O Grito do Xisto
O Douro não é seda, nem moldura,
É carne de rocha, suor e bravura.
Não nos tragam palmas, nem vinhos de gala,
Enquanto o silêncio no Douro se cala.
Piso o degrau que o meu avô ergueu,
Sob o mesmo sol que a encosta morde.
O vinho é o sangue que a terra nos deu,
Mas há quem, de longe, o destino desorde.
Batizam o Porto com álcool de fora,
Enquanto a uva, no cesto, chora.
É escolha política, é frio abandono,
De quem trata o Douro como se fosse dono.
Senhores de Belém, que o povo convoca,
A verdade é dura e não cabe na boca:
Celebrar a paisagem e esquecer quem a faz,
É roubar ao vinhateiro a sua própria paz.
O Douro espera. O Douro resiste.
Não há postal lindo se o povo está triste.
Erguemos o cálice, mas antes o meu abraço.
Sou duriense e a Deus criador estou grato.
Victor Marques
Jan 15
Jan 15, 2026 at 9:02 AM UTC
O Grito do Xisto
O Douro não é seda, nem moldura,
É carne de rocha, suor e bravura.
Não nos tragam palmas, nem vinhos de gala,
Enquanto o silêncio no Douro se cala.
Piso o degrau que o meu avô ergueu,
Sob o mesmo sol que a encosta morde.
O vinho é o sangue que a terra nos deu,
Mas há quem, de longe, o destino desorde.
Batizam o Porto com álcool de fora,
Enquanto a uva, no cesto, chora.
É escolha política, é frio abandono,
De quem trata o Douro como se fosse dono.
Senhores de Belém, que o povo convoca,
A verdade é dura e não cabe na boca:
Celebrar a paisagem e esquecer quem a faz,
É roubar ao vinhateiro a sua própria paz.
O Douro espera. O Douro resiste.
Não há postal lindo se o povo está triste.
Erguemos o cálice, mas antes o meu abraço.
Sou duriense e a Deus criador estou grato.
Victor Marques
