"parei" poems
O olhar silencioso
Junto ao mar eu parei,
Olhar no olhar eu deixei,
Ondas eu até sentia,
Sussurro de quem te conhecia.
Na boca doce perfeita,
Um sentimento apertado,
O Vento até se deita,
No olhar apaixonado.
O olhar até molhado, sentido,
Sorriso bom e querido,
Pestanejar sem ruído,
Olhar comprometido
Olhar de quem nada sabe,
Devaneio e desejo,
Olhar sem idade,
Silencio e um beijo.
Victor Marques
Jan 17, 2012
Jan 17, 2012 at 1:01 PM UTC
Fecha-se assim hoje mesmo, uma etapa longa e dura,
E agora sim, estou absolutamente são e convicto nos dizeres,
Compreendo toda esta longa etapa, até esta arquitectura
Não parei nem desisti, estou aqui para comigo viveres!
Preocupei-me cedo em ser puro, não com o não ser duro,
Meus gestos e minhas acções, são neutras e consequentes,
Penetrar no intimo das questões, levou-me ao cremadouro,
Não julgo gentes, nem compro amizades, das conscientes!
De que agora tenho ou não tenho saudades e recordações,
São dos carinhos destas gentes que são o que eu sentia,
Nas longas viagens me perdia de saudade e desvanecia,
Mas sempre as forças, na tortura, me levaram as ilusões!
Como tantos e outros jovens, jogando nesta vida de loucura,
Tantas vezes por eles e outras quantas por mim, eu aprendi,
Vi, suei e chorei, por tudo que passei e eu nunca me prendi,
Segurei sempre firme, o touro nos seus cornos, na aventura!
Propus-me porém a arriscar valores de gentes menos crentes,
Quando o mestre e sábio pai, me dizia olhando eu minha mãe,
Sempre esperaram para ver o que eu via, e preocupações além,
E ao encontro de tudo que diziam, eu fazia as asneiras constantes!
Eis que um dia, chorei de dor e o calor do lar, que nunca me abandonou,
Me trouxe de novo nas origens e aqui encontrei os valores, que bisquei,
Aposto-os agora a cada dia, quando a ti, também te encontrei, o amor começou,
Tudo que diziam meus pais e eu afirmava como inexistente, agora, mel, petisquei!
Autor: António Benigno
Código de autor: 2013.08.30.02.18
Aug 30, 2013
Aug 30, 2013 at 5:56 AM UTC
Me vi parada, sem conseguir andar
Encalhada em um momento do tempo em que não conseguia, mesmo que tentasse, prosseguir ou retornar.
Parei.
Não por escolha, não por desejo
Eu precisei parar
Aquele momento em que voce está meio perdido,
Meio lá meio cá
E praticamente pela primeira vez sem interferencia, voce pode observar sua vida como um todo
O que foi aquilo?
O que e por que havia feito?
Quem eram aqueles?
Por que não estão aqui?
O que será daqui para frente?
Continuaremos juntos?
Perderemos tudo?
E nessa chatice de pensamentos percebemos que talvez nem tudo seja discutível
Mas tudo podendo, com a possibilidade de ser vivido
Se tornar inesquecível
Mar 17, 2015
Mar 17, 2015 at 10:11 PM UTC
Mais uma vez.
E eu ainda não sei,
Porque parei pra te dar atenção.
Se o que eu queria,
Era outro coração,
Que mesmo sabendo não poder ter,
Eu desejei.
Mais não se espante não,
Se eu não tiver paciência pra esperar,
Você se sentir seguro.
E nenhuma atenção te dar,
É que eu já fui doce demais,
E a última coisa que quero é lembrar.
Dec 6, 2013
Dec 6, 2013 at 6:20 AM UTC
decidi abandonar o hábito de me privar. me privar das coisas que dizem com os olhos que não sou capaz. que não sei.
mas preciso começar de algum jeito pra daí saber.
então eu cansei de sentir vergonha, vesti meu segundo par de óculos e tratei de começar a escrever.
de qualquer jeito, sem compromisso, só pra tirar o peso que possui um aspecto cimentado, nada leve.
e fui alto. bem alto.
ainda sozinha mas fui alto. comigo mesma.
e antes eu só pintava com os dedos.
decidi então comprar pincéis.
depois parei.
agora desenho com caneta e papel. e se for pra comparar, eu não sei desenhar. mas sei pintar linhas.
e essas linhas me parecem lindas. e eu gosto delas.
e foi assim que eu comecei a fazer meus pedaços de arte.
eles são feios, mas também são lindos.
Jan 19, 2018
Jan 19, 2018 at 8:29 PM UTC
Acho curioso como, só na língua portuguesa, existem mais de 450 000 palavras e, é impossível manter uma conta exata porque todos os dias são criadas palavras novas.
E por muitas palavras que se tenham criado ao longo da existência da linguagem verbal, muitas das vezes, continuam a ser todas insuficientes para nos expressarmos, para chegarmos ao outro, para que ele nos entenda ou àquilo que tentamos transmitir. Curioso, não é? Nem sempre a abundância serve de muito se não soubermos como a repartir.
Há coisas que não podem ser escritas…Descritas…Mas é tão bonito tentar!
Há coisas que nasceram para serem faladas, outras para serem simplesmente observadas, outras para serem sentidas, outras para serem ignoradas…Mas há sempre muito mais, muito mais para além do que se vê e do que se pode compreender.
Quantas mais palavras me passam pela cabeça, menos vontade tenho de as escrever. Quanto mais enrolada estiver no meio das emoções, menos vontade tenho de falar sobre elas.
Não acredito que algum dia se possa ter dito tudo, há sempre mais, muito mais.
Mas às vezes, parece que não há nada mais a escrever ou a comunicar. (Mas quem estou eu a tentar enganar?!)
A escrita é só outro abrigo para onde fujo da vida. Um bom abrigo, sim, mas o que acontece quando não quero fugir da vida e sim entrar nela de cabeça?
Ora, aí fujo da escrita!
Talvez seja nesses mesmos momentos em que não consigo escrever nada. Como se não me lembrasse de uma única palavra entre as 450 000 existentes. Nos momentos em que mais quero saltar para a vida, agarrá-la e abraçá-la, senti-la simplesmente, como se nunca me tivessem ensinado o que são as palavras e como as posso utilizar. Há momentos em que não sinto que as precise de usar, então, abro o caderno, olha para a página em branco e, fico só a contemplar.
Neste momento, parei de perseguir a vida para a poder vir escrever, porque tenho sempre algo mais que quero dizer. E curioso, há muito mais em mim que se pode ler sem ter de carregar o peso de uma única palavra.
Há uma linguagem secreta entendida por toda a gente, uma linguagem universal e paciente, mas só pode ser compreendida no silêncio, na beleza do olhar, em duas mãos entrelaçadas ou entre lábios que se estão prestes a beijar.
Mar 9, 2022
Mar 9, 2022 at 9:53 AM UTC
no início você me beijava tão suave
para abrir esse portão só você tinha a chave
e mesmo possuindo o meu coração
você fez eu perder a respiração
não estou falando de alegria
várias vezes foi você quem me magoou
até que a chave se quebrou
eu parei de me iludir
a única coisa que eu quero agora é fugir
e saiba que a porta do meu coração
para você nunca mais irá se abrir
- gio, 2018

Mar 26, 2020
Mar 26, 2020 at 12:29 PM UTC