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O Eco das Ferraduras no reino do xisto O tempo, no Douro, não corre ele escorre, Como suor na testa de quem a terra amanha. Recuo meio século, onde a memória morre Para renascer viva nesta encosta tamanha. As aldeias eram ninhos, pulsavam de gente, Portas abertas, o “bom dia” era lei. Hoje o silêncio é rei; mas outrora, fervilhante. Era o povo a alma viva deste chão que foi. Ouve? É o compasso seco nas calçadas, Ferraduras ferindo a pedra sem piedade. Cavalos altivos, marchas cadenciadas. Enquanto na vinha germinava a vontade. Nas fontes de granito o tempo parava, Bebiam os animais a frescura da serra. E o comboio serpente de ferro que apitava Levava os filhos para longe da terra. Ia o estudante, livro e sonho na mão, No rasto do fumo, ficava o coração. Vê no chão o risco: geometria do suor, Machos e mulas num esforço ritmado, Puxando a charrua com nobre furor, Rasgando o xisto que o sol deixou marcado. E na vindima… homens maiores que a encosta, Cestos às costas, curvados ao destino, Subindo degraus em luta composta, Numa dança de vida contra o destino. Sou viticultor. Sou o sangue da vinha. Vigneron de alma, de mãos calejadas. O Douro de outrora é a raiz que me alinha Beleza eterna escrita em pedras lavradas. Victor Marques Douro Portugal
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Feb 1
Feb 1, 2026 at 2:59 AM UTC
O Eco das Ferraduras no reino do xisto
O Eco das Ferraduras no reino do xisto O tempo, no Douro, não corre ele escorre, Como suor na testa de quem a terra amanha. Recuo meio século, onde a memória morre Para renascer viva nesta encosta tamanha. As aldeias eram ninhos, pulsavam de gente, Portas abertas, o “bom dia” era lei. Hoje o silêncio é rei; mas outrora, fervilhante. Era o povo a alma viva deste chão que foi. Ouve? É o compasso seco nas calçadas, Ferraduras ferindo a pedra sem piedade. Cavalos altivos, marchas cadenciadas. Enquanto na vinha germinava a vontade. Nas fontes de granito o tempo parava, Bebiam os animais a frescura da serra. E o comboio serpente de ferro que apitava Levava os filhos para longe da terra. Ia o estudante, livro e sonho na mão, No rasto do fumo, ficava o coração. Vê no chão o risco: geometria do suor, Machos e mulas num esforço ritmado, Puxando a charrua com nobre furor, Rasgando o xisto que o sol deixou marcado. E na vindima… homens maiores que a encosta, Cestos às costas, curvados ao destino, Subindo degraus em luta composta, Numa dança de vida contra o destino. Sou viticultor. Sou o sangue da vinha. Vigneron de alma, de mãos calejadas. O Douro de outrora é a raiz que me alinha Beleza eterna escrita em pedras lavradas. Victor Marques Douro Portugal
Douro outrora xisto charruas
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