"viu" poems
Amigos queridos,
sem faces e sem nomes.
Retiradas foram suas vísceras,
logo antes de seus corpos imergirem
em um exacerbadamente denso volume de sangue
grotesca e plenamente apreciado
pelos algozes responsáveis,
certos irreconhecíveis demônios.
Vieram dos *** os tais tiranos,
visíveis, mas imateriais,
enquanto esperávamos
inconscientes e inevitavelmente despreparados
para uma luta justa.
Sobre os indiferentes, distantes,
mas ainda amigáveis e queridos companheiros,
ainda recordo de alguma ordem:
O primeiro não sentiu dor alguma,
bem como nada viu ou percebeu; fora partido ao meio.
O segundo, já desesperado e afogando-se em lagrimas,
tornou-se borrão de um vermelho pesado, grosso e brutal;
Dos outros, três ou quatro,
somente tenho em mente os gemidos inexprimíveis;
uma junção entre suspiros e soluços
de uma morte nada convidativa e próxima.
Foram todos rostos sem faces perdidos
na espera do desconhecido fatalmente promulgado
pelas minhas ânsias.
O ultimo vivo me induziu à única ação possível:
pude cair meus quinhentos intermináveis metros;
deslizando, enquanto tentava me segurar,
por um material recoberto de farpas
que transpassavam minhas mãos,
as quais sangravam em direção a um mar, sombrio e obscuro;
me afundei irremediavelmente em minhas próprias aflições.
May 22, 2013
May 22, 2013 at 8:21 PM UTC
We are strangers, strangers we remain,
From distant worlds, apart we came.
You call to me, I call to you,
But silence answers, cutting through.
You don’t know me, I don’t know you,
Our thoughts diverge like morning dew.
Alive we are, yet still we stare,
As if from graves, from shadows there.
I’m not your loss, nor you are mine,
Like clouds, we drift through endless time.
Wherever I go, wherever you’ll be,
We’re at the edges, lost at sea.
Yet yesterday felt near and bright—
You held my hand; your voice was light.
When love was endless, pure, and true,
And I was me, and you were you.
When whispers spoke of tender care,
And hearts embraced in love’s repair.
When vows were shared, no lies between,
And strangers we had never been.
I
(Alternative translation)
STRANGERS
We are strangers, strangers through,
From worlds apart, both old and new.
I call to you, you call to me,
Yet silence falls like waves at sea.
You do not know me, nor I know you,
Our thoughts like paths that never grew.
Alive we stand, yet lost we seem,
As if we lived within a dream.
I do not miss you, nor you miss me,
Two fleeting clouds the wind sets free.
Where you may go, where I may roam,
We’re at the edges, far from home.
But yesterday, it feels so near,
I held your hand, your voice sincere.
When love was boundless, bold, and true,
And I was me, and you were you.
When whispers shared what hearts could feel,
And hands embraced with love so real.
When we were one, no space between,
And strangers we had never been.
II
(Literal translation)
STRANGERS
We are strangers, strangers we remain,
From different worlds we come.
When you call me, when I call you,
We cannot hear, we cannot hear.
You do not know me, I do not know you,
I have one thought, and you another.
You are alive, and I am alive,
But we look at each other as if from graves.
I don’t miss you; you won’t miss me,
We are two clouds driven by the wind.
Wherever I am, wherever you are,
We are at the edges of the earth.
But, it seems, yesterday there was a day,
You remember it; I remember it, too,
When we could not stop loving each other,
Believing we would love forever.
When I whispered how dear you were,
And we held each other’s hands with love,
When you told me that you loved me,
And we were not strangers at all.
III
(Original poem, Romanian)
STRĂINI
Suntem străini, străini suntem,
Din diferite lumi venim.
Când tu mă chemi, când eu te chem
Nu ne-auzim, nu ne-auzim.
Tu nu mă ştii, eu nu te ştiu,
Un gând am eu şi tu alt gând.
Eşti vie tu şi eu sunt viu,
Dar ne privim ca din mormânt.
Eu nu-ţi lipsesc, tu nu-mi lipseşti,
Suntem doi nori mânaţi de vânt.
Oriunde-aş fi, oriunde eşti,
Suntem la margini de pământ.
Dar, parcă ieri, a fost o zi,
Ţii minte tu, ţin minte eu,
Când nu-ncetam a ne iubi,
Crezînd că ne-om iubi mereu.
Când îţi şopteam ce dragă-mi eşti
Şi ne strângeam cu drag de mâini,
Când îmi spuneai că mă iubeşti
Şi nu eram deloc străini.
Nov 24, 2024
Nov 24, 2024 at 3:36 PM UTC
Cidade de Guimarães
Guimarães linda de morrer,
Portugal nasceu e te viu crescer,
Honra a nossos fundadores,
Vasos repletos de flores.
Pomposa, ai tua pureza que emana,
Sorris como a pequena açucena,
Senhora da Penha com emoção,
Guimarães tem nobre tradição.
A história te cantará sempre com excelsa gratidão,
És feita do amor e de nobre geração.
Deus te escolheu, Deus te santifica,
Guimarães terra santa, bendita.
Os olhares serenos se enlaçam em mim,
Horizontes sem nunca ter fim.
Guimarães cidade que nunca cede,
Afonso Henriques, Batalha de S. Mamede.
Guimarães, 20 de Março de 2009
Victor Marques
Dec 10, 2009
Dec 10, 2009 at 10:22 PM UTC
Como um quadro pintado em abstrato,
Assim descrevo a paisagem que hoje piso,
Não tenho duvidas, nem temo as certezas,
O melhor do caminho, guardo eu comigo!
Secretamente, abriu-se a porta, pelas mãos suaves,
De um corpo penetrante, dirigido pelo olhar amarrado,
Nas pernas se sentiu o gosto, de um paço apressado,
Rumando certeiramente, a favor daquilo que amava!
Nunca, nunca deixou de ser teu, apenas temeu,
Temeu não ser para ti e se fez homem quando te viu,
Viu-te sorrir profundamente, na primeira vez que chegas-te,
Percebendo logo, que chegou também o amor que procura-te!
E assim que pedras tenha o mar,
Que muita chuva mesmo, caia do ar,
Que os raios de trovão, ecoem pelos ***
E os terramotos, abalem toda a terra!
Mas nunca mais eu quero ver-te distante,
Chamar-te e não me ouvires,
Sorrir e não poder, ser por ti!
Se pude amar-te, que agora, seja sempre!
Autor: António Benigno
Para ti Liliana Patrícia.
Código de autor: 2013.07.20.02.06
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:10 AM UTC
E nesta tarde em que a chuva cai madura
Pego nesta folha e neste lápis de carvão
Rascunho esta tua suave pintura
Com a subtileza desta minha mão.
Quem desenha sou eu, feito alquimista
Que em ti sempre viu algo especial
Com estes meus olhos de artista
E esta minha sensibilidade radical.
Estou simplesmente apaixonado por ti
E p´ró papel, eu te levo p’ra te ter
P’ra sempre ficarás junto de mim
Nesta pintura que de ti estou a fazer.
E em teus olhos eu vejo acalento
Um brilho especial e muita alegria
Um dia destes chegará o momento
Em que ficaremos junto o dia-a-dia.
Este singelo papel é agora um tesouro
Porque nele está desenhada a tua imagem
És a face dum anjo que vale mais que ouro
Por mim criado em tua homenagem.
Venero-te com sublime fervor
Agora que és o meu quadro principal
Para sempre te darei o meu amor
Minha filha, minha princesa real.
Jun 6, 2013
Jun 6, 2013 at 5:43 AM UTC
Isso é um sonho lucido
Acorde, todos esses tempos
andou dormindo
sonhando com amor
cure essas feridas
depois de todos esses anos
viu que o amor, o que é amor?
uma ilusão, ou um sonho interminável.
Aug 12, 2013
Aug 12, 2013 at 6:55 PM UTC
Se cern arginții boltei, prin sita de safir,
Totul viu, ferice, crunt au să-l răpună.
Și să-i facă rece, nesfârșit alb cimitir,
Norii cei negri, oștirile lui Vânt s-adună.
Regina Morții, cu dalba-i mantie, călare,
Suflarea-i de sloi, a tăcerii pânză țeasă.
Luncile cu joc și râset, pierdute-n uitare,
Blestemul vieții de apoi, alb pustiu lasă.
În codrul de plumb, un lup se tânguie amar,
Cine ne-a luat a primăverii poftă de viață,
Al verii dulce poem, al belșugului har?
Se odihnesc toate, sub pătura de gheață.
Mar 24, 2025
Mar 24, 2025 at 2:28 PM UTC
São quatro e vinte da madrugada
E o fraco ainda resiste.
O dia nasce não tarda
E continua a sina daquele triste.
Será ele um poeta,
Um que se viu de alma abandonada
Ou um cuja profissão é a mais antiga que existe?
O seu coração pinga solidão, que se tenta encobrir,
Fundida pela malfadada escuridão que o rodeia
E que goza do ferir.
O vagabundo olha à volta como se tivesse casa cheia
E ouve, gota a gota, a gota, abusadamente, cair.
Repete-se todas as noites a ladainha
No aconchego de sua cama quentinha.
Para este fraco, viver é ousadia.
Limita-se a existir e até isso é um ultraje.
Vê o sol que na janela luzia;
Vai ao espelho ver se este lhe traz
Aquele brilho que outrora o seduzia
E que há muito não o via.
Depara-se com o rotineiro:
O pesar do vazio corriqueiro
Que em forma de sombra breu
Sobre si subtilmente desceu.
Fatalidade que o destino por si escolheu.
É este o tal fado
De quem não se sente satisfeito
Nem é valorizado
P'las cicatrizes que carrega ao peito.
Dizem que tem vida de vadio.
Terminará o triste por rir
De quem um dia dele se riu?
É esta a "pseudoprofecia"
Que o acompanha noite e dia.
É só mais um que não vive o ultraje que é existir.
May 1, 2018
May 1, 2018 at 4:15 PM UTC
Foi cedo na vida que o meu livro de mágoas se abriu.
(Entendi-o desde nova pois senti-o.)
Um livro manchado pelo sangue da batalha,
Páginas carregadas de calafrios…
Ainda hoje me correm e ecoam no corpo.
(O som do ferro ainda me causa insónias.)
E o abandono…
Esse sempre o meu maior medo,
Cortou-me como uma espada a vida toda.
(Nunca o gritei…pelo menos em voz alta.)
Ferida, pelas entrelinhas o fui escrevendo.
(Nunca com tinta…sempre mascarado na dor das palavras.)
Marcado em mim desde o início.
(Nunca na pele…sempre uma ferida interna bem escondida
na alma.)
A Morte…
Essa parece chegar rapidamente
Para as almas incompreendidas.
(Mas calma, eu entendi.)
Choraste sem saber porquê…
Passaste e ninguém te viu…
Mas agora renasces com uma visão que eu sonhei.
E eu, que nunca te encontrei,
Vi-te encarnada em mim.
Quem me dera que tivesses vivido tempo suficiente, Florbela.
Só para que eu te tivesse desvendado o segredo da vida.
(Neste mundo não eras a única que andava perdida.)
(O segredo é que andamos todos.)
Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:25 PM UTC