"embora" poems
Pensando nos lugares em que estive,
Física e espiritualmente,
Os tormentos de agora apresentam-se desmedidos
Porque dói tanto isto que nem dói sequer?
Que me não causa, isto,
Miséria ou infelicidade, isto,
Que embora a boca, amedrontada,
O não tenha dito
Era precisamente o que desejava para mim?
É certo, não assim…
Ah, cheguei a ousar dizê-lo!
Em confidência à minha mãe,
Sorrateiramente por versos escondidos.
Isto que eu queria!
É certo, não assim.
Não mordendo o fruto
Que me deste, oculto pela mão,
Sobre os meus protestos gritados,
À boca a provar; e, embora eu o cheirasse,
Podre, juravas pelo amor ser são!
O sabor, por não ser desesperante,
Faz-se aditivo; logo estou eu trepando a árvore
Sedenta de o devorar.
Escorrendo-te pelo queixo,
Sumo de laranjas meladas;
A língua que to limpa não é a tua.
Fixo a dor e tombo nela
Como Narciso sobre si.
Sep 28, 2022
Sep 28, 2022 at 5:32 PM UTC
Os campos floridos
Campos esverdeados, giestas amareladas!
Cumes de montes perdidos, pedras maltratadas.
Árvores que exalam perfume,
Fogo que arde sem lume.
Campos que avisto solitário,
Searas de trigo ao toque do vento,
Paisagens celestes de momento,
Ervas deste santuário.
Um céu azul desolado,
Paisagens do passado,
Coisas sem sentido,
Um roxo comprometido
Campos que se vão embora,
Primavera os namora.
Verão quente, Outono doentio,
Inverno intolerante e frio.
Victor Marques
Oct 26, 2010
Oct 26, 2010 at 10:01 AM UTC
A caída do tempo esmera-se no cuidado
Sonho que em câmara lenta a minha alma não se magoa
e a mágoa não se torna superior à vontade de viver
Por fim, desisto
Não acredito mais nas palavras que digo
Não tenho já certeza se vivo a sonhar
Ou se simplesmente gosto de me arrastar por entre a multidão
A sorrir, a mentir
Disseram-me um dia que partiria, sim
Mas que sozinha não iria a nenhures
Verdade
Tenho uma constante obsessão amarrada à perna
E cada passo que dou sinto a tonelada desse vazio
E os dois metro que ando entre o chão e o chão
São quilómetros na vida real
Que irreal 'e
Sinto a pedras na descida, mas não me magoam
São menos duras que a armadura que me venderam
E pregada esta já ao corpo está
Nada sinto
Nada quero sentir
Apenas jazo no poder do iniquo
Que diz-se Mundo
Que digo Inferno
O amor que tenho por vos faz-me ir devagar
Mas a raiva que sinto do estrume que sois
Apressa-me na descida
Sinto que equivocada estou com o Mundo que não me quer
E sei que ao rápido descer, rápido vou saber
Onde o futuro me leva
Me carrega
O medo que tenho de me trazer ao inicio do Tempo 'e muito
Mas o pavor de so nascer uma vez corroí-me os tímpanos.
Partem todos os que amo e vejo-os ao longe
Imagino se perto estivessem
Não conseguiria respirar o pouco ar que tenho
E se choro e agonizo
'e por este amor que me queria grande e forte
Mas que fraca me pôs no chão
Não julgarei ninguém ao querer cair
A paisagem 'e bonita e ao longe desfocada fica
Sentimos a analgesia de não se ser ninguém
Vem devagar, não me apresses o timbre
Afinal acredito em mim, acho que sempre acreditei
Apenas estava apagada na tua sombra
Que em cativeiro me deixava a alma
Amei-te como o Amor sente
Amo-te como a dor ama
E embora me empurres para baixo da ribanceira
Sorrio e minto
Para te ver feliz em cima da minha cabeça
Como sempre estiveste
Como sempre te deixei estar.
Jul 7, 2012
Jul 7, 2012 at 9:03 PM UTC
O Emigrante Português
Partes e deixas tua terra Natal,
O teu mundo é Portugal.
Deixas família também,
Partes sem ninguém.
Emigrante meu descendente,
És sempre um navegante,
Todos se orgulham de ser Português,
Feitos heróicos que seu povo fez.
Trabalhas noite e dia,
A tua revolta se esvazia.
Por estranha que até pareça,
O lume da fogueira que te aqueça.
Esforço e muito suor,
Vaso cheio de amor,
Lágrimas que alguém chora,
Saudades que não vão embora.
Victor Marques
Dec 14, 2011
Dec 14, 2011 at 10:50 AM UTC
Parte do tempo percebemos que somos perfeito
A maior parte não paramos de falar
Eu seguro sua mão, você dá um sorriso
A gente se beija no meio fio
Meu corpo se mexe pra trás e pra frente
Aqui está pra prefeitura, aqui está o bar que nos vende tequila
Somos tão esquisitos que daria certo
Os cartões de crédito dela me perdoaram
Os cabelos enrolados me perdoaram
Por que você não pode me perdoar?
Somos tão esquisitos que daria certo
O garoto de óculos escuros me deu um gole daquela ***** barata
Você me deixou colocar a cabeça no seu ombro
Quando fomos embora você me seguro no colo
Somos tão esquisitos que daria certo
Esquerda, direita, cima e baixo
Só porque não temos joguinhos não quer dizer que não é certo
Você vive dizendo que quer me ver
Amo essa mescla de felicidade e receio
Quando fico triste você faz uma dança engraçada
Somos tão esquisitos que fica perfeito
Jul 30, 2013
Jul 30, 2013 at 1:35 AM UTC
Falta-me progressiva consistência
que me tire desta constante inércia do recordar.
Permeiam-me contrarreações ilógicas do universo;
do meu universo.
Irrisório inaceitável tempo
que desfaleça minha imutável memória
atormentada por falsas angustiadas imagens.
Maldito brilho
que por vezes ofusca meu coeso e desejável
leal raciocínio.
Fatos agora estáveis foram,
por vezes,
acontecimentos importunos,
que propuseram ao meu bem estar uma obscuridade incontínua,
porém intransigível.
Embora uma situação não muito clara e nítida a mim mesmo,
pude perceber confessadamente o que de caótica maneira me ponderava
– e que talvez ainda o faça -
meu oneroso conivente dionisíaco.
Ainda não compreendo
porém,
se estou franqueado disto que mal posso interpretar;
que nem mesmo sei se ainda existe legitimamente.
É tudo inevitavelmente sobre eles,
os olhos que me acorrentam por anos em um relance de ódio freudiano;
a mais esplêndida e simplesmente bela face de todo e qualquer universo:
hei de conquistá-la em meus sonhos platônicos
ou tristemente afogá-la em minha morte
vividamente devotada em tê-la.
May 22, 2013
May 22, 2013 at 8:09 PM UTC
Talvez se escrever o sono venha
Cansada do excesso de cansaço
Nas alturas menos certas
Creio que há 2 horas que devia estar a dormir
Se pudesse
Mas embora o cansaço esteja presente
Nos meus músculos, olhos
Não chegou ainda à base.
Talvez o meu cérebro seja notivago.
Chego a estas conclusões na exaustão da noite
Quando, por desespero, pego num lápis
E desacredito-me ainda mais.
Mas passo a explicar:
Durante todo o dia sinto-me dormente
Ah, para quê falinhas mansas?
Sinto-me burra, sem conseguir pensar
Mas na chegada da noite
Com o silêncio e a escuridão que se sentem na noite
Tudo se liga e se ilumina
E o meu cérebro trabalha e penso, penso, penso
E mais certezas tenho de que sou burra
Não que tenha pensamentos burros, não!
Mas por que raio tê-los agora e
De forma tão agressiva e exaustiva
Sem chegar a ser agressiva e exaustiva o suficiente
Para escrever alguma coisa de jeito
Ou para me fazer cair para o lado
Suficiente apenas para uma mais noite em branco
Talvez nunca tenha acordado.
Mar 2, 2017
Mar 2, 2017 at 1:28 PM UTC
Após um ano desde escrevi aqui pela ultima vez, notei a imensa e,
acima de tudo,
mais profunda mudança no que eu poderia chamar de
ego.
Ache uma personalidade para promover, uma própria.
Promova essa personalidade.
Além do mais, eu nunca estive tão feliz e nunca,
em toda a história da minha vida,
aconteceu tanto quanto nesse ultimo ano.
Encontrei enquanto tentava não me perder,
a feiticeira que me aparou antes que eu caísse.
A caldeira que eu incendiaria até que minha chama acabasse.
E lhes conto que ninguém pode ensinar o que é a liberdade.
Bem vindos ao paradoxo.
Embora não possa dizer que
rompi a gaiola que nos toma àquilo de onde viemos,
consegui enxergar através.
E é muito confortável, poder sentir
o pássaro que voa além da gaiola
dormindo no meu peito.
Dec 30, 2014
Dec 30, 2014 at 11:03 PM UTC
Eu sei que eu toquei seu coração,
E prometi ser meu agora.
Te enchi de palavras sem significado.
E é tudo uma doce ilusão.
A verdade é que eu sempre costumo estar aqui,
Vivendo nessa doce ilusão.
E você simplesmente acredita,
E aceita o desconhecido.
Nunca diz não aos meus caprichos.
Mas querido, isso é uma doce ilusão.
E é tão fácil te deixar.
Simplesmente ir embora, e você,
Continuará vivendo numa doce ilusão.
Feb 22, 2013
Feb 22, 2013 at 8:10 PM UTC
Você me deu tantos sustos
Que agora a realidade parece confusa
E eu não sei o que sentir
É uma angústia, um novelo de lã que usavas para tricotar minhas toucas
Enforcando meu peito.
Teu amor me aquece nesse inverno tão gelado
E a única promessa que te garanto é de sempre levar meus casacos
Pois sei que deu que fará frio na televisão.
A lembrança do teu toque e cheiro são tão vividos
Será que irão embora contigo com o tempo?
Ou ao menos isso deixarás para mim?
Tem um potinho do teu molho de macarrão no congelador
E tantas fotos suas com um grande sorriso nos álbuns lá da sala de casa
Não consigo acabar esse poema
As forças que tinha usei tentando colocar o pé fora de casa
Acabaram nos meus olhos vislumbrando a janela.
Vi um mundo vivendo
Pessoas passando igual a antes
Seguindo em frente
E ninguém está de preto. Ninguém chora. Ninguém sente o que eu sinto.
Porque não te conheceram
Aí dessas pessoas infelizes
Que não provaram do teu carinho
Do teu amor
Aí dessas pessoas infelizes que vivem e passam
Enquanto eu não aguento viver nesse mundo sem você.
As lágrimas me consomem
E eu nem tenho mais lágrimas para chorar.
Dec 2, 2016
Dec 2, 2016 at 7:24 AM UTC
Uma vez um garoto me disse
"Viva uma história que valha a pena contar"
Eu me apaixonei por esse garoto
E ele desapareceu, levando meu coração
Deixando minha mente lidar com os sentimentos
Por favor garoto
Devolva meu coração
Volte para mim
Devolva meu coração
Uma vez meu amor me disse
Para não esquecer de ser incrível
Para não esquecer de fazer cada dia melhor
Para não planejar o futuro
Mas viver o presente
Por favor garoto
Devolva meu coração
Volte para mim, por favor
Devolva meu coração, eu imploro
Uma vez eu conheci um garoto
Ele era radiante
Ele me amou com toda a sua energia
E eu me apaixonei, mas ele foi embora
E levou tudo de mim
E ele levou meu coração
E só deixou a casca para trás
Por favor garoto
Devolva meu coração
Eu estou de joelhos, implorando
Volte para mim
E devolva meu coração
Pelo nosso velho amor, por favor
Uma vez eu vi um garoto
Nós rimos juntos
Nós nos amamos intensamente
E então ele se foi
Me deixou para trás
E levou meu coração
E nunca mais devolveu
Uma vez eu reencontrei meu garoto
E ele me devolveu meu coração
E me deu também o seu
E desapareceu para sempre
Sep 13, 2016
Sep 13, 2016 at 8:12 AM UTC
Meus caros, eu vi!
Quem sabe num sonho, ou talvez não fosse exatamente um sonho
Quem sabe as luzes estivessem baixas demais
E a escuridão que promove vultos, houvesse enegrecido minha mente
-Entorpecido por meus próprios pensamentos-
Ali estava, a visão atemporal da existência
Trafegando por aterradores espaços infinitos
A escuridão assombrava o devastado pântano das almas amaldiçoadas
ouvia-se os gritos daqueles que encontravam ali o fatal destino
Os mortos que estavam aprisionados ansiavam por companhia
Uma fumaça fétida pairava sobre as águas apodrecidas
Animais se decompunham retidos pela lama pegajosa
Vermes se proliferavam naquele ambiente hostil enquanto o atormentador zumbido de moscas preenchia o silêncio daquele lugar horrível
As criaturas mais horrendas e bestiais ali faziam sua morada
à espreita das desavisadas presas que por aquele caminho se perderam
Há um homem perdido em seus próprios passos
Ele caminha ao longo da estrada
Entre-a-vida-e-a-morte
Ele está vivo, mas nunca viveu
Como também está morto, sem de fato ter morrido
Anseia por luz, mas se perde na escuridão do pântano
O bater de asas dos abutres lhe contam que tudo é um sonho, mas também uma profecia
Abaixo da árvore da vida sete urubus mortos estão se decompondo
Não há quem possa devorar seus cadáveres apodrecidos
Uma formosa águia sobrevoa o pântano
Sete ratos tentam se esconder
Sete cobras tentam fugir
Mas a águia devora os sete ratos
E também devora as sete cobras
O homem se torna dois, e um terceiro que não é homem
Ambos deverão transitar pelo inferno
Arrastar-se pela terra infértil da morte
Um morrerá para si mesmo
E renascerá como a fênix mitológica
O outro morrerá eternamente
Consumido pela legião de sombras
Sua tristeza será incomensurável
E como se uma ira brotasse em seu âmago
E uma dor gigantesca consumisse todo o seu ser
Sem derramar uma lágrima
Mergulhará sua existência nas águas esquecidas do Lethe
Embora o primeiro igualmente experimentasse dor tamanha
Ele encontrará seu guia dentro de si mesmo
Pois o guia na escuridão é a luz
Na luz nenhuma escuridão prevalece
O terceiro é como se jamais existisse
Permanecendo no limbo do crepúsculo
Sem dormir ou acordar
Apodrecendo como os urubus mortos aos pés da árvore da vida
Sem jamais experimentar seus frutos
Os três se tornam um só novamente
Mas algo havia mudado
Já não poderia mais ser o mesmo
E como num súbito – abri meus olhos
Não poderia ter sido um sonho
Por mais que estivesse sonhando…
Meus caros, eu vi!
Dec 29, 2016
Dec 29, 2016 at 4:38 PM UTC
Palavras são balas
Porque somente elas não bastam
Insegurança é uma espada
E seu gume mais afiado que essa navalha
Sentimentos são como uma maça
Tão veloz, para apenas pesar na minha cara
E neste momento nada me acalma
Ou sacia a vontade de ir embora
Mas quem sabe isso não passa
Pode apenas ser uma gripe passageira
Ou uma melancolia verdadeira
Mas talvez devesse me alegrar
Continuar a andar
Para trás não olhar
Ou até mesmo tentar não ligar
Fazer dessa angustia combustível
E desse pesar um mar
Para me banhar nas manhã de alegria
Que a vida ainda há de me doar
Nov 25, 2015
Nov 25, 2015 at 8:49 PM UTC
Quero ver o ano acabar,
E levar tudo de ruim que eu tenho aqui,
Dentro do meu peito.
Quero ver o ano acabar,
E outro nascer,
E me encher de esperança, mais uma vez.
Quero ver o ano acabar,
Pra ter motivos pra chorar,
Por tudo que foi embora.
Quero ver o ano acabar,
Para lamentar.
Na verdade quem deveria acabar, sou eu.
Oct 12, 2012
Oct 12, 2012 at 7:05 PM UTC
Alice, Alice
Sempre reclamava alice:
-Como não me amar?
-Porque ter de ir embora?
-Posso eu ser pequena por fora e grande por dentro?
Pare de perguntas alice, me disseram que você andava feliz..
- Sim, eu andava, mas ele me fez encolher de novo
Ah minha querida, isso é passageiro, já já vem outro e você crescerá e
sua alma se elevará.
- Como tens certeza disso?
Ja te disse Alice, não perguntes, apenas acredite.
- Acredite, acredite.... Que frieza minha, achar que seria só meu.
- Como pude querer possessão?
Fácil, foi o ego, ele não iria suportar o fato concreto da perda,
então, se colocou a frente, fazendo-a acreditar que se a possessão não
existisse você iria por água a baixo ou melhor dizendo, por buraco abaixo, mas entenda minha querida alice, que....
A alma flutua, e se estivermos na direção errada
ela irá se afundar,como se estivesse caindo num fundo buraco,
só que enquanto você cai vai percebendo que quanto mais ela naufraga,
mais ela emerge,e continua flutuando, como num equilíbrio poético,
sem ter direção,sem ser julgada como errada ou certa, pois a vida é igual a chuva, ela cai e continua caindo, mas como num ciclo ela evapora e se transforma , se renovando, se equilibrando.
Oct 1, 2014
Oct 1, 2014 at 10:51 PM UTC
Invasão
Foi você chegar na minha vida
Já me dizendo o que fazer
E o que não fazer
E achando isso certo
Me julgando pelo passado
Minhas escolhas erradas
Eu fazia tudo errado
Pra você
Decepção
Foi você me dizer
Que eu não presto
Que não havia confiança
Pra eu parar com minhas atitudes
Pra eu não ser mais quem eu era
Solidão
Foi ver você ir embora
Depois de todo o estrago
E me culpar por isso
Doloroso
Foi o processo
De aceitar que não foi amor
Só violência
Que você não passava de um babaca
Sem essência
Dec 4, 2015
Dec 4, 2015 at 6:30 PM UTC
"eu te dizia que a vida é bruta, você me falava que ainda não
eu nunca acreditei que houvesse algo a mais depois que as coisas acabam
uma blusa esquecida no natal passado, uma palavra presa na fechadura da porta que bateu, um outro palpitar do coração ou alma além da que nos foi decretada aqui
e, então, você morreu
durante uma semana, eu fingi que você tinha finalmente viajado pro seu lugar favorito e que ele tinha te dado razão em ser um lugar favorito pra demorar tanto assim
durante um mês, eu desisti de esperar
paciência não era meu melhor dom
embora te esperar fosse um talento
você, de novo, não chegou
durante um semestre, eu chorei sem interrupções
embora ninguém soubesse ou visse algo
por dentro, muralhas da China caíam e oceanos atlânticos deslizavam entre órgãos e lembranças
quando eu esqueci o som da sua voz e o tom do seu olho, você morreu outra vez e, dessa, eu pude sentir o peso da mão do mundo descendo sob mim
outro ciclo se foi e a nossa conexão terminou
eu te quis no meu quarto reclamando meu atraso pro almoço; eu te quis na plateia da apresentação da minha monografia, a única na história da faculdade como centro de pesquisa a comunidade lgbt; eu te quis no meu exame de direção; eu te quis quando eu saí de casa; eu te quis atendendo o telefone enquanto eu contava que consegui um emprego novo; eu te quis e esse era o único tempo verbal em que era permitido te conjugar
durante um ano, que durou até hoje, eu soletrei saudade
já não tenho como chamar seu nome
eu toco o interfone, não há você do outro lado
me tateio, falta a sua pele bem perto
no fundo, eu acho que o universo deveria estar triste porque não posso te amar mais
eu estou."
#textoscrueisdemais
Feb 27, 2017
Feb 27, 2017 at 1:27 PM UTC
Me empolgar pra quê?
Se você vai me deixar,
Quando a primeira porta ver.
Eu bem que quis você.
Mas hoje, ao te ver,
Eu fui embora,
Corri pra porta,
E não olhei pra trás.
Pra não te ver chorar,
E me fazer voltar.
Mesmo sem querer,
Você saberia me cativar.
E a luz do meu olhar,
Iria se perder,
Dentro do escurecer,
Da tua alma,
Que de nada me acalma,
Só me faz sofrer.
E não quero mais você.
Nem saberei querer,
Qualquer outra pessoa.
Sep 24, 2013
Sep 24, 2013 at 8:46 PM UTC
às vezes pergunto por que motivo
tu partes de mim quando entardece,
e digo às minhas esperanças e sonhos,
que nem tudo o que acontece é o que parece.
a vida às vezes pode ser um borrão,
as emoções podem-nos toldar,
às vezes escrevo para ti horas a fio,
quando preciso deixar o meu coração sarar.
o tempo fará esquecer o passado,
esta tristeza que se espalha em mim,
como os lírios à tona de um lago,
numa manhã vestida de carmesim.
o final do dia trará novas alegrias,
e embora eu sonhe acordado,
tenho em mim plena consciência,
de que preciso de ti ao meu lado.
e até que eu volte a escrever para ti amanhã,
lembra-te,
tu és toda a minha alegria, dor e tristeza.
Jun 9, 2015
Jun 9, 2015 at 9:41 AM UTC
Fui ateu
Fui macumbeiro
Ocultista
tétrico
cheio de espinhas
Fui galã
Roqueiro
Maconheiro
Careta
Fui a uma adivinha
leu minha mão
acertou que não trabalho
tirou as cartas
me mandou embora quando eu quis apostar
me mandou ao diabo
Fui rindo
só sabia rir
May 13, 2015
May 13, 2015 at 1:14 PM UTC
8 da manhã,
Você foi embora,
Cama vazia,
Chuva lá fora.
Eu só não entendi,
O porquê da demora,
Se ao me amar,
Você se apavora.
E agora apavorada estou,
Sentada na porta.
Não é medo de estar só,
Mas sim da sua volta.
Dec 7, 2013
Dec 7, 2013 at 5:04 AM UTC
Tenho acreditado por tanto tempo que tudo de errado e ruim que sinto se esvairia quando encontrasse alguém que quisesse passar noites em claro fazendo nada ao meu lado, e que isso fosse o suficiente, que eu fosse o suficiente. Já experimentei esse sentimento e por mais que repita incontáveis vezes o quanto me quer ali, o sentimento não vai embora; De repente sinto o impulso de me levantar e ir embora sem dizer adeus, e nunca, nunca mais, ouvir de você ou deixar que ouça de mim. São as pequenas mortes como essas que me mantiveram viva até agora, não quero ser real. Me desculpe por todos os olhares, dedos entrelaçados, e promessas não ditas mas subentendidas. Me desculpe antecipadamente se eu tiver que ir embora em algumas semanas ou meses, ou dias. Amanhã, talvez. Quando eu estiver em silêncio, segure-se, segure-me.
Apr 9, 2017
Apr 9, 2017 at 6:19 PM UTC
Acontece o tempo todo.
Sinto meu estômago embrulhar como alguém que acaba de sair de uma montanha russa, e isso é uma analogia perfeita já que vou de total satisfação à vazio completo em três tragadas num cigarro ou menos. Não importa com quem ou onde eu esteja, é hora de trocar de música, fixar o olhar no nada para tentar sacudir o vazio pesado que repousa sobre meu peito, como se tivesse me engolindo, mas de dentro para fora. Logo me sinto vulnerável, como se tivesse uma ferida aberta e necrosada no meu âmago e todos pudessem ver através de mim, como se meus olhos contassem meus segredos, as vontades que tive e tenho de me atirar em frente a um ônibus em movimento, então volto a mim geralmente com a pergunta de alguém que gosto questionando se está tudo bem, digo que sim, que estou com sono, cansada, o que não deixa de ser verdade, eu realmente estou cansada. Eu sempre sinto que preciso ir embora, afinal. Mesmo estando em minha casa quero ir embora, para onde?! Desconheço lugar no mundo e na história que me faria sentir em casa. Desconheço o abraço que me faria sentir que pertenço, ou que me querem ali. Então digo que estou atrasada, que sinto muito, que cancelo os planos, que estou doente, que tenho que estudar, peço licença e me retiro, volto pro conforto de estar triste e sozinha, sem precisar esconder o olhar vazio encarando o vazio, e esse é o melhor que posso fazer.
Apr 2, 2017
Apr 2, 2017 at 5:53 PM UTC