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É impressionante que tanto sentimento de profunda inadequação À vida, ao meio, Não se traduza jamais em escrita. Houve um tempo em que o tormento Tinha um cariz distinto, sério, concreto Sei lá, provavelmente não tinha nada disso, Eu achava-me crescida e escrevia de forma Burguesa e pretenciosa. É isso. Agora que devia ser crescida e Burguesa e pretensiosa, quis-me criança Caótica e revolucionária, emocional, Desregulada, descontrolada, perdida, Sem rumo nem nau que navegar E que se lixe! Nem queria escrever bem. Detestar-me-ia se escrevesse bem! De forma bonita, lírica, Usando palavras caras e Metáforas complexas, como quem tenta Ser mais do que ao que é. Não quero colocar a voz e fazer Pausas emocionadas, não quero ser Respeitada poetisa, não quero sucesso De forma alguma, deixem-me ser Nada. O medo de falhar a mudança É de tal forma que fico! E se não fico Bato-me porque nunca fico, a minha percepção Da realidade não é fidedigna, não sou Confiável - para os outros ou para mim - O futuro é uma nódoa, mancha, nulidade, Não quero ser nada, nem ontem, nem agora, Quanto mais amanhã ou daqui a uma vida! Deixem-me em paz, se pudesse apodrecia Aliás, se pudesse florescia E passava a vida A apanhar sol Até morrer.
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May 12
May 12, 2026 at 6:26 AM UTC
Diarios de uma crianca mimada 19-11-24
É impressionante que tanto sentimento de profunda inadequação À vida, ao meio, Não se traduza jamais em escrita. Houve um tempo em que o tormento Tinha um cariz distinto, sério, concreto Sei lá, provavelmente não tinha nada disso, Eu achava-me crescida e escrevia de forma Burguesa e pretenciosa. É isso. Agora que devia ser crescida e Burguesa e pretensiosa, quis-me criança Caótica e revolucionária, emocional, Desregulada, descontrolada, perdida, Sem rumo nem nau que navegar E que se lixe! Nem queria escrever bem. Detestar-me-ia se escrevesse bem! De forma bonita, lírica, Usando palavras caras e Metáforas complexas, como quem tenta Ser mais do que ao que é. Não quero colocar a voz e fazer Pausas emocionadas, não quero ser Respeitada poetisa, não quero sucesso De forma alguma, deixem-me ser Nada. O medo de falhar a mudança É de tal forma que fico! E se não fico Bato-me porque nunca fico, a minha percepção Da realidade não é fidedigna, não sou Confiável - para os outros ou para mim - O futuro é uma nódoa, mancha, nulidade, Não quero ser nada, nem ontem, nem agora, Quanto mais amanhã ou daqui a uma vida! Deixem-me em paz, se pudesse apodrecia Aliás, se pudesse florescia E passava a vida A apanhar sol Até morrer.
constanca-megre
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May 12
May 12, 2026 at 6:26 AM UTC
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