"pequena" poems
Um medíocre seixo formado por um aglomerado espalhafato de pulgas flutua e veleja por oceanos saturados de desaproveitas lágrimas amarelo-chumbo nas mais desoladas camadas de sua privativa órbita, em uma intersecção de múltiplos limbos supra-reais, bem entre dois muros de um corredor estreito, escuro e corroborado pelo lodo - sobre o qual, cabe-se dizer, resta imóvel uma pequena patrola laranja de brinquedo, esquecida.
Inevitável e também incoerente,
Continuar a ser (peleja)
"Um equívoco desmistificado; uma perturbação"
Os ideais se contrapõem aos já extintos/
Sedimentos navegam eternamente sem rumo/
Inexprimível Sensível/
O oculto que assim permanece/
Pedregulho pulguento perpetuamente a protuberar-se na imensidão dos mares de um ópio por si próprio proferido, ofendendo e perseguindo leis individuais de universo, causando o óbito comum a todos os parciais ínfimos pares de não-instantes, parados.
Estarrece-se o lógico pela busca do externo consenso, indiferente a todo gotejar de pia:
fundir-se pela semelhança!
tornar-se pela simples analogia!
Homo-Sutra; Homo-Isso.
Homo-Tundra; Homo-Aquilo.
**** Sapiens
**** Gênio
Entrementes,
através de seus poros abertos pela alta temperatura,
sente por seu corpo, de muitos corpos,
a circulação efervescente do mais intenso calor,
o sopro de vida hebraico de um cosmos também filisteu,
(de tudo aquilo que pode até não estar de todo vivo - ou de todo morto);
contradição de um todo-devir também carrasco, mas, em essência, todo-devir de um sorrateiro espaço de tempo do bater de asas de um besouro não mais vivo e nunca catalogado, capturado somente por um pequenino ponteiro vermelho de segundos de um relógio velho, possuído, em circunstâncias afortunas, por uma avó - ainda hoje vivente - de um tempo atormentado pela tirania e propositalmente esquecido, a proferir não só eternidades-nascedouros e cede ansiada, como, de igual infinita intensidade, a inferir a sublimidade em poderios majestáticos estruturados na mais esplendorosa magia humana, a sua despropria linguagem;
...se apercebe o amontoado, tudo, menos genérico, mesmo não sendo, agora, inseto, nem humano, apenas animal,
Que
Mantêm-se
em correnteza,
Metamorfose lavareda.
Nov 7, 2014
Nov 7, 2014 at 7:55 AM UTC
na primeira noite eram estranhas.
disformes, distantes, extremamente presentes na sua tão triste ausência.
doeram-me todas as entranhas do corpo. pela memória e pelo presente.
agora, volvidos 3 dias volto a olhá-las.
já consigo olhá-las, auxiliá-las e já não me estão distantes.
agora são companheiras de luta.
algumas lutas mais leais que outras bem se sabe, mas ainda assim resistentes no seu silêncio.
o cheiro já me acolhe e todos os muitos sons que me circundam,
conseguem agora embalar-me e levar-me num sono tranquilo.
estou perto dos 28.
já não sou miúda, agora sei-o e mais sério, sinto-o.
ainda não sei que mulher sou, e como vou crescer a partir daqui.
há vários ajustes, estou muito irrequieta com o que vou fazer.
penso demasiado na pessoa que quero construir a partir daqui. é como se tivesse acabado de nascer mas já a saber falar, andar e pensar
- oh, penso tanto…
tenho de me permitir aprender e cair, chorar aos primeiros dentes.
mas a miúda deixa-me orgulhosa. gostei de ti andreia pequena, feliz, divertida e curiosa.
gostei da tua coragem e da tua força. até do teu nariz empertigado.
choro ao teu enterro, comovida pelo orgulho que te sinto e pelas saudades que me vais trazer.
a tua inocência guarda-la-ei como o meu mais precioso tesouro, e a ela recorrerei quando me vacilar a certeza.
crescer é de uma dureza atroz. o passado vejo-o enevoado, lamacento de muito difícil definição.
no entanto o futuro é um abismo.
dá-me vertigens querer espreitá-lo. mesmo quando coloco apenas os olhos, como se me escondesse dele mesmo. de mim mesma, dessa andreia que serei. como se não quisesse que ela me apanhasse a espiá-la a ver-lhe os movimentos, para que os usasse ou os julgasse de ante mão.
aqui estou, numa cama de hospital. viva e livre de qualquer mal. (mal maior pelo menos). e esta andreia do presente, esta nova-mulher, tem muito medo.
muito medo de falhar, muito medo de não ser tão feliz quanto a miúda foi.
Feb 7, 2013
Feb 7, 2013 at 5:15 AM UTC
Recorda o que de bom viveste....
Comecei por fazer um pequena viagem ao reino do meu ser...tentei neste grande trajecto descobrir as afinidades e singularidades do meu ser. Nesta viagem ímpar e impiedosamente sincera terá um relevo especial tudo o que me toca e apaixona de uma forma continua e desmesuradamente bela.
Como não poderia deixar de ser, esta minha viagem completa um percurso começado há muitos anos. Num pequena aldeia de Carrazeda de Ansiães, Castanheiro do Norte nasci para gáudio de meus progenitores.
Durante anos fui um menino feliz jogando pião, bola de trapos, usei socos de pau duro, livros, estudei,escrevi muita poesia e sempre olhei para aquele horizonte tão belo que desde o primeiro dia me apaixonou.
Aprendi a gostar dos nossos, vinhedos, olivais,montes de sobreiros, torgas , giestas, zimbros.
Fazia caminhadas com meus amigos do **** masculino e íamos todos felizes tomar banho ao rio Tua, passando pelo Gavião e descobrindo sempre e sempre uma beleza intimamente rejuvenescedora .
As coisas simplesmente belas estavam ali sem querer contrapartidas, para serem simplesmente observadas por quem as queria sempre ver...
Nesta viagem existe sempre a vontade de regressar, de olhar para tudo que aqui temos com mestria, carinho e porque não com amor eterno.
As pessoas que se encontram nesta viagem nos ensinam a viajar com cuidado, com sabedoria, com uma leveza de seres excepcionais que procuram nesta vida uma felicidade ligada ao meio envolvente de suas terras, de seus lugares preferidos que perduram nas suas mentes.
Um abraço amigo.
Victor Marques
Jan 7, 2016
Jan 7, 2016 at 11:24 AM UTC
Sede de Cultura
Encontro-me sobre nuvens com verdade,
Olho com calor, Lealdade…
O estigma de estranha dor,
Escrevo num berço sem valor.
Aspirar a uma perfeição intelectual feita com arte,
Falar da vida, de um mundo sem dele fazer parte,
Me embebedar com o excelente vinho do Douro,
Ver a tourada com o forcado e sem toiro.
A minha dimensão é simples e pequena,
Cultura da linda açucena,
Um calor quando escrevo é terno e bendito,
Aplaudir a voz, o canto, o grito….
Victor Marques
Apr 22, 2013
Apr 22, 2013 at 11:15 AM UTC
Cidade de Guimarães
Guimarães linda de morrer,
Portugal nasceu e te viu crescer,
Honra a nossos fundadores,
Vasos repletos de flores.
Pomposa, ai tua pureza que emana,
Sorris como a pequena açucena,
Senhora da Penha com emoção,
Guimarães tem nobre tradição.
A história te cantará sempre com excelsa gratidão,
És feita do amor e de nobre geração.
Deus te escolheu, Deus te santifica,
Guimarães terra santa, bendita.
Os olhares serenos se enlaçam em mim,
Horizontes sem nunca ter fim.
Guimarães cidade que nunca cede,
Afonso Henriques, Batalha de S. Mamede.
Guimarães, 20 de Março de 2009
Victor Marques
Dec 10, 2009
Dec 10, 2009 at 10:22 PM UTC
tenho saudades do teu gemer
no meu lóbulo interior
da tua pequena malvadez
e do teu mordaz sorrir
sim
esse que te faz sentir
um vil querer
uma vontade de me ter
dentro do teu mais profundo ser
minha diva do prazer
Jul 15, 2015
Jul 15, 2015 at 5:55 AM UTC
Alice, Alice
Sempre reclamava alice:
-Como não me amar?
-Porque ter de ir embora?
-Posso eu ser pequena por fora e grande por dentro?
Pare de perguntas alice, me disseram que você andava feliz..
- Sim, eu andava, mas ele me fez encolher de novo
Ah minha querida, isso é passageiro, já já vem outro e você crescerá e
sua alma se elevará.
- Como tens certeza disso?
Ja te disse Alice, não perguntes, apenas acredite.
- Acredite, acredite.... Que frieza minha, achar que seria só meu.
- Como pude querer possessão?
Fácil, foi o ego, ele não iria suportar o fato concreto da perda,
então, se colocou a frente, fazendo-a acreditar que se a possessão não
existisse você iria por água a baixo ou melhor dizendo, por buraco abaixo, mas entenda minha querida alice, que....
A alma flutua, e se estivermos na direção errada
ela irá se afundar,como se estivesse caindo num fundo buraco,
só que enquanto você cai vai percebendo que quanto mais ela naufraga,
mais ela emerge,e continua flutuando, como num equilíbrio poético,
sem ter direção,sem ser julgada como errada ou certa, pois a vida é igual a chuva, ela cai e continua caindo, mas como num ciclo ela evapora e se transforma , se renovando, se equilibrando.
Oct 1, 2014
Oct 1, 2014 at 10:51 PM UTC
Neste lugar azul, coberto de céu e rodeado de mar, onde surgiu a vida de tantos seres e de tantas outras coisas que a nossa mente tanta dificuldade têm em perceber.
Neste lugar que Deus nos deu, cedo percebemos que aquilo que nos foi dano e que é nosso, se partilha, nos é dado vendido e cobiçado.
Neste lugar, existem tantas coisas, mas tantas coisas, umas que se vêm, outras que se sentem, outras que se ouvem e outras tantas que se cheiram e saboreiam, que quanto mais vamos vivendo com elas, melhor as identificamos e melhor as deveríamos perceber.
No entanto, existe o Homem, que se julga um Deus, que pouco ou nada sabe, nem sempre sente e se comove com o que este lugar maravilhoso que agora é fusco nos dá e nós tão bem desperdiçamos.
Aquilo que o homem não entende, não é de fácil aceitação, e em vez de percepcionar o que os ensinamentos dos tempos nos deixaram, idiotamente questiona tudo, todos e qualquer coisa que sua mente pequena não enxerga.
O caminho da perdição normalmente apresenta-se como o mais fácil, em qualquer coisa que o mundo tenha mas nem sempre é o destino certo que a história poderia deixar.
As coisas não têm de ser obrigatoriamente belas, e este lugar não é conto de Cinderellas, é qualquer coisa que temos de ver, que temos de passar, sentir a vitória e a dificuldade, o ser filho e depois ser pai e quando mais vamos sabendo, ao invés de sermos mais fortes e capazes a fragilidade da idade chega e nos mostra a realidade em cada dia e a cada hora. Ai o sonho se torna real, perceptível e a esperança se agarra ao nosso olhar.
Autor: António Benigno
Código de autor: 2017081421450108
Aug 14, 2017
Aug 14, 2017 at 5:02 PM UTC
Um broto de rosa
Jovens que se esbarram no calçadão
Um pequeno caule e sua folha
E os batimentos de dois, á um coraçao
Uma pequena muda
Dois meses sem separação
O surgimento de uma delicada e fechada rosa
Dois amantes em procissão
Passam as petalas e se abre a flor
Mais sorrisos e menos dor
E o cheiro doce demais, rosa demais, perfeito demais
Traiçai, desapego, sem paixao
O amor, já acabou, como um fruto que estraga ou como endurece o pão
A rosa, já seca, jogada no chão
Mar 17, 2015
Mar 17, 2015 at 10:19 PM UTC
E lá vai ela de novo.
Consegues ver assim tão longe?
Aquela forma pequena e dourada.
Dourada em sua coroa de raios solares.
Ela flui,
Como água em rio,
Como o vento nas campinas por onde passa.
De suas mãos escorrem as cores,
As quentes, as frias
as calmas, as desbotadas.
Todas vivas,
Respirando e vibrando.
Formando o invisível,
Aquilo que parece nascer pela primeira vez diante dos olhos,
Mas que na verdade
Está renascendo,
Pois sua forma já existia,
É só agora que as cores o preenchiam.
Mar 19, 2017
Mar 19, 2017 at 10:58 PM UTC
Os dias acabam e a noite chega,
Acendo a minha pequena lanterna
Chamada consciência,
Com a minha solidão eterna.
A noite tranquiliza-me,
Meio mundo está a dormir
Sinónimo que está a progredir.
Durante o meu sonho
Nao existe gravidade
Posso voar, pecar ,
Ninguém estará lá para me julgar.
A madrugada costuma alimentar-se das minhas insónias,
Não me importo pois ao fim da noite encontro a aurora,
Nela encontro a minha esperança além da paranóia,
Perco o sono, levanto me, dou a volta ao mundo sem demora.
O meu quarto escuro,
Com o passar das horas
Cria um clima soturno.
É nesse ambiente que travo os meus duelos
Batalhando sob o admirável céu noturno
Mudando o rumo dos asteróides,
Faço os explodir
Apenas para alimentar esta alma nervosa,
Corro pelos anéis de Saturno
Escorrego no gelo e saio disparado pelo universo,
Enquanto gravito escrevo versos,
Sobre os mares, continentes
E formas de vida criadas na Terra.
Mas a minha mente envolvida por aquele espaço
É curiosa e faz me espreitar,
Procuro algo fantástico impossível de imaginar,
Infelizmente acordo e reparo que estava apenas a sonhar.
Dormir tornou-se um luxo,
Que raramente consigo suportar
Mas sem ele o meu pensamento fica turvo
Turvo de desencanto e claro de paixão,
Tão desorganizado como esta selva de betão.
Faz me desejar emigrar para ilhas de utopia,
Praias de naufragio onde Beethovem escreveu
Sonata ao luar á sua amada companhia..
Conheço-me, durante a noite aprendi a navegar
Tomo as minhas decisões depos d'agitaçao parar,
E sobre elas costumo meditar
Enumeros conflitos tento solucionar.
Quando tenho o corpo e a mente unidos
No unico tempo que interessa, o presente,
Foco me na respiraçao até que,
Subitamente uma decisão aparece,
Na minha totalidade transcendo-me
E vivo sem arrependimentos
Estando no presente,
Não me lamento do passado,
Não preparo o futuro ,
Apenas vivo no unico tempo existente,
Tudo o resto é a minha mente, que mente,
exageradamente.
Apr 11, 2018
Apr 11, 2018 at 2:47 PM UTC
Olhava para as mais belas rosas,
Todas pareciam formosas...
Vi alguns cravos brancos e avermelhados,
Em campos vadios sem ser semeados...
Parece que o amor nasce no horizonte,
Gazelas bebem numa pequena fonte,
Ao acaso e sem pedir nada a alguém,
Olhar uma água de ninguém.
O amor parece o universo do bem,
Vai embora sem dizer a sua mãe,
Eu já tive amor sem o perceber,
Olhei para o livro sem letras para ler...
Ai enamorados seres que se perdem com o amor,
Confissões feitas a nosso Deus e Senhor,
Nas mais belas estrelas do universo,
Vi lençóis brancos em verso …
Victor Marques
Sep 5, 2018
Sep 5, 2018 at 1:44 PM UTC
Acordo com passarinhos a chilrear,
Me vejo com ondas e sua espuma,
Agradeço tudo sem mágoa alguma,
O céu está azulinho e
Esbranquiçado,
Acordar com o presente, futuro e passado,
Acordar, acordar, acordar...
Acordo com amor por Deus santificado,
Me elevo com nobreza pura e grata,
Universo que nos rege e por vezes maltrata,
Ousadia de dormir
Num campo nunca semeado.
Gritar ao mundo por paz-e-amor,
Sentir teu cheiro primaveril de pequena
Flor.
Acordar todos os dias com vontade de dar e agradecer,
Amar tudo com alma de bem querer,
Parece que sou música, poesia, fado,
Acordar com serenidade e tempo para mim,
Acordar com tudo com amor bem amado,
Espírito de Deus me ama muito assim,
Seja na terra o paraíso de acordar em harmonia,
Por isso Deus nos ofereceu a noite, mas não se esqueceu do dia...
Acordar com amor, por amor
Victor Marques
Feb 23, 2022
Feb 23, 2022 at 6:45 AM UTC
se chegar perto demais pode ser que você veja a cicatriz no meu rosto de quando eu era pequena e gostava de pular em cacos de vidro porque achava tão bonito ver o brilho dos caquinhos verdes contra a luz do sol
se chegar perto demais pode ser que você veja a pintinha que tenho no meu rosto e que odeio porque é a mesma da minha mãe e eu não gosto de ter nada dela em mim
pode ser que veja uma menina sentada no canto da sala enfiada em um livro fingindo nao escutar os gritos que derrubavam as paredes
se chegar muito perto pode achar a adolescente que transava com os caras mais velhos da escola na tentativa de realocar os proprios caquinhos com sangue
se chegar muito perto pode ser que descubra que ja pensei um milhão de vezes em envenenar um monte de gente da minha família
se chegar perto assim pertinho vai ver que é tudo encenação
e que na maioria das vezes
calculo tudo o que eu to fazendo
como se eu tivesse um roteiro o tempo todo em mãos
e quando eu danço de olhos fechados é porque eu tô me observando de fora e ditando o ritmo dos meus próprios pés
se chegar muito perto pode ser que veja
que eu não sou de verdade
que nem sequer existo
se chegar muito perto vai ver
dentro dos meus olhos preso na retina
o terror que eu tenho de ser descoberta
e por isso
mantenho distância
Oct 26, 2022
Oct 26, 2022 at 9:04 PM UTC
Quando eu era pequena, eu via a morte, com uma capa preta e uma foice, e uma expressão melancólica no rosto, sombria por vezes, de quem já havia levado muitas vidas.
O peso, em suas vestes, das almas corrompidas, que não queriam partir, o sangue da sua foice, onde também haviam lágrimas de quem ficava.
Com o tempo, eu passei a ter medo dela.
A vi como má.
Injusta.
Insensível.
“Como pôde Dona Morte, levar aqueles que eu amava?” Eu perguntava.
Mas a morte é só uma passagem.
Eu demorei a entender.
A aceitar.
É como se a Dona Morte fosse uma guia turística, que vem nos buscar rumo às nossas férias eternas.
Ela vem, nos despimos de qualquer bagagem, a passagem, é a nossa vida. Esse é o preço.
E então embarcamos no trem.
Rumo ao desconhecido.
Mas ao eterno.
Sep 28, 2018
Sep 28, 2018 at 10:31 PM UTC
Ninguém sabe como é vida
E como fosse uma pedra de argila
Pequena e frágil..
Ninguém sabe como é a vida
é como fosse um Tigre a procura de comida
é solitário e dominante...
Ninguém sabe como é a morte
é como fosse só vazio... não há preto nem branco
é como fosse só o "the end"
Feb 8, 2019
Feb 8, 2019 at 5:32 AM UTC
Peço desculpa pelos meus extremos.
Tenho tanta urgência em mim,
Tanto desespero,
Sei lá eu de quê.
Às vezes sinto-me sufocada dentro de mim mesma,
às vezes tenho duas mãos à volta do pescoço
e nem penso em me debater para as retirar.
Sempre fui um pouco masoquista, sempre consegui encontrar na
dor uma forma de a admirar.
São sensações que aparecem subitamente,
sinto o meu corpo a entrar numa agressiva combustão
que me arde em todo o lado e, logo depois, se esvanece
num grito calado.
E de repente,
Fico demasiado pequena
Para aguentar o calor da minha própria erupção.
E esta alma inquieta luta,
Protesta,
Escraviza-me,
Nem sequer me escuta,
Só arranha as paredes dentro de mim
À procura duma fenda por onde se escapar.
Mas porque me quer ela abandonar?!
Eu sei, e quero deixá-la ir!
Para a roda da fortuna que a veio seduzir, para o penhasco de onde
ela se quer mandar.
Sem sequer se questionar se terá uma rede por baixo que a vá
amparar.
Sempre fui assim, muita emoção e pouca razão.
Impulsiva, selvagem, bruta, desmedida,
em todos os assuntos que se relacionam com o coração.
“C(ALMA)”…grito-lhe de volta.
E afinal, ela ouve,
Mas não quer saber.
Às vezes dou por mim a chorar
Sem me aperceber de como comecei
E sem qualquer noção
De como irei parar.
Às vezes sinto a sua dor,
E choro com ela,
Enquanto ela me implora por uma última dança
Contigo.
Enquanto eu lhe imploro
Algo muito semelhante.
Algo que se assemelhe a um porto de abrigo.
MAS CALMA NA ALMA!
Dobra os extremos
Junta-os num ponto não tão distante.
E assim, bailemos,
Sem fazer do amor um bailado agoniante.
Pois só no meio termo é que se dança bem quando pretendes dançar com uma acompanhante.
Mar 7, 2022
Mar 7, 2022 at 4:51 PM UTC
Ser objectivo padece de subjetividade ,
Existe ser ser noutra dimensão e realidade.
Ser que tudo engloba na sua existência,
Sorriso do ser inocente de criança.
Ser que acredita no poder de existir,
Vivendo na pureza do ser do meu sentir.
O poder de existir é o poder do ser,
Na vida, na essência de no ser se perder.
Para ser ser temos de ter identidade,
Não ser demagogia, ser verdade.
Somos sujeito ser, somos predicado
Fruto do presente, ser futuro, passado.
Ser ser e existir na memória de quem te ama,
Existir sendo ser sob esta forma grande e pequena.
Ser ser sobre a nobreza das ondas de calor,
Existir na sombra de meu ser, sendo céu, terra, mar e amor.
Ser fraco é pedir ajuda sendo ser também,
Existir para ser conforto para alguém,
Ser deve ser com ternura,saudade no horizonte que sempre vem.
Deixa o ser ser da vida, do mundo e de mais ninguém.
Ser, ser, existir
Jun 22, 2023
Jun 22, 2023 at 3:30 PM UTC
"Oi!"
Ele me disse, com os olhos cheios de água...
"Quanto tempo não?!
Eu pensei que você não voltava!"
Eu disfarcei,
pensei duas vezes no que dizer,
não nasci pra sofrer!
Por amor então que não.
E ficamos nessa pequena caixa de texto,
nesse pequeno diálogo...
Passaram-se os anos, 20...
Ele se casou,
Teve filhos,
Morreu.
Eu fui ao seu enterro.
Eu não me casei, nem tive filhos,
nem sofri.
Nem amei.
Mas ah o amor, é só sofrimento...
Eu não nasci pra sofrer,
Ainda mais por amor.
Jun 30, 2017
Jun 30, 2017 at 7:51 AM UTC
quando pequena observava as feridas em meus joelhos
e me perguntava se a dor do peito também poderia se curar
porque eu sabia muito bem
que além do peso que eu carregava nas pequenas costas
eu era também uma ferida aberta que doía
no peito de uma mulher
e por vezes me perguntava
se um dia
como uma casquinha de joelho
a mulher pesada iria
simplesmente
desaparecer
May 12, 2019
May 12, 2019 at 10:20 AM UTC