"areia" poems
Na neblina abafada
Dentre as árvores, dentre algas
Sentir a água
Ouvir os cantos
Cintilante
Suas mãos quentes tocaram meu tornozelo
Seu coração frio tocou o meu
Oh, Deus,
Se realmente estou apaixonado
Me faça não querer deixa-la
Os corações que já quebrei,
não se comparam ao dela
Deixe-me ficar
Se realmente estou apaixonado,
me diga se ela corresponde
Seu canto entrou em meus ouvidos
Uma sintonia aveludada,
salgada,
com uma pitada de perigo
O som dos pingos de água se rebatendo
Venha comigo, vamos viver juntos
Seja minha esposa.
Presa por algemas de areia
Se rebatia enquanto suas mãos puxavam as minhas
Delicada.
Uma beleza agoniante
Oh, Deus,
O que será de mim?
Um vida fria terei caso não ficar com ela.
Me trazendo para a água
Sussurrando feitiços e me deixando cego pelo amor
Meu corpo logo estará submerso
Estou indo
Ofegante
Coração frio, mãos quentes, beleza agoniante
Vendo a escuridão
Cego por um amor planejado
Um coração antes sujo,
fora iludido por olhos vibrantes
e pele cintilante
O coração quente fora apagado,
sentindo amor.
Oh, Deus,
diga-me, terminarei sendo enganado?
Apr 28, 2015
Apr 28, 2015 at 6:55 PM UTC
Deus meu me incitas,
Louvor de quem felicitas.
As plantas, o mar, a terra, o homem sempre só.
Sentimentos de amor. piedade e dó.
Deus terno me envolves,
Problemas tu resolves.
As constelações, o ressuscitar de novo,
Apagas o lume sem ver o fogo.
Deus nosso lunar,
Verbo conjugado ...amar!
As dunas com ou sem areia,
Sentir o amor pela sereia.
Deus homem, Deus menino!
A vida é como um hino...
Deus meu Deus da vida e dos amores,
Mares, terra e lindas flores.
Victor Marques
Dec 12, 2009
Dec 12, 2009 at 6:46 AM UTC
“Compus uma canção para dizer:
‘Amo-te descontroladamente!’
De ações tangentes; da equação complexa que é te amar.
E mesmo pacificamente;
Minha alma sem ti, não pode se encontrar.
Como contra o céu paradisíaco que constrói o tempo e investe areia contra mim;
Mesmo no pior dos casos, nos meus últimos gritos, altissonante direi:
’ EU VIM!’
Me encontre na beira de meu coração,
na ponte que causa essa estranha paixão;
E direi que não sabia que um anjo poderia possuir tão rápido todo meu sentimento assim.
Vem que em laços de eternos amantes, cada consoante, dirá e recitará meu amor celeste;
Rolando em campos grandes e em flores campestres
O céu sussura uma sinfonia recém escrita para o nosso caso infindável;
E jamais ouvi a voz dos anjos num tom tão amável
As lágrimas que derramo não reclamam de nenhuma tristeza desconhecida;
Mas sim da alegria pela qual minha alma foi tingida
Novamente nos encontraremos eternamente e direi mais um trilhão de vezes:
’ Amo-te descontroladamente!”
Oct 5, 2012
Oct 5, 2012 at 10:39 PM UTC
Dedicado ao Ilustre, reverendo Padre Bernardo.
Um culto de saber apurado que labuta e explica na perfeição: o amor de todos nós pela nossa terra. Estou grato e este poema será pouco para dedicar a tão nobre Carrazedense.
Nascemos todos nesta terra linda e singular,
Janela aberta para Douro e Tua comtemplar.
Xisto, granito e terras de areia,
Grito de gente plebeia.
Todos sentem com alma e coração,
A Deus excelsa gratidão.
Planalto que tão bem ficas assim,
Musgo, fetos e alecrim.
Macieiras e as figueiras centenárias se adaptam em harmonia,
Vinhas e oliveiras bafejadas pelo sol de meio-dia.
Pastores que gostam das giestas, dos lameiros esverdeados,
Carrazeda e seus antepassados.
Victor Marques
Sep 9, 2013
Sep 9, 2013 at 8:59 AM UTC
Amar… e o mar
Molhar as mãos na água salgada,
Soslaio da onda esbranquiçada.
Beleza da lua iluminada,
Areia sem tua pegada.
O mar calmo e fluído,
Um cântico de harpa sentido.
Mar nem sempre conquistado,
Ruir do futuro, do passado.
A areia sem voz, nem cor,
A noite é singular.
Ondas de par em par,
Frio que parece calor,
Cheiro salgado do teu amor.
Victor Marques
Dec 12, 2009
Dec 12, 2009 at 6:39 AM UTC
Melancolia impregnada na alma:
Tento varrer todo esse sentimento
Com a imagem alegre que acalma
Não adianta, pesa sobre mim o sofrimento
Dos tombos dos homens do deserto.
Todas aquelas imagens apagadas
Para sempre se fazem perdidas
Desfeitas na areia calada
Se fazem eternas desconhecidas
E como eu lamento!
Oh, não podem ver?
O meu tormento?
Na areia, padece o meu ser.
Um dia, eu também tombarei
E quero em uma concha me enclausurar,
Pelas ondas flutuarei
E o mar me levará aonde eu sempre quis estar.
Apr 30, 2014
Apr 30, 2014 at 10:12 PM UTC
De que cor sopra hoje o teu vento e que sol o faz voar,
Quais os caprichos do teu tempo que desdenham ao luar,
Qual a cor das tuas pétalas que ao rubro quero provar,
Um sabor e uma lembrança pra sempre eu vou recordar!
Foi no brilho dos teus olhos e na tristeza do teu olhar,
Foi as formas da tua face que me acolheram o despertar,
Tantas outras tantas de voltas eu te quero a ti reencontrar,
Provar de novo os teus beijos doces e me poder deliciar!
Ouro fino cor de cetim para te cobrir e levar ao pé do mar,
Jogar na areia todas as lembranças e poder ali te abraçar,
Dar um aperto louco, quente e mouco no silêncio a te amar,
Viver de novos todas as caricias dadas e poder fervilhar!
Como eu voou de novo nos meus sonhos a te ver voar,
Como me entrego na loucura que se apoderou como colar,
Me dá voltas nas voltas mas me segura não vai estrangular,
É preciso apenas acreditar que nada foi em vão e vai voltar!
As saudades frescas a vontade mais forte de te vir a poder amar,
Sejam esses os caminhos de dois seres que acreditaram nesse amar,
Uma febre fresca, um alívio doce, um jeito sem força, apenas te amar!
Autor: António Benigno
Pelos caminhos do tempo pelas vontades do vento apenas gestos e palavras certas!
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:02 AM UTC
Sentir Deus
Sentir nosso Deus celestial e bendito,
Orvalho e bela ponte…
Quando me levanto contemplo o horizonte,
Anónimos em quem eu acredito.
Sentir o nosso Deus sempre,
Salgueiro no riacho tão bonito,
As vozes de teu reino infinito,
Outono de folha cadente.
Sentir Deus na água cristalina,
Caminhar por entre areia tão fina.
Ninfas pueris bem-amadas,
Nuvens no céu esbranquiçadas.
Sentir Deus que dá amor e pão,
O relógio do tempo que nunca para,
O toque de uma guitarra,
Silêncio de bela constelação.
Victor Marques
Nov 15, 2012
Nov 15, 2012 at 1:43 PM UTC
A noite chega, soturna, calada. Os remédios parecem não fazer efeito. Sozinho novamente com meus pensamentos, embalado pelo som do ventilador e das batidas do meu coração.
Nao sei porque ele insiste em bater, parece um esforço inútil.
As horas passam lentamente, como nos movimentos de uma duna. A areia do tempo descendo vagarosamente pela ampulheta. Se ao menos pudesse ver. Me sinto cego, queria eu estar cego?
Minha decepção só não é maior que a decepção que causei.
Não há lugar aqui senão neste papel para a dor, uma fraqueza que todos tentam esconder - por questão de sobrevivência provavelmente. Os amigos poucos que me restam seguem suas vidas enquanto tento ser feliz, ao menos por eles.
Saudade aqui toma outras formas, como uma tortura ao melhor estilo Stanley
Kubrick em “Laranja Mecânica”, em que as imagens passam repetidamente por minha cabeça sem que eu possa fazer absolutamente nada.
Família, amigos, amores, à distância de uma chamada, uma chamada. Para quem ligar, como?
O cárcere em sua pior faceta, o isolamento social. Conto nos dedos de uma mão as pessoas com quem consigo manter uma conversa. Mesmo assim nao consigo conversar, a cabeça e o coracao nao estao aqui, eles fugiram, estão lá fora, espero que a minha espera.
Outro cigarro, mais um café. Quantos mais, quantas mais palavras? A caneta e o papel são meus melhores amigos, às vezes até me entendem. Monólogos em horas, diálogos em outras.
Me pergunto qual seria o limite entre a sanidade e a demência aqui. Se é que existe um, estou eu ficando são ou louco?
Nao era quando cheguei, provavelmente foi o que me trouxe aqui, agora só me resta um caminho a seguir e tenho que achá-lo sozinho.
Não tenho arrependimentos, aqui não há lugar para eles, há agora um só caminho a seguir, em frente! Adiante!
Aug 14, 2018
Aug 14, 2018 at 1:08 PM UTC
Ruído do mar
Molhar as mãos na água salgada,
Olhar a sereia idolatrada,
A lua bem iluminada,
Pisar na areia, deixar pegada …
É calmo e fluido,
Um cântico sem ser ouvido,
Longínquo e mal-amado,
Ruído do mar já passado.
A areia sem voz, nem cor,
Água fria sem pudor,
Corrupio de ruído e odor,
Transparente e sem amor.
Victor Marques
Apr 22, 2013
Apr 22, 2013 at 11:08 AM UTC
Ele é confusão
Inesperado como a chuva no Verão
Turbulento e confuso
Ouve-me de noite
Adormece de dia
Discorda dos meus princípios
É terramoto na minha personalidade
Ele é diferente
Por ser igual a tudo aquilo que procuro
Agita-me até água transbordar
Toca-me violentamente
E ainda me sinto virgem
Diálogos viram ausência
Abraços viram respirações suspensas
Memórias viram mensagens espaçadas
Ele é banho de água fria
Café queimado
Areia branca que queima
É desnecessário
Mas inevitável
Apr 4, 2020
Apr 4, 2020 at 1:47 PM UTC
Sinto a areia entre os meus dedos.
Sinto o cheiro do mar a invadir-me.
Sinto a calma que me transmitem as ondas.
Um dia na praia.
Um dia em que desaparecem os medos
Em que a paz me-os tenta dissuadir
Com as mais puras sensações.
Um dia em que me sinto eu
Sem dar explicação.
Durante os meus dias,
Este é o meu apogeu
O mais alto ponto
O maior clímax
Da felicidade que sinto.
Respiro toda a tranquilidade
Tento que esta fique em mim
E me faça rugir em prol de viver...
Que em vez da sobrevivência
Eu tenha que optar pela vivência
Optar pela respiração voluntária
E não apenas na involuntária por obrigação.
Basta querer.
Arranjar poder.
De me poder mover.
E repor vontades
E liberdades.
Respiração ofegante.
A nostalgia lembra o proibido.
A Saudade amassa e esbofeteia
O ilícito, o ilegal, o que não tem....
A permissão de ser lembrado
Para cá entrar e marca deixar.
Apr 5, 2015
Apr 5, 2015 at 7:43 PM UTC
Percorri a tua alma,
Na noite, na calma.
Esperei por ti, nada,
Fico aqui, abalada.
Prezo para que chegues,
Que chegues e me aconchegues.
Rebeldia à tua maneira,
Junto da luz da fogueira.
Sente o toque da areia,
Pensa nela como uma odisseia.
Lembra-te da felicidade,
Em ver o mar, na pura cumplicidade.
O pôr-do-sol se instala,
Ninguém tenta soltar a fala.
Prendo-me a ti,
Tal como antevi.
Solto a mente,
livre do inconsciente.
Toque de lábios,
O caminho, esse é de sábios.
May 28, 2014
May 28, 2014 at 5:55 PM UTC
AGORA
no meu refúgio tranquilo
sou um homem solitário
AGORA
o meu sonho desapareceu
mas, permaneço iludido
AGORA
nesta velha cabana
alimento a ideia de...
AGORA
permaneço aqui
tão só quanto a lua
AGORA
sob a areia da triste praia
olho o mar
AGORA
já sem esperança
só me resta morrer
AGORA
meu amigo
é O FIM.
May 19, 2014
May 19, 2014 at 6:19 PM UTC
De onde vens, ó andarilho?
Já não me lembro...
A tempos caminho por esta estrada
Mas não sei de onde vim
E para onde ela segue?
Também isso não sei, simplesmente continuo a caminhar...
Se me perguntas, acaso saberias o destino?
Venho da direção oposta à tua
E assim como tu, me esqueci de onde parti
Havia um menino
Que gostava de construir castelos de areia
Cada vez que construía
O vento soprava forte e desmoronava um pedaço de si
Até que um dia
restou apenas...
Areia
Havia outro menino
Que gostava de destruir castelos de areia
Cada vez que destruía
Um pedaço de si mesmo também desmoronava
Até que um dia
restou apenas...
Areia
Vagavam então pelo deserto que eles mesmos construiram
O Sol escaldante era como a sombra
A mais profunda e obscura sombra
Que queimava seus corações
e lhes cegava os olhos
Cegos e perdidos nas areias do esquecimento
Ao fim eram como um só
Caminhando em direções opostas
Carregando o mesmo destino
Dec 31, 2016
Dec 31, 2016 at 12:19 PM UTC
Me arrastava pelo deserto
quando lembrei dela.
Curvas magnificas, macias
estrutura singela.
O único momento de paz
era um oasis fugaz.
Rápido, sôfrego.
Aliciando o próprio ego.
Aproveita o vento
para me fustigar com areia.
Sem dó, serpenteia
a pele que um dia acariciou
a boca que já desejou.
Me arrastava pela terra seca
quando lembrei dela.
Quebradiça, áspera.
Cambaleando enquanto me flagela.
A cor é a mesma
das suas costas.
Cor que eu beijava
agora olho enquanto evapora
e incendeia.
Seca.
Quente.
Serpente.
Floresça.
Nov 9, 2016
Nov 9, 2016 at 6:00 PM UTC
Calcuteia a areia
Perde-te no mar
Boneca de trapos
Continua p’las dunas
Vives num ambiente campestre
O orvalho rola . . . p’la face
E a rosa abre-se
Para o mundo
Jan 24, 2014
Jan 24, 2014 at 2:35 AM UTC
Recostado na areia
Oiço notas de uma composição musical
O mar agreste acaricia as rochas
. . . nuas de sentimento
A gaivota plana no tempo
Tempo de outrora
Silencio moribundo numa noite de . . .
E se o mar chorasse?
Mar 24, 2014
Mar 24, 2014 at 6:14 PM UTC
Vive cada segundo do teu dia,
Com ou sem magia.
Doçura e alegria,
Paz e harmonia!
Haja amor, haja poesia.
Areia do mar tão fina,
Entardecer de forma divina.
Poesia profícua que ensina,
Que faz mulher a menina!
Linguagem humana com sentido,
Rever o que é tirado, perdido.
Transcende na estética ,melhora com a ousadia,
Feita chuva, sol do meio dia...
Vives com amor dentro de nós,
És querida por pais e avós.
Enobrece o destino tracado,
Amas o futuro, o presente , passado.
Poesia dos pobres maltratados,
Dos amores bem ou mal amados!
Poesia dos poetas desconhecidos,
Poesia de poemas já vividos.
Victor Marques
Jun 5, 2023
Jun 5, 2023 at 3:59 PM UTC
eu costumava sonhar em me tornar o mar
imenso e vasto como tal,
com a mesma selvageria caótica
que é viva e dissemina a calmaria
e se eu puder ser mar
receber-te-ei como um dos meus
que banham-se em meu colo
enquanto se libertam das âncoras mundanas
às pressas de escapar desse não-lugar onde me esconderam
me vi na areia, em mutação
preto no branco gritando e a natureza fundindo
eu me vi fruto da miscigenação
eu me tornei mar
e agora tenho um amante
que queima em meu horizonte
mas se esconde ao anoitecer
na manhã ele retorna
e logo põe-se a iluminar
todas as almas pretas
que ainda procuram um lar
escapei do esconderijo
que era um tipo de prisão
pra que ninguém mais seja preso
longe da escuridão
por isso enquanto eu for mar
te deixarei livre, na leveza de existir
te emprestarei meu amante
pois sei da tua vontade
vai ter calor no teu corpo em todo amanhecer
felizmente hoje eu sou mar
então recebo-te como um dos meus
e lhe convido a nadar
Jun 17, 2018
Jun 17, 2018 at 8:37 PM UTC
Arregaço as mangas largas e ensopadas
Do mar bravo que as molhou,
Volto para a areia,onde o sol
Aquece os grãos,
E fez acelerar o passo
De quem por lá andou.
Todas as manhãs,o mar traz ao de cima
Espuma,algas e saudade.
Corto as mangas da minha velha camisa
Para ver se a água gelada não me adoece,
E desajeitado, cortei a vaidade.
Agora só molho os meus magros braços,
E ao olhar para o mar vejo-te atrás de mim,
A tentar puxar-me para a areia porque
Na água, somos o espelho da saudade e de quem morre ao não saber pôr um fim.
Resisto como resistem as pernas de um pescador na corrente do mar,
Mas aflito e sem forças afogo-me, e deixo-me levar.
Deixei a minha velha camisa na areia
Para se me vieres ver, o meu cheiro possa contigo andar.
Pode ser que na próxima maré
O meu corpo ao de cima possa vir.
Se estiveres na nossa praia
Pode ser que te veja a sorrir.
Jan 10, 2018
Jan 10, 2018 at 5:35 PM UTC
Me sinto como um jardim sombrio
Assombrada pelos fantasmas do passado
E temerosa pelos ventos do futuro
Eu choro, como a chuva tropical mais forte
Eu me deito desamparada, como se um furacão tivesse me devastado por dentro
Eu levanto, como uma onda selvagem quebrando na areia
Tenho vivido em meio a natureza selvagem
Dos meus próprios sentimentos
Dec 15, 2020
Dec 15, 2020 at 2:32 PM UTC
Deixo de herança todos os pensamentos
Perdidos ao luar,
Escritos na página invisível da vida,
Impossíveis de partilhar.
Deixo de herança todas as garrafas,
Que esvaziei e pousei à beira-mar,
Com uma carta escondida lá dentro,
Incógnita ainda por entregar.
Deixo de herança todo o fumo,
Que compulsivamente inalei
Para tentar matar a doença
Da qual nunca me curei.
Deixo as pegadas na areia,
Que rapidamente se apagaram.
Marcas da efémera passagem dos seres
Que por mim passaram.
Deixo de herança o sol de inverno,
Tão apreciado por toda a gente.
Desejo que aqueça as almas frias,
Que não deixe ninguém indiferente.
Deixo de herança o incenso
Que nunca acendi.
Espalhado pela brisa,
Como qualquer cheiro que senti.
Deixo de herança toda a música
E cada marca que deixou.
Atenciosa companheira,
Que tantas vezes me salvou.
Deixo de herança o rio,
No seu mesmo exato lugar.
Lembrança eterna que existe um sítio seguro
Para onde o desespero nos pode levar.
Deixo de herança a pedra afiada,
Que me esculpiram no lugar do coração.
Memória da crueldade no olhar
De quem a infância me roubou.
Deixo ligadas as luzes da aldeia,
Que me abrigaram no solitário berço.
Agarro o impulso que me levou à procura
De tudo o que ainda desconheço.
Deixo de herança em papel amarrotado,
Algum sangue que derramei.
Lágrimas, cicatrizes e o fardo,
De ser tão brutalmente consciente
De tudo aquilo que sei.
Deixo de herança o meu amor,
Sorrisos, abraços e essências,
Partilhadas no pôr-do-sol.
E que nesta viagem de turbulências,
Repares na simplicidade do sentimento
Que achaste saber de cor.
Deixo de herança uma moeda,
Ao pedinte que conheci
E que nunca a chegou a gastar.
Esqueceu-se que para a salvação da vida
Não há dinheiro, nem há fornecedor
Onde ele a possa ir comprar.
Deixo de herança o pássaro branco,
Que ainda não se atreveu a pousar.
Canta mais alto a cada Primavera,
Só para me relembrar,
Que as raízes são uma ilusão
Criadas por quem não as consegue descolar.
Deixo de herança duas mãos quentes,
No peito frágil de uma criança,
Que nasceu órfão de mãe
E cresceu sem esperança.
“Nas noites escuras que te abraçam.
Nos dias cinzentos a que te entregas
Que sintas neste aperto a mensagem
De toda a força que carregas.”
Deixo de herança este poema,
Escrito num sonho que se entranha
E do qual nunca acordei.
Vem…
Traz o mapa que queimei.
E encontra-me para lá da montanha
Onde também eu me encontrei.
Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:09 PM UTC
as mãos mal suportam o silêncio.
se movem a cada dois segundos.
e o mesmo timbre de voz fala e fala e fala.
pausas de incertezas
parece buscar palavras.
é um homem que julga ser sábio mas vai negar se o perguntarem.
ninguém liga. deixam uma das mãos no queixo só pra mostrarem-se interessados.
o que pensam nesse agora? claro que estão longe, mas seus corpos se encontram aqui.
os olhos parecem viver numa agonia que queima devido as paredes brancas.
o ar é pesado.
o clima sempre muda, mas nunca aqui dentro.
precisa-se de ações pra não enlouquecer ao encarar e ouvir a voz do mesmo timbre.
nenhum de nós gostaríamos de estar aqui se pudéssemos escolher.
o timbre constante é atravessado por outro e dura pouco. fundamentos.
já não há mais o que sugar.
o que costumava ser bom, perdeu-se com o tempo. nós mesmos causamos tudo isso e culpamos uns aos outros sem assumir a culpa.
agora seria bom ser amigo do mar e visitá-lo prum café envolto numa colcha macia com os pés na areia.
se pudéssemos escolher é pra lá que iríamos.
Oct 25, 2017
Oct 25, 2017 at 3:45 PM UTC