O Rio que o Xisto Bebe
No princípio era o xisto, rocha dura, ferida,
Onde a raiz se aprofunda, sedenta e atrevida.
Veio a mão do homem, de ferro e de calo,
Talhando o socalco, pedra a pedra com o cantar do galo.
O Baixo Corgo desperta com bruma e maré,
Chuva doce na encosta, verde firme de pé.
Mas no Cima Corgo, onde o vinho ganha nome,
É o sol que governa e a sede que o bago consome.
No trono das vinhas, a Touriga se faz,
Rainha de manto ***** de nobreza e de paz.
Violeta no sopro, seda fina na espinha,
Sangue vivo da terra, alma densa da vinha.
No Douro Superior, o silêncio é ardido,
Calor que estala na pedra, tempo lento e contido.
Zimbro e esteva perfumam o ar rarefeito,
E o grifo traça círculos no céu celeste do meu leito.
O chasco-preto responde do alto do penedo,
Guarda antiga da encosta, segredo sobre segredo.
O Douro não é só vinho, é corpo e memória,
É natureza e suor na mesma história.
São mortórios esquecidos, de vinha vencida,
Onde a lontra desliza na água escondida.
O tritão celebra no fundo do chão,
Vida antiga pulsando em comunhão.
Da Régua partem barcos de lenta nostalgia,
Carregados de tempo, silêncio e poesia.
E o rio serpente de ouro alento da minha satisfação,
Bebe o xisto da margem… e prende o meu coração.
Victor Marques
Douro
Portugal
Feb 20
Feb 20, 2026 at 4:41 AM UTC
O Rio que o Xisto Bebe
No princípio era o xisto, rocha dura, ferida,
Onde a raiz se aprofunda, sedenta e atrevida.
Veio a mão do homem, de ferro e de calo,
Talhando o socalco, pedra a pedra com o cantar do galo.
O Baixo Corgo desperta com bruma e maré,
Chuva doce na encosta, verde firme de pé.
Mas no Cima Corgo, onde o vinho ganha nome,
É o sol que governa e a sede que o bago consome.
No trono das vinhas, a Touriga se faz,
Rainha de manto ***** de nobreza e de paz.
Violeta no sopro, seda fina na espinha,
Sangue vivo da terra, alma densa da vinha.
No Douro Superior, o silêncio é ardido,
Calor que estala na pedra, tempo lento e contido.
Zimbro e esteva perfumam o ar rarefeito,
E o grifo traça círculos no céu celeste do meu leito.
O chasco-preto responde do alto do penedo,
Guarda antiga da encosta, segredo sobre segredo.
O Douro não é só vinho, é corpo e memória,
É natureza e suor na mesma história.
São mortórios esquecidos, de vinha vencida,
Onde a lontra desliza na água escondida.
O tritão celebra no fundo do chão,
Vida antiga pulsando em comunhão.
Da Régua partem barcos de lenta nostalgia,
Carregados de tempo, silêncio e poesia.
E o rio serpente de ouro alento da minha satisfação,
Bebe o xisto da margem… e prende o meu coração.
Victor Marques
Douro
Portugal
