"daquilo" poems
A rocha observa o movimento do mar com atenção. essa presença inconstante, essas oscilações de humor, esse vai e vem...
Toda vez que parte leva consigo pedaços daquilo que parecia ser sólido, inabalável.
Mas permanece ali, imóvel. Tenho certeza que se pudesse falar diria algo do tipo: calma, fica. Só dessa vez, fica.
A natureza não deixa de ensinar. É impossível controlar qualquer coisa, mesmo podendo falar.
Jul 1, 2015
Jul 1, 2015 at 5:57 PM UTC
Olhares
Olho o céu azulado,
Vejo um véu desfraldado,
Escuto a água que salpica,
Que coisa bonita…!
Sol que brilha,
Que maravilha…
Horizonte sempre eloquente,
Olhar distante, olhar em frente.
Raças e diferentes culturas com boa vontade,
Olhares que zelam pela humanidade.
Olhares ternos que nosso ser invade,
Sentir o olhar com verdade.
Na mesa duma esplanada,
Um olhar nasce do nada,
Olhares, meigos, alegres, enfadonhos,
Olhares daquilo que somos.
Victor Marques
Apr 23, 2012
Apr 23, 2012 at 7:59 AM UTC
Oh grandes símbolos misteriosos
Outrora por vós fascinado fui
Mas a dúvida por minhas veias ainda flui
como águas correntes de rios fervorosos
Queria respostas evidentes e claras
Banhem-nos, rogo, em frias águas
Pois as humanas mentes ignaras
São perdidas na ilusão que as afaga
O que somos é pura hipnose
Quero ver com meus próprios olhos a gnose
Daquilo que a ciência não provou
Imploro, então, por saber quem de fato sou!
Provei do doce, o ácido veneno
que meu corpo em febre rejeitou
Meus olhos relutam em ver o que é pleno
E já não sei o que de mim restou
Acorde-me deste pesadelo de ilusão
Quero sentido, e lógica, e verdade
Mas rezo também por libertação
Há um fantasma que nos rouba a sanidade
Não posso crer que diante de todas as possibilidades da matéria
Possa existir algo tão patético quanto o homem
Grandes e sábios são os vermes e bactérias
Que sem questionar, nossas putrefatas entranhas consomem
Não sofrem, não se rendem,
nem se gabam, ou se vendem
De onde nasce nossa vontade?
O despertar da hipnose é não crer,
Não sentir, observe o que se vê
Ações são previsíveis e morta está a liberdade
Somos símbolos, e a tudo simbolizamos
Despersonalizado nos desvendo
Livres de pecados realizamos
O fim da roda de tormentos
Rouba-me um beijo e eu lhe mostrarei
algo que só posso me recordar
Não mais sinto, eu sei
mas me resta saborear
As lembranças do doce-amargo
que do meu corpo já se foi
Aug 14, 2014
Aug 14, 2014 at 6:30 PM UTC
Cansei de literatura fraca e coração mais fraco ainda.
Cansei de jogo escondido e dedo quebrado pra estalar a boca.
Cansei de sentir e esperar deixar.
Cansei da risada que vem de longe, cheia de graça daquilo que pra mim é tão amargo.
Cansei da úlcera de ansiar por todos os motivos errados.
Cansei dos cortes e do sangue na coberta amanhecida pelos sonhos ruins.
Cansei dos olhares e palavras soltas nas diagonais que são sempre pra você.
Cansei de ouvir as músicas das coisas que eu sentia.
Cansei dos poemas que são mesmo, pra todo mundo.
Poesia é pra todo mundo.
Cansei.
Poesia não é pra todo mundo.
Nem eu.
Sep 7, 2012
Sep 7, 2012 at 4:56 PM UTC
DESTINO QUE É DESTINO
Antigos sonhos que se sonharam,
Amores que passaram.
Gotas de orvalho cristalino,
Destino que é destino.
Paixões turbulentas e calmas,
Cavernas que já foram cavernas,
Doenças que são grandes traumas,
Destino e paz às almas.
Sentimentos sem ter prazo,
Comboios no cais do acaso,
Saudades do tempo que passou,
Destino daquilo que fui e sou.
Avezinhas cantam belas melodias,
Suaves com suas crias,
Embalado na corrente do rio Tua que ainda corre,
Destino meu que não morre…
Alijó, 22 de Outubro de 1991
Victor Marques
Jan 5, 2015
Jan 5, 2015 at 9:46 AM UTC
Ama sempre a vida
A vida dá resposta, dá lições,
Enche livros sem explicações.
Fica o que nos eleva e consome,
Uma memória e um nome.
Um trocar de olhar,
Um simples pestanejar,
Ousadia e o sonho daquilo que fui e sou,
Amar a vida que o amor consagrou.
A vida numa agitação constante,
Rebelde para trás e para a frente.
Flores do mais belo jardim,
Amar a vida sempre até ao fim.
Viver numa turbulência com serenidade,
Com pobreza ou vaidade.
Viver e com a vida padecer de contente,
Viver a vida hoje e sempre …
Victor Marques
Apr 8, 2013
Apr 8, 2013 at 4:46 AM UTC
A minha descendência
A tua juventude que tiveste,
A minha força já veio de ti,
O teu olhar que em mim ficou,
Amor do pai e daquilo que sou.
As videiras tuas e de meus avós,
Vinhos de todos nós,
Oliveiras pacificas e queridas,
Uvas maduras apetecidas.
Paisagem que mata tua saudade,
A morte e a vida se beijam.
O Deus infinito nos precedeu,
Amor eterno do vinho que ainda é teu.
Victor Marques
Oct 31, 2012
Oct 31, 2012 at 12:16 PM UTC
Hoje apetece-me penetrar no fundo da vossa escuridão,
E desde já, uma palavra ao leitor passageiro de viagem,
Estas palavras, são minhas e de quem as consegue ler,
Não são para ninguém, a menos que as consiga querer!
A todas as almas negras da minha vida, peço calma,
Não podereis ter sabor de vitória, nem de mim glória,
Sendo pobre que nem riacho sem peixes, ou rico de gral,
Como pobre, sou feliz porque respiro o cheiro do amor,
Do amor que me consola e que como eu se sente rico!
Se fossem de riqueza os meus bolsos, eram as coisas mais simples,
Que teriam lugar em minha vida, pois só assim me deitaria feliz!
Por isso nem que o corpo me tirem, nunca nem assim me venderei,
Nunca a vós darei almas negras, o desdém de perder a minha honra!
Por mais pobre que sejam minhas vestimentas, há coisas que manterei,
Minha integridade e valores de amor verdadeiro, por amigos e meu amor!
Eles conhecem-me a mim e eu conheço-os a eles, e de vós a ideia não mudarei!
Por isso, dediquem-se a ter uma vida de utilidade, deitem-se à noite ignorantes!
Acordem de manha, pensando em vossas vidas, porque eu estou vivendo,
Apesar de pensarem que quero gritar e me despedir, é mentira agora e será.
Será assim, sempre, porque o destino de minhas mãos, depende de eu querer,
Daquilo que me dedico, eu sei fazer, e por isso faço para as merecer!
O céu agora é escuro, distinto do meu coração verde de esperança,
Não desejo a meus inimigos, pior do que aquilo que quero para mim,
Porém, eu sei que o homem, não faz justiça tão atempo, como a de Deus!
E agora vou dormir, continuar sonhando com os sonhos que de dia já vivi,
Sei que vou acordar na lembrança de alguém, de quem eu amo e me ama também!
Autor: António Benigno
Código de autor: 2013.07.15.02.05
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:11 AM UTC
Acaso
criou o caso
que nós criamos
Sintonia, simpatia
A mão leve e o riso frouxo
Fantasia
Dos que vem
Dos que vão
Dos que vivem
Vivemos,
Vivemos bem
Apesar de outros alguéns
E do imaginário que nos retém
A cumplicidade sutil
Dos olhos que sabem
Que não se verão mais
Que sabem dos momentos de paz
E da vida quando está à mil
O carinho na base
Dos sentimentos puros
Na positividade
Do desconhecido, do não vivido
E ainda assim natural
Na pureza, na conexão
Daquilo que não cria o mal
E que aprendeu a entender
Como se comporta um igual.
Dec 19, 2015
Dec 19, 2015 at 4:02 PM UTC
Como um quadro pintado em abstrato,
Assim descrevo a paisagem que hoje piso,
Não tenho duvidas, nem temo as certezas,
O melhor do caminho, guardo eu comigo!
Secretamente, abriu-se a porta, pelas mãos suaves,
De um corpo penetrante, dirigido pelo olhar amarrado,
Nas pernas se sentiu o gosto, de um paço apressado,
Rumando certeiramente, a favor daquilo que amava!
Nunca, nunca deixou de ser teu, apenas temeu,
Temeu não ser para ti e se fez homem quando te viu,
Viu-te sorrir profundamente, na primeira vez que chegas-te,
Percebendo logo, que chegou também o amor que procura-te!
E assim que pedras tenha o mar,
Que muita chuva mesmo, caia do ar,
Que os raios de trovão, ecoem pelos ***
E os terramotos, abalem toda a terra!
Mas nunca mais eu quero ver-te distante,
Chamar-te e não me ouvires,
Sorrir e não poder, ser por ti!
Se pude amar-te, que agora, seja sempre!
Autor: António Benigno
Para ti Liliana Patrícia.
Código de autor: 2013.07.20.02.06
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:10 AM UTC
Rascunhos daquilo que sou
No cativeiro onde estou,
Nas profundezas dos oceanos,
Sonhos que alguém roubou,
Pastor e seus rebanhos.
Na secretária onde escrevo,
Linhas tortas, palavras certas?
Vejo nascer o simples trevo,
Sobre pradarias irrequietas.
Do alento que eu tenho,
Ai vida … O destino ditou,
Escrever com engenho,
Pedaços do que sou.
Victor Marques
Castanheiro do Norte 14 de Abril de1991
Sep 3, 2013
Sep 3, 2013 at 12:09 PM UTC
Limpou-se a terra e o mar
E os maus pensamentos,
Nascia amor, sentia-se no ar
Coisas de novos encantos!
Tudo era novo agora,
A alegria era ordem do dia,
Acertava-se a nova hora,
O Tempo era a academia!
Ninguém crescia depressa,
Vida não era a mesma correria,
O Homem cumpria a promessa,
Daquilo que sonhamos um dia!
Não havia dor nem maus sentimentos,
Não, não era o céu o mundo onde vivia
Era o mundo que o Homem tanto queria,
Deu-se o valor a esses limados acabamentos!
Ligou-se a dor e o sofrimento
Com o amor e o sentimento,
Se cuidaram e deram alimento
Exemplificaram esse casamento!
Autor: António Benigno
Código de Autor: 2015.06.03.11.17.06.01
Jun 3, 2015
Jun 3, 2015 at 6:32 AM UTC
A minha glória é criar o impossível
quando todos duvidarem
Pois nasci do ventre de minha mãe
E antes de minha mãe ter nascido...
Eu Sou!
Desde que o vazio
concebeu o infinito
Desde que o infinito
concebeu o fracionado
E fracionando o que sou
nasci assim
Como Marcus!
Que se esqueceu
de mim como Eu Sou
Mas ei de me lembrar de Marcus
Como um pedaço daquilo que fui
...há muito tempo...
e tão logo
Deixei de ser.
E me tornando eu mesmo
Serei meu pai
E serei meu filho
E meu espírito estará em Marcus
E finalmente Marcus estará em mim!
Dec 26, 2016
Dec 26, 2016 at 5:57 AM UTC
não sei até que ponto
as palavras que solto das pontas dos dedos
podem ser ditas poesia.
é da existência humana duvidar
mesmo daquilo de que estamos mais certos.
escrevo em verso porque
e nem sei se é poesia. sou eu
incerta de tudo, disto,
que é tão certo quanto poderia ser
Dec 6, 2016
Dec 6, 2016 at 3:01 PM UTC