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"ferida" poems
Dizer que tenho saudades tuas, agora é uma espécie de mentira coberta com um pano de linho Tenho somente saudades do que era antes de Ti E isso é a cruz que carrego Vincada e afiada que se pôs as minhas costas E se me mexo me corta em dois Como carne fina do talho gourmet Comparação inadequada, eu sei Mas a única que penso agora, que sou estreita. Por vezes olho para o relógio, e já nem contando as horas Reparo nas datas, extensas Dou por mim a ver um mês E no momento a seguir, o olho E vejo dois meses, a correr Pergunto-me se estou louca ou simplesmente Exausta O tempo deixa de ter nexo e o Mundo fica pequeno Os dias passam como se não tivessem vida E em vez de correr, existo Durmo ao Luar e ao Sol Como se tudo se tratasse do mesmo Do sonho Do sono Explicar-te porque sinto saudades tuas, agora é uma espécie de firmamento do caminho insano que percorro Tenho somente saudades do Tempo que parava Quando nos teus braços respirava Sossegava E agora não tenho sangue suficiente para estancar a ferida Dura, profunda, dolorosa Como os pés que piso Que não são meus.
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Jul 7, 2012
Jul 7, 2012 at 9:04 PM UTC
o nunca ter tido
Ando Perdido Digam-me quem sou? Digam-me quem me destrói, Tenho ferida que dói, Revolta terna e incontida, Tenho me a mim e vida. Setas que picam de momento, Loucuras cá dentro, Nem nome tenho, Rio de desanimo, Charco que águas chocou, Sou o que sou… Amar a história, Ser Camões sem glória, Sem lugar nem hora, Amor que em mim mora, Sou eu e minha memória. Victor Marques
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Jun 29, 2010
Jun 29, 2010 at 12:54 AM UTC
ANDO PERDIDO
Marcas de uma noite escura E uma perspectiva ferida Pela agulhas de minha frieza Chegaram a você E a face que foi me dada Está jogada em alguma esquina Com impressões de olhares inferiores Como faces de um bloco de notas Eu vou me virando Vou me virando Essas alternâncias de oportunidades São as ultimas coisas que eu queria ver E com um grito sufocante eu admito Eu sempre errei Eu errei E essa dor despertante É uma especie de verdade que muda totalmente o caráter Me fez perceber as paredes se erguendo No único objetivo que eu foquei Todas essas maneiras autodestrutivas Todas essas inclinações para o fundo do poço E agora eu sei, elas tem justificativas E eu sei Acusado de assassinatos impiedosos Mas não sou que sou "um com a dor" Que fui forçado a parar na beira da estrada Porque é de lá que vim E é para lá que sempre voltarei Mas, meu deus Lá é tão distante E parece que acidentes agora ocorrem por lá E todos os outros lugares São cheios e me sufocam Me sufocam E eu sou tão inútil que a unica coisa que consigo pensar É em uma mudança dos tecidos dos tempo É eu sei Sou um inútil E agora sinto como se minha face Não tivesse nenhuma ligação com os meus pés E o meu corpo agora fica Rolando em coisas que não eu não consigo acreditar Mas eu tentei Eu realmente tentei Você sabe que eu tentei Realmente tentei
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Oct 29, 2015
Oct 29, 2015 at 4:26 PM UTC
Frases para recitar quando eu estou só
A bruma carnívora e ameaçadora Enreda cousas furiosas, degrada os rios Em histerismo tortuoso dos campos sombrios No relógio que encrava a besta afora O sangue regela, crânio funéreo estoura Entoando cânticos gemedores aos navios Retumba meus cabelos em ais bravios Como cristal, febril, uma vigília fria e aterradora Vazeia o corpo anêmico morto sob rapistro Aos paradoxais lábios, bela vastidão complexa Docemente sangra e chora ferida ao medo Ó eterna! Esbravejando um fulgor sinistro Na dualidade catastrófica da quimera desconexa Falta às florestas como fruto que desvai cedo
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Aug 30, 2018
Aug 30, 2018 at 12:32 AM UTC
Lívida
Acontece o tempo todo. Sinto meu estômago embrulhar como alguém que acaba de sair de uma montanha russa, e isso é uma analogia perfeita já que vou de total satisfação à vazio completo em três tragadas num cigarro ou menos. Não importa com quem ou onde eu esteja, é hora de trocar de música, fixar o olhar no nada para tentar sacudir o vazio pesado que repousa sobre meu peito, como se tivesse me engolindo, mas de dentro para fora. Logo me sinto vulnerável, como se tivesse uma ferida aberta e necrosada no meu âmago e todos pudessem ver através de mim, como se meus olhos contassem meus segredos, as vontades que tive e tenho de me atirar em frente a um ônibus em movimento, então volto a mim geralmente com a pergunta de alguém que gosto questionando se está tudo bem, digo que sim, que estou com sono, cansada, o que não deixa de ser verdade, eu realmente estou cansada. Eu sempre sinto que preciso ir embora, afinal. Mesmo estando em minha casa quero ir embora, para onde?! Desconheço lugar no mundo e na história que me faria sentir em casa. Desconheço o abraço que me faria sentir que pertenço, ou que me querem ali. Então digo que estou atrasada, que sinto muito, que cancelo os planos, que estou doente, que tenho que estudar, peço licença e me retiro, volto pro conforto de estar triste e sozinha, sem precisar esconder o olhar vazio encarando o vazio, e esse é o melhor que posso fazer.
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Apr 2, 2017
Apr 2, 2017 at 5:53 PM UTC
Âmago
a ideia escorre lentamente fruto do corte profundo escorrem também palavras que escrevo que outrora escrevi escorrem e invadem a noite aperto a ferida os anticorpos expulsam o veneno volto a acreditar na doçura das palavras volto a escrever mas na realidade, o que sai de mim?
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Feb 11, 2015
Feb 11, 2015 at 5:30 PM UTC
Veneno
a criança chorando em seu colo não pesava mais que o leite empedrado em seu peito a maternidade era só mais uma ferida aberta nas suas partes secretas pra não deixá-la esquecer que ela não era ninguém além do rombo em seu ventre
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May 12, 2019
May 12, 2019 at 10:18 AM UTC
III
quando pequena observava as feridas em meus joelhos e me perguntava se a dor do peito também poderia se curar porque eu sabia muito bem que além do peso que eu carregava nas pequenas costas eu era também uma ferida aberta que doía no peito de uma mulher e por vezes me perguntava se um dia como uma casquinha de joelho a mulher pesada iria simplesmente desaparecer
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May 12, 2019
May 12, 2019 at 10:20 AM UTC
II
Foi cedo na vida que o meu livro de mágoas se abriu.                 (Entendi-o desde nova pois senti-o.) Um livro manchado pelo sangue da batalha, Páginas carregadas de calafrios… Ainda hoje me correm e ecoam no corpo.                    (O som do ferro ainda me causa insónias.) E o abandono… Esse sempre o meu maior medo, Cortou-me como uma espada a vida toda.              (Nunca o gritei…pelo menos em voz alta.) Ferida, pelas entrelinhas o fui escrevendo.              (Nunca com tinta…sempre mascarado na dor das palavras.) Marcado em mim desde o início.              (Nunca na pele…sempre uma ferida interna bem escondida                na alma.) A Morte… Essa parece chegar rapidamente Para as almas incompreendidas.              (Mas calma, eu entendi.) Choraste sem saber porquê… Passaste e ninguém te viu… Mas agora renasces com uma visão que eu sonhei. E eu, que nunca te encontrei, Vi-te encarnada em mim. Quem me dera que tivesses vivido tempo suficiente, Florbela. Só para que eu te tivesse desvendado o segredo da vida.               (Neste mundo não eras a única que andava perdida.)                            (O segredo é que andamos todos.)
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Mar 3, 2022
Mar 3, 2022 at 4:25 PM UTC
“Livro de Mágoas”
Vida trágica; Vida linda; Dá alegria; E também, ferida
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Aug 26, 2017
Aug 26, 2017 at 3:09 AM UTC
Recife