"atravessado" poems
e com essa marra sua
eu faço nosso laço
e ajeito nosso passo
como quem se perpetua
e com esse teu jeitinho
eu nos desenho, sem pressa
te encho de carinho
e o delírio me atravessa
na tua cama
contorno as tuas linhas
que eu sei não serem minhas
mas trato como quem ama
e nesse paralelo criado
nesse universo só nosso
eu faço o que posso
pra ver o mundo atravessado
como quem ama
meu bem
Jan 7, 2016
Jan 7, 2016 at 6:48 AM UTC
as mãos mal suportam o silêncio.
se movem a cada dois segundos.
e o mesmo timbre de voz fala e fala e fala.
pausas de incertezas
parece buscar palavras.
é um homem que julga ser sábio mas vai negar se o perguntarem.
ninguém liga. deixam uma das mãos no queixo só pra mostrarem-se interessados.
o que pensam nesse agora? claro que estão longe, mas seus corpos se encontram aqui.
os olhos parecem viver numa agonia que queima devido as paredes brancas.
o ar é pesado.
o clima sempre muda, mas nunca aqui dentro.
precisa-se de ações pra não enlouquecer ao encarar e ouvir a voz do mesmo timbre.
nenhum de nós gostaríamos de estar aqui se pudéssemos escolher.
o timbre constante é atravessado por outro e dura pouco. fundamentos.
já não há mais o que sugar.
o que costumava ser bom, perdeu-se com o tempo. nós mesmos causamos tudo isso e culpamos uns aos outros sem assumir a culpa.
agora seria bom ser amigo do mar e visitá-lo prum café envolto numa colcha macia com os pés na areia.
se pudéssemos escolher é pra lá que iríamos.
Oct 25, 2017
Oct 25, 2017 at 3:45 PM UTC