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"levar" poems
O ar desapareceu dos meus pulmões O tempo parou naquele momento e eu me vi em queda infinita Dentro de um planeta que não tem chão Dentro de um sentimento sem previsão Eu corri, e quando senti seus braços, a temperatura derrepente ja passava dos mil Não contei e nem tive tempo antes que o vento daquela imensa mancha vermelha me levasse consigo Não há foguete que conseguiria me buscar Eu não me importaria de chegar ao núcleo nem mesmo de ser esmagada pela pressão Então eu suplico, deixe Jupiter me levar
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Feb 3, 2022
Feb 3, 2022 at 10:48 PM UTC
Jupiter, meu primeiro amor
Salpicar o teu rosto com farinha, enquanto preparassemos juntos o teu bolo favorito Dar-te os beijos que me apetecesse, com os olhos, sempre que estivesses distraido a apreciar o "flowering tea", que te desse a escolher Sentar-me no teu colo e ver-te desenhar Fazer de ti a manta que me aconchega, entrelaçar os meus dedos nos teus e ver um filme até adormecer Levar-te o pequeno almoço à cama e acordar-te com um beijo de bom dia. Ser... a única a conseguir te arrancar aquele sorriso nos piores momentos... a bateria desenfreada a bater dentro do teu peito... a tua melhor amiga... quem faz valer cada acordar teu. Que fosses a excepção que acreditei que eras, o porto seguro por quem vale a pena esperar para partilhar a vida. Por ti... por nós... mudei, ignorei medos e arrisquei... Não deste valor... desacreditei.
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Feb 27, 2017
Feb 27, 2017 at 5:03 PM UTC
Era isto ∞
na primeira noite eram estranhas. disformes, distantes, extremamente presentes na sua tão triste ausência. doeram-me todas as entranhas do corpo. pela memória e pelo presente. agora, volvidos 3 dias volto a olhá-las. já consigo olhá-las, auxiliá-las e já não me estão distantes. agora são companheiras de luta. algumas lutas mais leais que outras bem se sabe, mas ainda assim resistentes no seu silêncio. o cheiro já me acolhe e todos os muitos sons que me circundam, conseguem agora embalar-me e levar-me num sono tranquilo. estou perto dos 28. já não sou miúda, agora sei-o e mais sério, sinto-o. ainda não sei que mulher sou, e como vou crescer a partir daqui. há vários ajustes, estou muito irrequieta com o que vou fazer. penso demasiado na pessoa que quero construir a partir daqui. é como se tivesse acabado de nascer mas já a saber falar, andar e pensar - oh, penso tanto… tenho de me permitir aprender e cair, chorar aos primeiros dentes. mas a miúda deixa-me orgulhosa. gostei de ti andreia pequena, feliz, divertida e curiosa. gostei da tua coragem e da tua força. até do teu nariz empertigado. choro ao teu enterro, comovida pelo orgulho que te sinto e pelas saudades que me vais trazer. a tua inocência guarda-la-ei como o meu mais precioso tesouro, e a ela recorrerei quando me vacilar a certeza. crescer é de uma dureza atroz. o passado vejo-o enevoado, lamacento de muito difícil definição. no entanto o futuro é um abismo. dá-me vertigens querer espreitá-lo. mesmo quando coloco apenas os olhos, como se me escondesse dele mesmo. de mim mesma, dessa andreia que serei. como se não quisesse que ela me apanhasse a espiá-la a ver-lhe os movimentos, para que os usasse ou os julgasse de ante mão. aqui estou, numa cama de hospital. viva e livre de qualquer mal. (mal maior pelo menos). e esta andreia do presente, esta nova-mulher, tem muito medo. muito medo de falhar, muito medo de não ser tão feliz quanto a miúda foi.
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Feb 7, 2013
Feb 7, 2013 at 5:15 AM UTC
adeus miúda
na primeira noite eram estranhas. disformes, distantes, extremamente presentes na sua tão triste ausência. doeram-me todas as entranhas do corpo. pela memória e pelo presente. agora, volvidos 3 dias volto a olhá-las. já consigo olhá-las, auxiliá-las e já não me estão distantes. agora são companheiras de luta. algumas lutas mais leais que outras bem se sabe, mas ainda assim resistentes no seu silêncio. o cheiro já me acolhe e todos os muitos sons que me circundam, conseguem agora embalar-me e levar-me num sono tranquilo. estou perto dos 28. já não sou miúda, agora sei-o e mais sério, sinto-o. ainda não sei que mulher sou, e como vou crescer a partir daqui. há vários ajustes, estou muito irrequieta com o que vou fazer. penso demasiado na pessoa que quero construir a partir daqui. é como se tivesse acabado de nascer mas já a saber falar, andar e pensar - oh, penso tanto… tenho de me permitir aprender e cair, chorar aos primeiros dentes. mas a miúda deixa-me orgulhosa. gostei de ti andreia pequena, feliz, divertida e curiosa. gostei da tua coragem e da tua força. até do teu nariz empertigado. choro ao teu enterro, comovida pelo orgulho que te sinto e pelas saudades que me vais trazer. a tua inocência guarda-la-ei como o meu mais precioso tesouro, e a ela recorrerei quando me vacilar a certeza. crescer é de uma dureza atroz. o passado vejo-o enevoado, lamacento de muito difícil definição. no entanto o futuro é um abismo. dá-me vertigens querer espreitá-lo. mesmo quando coloco apenas os olhos, como se me escondesse dele mesmo. de mim mesma, dessa andreia que serei. como se não quisesse que ela me apanhasse a espiá-la a ver-lhe os movimentos, para que os usasse ou os julgasse de ante mão. aqui estou, numa cama de hospital. viva e livre de qualquer mal. (mal maior pelo menos). e esta andreia do presente, esta nova-mulher, tem muito medo. muito medo de falhar, muito medo de não ser tão feliz quanto a miúda foi.
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O desenho inscrito sobe a forma de sinais, Que percorrem o mapa secreto desse corpo, Onde no olhar se vêm certezas divinais, Mais secreto é saber que alimentas o meu horto! O dilema repleto de infindáveis caminhos, Onde a escuridão que existira se esfumou, Nossos dizeres tornam-se atos e miminhos, Essas dúvidas são claras e o tempo levou! Como tu eu sinto que o melhor é mesmo acreditar, Soltar-me no vento e explorar o sentimento quente, Que chegou recheado de sonhos e contornos de cativar, É porém o desenho do teu rosto que guardo tão presente! Presente tão bom, presente que Deus me enviou no caminho, Posso mesmo confiar que tenho vontade de ir pela avenida, Nem tão pouco, nem tão perto a luz do fundo eu imagino, Mas o alimento que trouxeste e que a ti vai deixando com vida! Segue nas minhas veias na esperança de te poder hoje e sempre olhar, Apertar-te nos braços e encontrar o meu, em tempos já distante Norte, E hoje aperto em minha mão a bússola que me trouxeste em passaporte, Para o vão da felicidade, de que hoje quero acreditar, e comigo, a ti levar! Autor: António Benigno Para ti Lili…
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Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 9:58 AM UTC
Esse sinal que é teu
De que cor sopra hoje o teu vento e que sol o faz voar, Quais os caprichos do teu tempo que desdenham ao luar, Qual a cor das tuas pétalas que ao rubro quero provar, Um sabor e uma lembrança pra sempre eu vou recordar! Foi no brilho dos teus olhos e na tristeza do teu olhar, Foi as formas da tua face que me acolheram o despertar, Tantas outras tantas de voltas eu te quero a ti reencontrar, Provar de novo os teus beijos doces e me poder deliciar! Ouro fino cor de cetim para te cobrir e levar ao pé do mar, Jogar na areia todas as lembranças e poder ali te abraçar, Dar um aperto louco, quente e mouco no silêncio a te amar, Viver de novos todas as caricias dadas e poder fervilhar! Como eu voou de novo nos meus sonhos a te ver voar, Como me entrego na loucura que se apoderou como colar, Me dá voltas nas voltas mas me segura não vai estrangular, É preciso apenas acreditar que nada foi em vão e vai voltar! As saudades frescas a vontade mais forte de te vir a poder amar, Sejam esses os caminhos de dois seres que acreditaram nesse amar, Uma febre fresca, um alívio doce, um jeito sem força, apenas te amar! Autor: António Benigno Pelos caminhos do tempo pelas vontades do vento apenas gestos e palavras certas!
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Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:02 AM UTC
Se hoje o céu é cinzento
Não é hoje o momento de escrever coisas bonitas, Nem é hoje o dia de cair no sofrimento, Não é hora, hoje de te trazer as cavalitas, Hoje é dia de procurar novo alento! É agora que decidi viver intensamente, Pois agora mesmo descobri que respiro, Que o sufoco que ficou, partiu arduamente, E luz se colocou diante do agulheiro! É agora a hora de decidir se ficar ou partir, É hora de mudar a trajectória deste trem, Que me conduz à viagem, vou-me divertir, Quando olhar em frente e levar outro alguém! Alguém existe de verdade, não é fantasia, E este, novo destino que quero perseguir, Faz-me feliz, como tinto de malvasia, Colorido, e aromaticamente de distinguir! Nem consigo olhar para trás ver o que restou, Nem quero repensar e mudar o que falhou, Porque eu acredito que de nada que me calhou, O importante é que para ti nunca estou! Autor: António Benigno Objectivo, de animar quem fantasiou!
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Sep 11, 2013
Sep 11, 2013 at 9:17 AM UTC
Rosa negra
Sinto que eu posso pegar na viagem e levar comigo, Porque ela fica sempre junto de minhas recordações, Os teus olhos de lince fulminaram minhas emoções, Tua paciente espera preencheu meus espaços contigo! Acreditaste nas lágrimas quando quase desesperaste, Por aqui, o vazio era cada vez mais imenso e gaguejante, Também eu chorei que aparecesses e tu, meu amor vieste Foi longa a ilustre espera, mas eis que um dia tu apareceste! O que eu previa nos contos de fados era apenas fantasia, Escrita em livros como cativação de atenção da mordomia, De corações que como o meu e teu, viviam sem demasia, E hoje a quantidade que não cabia se descobriu anatomia! As nossas funções vitais estão em alerta e tão receptivas, Funcionam como correntes do mar que dão e recebem vida, O ar que inspiramos, traz e leva a galhardia, sem a dúvida, Porque hoje o sonho que era o nosso são mais perspectivas! As perspectivas se dissipem e surjam aquelas coisas alusivas, Ao que nos livros é tão igual afinal ao interior destes corações, Meu e teu, é tão nosso, como odor que se uniu nessas emoções, Descobri simples complexos e minha viaje, que tu sempre vivas! Autor: António Benigno Código de autor: 2013.08.07.02.15
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Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:03 AM UTC
Hoje peguei na viagem
Esperava docemente uma brisa de ar quente, Peguei-te na mão e levei-te, tirei-te os pés do solo, Aproveitei e senti o teu cheiro suave e fluente, Admiração vinda dos teus olhos, em mim ao colo! Levar-te-ei sempre comigo, seja qual for teu peso, Nem que sejas leve como passarinho livre de dor, Nem que teu fardo seja tão pesado, duro e coeso, Minhas forças se unirão, confortando-te de amor! Serenamente provar-te-ei um dia mais distante, Contemplando teus cabelos brancos grisalhos, Vendo tuas rugas da cara e das mãos, ofegante, Beijando-te a alma e o chão sobre teus olhos! Um gostar, amar, suspiro de amigo e de amado, Serei sempre companheiro, do teu movimento, Adepto cativado, pela tua voz e teu ar atento, Seriam dúzias de verdades, de amor adequado! Que nunca precises de um beijo e não te dê dois, Que nunca te faça bem rir e eu te não conte piada, Seja a noite de abraços e os dias verdes logo depois, Seja o vento numa tarde de calor, refresco, amada! Autor: António Benigno Código de autor: 2013.08.13.02.16
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Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:02 AM UTC
Te desejo hoje e agora
Feliz és tu, vento que teu cheiro pode sentir atravessar o seu manto sem medo de se apaixonar; Feliz és tu, vento que pode a observar admirar o seu encanto sem medo de se apaixonar; Feliz és tu, vento que pode teu movimento sentir apreciar o teu beijo sem medo de se apaixonar; Feliz és tu, vento que sua voz pode ouvir aprender o teu assovio sem medo de se apaixonar; Feliz és tu, vento que tudo pode experimentar se deixar levar pelo seu gosto sem medo de se apaixonar; Mas no final, sou eu quem sou feliz por ter alguém para me apaixonar por ser humano e saber que para sempre, sempre irei amar.
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Sep 17, 2015
Sep 17, 2015 at 6:58 PM UTC
Sentimentos ao Vento
Você me deu tantos sustos Que agora a realidade parece confusa E eu não sei o que sentir É uma angústia, um novelo de lã que usavas para tricotar minhas toucas Enforcando meu peito. Teu amor me aquece nesse inverno tão gelado E a única promessa que te garanto é de sempre levar meus casacos Pois sei que deu que fará frio na televisão. A lembrança do teu toque e cheiro são tão vividos Será que irão embora contigo com o tempo? Ou ao menos isso deixarás para mim? Tem um potinho do teu molho de macarrão no congelador E tantas fotos suas com um grande sorriso nos álbuns lá da sala de casa Não consigo acabar esse poema As forças que tinha usei tentando colocar o pé fora de casa Acabaram nos meus olhos vislumbrando a janela. Vi um mundo vivendo Pessoas passando igual a antes Seguindo em frente E ninguém está de preto. Ninguém chora. Ninguém sente o que eu sinto. Porque não te conheceram Aí dessas pessoas infelizes Que não provaram do teu carinho Do teu amor Aí dessas pessoas infelizes que vivem e passam Enquanto eu não aguento viver nesse mundo sem você. As lágrimas me consomem E eu nem tenho mais lágrimas para chorar.
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Dec 2, 2016
Dec 2, 2016 at 7:24 AM UTC
Luto Para Viver Mais um Dia
Quero ver o ano acabar, E levar tudo de ruim que eu tenho aqui, Dentro do meu peito. Quero ver o ano acabar, E outro nascer, E me encher de esperança, mais uma vez. Quero ver o ano acabar, Pra ter motivos pra chorar, Por tudo que foi embora. Quero ver o ano acabar, Para lamentar. Na verdade quem deveria acabar, sou eu.
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Oct 12, 2012
Oct 12, 2012 at 7:05 PM UTC
Quero ver o ano acabar
Uma caneta na mão, Uma lágrima no rosto, Só me restou o desgosto, De te ver morrendo. Não, eu não entendo, Como cheguei aqui, Se terei que partir, Pra não deixar me levar pelo vento. Não sei se ainda há tempo. E mesmo assim não me rendo, Nem a você, Nem a seu amor que está me corroendo.
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Jul 15, 2013
Jul 15, 2013 at 10:53 AM UTC
Não me rendo
Eu não sei, mas eu sinto que meus pés encontraram um rumo, E esse é meu sinal de partida, Mesmo eu não indo tão longe, Eu vou acabar te deixando pra trás, Mas eu não sei, se mesmo assim, Tudo vai continuar, E eu fiz tanta loucura, pra estar com você, Sem saber, que iria te deixar sem mágoa, Eu fiz tudo que podia ter feito, E acordei preparando minha mala, E acordei deixando me levar, Pelo vento, e pela água do mar.
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Sep 18, 2013
Sep 18, 2013 at 4:41 AM UTC
Untitled
Vai me demorar um pouco para me acostumar a viver Para tentar pensar em esquecer Para que essas feridas talvez comecem a cicatrizar Para que o tempo para de ruir Para que passe essa necessidade de me esconder Já sem laços que me predeem aqui Já nem sei mais o porque estou nesse lugar Só mais um dia, mais um cigarro, mais um segundo Não para me preparar Mas para o acaso me abrigar Para que ele entregue um pouco de você a mim Ou que um pouco de mim voe até você E assim que vejo o quão distante tu é de mim O desespero me faz pensar Em preparar e apontar, algumas chegaram até em disparar E apenas levar tudo que é meu Talvez seja muito melhor assim Deveria deixar o tempo te acompanhar Minha a falta da minha presença para ti talvez seja um favor Mas para mim a tua é o meu maior pavor
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Oct 29, 2015
Oct 29, 2015 at 6:00 PM UTC
Untitled
Sonhar um sonho impossível levar a tristeza da partida escaldar de uma possível febre partir para onde ninguém parte amar até amar, mesmo demasiado, mesmo mal, tentar, sem forças e sem armadura, aguardar o céu pouco me importa as minhas chances pouco me importa o tempo ou a minha desesperança e depois lutar todos os dias sem questionar nem responder e amaldiçoar por agora uma palavra de amor eu não sei se serei esse herói mas o meu coração será tranquilo se as vilas se encherem de azul.
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Mar 1, 2014
Mar 1, 2014 at 3:42 PM UTC
sonho impossível
Na rua faz frio e sol de inverno. Gelam-me os pés e o coração, secam-me os lábios e os olhos. De visão turva, ano para onde o vento forte me levar, esperando que lá faça sol. De cabeça baixa, olho o céu nas poças de água na estrada. Não me atrevo a chorar, que as lágrimas congelam-me as maçãs do rosto. De mente atribulada, forço a tosse para fazer silêncio e sussurro: Partida. Largada. Fugida. E correm-me os pensamentos de uma ponta a outra. Correm para ver quem chega primeiro, quem merece a minha atenção. Mais rápidos que a própria sombra. Nem os vejo. Zangados, gritam-me. Gritam-me todos ao mesmo tempo e não percebo uma palavra. Fartos, cansam-se de gritar, mas agora também eu sinto cansaço. Cansam-me os olhos, cansam-me as pernas, cansam-me os pulmões e o coração. Espero que eles estejam felizes
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Mar 21, 2018
Mar 21, 2018 at 1:27 PM UTC
Partida. Largada. Fugida
Quando eu era pequena, eu via a morte, com uma capa preta e uma foice, e uma expressão melancólica no rosto, sombria por vezes, de quem já havia levado muitas vidas. O peso, em suas vestes, das almas corrompidas, que não queriam partir, o sangue da sua foice, onde também haviam lágrimas de quem ficava. Com o tempo, eu passei a ter medo dela. A vi como má. Injusta. Insensível. “Como pôde Dona Morte, levar aqueles que eu amava?” Eu perguntava. Mas a morte é só uma passagem. Eu demorei a entender. A aceitar. É como se a Dona Morte fosse uma guia turística, que vem nos buscar rumo às nossas férias eternas. Ela vem, nos despimos de qualquer bagagem, a passagem, é a nossa vida. Esse é o preço. E então embarcamos no trem. Rumo ao desconhecido. Mas ao eterno.
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Sep 28, 2018
Sep 28, 2018 at 10:31 PM UTC
A morte
E tu, ansiosa por te afogar, Foste apanhada na corrente Deste teu precioso mar. À superfície da água salgada, Onde te deixavas flutuar, Saíram das mais ínfimas profundezas Mil duzentos e sete braços Ansiosos por te abraçar. Envoltos num corpo inanimado, Não o deixaram recuar. Nunca mais deu à costa, Nem soube o que era respirar. Pois peso morto sempre naufraga E não há volta a dar. Mas há coisas que não têm peso E são mais difíceis de afundar... Descem, e logo voltam à tona   Como se estivessem a ressuscitar. Dizem que a mulher que lá entrou, Naquele tenebroso mar, Entrou criança   E foi feita sereia. Não sei o que lhes deu essa ideia, Talvez estejam obcecados com a mudança. Talvez pela forma como o seu corpo balança Por entre as ondas da maré cheia. Quem espera sempre alcança... Numa noite escura,   num silêncio de levar à loucura, Num céu envolto em trevas onde nem espreitava o luar... Avistaram uma sereia em pleno alto mar. Dizem que o seu canto, Simultaneamente belo e perigoso, Fazia qualquer homem desesperar. Como sou mulher, cética e descrente, Com olhar atento mas duvidoso, Nunca cheguei a acreditar.   Iludidos! Aqui está mais uma prova, Os homens são muito fáceis de enganar. Nem se aperceberam que eram gritos   Aquilo que se espalhava pelo ar, Os seus e o dela. O som do massacre com que ela os iria brindar. A única diferença é que os gritos da sereia Eram de puro prazer, E os gritos dos homens Eram de puro sofrer. A única diferença é que ela ia sobreviver, Para ver outro dia nascer,   Para ter mais uma história que escrever. Iludidos!   Não podem ver uma mulher que já não sabem pensar. E ela, inteligente, usa esse instinto contra eles,   para os convencer a mergulhar. Assim, num mar de tinta vermelha Habituara-se a sereia a nadar. A cada morte ria mais alto, “Tanta ignorância ali jaz a boiar”, E ria, como se os seus pulmões fossem estourar, Com uma ingenuidade encantadora   De quem não sabe que está a pecar. Dançava, louca e despreocupada, Por entre centenas de corpos desfeitos Que corriam na sua água, doce e salgada, Livre de amarras e preconceitos. Dizem que em noites de tempestade, Por entre o caos da trovoada, Ecoam os gritos de uma sereia Juntamente com a sua doce risada. “Não há homem neste mundo Capaz de me tocar Sem eu o petrificar. Ainda bem que os braços Que me envolveram, No fim de tudo, Foram os de uma deusa Chamada Mar”.
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Mar 12, 2022
Mar 12, 2022 at 8:55 AM UTC
Deusa do Mar
E tu, ansiosa por te afogar, Foste apanhada na corrente Deste teu precioso mar. À superfície da água salgada, Onde te deixavas flutuar, Saíram das mais ínfimas profundezas Mil duzentos e sete braços Ansiosos por te abraçar. Envoltos num corpo inanimado, Não o deixaram recuar. Nunca mais deu à costa, Nem soube o que era respirar. Pois peso morto sempre naufraga E não há volta a dar. Mas há coisas que não têm peso E são mais difíceis de afundar... Descem, e logo voltam à tona   Como se estivessem a ressuscitar. Dizem que a mulher que lá entrou, Naquele tenebroso mar, Entrou criança   E foi feita sereia. Não sei o que lhes deu essa ideia, Talvez estejam obcecados com a mudança. Talvez pela forma como o seu corpo balança Por entre as ondas da maré cheia. Quem espera sempre alcança... Numa noite escura,   num silêncio de levar à loucura, Num céu envolto em trevas onde nem espreitava o luar... Avistaram uma sereia em pleno alto mar. Dizem que o seu canto, Simultaneamente belo e perigoso, Fazia qualquer homem desesperar. Como sou mulher, cética e descrente, Com olhar atento mas duvidoso, Nunca cheguei a acreditar.   Iludidos! Aqui está mais uma prova, Os homens são muito fáceis de enganar. Nem se aperceberam que eram gritos   Aquilo que se espalhava pelo ar, Os seus e o dela. O som do massacre com que ela os iria brindar. A única diferença é que os gritos da sereia Eram de puro prazer, E os gritos dos homens Eram de puro sofrer. A única diferença é que ela ia sobreviver, Para ver outro dia nascer,   Para ter mais uma história que escrever. Iludidos!   Não podem ver uma mulher que já não sabem pensar. E ela, inteligente, usa esse instinto contra eles,   para os convencer a mergulhar. Assim, num mar de tinta vermelha Habituara-se a sereia a nadar. A cada morte ria mais alto, “Tanta ignorância ali jaz a boiar”, E ria, como se os seus pulmões fossem estourar, Com uma ingenuidade encantadora   De quem não sabe que está a pecar. Dançava, louca e despreocupada, Por entre centenas de corpos desfeitos Que corriam na sua água, doce e salgada, Livre de amarras e preconceitos. Dizem que em noites de tempestade, Por entre o caos da trovoada, Ecoam os gritos de uma sereia Juntamente com a sua doce risada. “Não há homem neste mundo Capaz de me tocar Sem eu o petrificar. Ainda bem que os braços Que me envolveram, No fim de tudo, Foram os de uma deusa Chamada Mar”.
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toda vez que ela levanta, ela cai. tais cansada? vive perguntando pra si mesma. pois a vida responde mais grossa que atendente mau humorado. não adianta chorar menininha, ninguém vai sentir pena dessas lágrimas que não aquietam. basta! cozinhe umas batatas, amasse-as e faça um purê. mas veja, amassa bem forte. com toda força que puderes. dizem - mas só dizem mesmo - que quanto mais forte mais dor e menos sofrimento. ficar pelos cantos da parede cantando não vai te levar nem pra frente nem pra trás. lamento informar meu anjo, é que não existe mesmo jeito. negócio é fingir que não vê. tuas mãos tão bem amarradas. sentes? dói, né? é pra doer mesmo. vais chorar de novo? uma pena. a garota tinha talento até, pena que não pode ficar pro café com biscoitos.
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Oct 25, 2017
Oct 25, 2017 at 4:55 PM UTC
decidi usar outra caneta pra ver se minhas palavras deslizam mais fácil
Arregaço as mangas largas e ensopadas Do mar bravo que as molhou, Volto para a areia,onde o sol Aquece os grãos, E fez acelerar o passo De quem por lá andou. Todas as manhãs,o mar traz ao de cima Espuma,algas e saudade. Corto as mangas da minha velha camisa Para ver se a água gelada não me adoece, E desajeitado, cortei a vaidade. Agora só molho os meus magros braços, E ao olhar para o mar vejo-te atrás de mim, A tentar puxar-me para a areia porque Na água, somos o espelho da saudade e de quem morre ao não saber pôr um fim. Resisto como resistem as pernas de um pescador na corrente do mar, Mas aflito e sem forças afogo-me, e deixo-me levar. Deixei a minha velha camisa na areia Para se me vieres ver, o meu cheiro possa contigo andar. Pode ser que na próxima maré O meu corpo ao de cima possa vir. Se estiveres na nossa praia Pode ser que te veja a sorrir.
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Jan 10, 2018
Jan 10, 2018 at 5:35 PM UTC
Brisa
Deixo de herança todos os pensamentos Perdidos ao luar, Escritos na página invisível da vida, Impossíveis de partilhar. Deixo de herança todas as garrafas, Que esvaziei e pousei à beira-mar, Com uma carta escondida lá dentro, Incógnita ainda por entregar. Deixo de herança todo o fumo, Que compulsivamente inalei Para tentar matar a doença Da qual nunca me curei. Deixo as pegadas na areia, Que rapidamente se apagaram. Marcas da efémera passagem dos seres Que por mim passaram. Deixo de herança o sol de inverno, Tão apreciado por toda a gente. Desejo que aqueça as almas frias, Que não deixe ninguém indiferente. Deixo de herança o incenso Que nunca acendi. Espalhado pela brisa, Como qualquer cheiro que senti. Deixo de herança toda a música E cada marca que deixou. Atenciosa companheira, Que tantas vezes me salvou. Deixo de herança o rio, No seu mesmo exato lugar. Lembrança eterna que existe um sítio seguro Para onde o desespero nos pode levar. Deixo de herança a pedra afiada, Que me esculpiram no lugar do coração. Memória da crueldade no olhar De quem a infância me roubou. Deixo ligadas as luzes da aldeia, Que me abrigaram no solitário berço. Agarro o impulso que me levou à procura De tudo o que ainda desconheço.    Deixo de herança em papel amarrotado, Algum sangue que derramei. Lágrimas, cicatrizes e o fardo, De ser tão brutalmente consciente De tudo aquilo que sei. Deixo de herança o meu amor, Sorrisos, abraços e essências, Partilhadas no pôr-do-sol. E que nesta viagem de turbulências, Repares na simplicidade do sentimento Que achaste saber de cor. Deixo de herança uma moeda, Ao pedinte que conheci E que nunca a chegou a gastar. Esqueceu-se que para a salvação da vida Não há dinheiro, nem há fornecedor Onde ele a possa ir comprar. Deixo de herança o pássaro branco, Que ainda não se atreveu a pousar. Canta mais alto a cada Primavera, Só para me relembrar, Que as raízes são uma ilusão Criadas por quem não as consegue descolar. Deixo de herança duas mãos quentes, No peito frágil de uma criança, Que nasceu órfão de mãe E cresceu sem esperança. “Nas noites escuras que te abraçam. Nos dias cinzentos a que te entregas Que sintas neste aperto a mensagem De toda a força que carregas.” Deixo de herança este poema, Escrito num sonho que se entranha E do qual nunca acordei. Vem… Traz o mapa que queimei. E encontra-me para lá da montanha Onde também eu me encontrei.
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Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:09 PM UTC
Deixo-me de herança
Deixo de herança todos os pensamentos Perdidos ao luar, Escritos na página invisível da vida, Impossíveis de partilhar. Deixo de herança todas as garrafas, Que esvaziei e pousei à beira-mar, Com uma carta escondida lá dentro, Incógnita ainda por entregar. Deixo de herança todo o fumo, Que compulsivamente inalei Para tentar matar a doença Da qual nunca me curei. Deixo as pegadas na areia, Que rapidamente se apagaram. Marcas da efémera passagem dos seres Que por mim passaram. Deixo de herança o sol de inverno, Tão apreciado por toda a gente. Desejo que aqueça as almas frias, Que não deixe ninguém indiferente. Deixo de herança o incenso Que nunca acendi. Espalhado pela brisa, Como qualquer cheiro que senti. Deixo de herança toda a música E cada marca que deixou. Atenciosa companheira, Que tantas vezes me salvou. Deixo de herança o rio, No seu mesmo exato lugar. Lembrança eterna que existe um sítio seguro Para onde o desespero nos pode levar. Deixo de herança a pedra afiada, Que me esculpiram no lugar do coração. Memória da crueldade no olhar De quem a infância me roubou. Deixo ligadas as luzes da aldeia, Que me abrigaram no solitário berço. Agarro o impulso que me levou à procura De tudo o que ainda desconheço.    Deixo de herança em papel amarrotado, Algum sangue que derramei. Lágrimas, cicatrizes e o fardo, De ser tão brutalmente consciente De tudo aquilo que sei. Deixo de herança o meu amor, Sorrisos, abraços e essências, Partilhadas no pôr-do-sol. E que nesta viagem de turbulências, Repares na simplicidade do sentimento Que achaste saber de cor. Deixo de herança uma moeda, Ao pedinte que conheci E que nunca a chegou a gastar. Esqueceu-se que para a salvação da vida Não há dinheiro, nem há fornecedor Onde ele a possa ir comprar. Deixo de herança o pássaro branco, Que ainda não se atreveu a pousar. Canta mais alto a cada Primavera, Só para me relembrar, Que as raízes são uma ilusão Criadas por quem não as consegue descolar. Deixo de herança duas mãos quentes, No peito frágil de uma criança, Que nasceu órfão de mãe E cresceu sem esperança. “Nas noites escuras que te abraçam. Nos dias cinzentos a que te entregas Que sintas neste aperto a mensagem De toda a força que carregas.” Deixo de herança este poema, Escrito num sonho que se entranha E do qual nunca acordei. Vem… Traz o mapa que queimei. E encontra-me para lá da montanha Onde também eu me encontrei.
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ando sentada sozinha agora e racionalizando as emoções tentando organizar como faço com a parte sólida da vida ao redor e teimosa do jeito que sou não assumo a verdade doentia do controle total de se estar dominante na operação então pra fluir tem que ser como? oras, livre, é óbvio sentimentos e emoções não tem coleira não são domesticáveis e só vem quando querem pra sentir pura e vividamente ou pra falar a respeito, usar o termo na sua mais pura integridade artística, moral ou seja lá qual for é preciso deixar correr livre como pensar que o peito é um campo ou um matagal alto ou uma praia extensa e existe uma coisa que tem corpo pra pernar à toa sem julgar e sem medir e é assim que se usa essa coisa do sentir que é se deixar levar quando tirar a peça que do raciocinio não tem lógica é tudo emvãova~voa~voa~voa~voavõavãoa~voa~vão
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Jun 17, 2021
Jun 17, 2021 at 9:16 AM UTC
deixar solto
Já fomos poeira do mesmo lugar Pousada calmamente junto ao mar. Sufoca-me o vento que nos quer levar, E este pobre pó estrelar, Sem força suficiente para ficar, Chora sem braços onde se agarrar. Implora-te que me guardes num olhar, E assim voamos eternamente, Sem qualquer noção de ver desaparecer Lá ao longe, o nosso lar. Já fomos breves e inconstantes, Pequenas rochas cobertas de diamantes. Não quisemos saber do nosso valor, E quando o número não interessa, Qualquer fruto neste peito vira flor. Mas que som é este Que me enche de terror?! Ah! É a minha linda borboleta, Bate as asas e só ouço dor. Pousa em mim… Mas sentirá ela este calor? Levanta voo… Sem se recordar da minha cor. Perco-a em ti, Mas não me perco de todo este esplendor. Já fomos canto de pássaro na madrugada, Criança que corre sem ligar à roupa manchada. E de mãos dadas pela estrada, Brincámos nas infinitas ruas desta cruzada. Sorriste-me sem ligar a nada, Como qualquer criança louca, E atrapalhada Tropeças em mim… E deitas abaixo cada fachada, Pois como nego ao coração Que estou, agora, aprisionada? Já fomos a folha verde no outono Que caiu e não voltou. Cada onda que rebentou no rochedo Desvendou-te logo quem eu sou. Quis ser concha para ti, Presente que o mar traz. Mas sou fogo que arde aqui E destrói tudo o que é capaz. Consumo-te e inalo-te em mim, A droga mais pura e eficaz. E sobram as cinzas derramadas no jardim, Memórias da alma que lá jaz.
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Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 2:51 PM UTC
Fomos tudo o que nos disseram que não podíamos ser