"afogar" poems
S. Martinho
Os sonhos que se sonham acordados,
Altares de santos beatificados.
Amargos de boca, leitos maltratados,
S. Martinho quero beber o vinho com prazer,
De manhã até ao anoitecer,
Afogar mágoas e pecados.
Desde pequeno que ouço falar de Ti,
Com bom vinho o povo ri…!
Vinho maduro por Ti e DEUS abençoado,
Vinho da mesa de Jesus crucificado…
Paixão de degustar e bem apreciar,
Perder – me no encanto de o decantar.
Castanhas e vinho todo bebido,
S. Martinho alegre e divertido.
Victor Marques
Nov 6, 2012
Nov 6, 2012 at 2:18 PM UTC
Desculpa.
Eu estrago o perfeito.
Acabo com o infinito.
Transformo a realidade em mito.
Digo as palavras erradas mesmo dizendo as certas.
Escrevo cartas rasgadas e as envio abertas.
Rabisco palavras bonitas.
E no lugar coloco feridas.
Oras
Você vai se acostumar.
No meu mar eu vou te afogar.
Você tenta me erguer e eu te puxo.
Tenta compreender e eu fujo.
Tenta fugir e eu rujo.
Sou um animal selvagem e sujo.
Eu cresci errado.
Eu sorri errado.
Eu menti errado.
Eu senti errado.
Mas me conta, qual a sensação de ser amado?
Nov 8, 2016
Nov 8, 2016 at 12:03 AM UTC
Corroeu as paredes da garganta
Ficou sem fala pra dizer "eu te amo"
Sozinha bêbada na varanda
Temendo pela falência de seu âmago.
O líquido toca sua boca
Atinge seu organismo com um açoite
Convidativo, vivo
Não exigia nada mais aquela noite.
Não sentia mais seu fígado
Assim como seu coração
Bebida quente que um dia a enlouquecia
Hoje lhe extingue a solidão.
Se seu rosto é a garrafa, ela quebra na parede
Se seu gozo é a bebida, prefere viver com sede
Se o sol é a sua presença, só sai a luz do luar.
Se rajska quente é a sua ausência, ali vai se afogar.
Nov 7, 2016
Nov 7, 2016 at 4:58 PM UTC
Apavorada
Minhas mãos tremem a cada segundo
Presa em um lugar pequeno
Logo vejo uma asma aflorar em meio da respiração
Há uma imensidão
Porém,
estou sufocada.
''Não me humilhe. Não diga nada.''
Preciso fugir daqui. Encontrar algo novo
Assustada
Passarinhos voam em um céu nublado
Espíritos me apavoram
Procuro conforto
Correr. Correr. Encontrar um novo lugar
Mover a expressão encubada em minha face.
Por um instante,
parecia calmo
Como se todo o pecado tivesse sido lavado
e como se tudo fosse novo.
Um recomeço
Impressão
Ele apenas havia começado a beber todo o vinho
Esquecendo da ostea
Enganando pessoas
Corroendo outras
Tudo é ansioso novamente.
Fugir de problemas.
Deixar pessoas.
Sem remorso algum.
Sem deixar as lágrimas caírem ou o coração pesado.
Lágrimas parecem me afogar.
Abraçando minhas gélidas pernas.
Espíritos dançam em minha volta.
Olhos pesados. Doloridos.
Tudo não se passa de uma ilusão.
Joga-los para o fundo.
Me esconder na escuridão.
Fugir de pessoas. Deixa-las.
Respirar.
Apr 28, 2015
Apr 28, 2015 at 6:32 PM UTC
Faz um tempo que venho tentando encontrar alguém que me ame, eu achava que era suposto amar e ser amada de volta… não sei o que está a acontecer, será que o problema sou eu? Será que meu Romeu está realmente morto ou Homens não são capazes de amar? Ou eu é que dou passos errados?
Estou cansada de acordar com um homem diferente em cada final de semana que decido ir para aquele maldito bar para afogar minhas mágoas, só tenho 25 anos, com quantos anos é suposto encontrar o homem certo? Porque que só querem se aproveitar de mim? Será esse corpo que dizem ser perfeito? Será esse rosto que dizem ser lindo? Isso não devia ser motivação eles me levarem a serio? Deus, estou a começar a odiar este corpo perfeito e essa cara linda, só quero um pouco de amor. Todas as minhas amigas me falam de coisas que seus namorados fazem por elas, falam-me sobre as declarações de amor e flores que recebem e a mim só dão orgasmos atrás de orgasmos, meu ex namorado era um Brutamontes que achava que os presentes caros e **** eram as únicas coisas que eu queria, EU SÓ QUERO UM POUCO DE AMOR…
Aqui estou de novo, neste maldito bar, porquê que sempre venho parar aqui? Quem são essas pessoas comigo? Acho que estou bêbada, mas é assim que eu decidi fugir da realidade de não ser amada, e essas pessoas, que nem conheço fazem-me companhia, “Garçom, mais uma rodada” “ adiciona na minha conta por favor”.
Feb 26, 2017
Feb 26, 2017 at 11:04 AM UTC
A gente escreve pra afogar o que sente,
E enquanto escreve, chora, ri ou bebe.
Nem sempre é de amor,
As vezes é dor.
E as vezes,
poucas vezes,
É só necessidade da alma.
Nem sempre é sobre a gente,
As vezes é mais do outro mesmo.
Tem vezes que a gente escreve, lê e chora.
E as vezes nem compreende.
E isso é saber ou não usar a palavra?
Jul 16, 2016
Jul 16, 2016 at 11:28 PM UTC
Sinto uma pressão que puxa
A cabeça que roda parado
Uma flor que quando cresce murcha
A vontade de cair mesmo deitado
Vi-me feliz
E uma outra vez aceitei
Não mudarei o que fiz
Eu sei que não errei
Mas a dúvida é dor
Esperar é ficar parado
Esperar por amor
Esperança de não ser destroçado
A alma em fraqueza
Parte-se o coração
Não tenho sequer certeza
Porque sofro tanto então?
Sofro em antecipação
De um mundo escuro
Imaginado a pior situação
Mas tenho esperança para o futuro
Ondulo como ondas do mar
E por mais que tente navegar
Ou chego à costa e posso respirar
Ou acabo por me afogar
Feb 11, 2019
Feb 11, 2019 at 9:22 AM UTC
E tu, ansiosa por te afogar,
Foste apanhada na corrente
Deste teu precioso mar.
À superfície da água salgada,
Onde te deixavas flutuar,
Saíram das mais ínfimas profundezas
Mil duzentos e sete braços
Ansiosos por te abraçar.
Envoltos num corpo inanimado,
Não o deixaram recuar.
Nunca mais deu à costa,
Nem soube o que era respirar.
Pois peso morto sempre naufraga
E não há volta a dar.
Mas há coisas que não têm peso
E são mais difíceis de afundar...
Descem, e logo voltam à tona
Como se estivessem a ressuscitar.
Dizem que a mulher que lá entrou,
Naquele tenebroso mar,
Entrou criança
E foi feita sereia.
Não sei o que lhes deu essa ideia,
Talvez estejam obcecados com a mudança.
Talvez pela forma como o seu corpo balança
Por entre as ondas da maré cheia.
Quem espera sempre alcança...
Numa noite escura,
num silêncio de levar à loucura,
Num céu envolto em trevas
onde nem espreitava o luar...
Avistaram uma sereia em pleno alto mar.
Dizem que o seu canto,
Simultaneamente belo e perigoso,
Fazia qualquer homem desesperar.
Como sou mulher, cética e descrente,
Com olhar atento mas duvidoso,
Nunca cheguei a acreditar.
Iludidos!
Aqui está mais uma prova,
Os homens são muito fáceis de enganar.
Nem se aperceberam que eram gritos
Aquilo que se espalhava pelo ar,
Os seus e o dela.
O som do massacre com que ela os iria brindar.
A única diferença é que os gritos da sereia
Eram de puro prazer,
E os gritos dos homens
Eram de puro sofrer.
A única diferença é que ela ia sobreviver,
Para ver outro dia nascer,
Para ter mais uma história que escrever.
Iludidos!
Não podem ver uma mulher que já não sabem pensar.
E ela, inteligente, usa esse instinto contra eles,
para os convencer a mergulhar.
Assim, num mar de tinta vermelha
Habituara-se a sereia a nadar.
A cada morte ria mais alto,
“Tanta ignorância ali jaz a boiar”,
E ria, como se os seus pulmões fossem estourar,
Com uma ingenuidade encantadora
De quem não sabe que está a pecar.
Dançava, louca e despreocupada,
Por entre centenas de corpos desfeitos
Que corriam na sua água, doce e salgada,
Livre de amarras e preconceitos.
Dizem que em noites de tempestade,
Por entre o caos da trovoada,
Ecoam os gritos de uma sereia
Juntamente com a sua doce risada.
“Não há homem neste mundo
Capaz de me tocar
Sem eu o petrificar.
Ainda bem que os braços
Que me envolveram,
No fim de tudo,
Foram os de uma deusa
Chamada Mar”.
Mar 12, 2022
Mar 12, 2022 at 8:55 AM UTC