Hello Poetry
Submit your work and get some sparkles! Create free account
​Douro Imortal ​No xisto bruto, a enxada ecoa e canta, Rasga o silêncio, acorda o chão dormente. O podador, com olhos de memória, Lê em cada vide a sua dor e glória. ​Vêm as vindimas, passos de fogo e sol, Mãos de couro, gravadas pelo suor. Vindimadores, nómadas de um instante, Colhem o sangue que a terra verte num instante. ​O rio espelha o ouro, deita-se como vinho, E o Douro curva-se em abraço de prata fina. Entre socalcos e muros de pedra seca, A vida pulsa áspera, eterna e divina. ​Cada cacho é segredo e é promessa, Cada vinho, o fôlego do vento e do calor. Aqui, onde a montanha toca o véu do céu, A terra é obra e o duriense o escultor. ​Victor Marques
0
Jan 14
Jan 14, 2026 at 7:31 AM UTC
Douro Imortal
​Douro Imortal ​No xisto bruto, a enxada ecoa e canta, Rasga o silêncio, acorda o chão dormente. O podador, com olhos de memória, Lê em cada vide a sua dor e glória. ​Vêm as vindimas, passos de fogo e sol, Mãos de couro, gravadas pelo suor. Vindimadores, nómadas de um instante, Colhem o sangue que a terra verte num instante. ​O rio espelha o ouro, deita-se como vinho, E o Douro curva-se em abraço de prata fina. Entre socalcos e muros de pedra seca, A vida pulsa áspera, eterna e divina. ​Cada cacho é segredo e é promessa, Cada vinho, o fôlego do vento e do calor. Aqui, onde a montanha toca o véu do céu, A terra é obra e o duriense o escultor. ​Victor Marques
victor-marques
Written by
Portuguese
Jan 14
Jan 14, 2026 at 7:31 AM UTC
Request permission to use this poem