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Foi cedo na vida que o meu livro de mágoas se abriu.                 (Entendi-o desde nova pois senti-o.) Um livro manchado pelo sangue da batalha, Páginas carregadas de calafrios… Ainda hoje me correm e ecoam no corpo.                    (O som do ferro ainda me causa insónias.) E o abandono… Esse sempre o meu maior medo, Cortou-me como uma espada a vida toda.              (Nunca o gritei…pelo menos em voz alta.) Ferida, pelas entrelinhas o fui escrevendo.              (Nunca com tinta…sempre mascarado na dor das palavras.) Marcado em mim desde o início.              (Nunca na pele…sempre uma ferida interna bem escondida                na alma.) A Morte… Essa parece chegar rapidamente Para as almas incompreendidas.              (Mas calma, eu entendi.) Choraste sem saber porquê… Passaste e ninguém te viu… Mas agora renasces com uma visão que eu sonhei. E eu, que nunca te encontrei, Vi-te encarnada em mim. Quem me dera que tivesses vivido tempo suficiente, Florbela. Só para que eu te tivesse desvendado o segredo da vida.               (Neste mundo não eras a única que andava perdida.)                            (O segredo é que andamos todos.)
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Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:25 PM UTC
“Livro de Mágoas”
Foi cedo na vida que o meu livro de mágoas se abriu.                 (Entendi-o desde nova pois senti-o.) Um livro manchado pelo sangue da batalha, Páginas carregadas de calafrios… Ainda hoje me correm e ecoam no corpo.                    (O som do ferro ainda me causa insónias.) E o abandono… Esse sempre o meu maior medo, Cortou-me como uma espada a vida toda.              (Nunca o gritei…pelo menos em voz alta.) Ferida, pelas entrelinhas o fui escrevendo.              (Nunca com tinta…sempre mascarado na dor das palavras.) Marcado em mim desde o início.              (Nunca na pele…sempre uma ferida interna bem escondida                na alma.) A Morte… Essa parece chegar rapidamente Para as almas incompreendidas.              (Mas calma, eu entendi.) Choraste sem saber porquê… Passaste e ninguém te viu… Mas agora renasces com uma visão que eu sonhei. E eu, que nunca te encontrei, Vi-te encarnada em mim. Quem me dera que tivesses vivido tempo suficiente, Florbela. Só para que eu te tivesse desvendado o segredo da vida.               (Neste mundo não eras a única que andava perdida.)                            (O segredo é que andamos todos.)
Para uma das minhas poetisas preferidas, Florbela Espanca.
mariana-seabra
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27/Gender Fluid/Portuguese
Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:25 PM UTC
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