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Cena III - Gaia torna-se noite

by @mrmnd

Narrador: O sol, fadando aos seus desmaios, Em falta de luz aureolava A face natura com seus distantes raios; A areia qual aos clarões brilhava, Neste sol d'agora dorme junto às figueiras Às terras, aos vales, às distantes matas altaneiras Gaia, que nas folhas de carvalho Rompe a escuridão do céu vultuoso E jorra em seu corpo as águas d'orvalho Cobre-se, nas horas, d'um véu moroso; Quando olham ao zênite, estrelas podem ver Como áureo tesouro a na escuridão se irromper Por este turvo azul sidéreo, Entre as florestas tem-se o canto, E dos troncos retorcidos, um mistério Cuja noite predomina em seu encanto, Cobrindo as nuvens do olhar, Com seu etéreo resplendor lunar Divagam as almas que dormem E divagam as que repousam, sob o sentir de fantasia As mais atormentadas, que de sonhos envolvem, Veem nos vastos pesadelos dores de uma visão sombria; Se em prantos, quando dormem, não podem culminar Vezes quebram, em gritos e desatino, um longo calar Destes prantos, cujas lágrimas caem nas profundezas Ressoam em uma perdição do infinito Entoando pérolas e cânticos desta proeza Que é constituir, no espírito, o próprio mito; Tudo não mais cintila, Gaia se cobre, Os olhos da matéria se fecham após tanto obre Enfim, fez-se da natureza uma realidade escrava Na qual os dias, tão somente o tempo envenena Mas Gaia, quando os serenos campos lava A realidade, a mudança é ela quem condena, À miséria dos povos, as glórias, a graça Tudo é ao tempo, que a natureza trespassa O lar dos sentires se silencia sob aurora Todos desprezos, amores e outros enganos Agrados, estupores, inclemências de outrora Contiguamente extinguem-se, ao eclipsar dos raios meridianos O som enleia as serranias noturnas Sussurrando longínqua a madrugada soturna É a glória do Destino! Ânsia abissal e dolorida, Aprisionando a natureza em seu prazer de ilusão Subitamente, em brumas, um estirpe que é vida Das lembranças renovadas, canções d'uma visão Logo o sol nascerá em amplitude E clarear-se-á o dia em suas virtudes Idália, a vaguear nos cúmulos imaginários Vê as estrelas em umedecidos rochedos A ecoarem devaneios visionários As névoas quais, do delírio, são divinos segredos, Empíreo enigma, perpetua-se em infinita imensidade, Que há de trovejar os pensamentos na obscura eternidade
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Written by
mrmnd
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Written by
mrmnd
18
Published
May 31, 2017
Time
3m
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