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shiii… Sonoro arranhar da agulha, friamente na lisura do disco. Lado A exposto. Extrai circularmente o blues, nascido do som sujo, da tensão de notas entre notas. Voltas do giro, grave e baixo. Do escuro, plateia, silencio tocada em dó, mi, fá, sol Em si, testemunhava. Deponho: Como uma boneca de pano você dançava ritmados socos e chutes. Como uma boneca de pano você voava e nem chorava. Acho que bonecas de pano não choram. Você não rasgava e não quebrava. Doía muito? Como você suportou? Não precisou remendar? Deixa eu te dar um beijo. Você suportava calada, já sabia o que fazer para satisfazer o desejo do mal. Shiii… Arranha a lisura, circular o disco. Notas rápidas do blues, notas que amassam, puxam, cabelos voam. Não é tocar limpo, é tocar com nervo. Alucinante ritmo, latejando em minutos intermináveis. Silencioso choro engolido a seco. Noites infindáveis. Sonhos findáveis. A escuridão noturna aqui dentro, agora. Alma foge, inconsciente dos múltiplos golpes, afundando a carne, transfigurando identidade, amortecendo a vida. Morta-viva. Boneca de pano. Shiii... Não acordes. Preces repetidas em Dó maior, como disco arranhado. Reza repetida, mais uma vez. Dias em círculos. Talvez Deus não goste de bonecas de pano. A noite girou, o dia raiou, e o automático braço da agulha foi interrompido. A boneca de pano, em Sol, ecoou. Recompensa à bravura resiliente: em notas limpas faz do blues jazz. Mágica transformação, Boneca em pessoa, pano em pele, choro em riso. Terror em paz, noites de sono. Bom dia, mulher inteira, de retalhos coloridos.
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May 22
May 22, 2026 at 9:55 PM UTC
Retalhos de pano e vida.
shiii… Sonoro arranhar da agulha, friamente na lisura do disco. Lado A exposto. Extrai circularmente o blues, nascido do som sujo, da tensão de notas entre notas. Voltas do giro, grave e baixo. Do escuro, plateia, silencio tocada em dó, mi, fá, sol Em si, testemunhava. Deponho: Como uma boneca de pano você dançava ritmados socos e chutes. Como uma boneca de pano você voava e nem chorava. Acho que bonecas de pano não choram. Você não rasgava e não quebrava. Doía muito? Como você suportou? Não precisou remendar? Deixa eu te dar um beijo. Você suportava calada, já sabia o que fazer para satisfazer o desejo do mal. Shiii… Arranha a lisura, circular o disco. Notas rápidas do blues, notas que amassam, puxam, cabelos voam. Não é tocar limpo, é tocar com nervo. Alucinante ritmo, latejando em minutos intermináveis. Silencioso choro engolido a seco. Noites infindáveis. Sonhos findáveis. A escuridão noturna aqui dentro, agora. Alma foge, inconsciente dos múltiplos golpes, afundando a carne, transfigurando identidade, amortecendo a vida. Morta-viva. Boneca de pano. Shiii... Não acordes. Preces repetidas em Dó maior, como disco arranhado. Reza repetida, mais uma vez. Dias em círculos. Talvez Deus não goste de bonecas de pano. A noite girou, o dia raiou, e o automático braço da agulha foi interrompido. A boneca de pano, em Sol, ecoou. Recompensa à bravura resiliente: em notas limpas faz do blues jazz. Mágica transformação, Boneca em pessoa, pano em pele, choro em riso. Terror em paz, noites de sono. Bom dia, mulher inteira, de retalhos coloridos.
Escrevo momentos vívidos, vivências minhas
GilliSincha
Written by
May 22
May 22, 2026 at 9:55 PM UTC
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