DOURO
SANGUE DA TERRA
Onde o xisto se rasga ao sol poente,
E o homem enfrenta a escarpa, nua e dura,
O rio grava, em gesto serpenteante,
A escrita antiga da vida que perdura.
Não corre água apenas no seu leito:
Corre a dor serena a preceito.
São degraus de gigante contra o céu,
Rasgados à pedra com dor e razão,
Onde o bago de ouro, sob o véu,
É carne viva desta nação.
Cada socalco é grito e é vitória,
Talhado na pedra, gravado na memória.
Ó Douro ardente, de suor e glória,
Vinha nascida em luto e criação,
Levas nas águas a nossa história,
És raiz profunda do lavrador.
Enquanto houver terra, sol e suor,
O Douro viverá meu eterno amor.
Do rabelo que afronta a corrente brava
À encosta onde o tempo aprendeu a parar,
És vinho que a coragem lavra
Es filho dum pai que sabe amar.
Em cada taça, um juramento antigo:
Honrar a terra, o homem e o perigo.
Se um dia o silêncio cercar a vinha,
E a injustiça quiser calar a voz,
A terra falará porque é rainha,
E o Douro erguer-se-á por todos nós.
Pois enquanto houver pedra, homem e pão,
O Douro será sangue desta Nação.
Não és paisagem. Não és passado.
És trabalho, luta e permanência.
Douro: és futuro conquistado
Com mãos feridas, suor e consciência.
E quem te ama não te abandona
Venha um porto para a cerimónia.
Victor Marques
Jan 23
Jan 23, 2026 at 2:36 PM UTC
DOURO
SANGUE DA TERRA
Onde o xisto se rasga ao sol poente,
E o homem enfrenta a escarpa, nua e dura,
O rio grava, em gesto serpenteante,
A escrita antiga da vida que perdura.
Não corre água apenas no seu leito:
Corre a dor serena a preceito.
São degraus de gigante contra o céu,
Rasgados à pedra com dor e razão,
Onde o bago de ouro, sob o véu,
É carne viva desta nação.
Cada socalco é grito e é vitória,
Talhado na pedra, gravado na memória.
Ó Douro ardente, de suor e glória,
Vinha nascida em luto e criação,
Levas nas águas a nossa história,
És raiz profunda do lavrador.
Enquanto houver terra, sol e suor,
O Douro viverá meu eterno amor.
Do rabelo que afronta a corrente brava
À encosta onde o tempo aprendeu a parar,
És vinho que a coragem lavra
Es filho dum pai que sabe amar.
Em cada taça, um juramento antigo:
Honrar a terra, o homem e o perigo.
Se um dia o silêncio cercar a vinha,
E a injustiça quiser calar a voz,
A terra falará porque é rainha,
E o Douro erguer-se-á por todos nós.
Pois enquanto houver pedra, homem e pão,
O Douro será sangue desta Nação.
Não és paisagem. Não és passado.
És trabalho, luta e permanência.
Douro: és futuro conquistado
Com mãos feridas, suor e consciência.
E quem te ama não te abandona
Venha um porto para a cerimónia.
Victor Marques
