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Onde o Vinho é Oração ​No Douro, o tempo é um rio que não sabe voltar, Corre entre as fragas, levando o que o sol quis dar. Nascemos do xisto, pequenos, em busca de luz, Carregando o sonho que, às vezes, também é cruz. ​A lua, essa vigia de prata em noite de frio, Espreita o cansaço do homem, o espelho do rio. Há uma saudade que fica, gravada na mão, De quem partiu cedo, deixando um vazio no chão. ​Mas olha a videira: no inverno parece morrer, Entrega-se à terra para de novo nascer. Assim foi o Cristo, no pão e no sangue do jarro, Lembrando que o Espírito habita este vaso de barro. ​Queremos ser grandes, o mundo queremos medir, Mas somos apenas a uva que o tempo há de espremer. A paz só floresce na alma de quem se ajoelha, E aceita a vida, perante o Eterno, é centelha. ​Que o canto das aves nos trás a calma devida, Pois a morte é apenas o verso final desta vida. Descanso no Pai, sem medo e sem dor, Como a vinha que espera o podador. ​ Victor Marques Douro Valley
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Jan 13
Jan 13, 2026 at 5:26 PM UTC
Onde o vinho orao
Onde o Vinho é Oração ​No Douro, o tempo é um rio que não sabe voltar, Corre entre as fragas, levando o que o sol quis dar. Nascemos do xisto, pequenos, em busca de luz, Carregando o sonho que, às vezes, também é cruz. ​A lua, essa vigia de prata em noite de frio, Espreita o cansaço do homem, o espelho do rio. Há uma saudade que fica, gravada na mão, De quem partiu cedo, deixando um vazio no chão. ​Mas olha a videira: no inverno parece morrer, Entrega-se à terra para de novo nascer. Assim foi o Cristo, no pão e no sangue do jarro, Lembrando que o Espírito habita este vaso de barro. ​Queremos ser grandes, o mundo queremos medir, Mas somos apenas a uva que o tempo há de espremer. A paz só floresce na alma de quem se ajoelha, E aceita a vida, perante o Eterno, é centelha. ​Que o canto das aves nos trás a calma devida, Pois a morte é apenas o verso final desta vida. Descanso no Pai, sem medo e sem dor, Como a vinha que espera o podador. ​ Victor Marques Douro Valley
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