para ver outro dia nascer,   Para ter mais uma história que escrever. Iludidos!   Não podem ver uma mulher que já não sabem pensar. E ela, inteligente, usa esse instinto contra eles,   para os convencer a mergulhar. Assim, num mar de tinta vermelha Habituara-se a sereia a nadar. A cada morte ria mais alto, “Tanta ignorância ali jaz a boiar”, E ria, como se os seus pulmões fossem estourar, Com uma ingenuidade encantadora   De quem não sabe que está a pecar. Dançava, louca e despreocupada, Por entre centenas de corpos desfeitos Que corriam na sua água, doce e salgada, Livre de amarras e preconceitos. Dizem que em noites de tempestade, Por entre o caos da trovoada, Ecoam os gritos de uma sereia Juntamente com a sua doce risada. “Não há homem neste mundo Capaz de me tocar Sem eu o petrificar. Ainda bem que os braços Que me envolveram, No fim de tudo, Foram os de uma deusa Chamada Mar”.
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Mar 12, 2022
Mar 12, 2022 at 8:55 AM UTC
Deusa do Mar
E tu, ansiosa por te afogar, Foste apanhada na corrente Deste teu precioso mar. À superfície da água salgada, Onde te deixavas flutuar, Saíram das mais ínfimas profundezas Mil duzentos e sete braços Ansiosos por te abraçar. Envoltos num corpo inanimado, Não o deixaram recuar. Nunca mais deu à costa, Nem soube o que era respirar. Pois peso morto sempre naufraga E não há volta a dar. Mas há coisas que não têm peso E são mais difíceis de afundar... Descem, e logo voltam à tona   Como se estivessem a ressuscitar. Dizem que a mulher que lá entrou, Naquele tenebroso mar, Entrou criança   E foi feita sereia. Não sei o que lhes deu essa ideia, Talvez estejam obcecados com a mudança. Talvez pela forma como o seu corpo balança Por entre as ondas da maré cheia. Quem espera sempre alcança... Numa noite escura,   num silêncio de levar à loucura, Num céu envolto em trevas onde nem espreitava o luar... Avistaram uma sereia em pleno alto mar. Dizem que o seu canto, Simultaneamente belo e perigoso, Fazia qualquer homem desesperar. Como sou mulher, cética e descrente, Com olhar atento mas duvidoso, Nunca cheguei a acreditar.   Iludidos! Aqui está mais uma prova, Os homens são muito fáceis de enganar. Nem se aperceberam que eram gritos   Aquilo que se espalhava pelo ar, Os seus e o dela. O som do massacre com que ela os iria brindar. A única diferença é que os gritos da sereia Eram de puro prazer, E os gritos dos homens Eram de puro sofrer. A única diferença é que ela ia sobreviver, Para ver outro dia nascer,   Para ter mais uma história que escrever. Iludidos!   Não podem ver uma mulher que já não sabem pensar. E ela, inteligente, usa esse instinto contra eles,   para os convencer a mergulhar. Assim, num mar de tinta vermelha Habituara-se a sereia a nadar. A cada morte ria mais alto, “Tanta ignorância ali jaz a boiar”, E ria, como se os seus pulmões fossem estourar, Com uma ingenuidade encantadora   De quem não sabe que está a pecar. Dançava, louca e despreocupada, Por entre centenas de corpos desfeitos Que corriam na sua água, doce e salgada, Livre de amarras e preconceitos. Dizem que em noites de tempestade, Por entre o caos da trovoada, Ecoam os gritos de uma sereia Juntamente com a sua doce risada. “Não há homem neste mundo Capaz de me tocar Sem eu o petrificar. Ainda bem que os braços Que me envolveram, No fim de tudo, Foram os de uma deusa Chamada Mar”.
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Amemo-nos no ameno da primavera Devagar como o crescer das plantas, Vemos o escurecer do céu E o tempo a passar, efémero, Perto de mim estás tu,e o sol Que de manhã levanta. De manhã a cidade acorda,e os corpos colocam-se em movimento, Desaparecem no fundo da estrada, estas caras que à pressa se vão. Nós vamos e voltamos sem sairmos do lugar, Observamos o sol e o luar,que iluminam esta canção. Se é tudo tão breve, o que nos vale o cansaço? É tudo tão breve como as horas de sorrisos. Acabar-se-á certamente, o nosso amor um dia, Mas até lá os dias,serão a olhar para os teus olhos felizes.
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Jan 10, 2018
Jan 10, 2018 at 5:33 PM UTC
Primavera
mudei recentemente pra esse lugar novo ainda não me adaptei não sei agir de acordo sigo sendo eu, mas parece um eu novo teve um dia em que não respeitei o horário de silêncio dava pra ver a lua refletindo meu anseio então abri as janelas (do meu peito) e gritei esse eu novo eu não cabia mais em mim tive que explodir então gritei, buscando um jeito de expandir e descobri, afinal de contas o que tinha de tão novo: era a voz. mudei recentemente pra um lugar silencioso onde as explosões se escondem atrás de olhos encharcados e corpos domados mas esse eu novo eu explode aos quatro ventos mesmo que de um jeito manso (ainda assusta escapar do próprio corpo) sorri, ali com a janela aberta mesmo ouvindo aquilo ecoar sinti, sem dificuldade que esse eu o novo eu nunca mais vai se calar ​
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Jun 18, 2018
Jun 18, 2018 at 8:14 PM UTC
mudança.
as mãos mal suportam o silêncio. se movem a cada dois segundos. e o mesmo timbre de voz fala e fala e fala. pausas de incertezas parece buscar palavras. é um homem que julga ser sábio mas vai negar se o perguntarem. ninguém liga. deixam uma das mãos no queixo só pra mostrarem-se interessados. o que pensam nesse agora? claro que estão longe, mas seus corpos se encontram aqui. os olhos parecem viver numa agonia que queima devido as paredes brancas. o ar é pesado. o clima sempre muda, mas nunca aqui dentro. precisa-se de ações pra não enlouquecer ao encarar e ouvir a voz do mesmo timbre. nenhum de nós gostaríamos de estar aqui se pudéssemos escolher. o timbre constante é atravessado por outro e dura pouco. fundamentos. já não há mais o que sugar. o que costumava ser bom, perdeu-se com o tempo. nós mesmos causamos tudo isso e culpamos uns aos outros sem assumir a culpa. agora seria bom ser amigo do mar e visitá-lo prum café envolto numa colcha macia com os pés na areia. se pudéssemos escolher é pra lá que iríamos.
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Oct 25, 2017
Oct 25, 2017 at 3:45 PM UTC
sentada
tu me tem teu corpo envolto no meu transcendendo o que a gente entende por tempo e espaço e logo eu to pirado surtado anestesiado de ti me pira a cabeça quando teus lábios me percorrem e minha mente foge de onde quer que eu esteja por ti o sol refletindo diretamente nos nossos corpos pretos suados é energia, meu nego assim como a lua nos banha no final de qualquer tarde sem segredo a sintonia que nos envolve escapa de qualquer significado que já foi atrelado a essa palavra e eu te digo não existe explicação pro que eu tenho contigo e vice-versa o que a gente tem não envolve pressa eu já falei tempo e espaço não nos cabem mais que mordomia de rei! acordar do teu lado e sentir o fervor dos teus sentidos encostados em tudo que eu chamo de corpo quente eu vejo tuas chamas e logo sinto quando tu me chama pro abraço ou pro amasso tudo queima, de qualquer forma é indiferente a intensidade no ato define tudo que a gente sente e eu não nego só me entrego me encaixo nas tuas mãos e ali me aqueço nego, ah, meu nego esse sorriso bobo que tu vê não consegue mais se manter em segredo porque tu me tem e sem qualquer bloqueio ou explicação eu arrisco dizer que te tenho também ​
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Jun 18, 2018
Jun 18, 2018 at 8:10 PM UTC
ê negão