"cidade" poems
Geografia I
Quando a Vila Jaiara era do mundo
O centro vital; se mais longe houvesse,
Lá chegara, aos saltos, de susto tomado
Em mim mesmo; silente rezava o missal.
Corria pelos campos – a savana, cerrado.
O medo do sistema heliocêntrico
Ainda não perdera: o medo de ser
Só. Eu vivia com meus irmãos e irmãs –
Éramos uma centena de bichinhos
Em torno de nossa mãe adotada,
A quem chamávamos de Senhora.
E em torno dela, tudo girava, girava...
Os grandes mandavam-nos, sorrateiros,
Andar pelo cerrado em busca de tudo:
Gabirobas, cajuzinhos, goiabas ...
Na Vila Jaiara havia tanta coisa mais.
A casa de Helena; de deuses onde doces.
Que à caminhada tornava clara para nós.
Centro luminoso em que a ceia do Senhor.
Não havia São Paulo ou Rio de Janeiro –
No máximo: Belo Horizonte, Araxá
Povoavam nossos sonhos.
E talvez Ouro Preto e Divinópolis –
Onde Dora reinava...
- Goiânia, São Petersburgo e Tegucigalpa – só no Atlas.
Anápolis era outra estória: a cidade, o comércio longe demais...
Ali na Jaiara estava o centro de tudo
e no centro de tudo o amor:
Laíde Epifânia me nomeara “Maninho”.
Naquele tempo, na nossa vila, não passava um rio.
Mas havia a fábrica de tecidos, onde Jorge –
Noivo de minha irmã – tecia a união e afeto
E me ensinava a andar de bicicleta.
Do Vietnã, só soube no ginásio.
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Feb 7, 2016
Feb 7, 2016 at 5:28 PM UTC
Celebro o medo através da poesia
O medo, não do mundo para o qual fugi,
Mas do inevitável retorno àquele que deixei para trás.
Celebro a despedida a Lisboa,
Menina e moça dos meus olhos,
De juventude esvaída.
Outrora casa e ser e essência
Perdeu a cidade a capacidade de amar
E de acolher amantes na sua calçada gasta
E assim, perdi eu a capacidade de a sentir um lar.
Desprendo-me, feroz, do seu abraço
Choro só a beleza de não lá ser mais
E aprendo (ou tento) amar outras fachadas.
Tudo o que em si importava -
o calor dos gestos, a poesia -
Morreu em mim.
Fiz do meu berço uma cidade vazia.
Aug 26, 2017
Aug 26, 2017 at 1:59 PM UTC
Cidade de Guimarães
Guimarães linda de morrer,
Portugal nasceu e te viu crescer,
Honra a nossos fundadores,
Vasos repletos de flores.
Pomposa, ai tua pureza que emana,
Sorris como a pequena açucena,
Senhora da Penha com emoção,
Guimarães tem nobre tradição.
A história te cantará sempre com excelsa gratidão,
És feita do amor e de nobre geração.
Deus te escolheu, Deus te santifica,
Guimarães terra santa, bendita.
Os olhares serenos se enlaçam em mim,
Horizontes sem nunca ter fim.
Guimarães cidade que nunca cede,
Afonso Henriques, Batalha de S. Mamede.
Guimarães, 20 de Março de 2009
Victor Marques
Dec 10, 2009
Dec 10, 2009 at 10:22 PM UTC
Parti à procura, percorri todos os bares da cidade
drogas, alucinações, ****
debati-me com o povo
fui aprisionado
pelo poderio das massas.
Guardas olham-me à passagem
vociferam
um dialecto desconhecido.
Nesta tumba estou . . . livre.
Aqui, eu sou eu
discípulo da verdade e dos prazeres.
Depois
fui para a ilha
indígenas
novamente - **** bebidas, drogas.
E assim passaram dois anos.
Percorro agora esta avenida
em procura do que ainda não encontrei.
Eu, por min
quem sabe, tomarei
outro rumo para . . . o outro lado . . . para a terra.
Era cá uma tripé
mas eu amava-a mesmo assim.
Estava preso
era um fora-da-lei
sem crimes, nem pecados
apanhei um táxi
e segui na noite
rumo ao desconhecido.
May 12, 2014
May 12, 2014 at 4:18 PM UTC
as luzes e os sons da cidade
que nessa penumbra são meus fantasmas
atraem os sentidos da racionalidade
e repelem o instinto de minha consciência
o melhor dos meus acidentes e minha doença
a incurável, que me faz trabalhar a todo tempo
e que me faz saber o que só eu sei;
todos os bons rapazes de barbas feitas
com argumentos irrefutáveis e namoradas invejáveis
têm olhos tão bons quanto os de minha rola
eu sou falso, não me atrevo a debater
pois, afinal, por que lhes dar meu tempo?
eu o faria com algumas poucas pessoas
apenas as que me pudessem compreender
como as principais moças de meu inconsciente;
mas até que alguém assim me encontre
sigo caminhando sozinho no início de noite
tentando compreender o que é isso
e qual a importância de tudo que me circunscreve
enquanto sei que nada importa
andando a passos lentos
fazendo o que calho de fazer
encarando minha sombra recém criada
pela lua hasteada no céu de piche
sentindo o orvalho beijar minhas canelas
enquanto espero que alguém jamais se importe comigo.
May 24, 2014
May 24, 2014 at 7:11 PM UTC
Vieste-me em sonhos.
Apenas em sonhos e
Diálogos sem destino.
Já não me falas pelas folhas
Ou flores dessas
Tão preenchidas árvores
Que nem eu.
Mas, no entanto, vê
Já não falo com elas de todo
Puxam-me as luzes fuscas da cidade
Onde não te encontro nunca
E onde não cantam pássaros
Canções de amor para
Poetas e aprendizes como nós.
E estou assim, sem ti,
Num sítio que sei tão bem sem saber
Pois não o sei contigo
E não te sei a ti
Quando não me és murmurada
Pelo vento ao ouvido
Em palavras doces demais para dizer.
Mar 2, 2017
Mar 2, 2017 at 1:19 PM UTC
Eu deixei meu conhaque no carro,
Não dirigi,
Vim a pé do trabalho.
O amor que me mata,
Me sangra e corrompe.
É o mesmo que floresce, nasce, repara.
Eu queria você.
Você não me queria?
Madrugada a fora,
Eu ia.
Dancei a balada dos embriagados,
Terminei nos seus braços,
Doces e salgados,
Eu vivi a utopia da felicidade,
E agora cá estou,
Nessa cidade
Da morte.
Apr 1, 2015
Apr 1, 2015 at 1:41 AM UTC
Tenho ao meu lado o metro dos Restauradores
E um cigarro na mão
Em frente ao Hotel Avenida Palace põe se o dia
Em frente a mim que o vi a nascer.
A cidade corre por entre mim, vejo-a
Os pés apressados e quase serenos rostos
Que reparam por vezes também em mim
Tão exatos e certos os movimentos
E sei que nenhuns outros corpos poderiam ter por mim passado
Que não estes.
O céu escurece sobre os prédios
Estou posicionada de modo a ver todos os Ângulos certos
Dos telhados sob o quase ***** azul
Estamos em meados de novembro e não chove quase nunca
Os dias claros e as noites geladas
Mas não há frio algum nesta noite criança
E o cigarro vai-se rápido (certa que não irá nunca
Para sempre em mim como o melhor cigarro que já fumei
Pois, como tudo o resto que vi e escrevi, não podia ser mais certo)
Dec 6, 2016
Dec 6, 2016 at 3:12 PM UTC
O quadro da parede tem
uma casinha na fazenda
A televisão da parede tem
alguns atores na fazenda
A caixinha de vidro tem
uns peixinhos no aquário
A cama da fazenda tem
uma colcha de retalhos
A caixinha de vidro tem
um trabalhador adormecido
A rua de ladrilhos tem
muitas lojas de tecido
A velha da rua tem
pegado muitas tiras
A velha caipira tem
retalhos de caxemira
A velha da cidade tem
medo de arrastão
A velha da piraquara tem
medo do cramunhão
O homem de vidro tem
medo de se quebrar
O homem divino tem
medo de se ausentar
O homem ultramarino tem
medo de não voltar
O homem saturnino tem
medo de não chorar
May 17, 2015
May 17, 2015 at 6:55 PM UTC
eu gosto tanto de você
mas é difícil dizer
que depois de tanto tempo
eu ainda tenho saudade
e eu já quis tanto te ver
e ver contigo o sol nascer
nos nossos meios de nada
ou no centro da cidade
eu queria que o fim
não fosse coisa ruim
que impedisse de te ver
e iniciasse tempestade
dói dentro de mim
saber que agora é assim
eu pra cá, você pra lá
e no meio, às vezes, maldade
me faz falta te abraçar
e com carinho escutar
o que cê tem a dizer
sobre eu e você
e a nossa cumplicidade
eu queria é que o mundo
a essa hora tão vagabundo
criasse alguma compaixão
e extinguisse essa saudade
minha saudade de te ter
Sep 21, 2016
Sep 21, 2016 at 3:52 PM UTC
Percorro a cidade sem nome
por entre a multidão
à procura de . . .
Sem rosto nem emoção
Transponho o muro e caio no abismo
percorro as vielas sem rumo nem destino
Abalo entoando uma canção de corpo pendente
Possuído pela sombra do vício presente.
Jan 2, 2014
Jan 2, 2014 at 8:15 AM UTC
Reúna os mortos aqui
Eles não podem falar
Mas eles vêem tudo
Você não conseguirá fugir
Você não consegue se esconder
Reúna os mortos aqui
Neste lugar sagrado
Queimaremos a cidade dos mortos
Eles vão arder e amaldiçoar
Eles vão ver você queimar
Reúna os mortos aqui
Não esqueça de trazer os vivos (também)
Eles não devem perder a festa
Reúna os mortos e os queimados
Vamos reerguer a cidade dos mortos
Vamos reerguer o que queimamos
Reúna os mortos aqui
Não esqueça de você
Você está morto também.
Jan 20, 2017
Jan 20, 2017 at 6:25 PM UTC
estranho
esta cidade
a sua personalidade
o seu cheiro
a minha casa
os meus lençóis
estou atrasado
o sol saúda as minhas cortinas
quero dormir para acordar
sorrio
água escorre pela bacia
paro no tempo
observo o teu dormir
um suave rosto
fazes o meu dia ter sentido
amo-te, mulher, minha mulher
café da manhã
há na minha mesa burocratas
sinto o teu respirar
só para mim
adormeço, recomeço
Apr 6, 2015
Apr 6, 2015 at 4:51 PM UTC
É noite... lá fora a cidade já dorme. Aqui, o tempo passa lentamente, abro o maço, tiro um cigarro, e puxo-lhe fogo. Penso na vida. Dias passados, dores sofridas, pontapés levados, lágrimas a rolar, enfim, um amontoado de coisas, hoje já sem nexo.
Sofro, estou só, desamparado, e acima de tudo odeio a vida, ou melhor dizendo, a vida repugna-me.
A noite vai longa, o sono não chega, dou voltas na cama... por fim adormeço. 7h15m, o despertador toca, acordo, . . . enfim foi só mais uma noite.
Jul 1, 2014
Jul 1, 2014 at 6:24 PM UTC
O manto ***** da noite cai sobre a cidade, o vento sopra por entre o vazio das ruas. Lá longe a silhueta da pessoa que amo desaparece tal e qual o fumo, e eu continuo só por entre as muralhas da vida.
Jul 17, 2014
Jul 17, 2014 at 4:04 PM UTC
Foste minha na cidade negra.
No miradouro mais alto beijei a tua nuca
Num lago de sereias perdi-me nas tuas coxas
Entrelacei os meus dedos nos teus cabelos
Oh, perdição! Cabelos suaves que derreteram os meus dedos.
Ansiei por ti a casa segundo
E cada gota vinda do céu lembrava que não era um sonho.
Senti os teus lábios, carnudos, joviais
Embriagados de loucura e êxtase
Amaste-me
Amei-te.
Entregaste-te a mim como a lua ao céu nocturno,
Quando Apolo correu, desapareceste
Fugaz, instantânea, um floco de neve no meio do oceano
Arrancaste do meu peito errante juras de amor eterno
Num fogo de saudade ardentes que irrompem no meu ser.
Não és minha na cidade dourada.
Daria o sol, para te ter só de noite.
Apr 28, 2016
Apr 28, 2016 at 3:24 PM UTC
Existo no tempo
e vejo a cidade
sem abrigo
nua e fria
e fico
aqui
só
Jun 2, 2014
Jun 2, 2014 at 5:29 PM UTC
todos aqueles que escreveram as músicas que eu amo estão mortos. enterrados sobre grama e concreto em diferentes partes do mundo. os artistas que pintaram as telas que me alegram dentro e fora dos museus também. já não há mais fotógrafos do the post espalhados pela cidade que captariam uma foto do nosso beijo na times square. no fim, cabe a mim escrever e representar a arte dessa jornada
May 7, 2018
May 7, 2018 at 10:09 PM UTC
assim nomearam essa distância
esse ansiar
essa releitura do paradoxo de Zenão
encontrar, sem procurar e perder
por não conhecer o que se achou
Se não existe amor em SP
Viver na cidade grande
É sobreviver cercado;
É padecer de solidão.
Jul 1, 2015
Jul 1, 2015 at 6:11 PM UTC
os muros da cidade estão
pintados de poesia,
pintados de palavras rudes
que revelam os sonhos
de cada alma.
Esses são os sonhos da cidade
e todos eles se tornam
num só.
Nov 13, 2015
Nov 13, 2015 at 11:24 PM UTC
Rodeado apenas pelo vento, vagueava pelas ruas da cidade. Em ambos os meus ouvidos permanecia a tua voz bradando convictamente sem cessar a palavra " NÃO ".
Uma imagem da tua sensual face, distorcida pelo tempo, iluminava o meu espírito que no seu mais íntimo ainda possuí uma débil esperança.
Jul 8, 2014
Jul 8, 2014 at 4:38 PM UTC
Habito na cidade
Bares
Jogo
Estultícia
Arquitecto jogos na minha mente
A ideia esvanece-se
Cães latem
A cidade dorme
E se for o mar a minha morte!
“Adorava ver Nápoles e morrer”
May 28, 2014
May 28, 2014 at 6:14 PM UTC
Estamos sempre à procura, sigo tentando entender o motivo de querermos sempre estar com alguém, penso eu que em todas as ruas dessa cidade as vezes barulhenta e as vezes calma, tem alguém olhando ao redor a procura daquele amor, que é tão leve como a brisa de um vento. São duas da tarde e eu ainda nem almocei, porque fico procurando motivos para me movimentar nesse dia tão calorento. Ingerir algo pra me nutrir parece ser um bom motivo, mas nesse momento nem isso estou fazendo questão. A procura continua, porque agora já são duas da manhã e eu ainda não to satisfeita, pode ser porque não comi nada o dia inteiro, ou algumas línguas irão dizer que é porque eu ainda preciso aprender a me amar mais... acho que acredito mais na segunda opção mesmo. A questão toda é: sair pra jantar e talvez te achar ou ficar em casa pra me encontrar? Ultimamente tenho feito as duas coisas, tento me encontrar no meio desses livros e incensos acesos, ou até por meio dos sonhos, que muitos já me mostraram onde estou, só não sei pra onde preciso ir, talvez seja jantar mesmo, vai que nesse caminho das ruas dessa cidade eu me encontro e de quebra te acho.
Jan 26, 2019
Jan 26, 2019 at 11:59 AM UTC
Com a queda de neve ou geada,
Na aldeia ou cidade.
Vento e muita nebulosidade,
Inferno da minha liberdade.
Ursos, esquilos, marmotas adormecem,
Folhas caem, aprodecem.
Nos rostos falta amor,
Inverno chuvoso sem odor.
As aves anseiam voltar,
A lua tem pouco luar.
Noite longa de embalar,
Anseio pelo dia, quero acordar...
Tudo dorme profundamente,
Hiportermia e frio intolerante,
Deixai o inferno não ser Inverno docemente.
Haja esperança de um Verão escaldante.
Inverno, frio,
Jan 3, 2024
Jan 3, 2024 at 11:34 AM UTC
Sinto tudo.
A noite e as luzes
E os carros pla cidade.
Sinto tudo
Entre o peito e a barriga
E o vento
Frio e quente de verão.
Dec 6, 2016
Dec 6, 2016 at 3:03 PM UTC