"vazias" poems
Do vazio é que tens medo.
E da pedra que cai e ecoa
num mundo cheio de nadas, salas vazias
onde uma vez já habitou uma alma quase bem amada.
É isso que te aperreia
que aperta, te sufoca,
tanto espaço
pra tanta falta.
Sabes da aflição
de não ter pra onde correr
quando estiver assustada
com medo, ansiosa,
Então tentes buscar um sentido
e entender
que isso só se deu
porque tentastes apalpar
e sentir, e apreciar
aquilo que não é real,
que não aquece, não preenche
E a alma sente
E você
Vazia.
Dec 19, 2015
Dec 19, 2015 at 4:04 PM UTC
Sentado e descalço, sobe um banco de madeira preta,
Pintei o quarto de verde vivo, igual ao vaso do quintal,
Contrastando com a cor amarela da flor que parara de crescer!
Queria ver aquela flor mais verde que o vaso que acabara de pintar.
Apressado como de costume e porque admito é feitio meu,
Pegava desajeitado e pouco reflectido com vontade de florir,
O amarelo perdido daquela planta que me havia já esquecido,
Não era tinta vazia, que ela queria, mas carinho de minhas mãos,
Peguei nela caída, encostei-a a mim e disse-lhe que gostava dela,
Suspirou-me ao ouvido e perguntou-me porque não a levava comigo,
Encostei-a a mim trouce-a cuidadosamente ao colo para dentro de casa,
Dei-lhe um copo de água e aconcheguei-lhe a terra do caule,
O adubo que ela recebia de mim, em carinhos fizeram-na adormecer!
Sentei-me no banco quase seco de tinta verde e pintei as calças,
Adormecendo como que um pai olhando seu filho dormir!
Sonhei pela noite fora e quando acordei, aquela flor amarela,
Que eu havia trazido comigo, sorriu-me nos olhos estremunhados,
Acordei feliz e cheio de alegria porque em seu olhar a flor vivia.
Por vezes a vida descabida de pressa por coisas vazias,
É tão bonita quando na calma do tempo um carinho te dá alento.
E eu voltei a pintar todo dia e em cada dia que passava a flor crescia,
O amarelo que lhe percorria o ser mudava de cor para a cor de esperança.
A cada dia, eu dormia mais feliz, porque sentia seu cheiro chegar a mim.
Essa flor um dia pegou-me nos olhos e pediu-me de novo carinho,
E eu olhei-a, da maneira que sempre quis cheirá-la e encostei-a a mim,
Enquanto dormia!
Autor: António Benigno
Dedico à minha vida que nem para nem anda!
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 4:58 AM UTC
Sonhos são apenas sonhos
Um grito ecoa por minha ***** cefálica
Bato meus braços como se fossem asas
mas sei que jamais poderei voar
Olho-me no espelho
Olho minha casa, suja, velha e pobre
Olho-me no espelho, olho minha casa
Olho pela pela janela e vejo a loucura
Observo a humanidade e vejo loucos
e entre ruas vazias da madrugada
e ruas lotadas do dia
Ouço música para não ouvir o zumbido barulho
E fecho o olhos para sonhar
Acordo em um entediado transe
pois somente ausente de mim começo a produzir
Aug 14, 2014
Aug 14, 2014 at 6:28 PM UTC
És um rio que nunca vi
Corres depressa demais
Gestos e palavras vazias
Não te abrandam
E não te posso alcançar.
És um rio que nunca vi
Somente em sonhos
Que não me deixam dormir
Sonho que sou a lua
E que és um rio
Que te posso alcançar
Iluminar
Como se entre nós
Não fosse tua a única luz.
És um rio
E fico a ver-te correr
Viajam em ti
Todas as dádivas da natureza
Exceto eu.
Exceto eu.
Mar 2, 2017
Mar 2, 2017 at 1:29 PM UTC
lá fora o povo indiferente,
está completamente perdido,
seguindo de mãos vazias,
por um caminho sem sentido.
sobre lençóis imaculados,
as oferendas da alegria,
numa noite tumultuosa,
que findou já era dia.
seu corpo sofre em loucura,
e de coração fora do peito,
doce exílio dos espíritos,
que no seu corpo vêem deleite.
tentando de corpo e alma,
vencer a trágica existência,
lá vai a megera indiferente.
são dois mundos tão diferentes,
que uma fina linha separa.
Aug 24, 2015
Aug 24, 2015 at 3:03 PM UTC
Pernas longas e cabeças grandes
Olhos pequenos e cílios gigantes
Roupas iguais
Conversas vazias
É ridículo
Tudo
Todos
Previsível e Decepcionante
Orgulhosos e Invejosos
Esperançosos e Iludidos
Mas quem sou eu pra julgar?
Sou mais um entre esses seres malditos
Jun 25, 2013
Jun 25, 2013 at 5:53 PM UTC
Me recostei na janela
A rua vazia, vazia
Olhos ressabiados
Contos de lorotas entre carolas
Um diz que diz
O que o gato comeu
Que a pia entupiu
E o filho que sumiu
Ai! Já não aguento mais!
A mãe que queimou o feijão
A filha que dormiu no furgão
A empregada que se queimou no fogão
Meu Deus do céu!
Que fazem as mentes vazias?
Que tanto este diz que diz?
Tudo isto faz alguém feliz?
Se fossem verdades...
Não são e nunca serão...
Uns pelas costas dos outros
Difamando e espalhando intrigas de todos
Mar 2, 2015
Mar 2, 2015 at 12:01 PM UTC
Da janela do meu mundo
Poderia dizer que a vista é sôfrega
E deprimente,
Prédios que escondem as árvores,
Fábricas que me cegam as estrelas
E lixo que voa pelas ruas
Onde passam pessoas vazias,
Mas estaria a ser injusta,
Injusta para com a Lua
E com a luz que jarra neste rio.
Quando os meus olhos caem
Sob ela são conquistaos,
E esqueço o mundo
E os meus deveres,
Esqueço as árvores escondidas
Pelos prédios,
As fábricas que me cegam as estrelas
E o lixo que voas por estas ruas
Onde passam pessoas vazias.
Hipnotiza-me e o tempo para,
Só de olhar para uma das luas
Incorporadas na imensidão deste Universo,
O tempo para,
O tempo para e eu sou feliz
Por poder-me juntar a ela
Cada noite do resto da minha vida.
Sep 24, 2018
Sep 24, 2018 at 9:17 AM UTC