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"pequenas" poems
"Abre sua aversão; Eis que um nauta fala: - Mestre, vês somente sofrimento no amor? - O amor pode conter fuligem e até mesmo grasnar, porém uma vez sentido é como parcel: não se desfaz fácil dentro do peito. E mesmo que nos faça presente o basto e dorido retrocesso, o medo, infindável de obstruir a todo esse amor, mais infindável é o anelo que o amor causa-nos. Estamos sobre escombros, mas o amor é como papelotas angelicais… Desce ondulado cheio de idas e vindas, corrupiando até a estabilização. O amor é granívoro, come pequenas as sementes dos defeitos nossos, belo como o grande milhafre-preto a planar no céu. É como a retriz que sente o vento a tocar, é o ósculo entre o paraíso e a imensidão. Oco somos antes de amar. Somos como o barril quebrado sem vinho, esperando que o tanoeiro nos venha resgatar. Encher-nos a transbordar. Ouça o execrável grito do ódio, sendo cancelado pelo dulçor deste imenso sentimento. Ouça o esfolar dos descrentes, incorpóreos. O amor é um reverbrar eterno de luz em cada alma, é a calma, e a batida de cada pulsação. Não se pode obstrui-lo, ou excluí-lo da vida, pois ela o traz em cada vibração. Como um frincha encontrada dentro de nós, convertendo aos poucos cada problema em solução. Transformando o ingrato em um romântico facúndio, criando paz em meio a escuridão"
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Oct 5, 2012
Oct 5, 2012 at 10:38 PM UTC
Corte de Nautas II
Sua mãe morreu de câncer, meu filho. Sua mãe morreu lentamente, sem dramas, mas com intensa agonia. Foi o que lhe respondi quando perguntou o por que eu nunca terminei de escrever meu primeiro romance. Você levou suas mãozinhas pequenas e disformes ao meu rosto e tocou meus olhos com carinho e violência. Levantei, afastando-me: estava na hora de sua injeção: hormônios de crescimento de homens ainda mais mortos que eu.
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Dec 9, 2010
Dec 9, 2010 at 3:17 AM UTC
Para meu filho acondroplásico
Amo minha melancolia Amo os pensamentos que me perturbam todos os dias Amo a fome continua Amo a falta de sono Amo o meu olhar vazio depois de uma noite de insônia Amo aquele sentimentalismo barato que me vem quando vejo um filme bobo Amo minha busca por Deus Amo a continua insatisfação com o meu cabelo Amo minhas mãos pequenas Amo meus óculos Amo o meu café da madrugada Amo minhas qualidades e defeitos
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Jul 8, 2013
Jul 8, 2013 at 10:27 PM UTC
Eu
Era noite. Na escuridão, cintilavam pequenas estrelas. Abriam-se e fechavam-se os olhos castanhos daquele rosto alegre. Ouviu-se, no meio daquela noite quente, o miar de um gato perdido! no momento, caíra em cima da minha cama uma violeta, tal qual os olhos, aqueles olhos sensuais que me prendiam! Fui convidado a amar... Perdi o senso do lugar, o senso do momento e perdi-me na noite... E amei!... Amei aqueles lindos olhos pestanudos, aquela boca de lábios quentes, aquele corpo suave, excitante e carente! E pensava em não acordar; não queria perder aquela paixão, nem imaginar que estava a sonhar. Aquilo não era um sonho, nem tão pouco fantasia! Finalmente descobri e gritei de alegria! É a pura realidade. Voltando-me para o outro lado, agarrei na almofada e adormeci, a pensar em ti.
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Mar 16, 2014
Mar 16, 2014 at 7:01 PM UTC
sonho
A brisa que teima em não chegar… Insetos que pernoitam com ervas daninhas, Formigas que teimam em sementes arrecadar, Cigarras apaixonadas com zumbidos de encantar, Estrelas do céu abandonadas e sempre sozinhas… Mas queridas e amadas pelo brilho do luar. E eu continuo sentado para a brisa receber, Vivendo na harmonia e amando cada ser. Contemplo tudo e vejo eterna beleza, Nas coisas pequenas existe grandeza. Os passarinhos no meio das vinhas não parecem perturbados, Lagartixas castanhas, lagartos esverdeados… E tudo com a noite fica adormecido, Outros seres despertam sem qualquer sentido, Rãs, sapos e grilos que grande alarido…. A brisa chega com leveza e sem contas para dar, E eu aqui dando beijos a tudo que eu quero sempre amar… Victor Marques
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Aug 6, 2018
Aug 6, 2018 at 12:16 PM UTC
A brisa teima em nao chegar
Tenho acreditado por tanto tempo que tudo de errado e ruim que sinto se esvairia quando encontrasse alguém que quisesse passar noites em claro fazendo nada ao meu lado, e que isso fosse o suficiente, que eu fosse o suficiente. Já experimentei esse sentimento e por mais que repita incontáveis vezes o quanto me quer ali, o sentimento não vai embora; De repente sinto o impulso de me levantar e ir embora sem dizer adeus, e nunca, nunca mais, ouvir de você ou deixar que ouça de mim. São as pequenas mortes como essas que me mantiveram viva até agora, não quero ser real. Me desculpe por todos os olhares, dedos entrelaçados, e promessas não ditas mas subentendidas. Me desculpe antecipadamente se eu tiver que ir embora em algumas semanas ou meses, ou dias. Amanhã, talvez. Quando eu estiver em silêncio, segure-se, segure-me.
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Apr 9, 2017
Apr 9, 2017 at 6:19 PM UTC
smother
Teria sempre água para todos beber, Correria por paixão sem saber, Seria rio, amor de bem querer, Água cristalinas que todos podem ver. Patinhos sem pressa molham suas penas, Pedrinhas grandes e pequenas. Areias desfeitas amedrontadas, Queria ser rio de ninfas e fadas. Teria mais cores laranja e verniz matizado , Seria rio sem inferno, nem pecado. As águas seriam sempre serenas, E seus afluentes açucenas. Queria ser rio muito abrangente, Sem causar inundações  de repente. Queria ser flor e também semente, Rio doce que ama sua gente. Queria ter moinhos para trigo moer, Rouxinóis ouvir ao amanhecer. Adormecer na noite suavemente, E acordar com sua corrente
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Aug 4, 2023
Aug 4, 2023 at 8:37 AM UTC
Queria ser como um rio
não pode ser justo que eu tenha nascido nesse mundo com a culpa de uma vida inteira que ainda nem vivi que antes de ter chegado meus olhos já tivessem visto tudo o mais que eu não pudesse suportar e carregado tanto peso em minhas costas pequenas costas de criança com medo sem nem saber o que tanto carregava era o peso de uma mulher pesada que não tinha medo pois tinha conhecido o abandono e ele ocupava todo o espaço era também a ironia de que aquilo que eu mais temia a mulher pesada que me tinha em seu colo era também o que eu mais viria a precisar desde o leite empedrado a mulher pesada aquilo que eu mais temia a que me tinha pendurada em seu seio era também o que eu viria a me tornar sem escapatória sem saber que eu já havia me tornado muito antes de existir e a culpa tão grande a culpa desde o leite e da pedra
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May 12, 2019
May 12, 2019 at 10:21 AM UTC
I
perceba que além do cinza tem também o azul do mar. as flores que às vezes brotam por entre os dedos e suas pétalas que voam lindas na poesia do vento. cheiro de vela apagada e cigarro ainda quente no cinzeiro. tu não tá sozinha. ali na esquerda tem uma cadeira. senta e toma um gole de chá. descendo quente pelo estômago, se sente o líquido rígido que se transforma em pequenas cigarras fazendo cócegas só pra te agradar. o mundo de repente pareceu um tanto menos complicado. tudo que se precisa é ter paciência. não manda calar a boca. beija teus inimigos e requebra numa dança gostosa com aqueles que mais se ama. escrever uma frase bonita tem vezes que parece fácil demais. até demais. lembrar que tudo tem um fim pode esperar. hoje decididamente, é um bom dia pra rir do próprio reflexo e apalpar os seios sem medo da sensação.
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Oct 26, 2017
Oct 26, 2017 at 11:48 PM UTC
encorajar-se
quando pequena observava as feridas em meus joelhos e me perguntava se a dor do peito também poderia se curar porque eu sabia muito bem que além do peso que eu carregava nas pequenas costas eu era também uma ferida aberta que doía no peito de uma mulher e por vezes me perguntava se um dia como uma casquinha de joelho a mulher pesada iria simplesmente desaparecer
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May 12, 2019
May 12, 2019 at 10:20 AM UTC
II
Já fomos poeira do mesmo lugar Pousada calmamente junto ao mar. Sufoca-me o vento que nos quer levar, E este pobre pó estrelar, Sem força suficiente para ficar, Chora sem braços onde se agarrar. Implora-te que me guardes num olhar, E assim voamos eternamente, Sem qualquer noção de ver desaparecer Lá ao longe, o nosso lar. Já fomos breves e inconstantes, Pequenas rochas cobertas de diamantes. Não quisemos saber do nosso valor, E quando o número não interessa, Qualquer fruto neste peito vira flor. Mas que som é este Que me enche de terror?! Ah! É a minha linda borboleta, Bate as asas e só ouço dor. Pousa em mim… Mas sentirá ela este calor? Levanta voo… Sem se recordar da minha cor. Perco-a em ti, Mas não me perco de todo este esplendor. Já fomos canto de pássaro na madrugada, Criança que corre sem ligar à roupa manchada. E de mãos dadas pela estrada, Brincámos nas infinitas ruas desta cruzada. Sorriste-me sem ligar a nada, Como qualquer criança louca, E atrapalhada Tropeças em mim… E deitas abaixo cada fachada, Pois como nego ao coração Que estou, agora, aprisionada? Já fomos a folha verde no outono Que caiu e não voltou. Cada onda que rebentou no rochedo Desvendou-te logo quem eu sou. Quis ser concha para ti, Presente que o mar traz. Mas sou fogo que arde aqui E destrói tudo o que é capaz. Consumo-te e inalo-te em mim, A droga mais pura e eficaz. E sobram as cinzas derramadas no jardim, Memórias da alma que lá jaz.
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Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 2:51 PM UTC
Fomos tudo o que nos disseram que não podíamos ser