"aqueles" poems
Nascimento, vida e existência…
Nascemos de uma forma sublime que parecendo uma banalidade natural é segundo o meu ponto de vista um milagre em todos os sentidos. Parece que o ventre da mulher foi feito e eleito o local divino para mostrar ao mundo a beleza do nascimento, vida e existência, comprometida com todos aqueles que tiveram o privilégio de um dia nascerem.
Nascemos, vivemos e existimos num planeta que procura respostas que não acha para uma imortalidade pedida a preceito em orações, congressos, ou aglomerações de seres que procuram nesta vida um culto a Deus que parece estar para caprichos e devaneios de tantos seres humanos que existem por existir.
Nascimento é vida e ao mesmo tempo uma existência comprometida com o universo que é gratuito para todos aqueles que conseguem perceber a magnitude da abundância que nos é dada com o nascimento, vida e existência.
Nascemos nus sem nada para oferecer naquele preciso momento alegria a todos aqueles que parecem esperar um Messias salvador e apaziguador de corações por vezes divididos
e adulterados com vivências da sua própria vida.
- Que recompensa teremos nós depois de deixarmos de existir sob esta forma material que parece ser digna e ao mesmo tempo real?
-Será o nascimento o elo principal na vida, na existência e na morte?
- Será que Deus através da beleza e complexidade do nascimento quer mostrar ao homem através da sua existência a possibilidade de aspirar com a morte à ressurreição ou melhor a outra forma espiritual de continuar a existir?
- Será que não será mais fácil e rápida a morte do que o próprio nascimento?
Nascemos, vivemos e existimos num planeta terra maravilhoso regido com mestria por um sábio infinito e Criador que sempre com precisão consegue dar ao ser humano deleites que irão perdurar na nossa vida até ao dia que depois de nascer, viver e existir morremos para ressuscitar no Amor Sublime de Deus nosso Pai.
Victor Marques
Nov 18, 2014
Nov 18, 2014 at 1:24 PM UTC
Os Homens e a natureza!
Quando me levanto sem o toque do galo, com o despertador de forma assustadora. Vejo um novo dia de eterna graça e bênção para todos aqueles que por um motivo se entrelaçaram em minha vida. Os comboios, aviões, carros seus ruídos e rapidez nos fazem cavalgar por imensos lugares que outrora eram esquecidos no tempo.
A natureza diferente de nós homens acorda com sinfonias de pássaros, grilos e rãs!
A ganância consome corações rotineiros e injustiçados de homens sem valor que são falsos profetas de um tempo sem ser tempo, de um mundo maltratado por esses mesmos homens,
Que se vestem de fato e gravata e exploram seus semelhantes.
Enquanto o homem se esquecer de que todo o seu irmão nasce, vive e morre por uma vontade sublime da criação de um Deus infinito. Por de lado o amor pelo luxo, dinheiro, poder e plena satisfação pessoal.
A natureza sim é plena, gratuita, nobre, singela. A harmonia de vales e montes sonolentos motivos de meditação, sustento e um amor infindável com seu criador me bafeja hinos cantados com belas harpas do tempo de David.
Um mundo de homens que deixam de ser homens, que o tempo deixa de ser tempo e que a natureza é mal-amada geram uma desconfiança e um sofrimento em todos os seres humanos que labutam por dias melhores na rotina do nosso tempo.
Ensinamentos de cada pedra que se pisa, de cada ave livre que esvoaça no céu, dos golfinhos que comunicam sem o homem os entenderem…
Victor Marques
Jul 17, 2012
Jul 17, 2012 at 9:58 AM UTC
Bom dia a todos...Desejo que tudo corra na plenitude e vossos anseios e desejos se concretizem na abundância e plenitude. Boa vindima para aqueles que ainda continuam na tão nobre Colheita. Esta poesia é dedicada ao meu Pai: António Alexandre Marques e a todos os seus amigos e conhecidos.
Lembro-me de Ti meu querido Pai
As videiras cansadas pelo sol tórrido de verão,
O rio corre por amor e paixão.
Eu procuro a resposta que não acho,
Sou feito de uvas e do teu abraço.
As rochas xistosas esperam a madrugada,
As uvas amarelas e avermelhadas.
E tu meu Pai continuas aqui sepultado,
Pois o vinho foi teu amor, meu fado…
Palavras sábias de profeta que sonha e sabe,
Lembrança de ti e eterna saudade.
Nossa Senhora de Fátima te acolheu,
Eu anseio também para ser seu…
As uvas dão precioso fruto,
Eu continuo vivo e de luto.
O Douro sublime se consome e exalta,
Por ti Pai saudade quase me mata…
Victor Marques
Oct 8, 2013
Oct 8, 2013 at 2:29 AM UTC
A palavra amor é mágica e exala perfume em todas as suas vertentes. O amor não pode servir de veículo para conseguir aquilo que se pode fazer ou através dele obter. ?
O amor que vivemos neste mundo é sermos felizes e fazer os outros também. Existem amores que se complementam, que unem raças, religiões, pessoas, e que acima de tudo prevalecem mesmo depois da morte.
Um amor sem contrapartidas, sem limites, sem contratos que parecem ofuscar a leveza do amor. Existem amores nobres, solidários, palpáveis, celestiais, universais que nos faz pensar, sempre sentir o verdadeiro significado do amor. Existem tantos acontecimentos na nossa sociedade em que o ser humano procura desmesuradamente um trabalho fácil, um abraço, um obrigado, um amor amigo. O ser humano se abandona por vezes ao capricho de ser amado, bajulado sem no entanto, se aperceber que o amor é algo muito bem mais importante, grandioso aos olhos de todos aqueles que se dedicam com pureza aos outros seres.
Por vezes nada podemos fazer para conseguir amar quem queremos amar...
Demos voltas e voltas e procuramos amigos, amor em tantos deleites que o mundo nos oferece materialmente. Deixámos o amor espiritual num patamar nunca lembrado. As crianças têm uma grande predisposição para dar um beijo, um salto, um abraço, um sorriso, para dar amor de uma forma livre, linda e gratuita. Elas são puras, sinceras, choram , riem, prostestam e amam descaradamente tudo o que as rodeia. Vêem nos animais ternura, carinho, e porque não amor....
Existem algumas pessoas que não deixam entrar nelas o verdadeiro significado da palavra amor. Existem tantos acontecimentos na nossa vida em que o amor se manifesta de uma forma muito simples e familiar: casamento, baptizado, comunhão, morte ...
Amor parece existir desde sempre. Quantas noites na vida do ser humano parece que tudo se perdeu!
Até o próprio amor se consome, se esvazia como um balão de ar que rebenta com uma alfinetada. O amor é uma arte de se comprometer com tudo o que existe, com o universo preciso, e respeitar as leis sublimes de um Deus Criador?
Tantos seres humanos que parecendo insignificantes tem tanto amor para dar, para partilhar. Nascemos e nem sequer sabemos se foi por amor ou por um desejo egoísta da busca de simples prazer....
O amor deveria ser um elevar da alma, uma força poderosa de tudo conciliar e amar.
Com amor
Victor Marques
May 27, 2014
May 27, 2014 at 1:05 PM UTC
O Douro na sua plenitude
Quando me levantei, senti aquele sentido odor de uma linda manhã de primavera. Os pintassilgos entoavam uma melodia que me ajudou a encarar o dia com mais serenidade e encanto. Olhei para este meu horizonte que se estende num infinito lonquinquo que parece estar ali para ser sempre contemplado e amado.
Que Douro sublime excelso de ser pintado por expressionistas e cantado em versos pelos nossos poetas que não deixam de o servir e o idolatrar. Desde menino que eu ganhei uma consciência duriense que nem com a morte ninguém ma irá roubar. Não me canso de tentar perceber o xisto em harmonia, complexo e eternizado com estes lindos muros que parecem até nem serem feitos por pedreiros terrenos mas sim por anjos do bom Deus que por aqui quis passar.
Casebres abandonados e fornos de secar os figos continuam na paisagem duriense vivos e ao mesmo tempo parecem sepultados para sempre no cemitério dum rio Douro que se embala num Rabelo de outrora.
As videiras imponentes parecem ressuscitar todos os anos pela altura da Páscoa. Que beleza sentir e amar um Deus vivo que bebeu o vinho para nos mostrar seu amor e assim dignificar todos aqueles que se dedicam a tão nobre tarefa. Toda a vegetação duriense exala perfume, permitindo ao homem encontrar aqui um paraíso terreno e ao mesmo tempo um purgatório disperso nos patamares onde vinhas, oliveiras, amendoeiras, figueiras, laranjeiras, sobreiros, torgas e giestas coabitam.
Quem fala do Douro sublime não pode deixar de olhar para os rostos de suas gentes. Parece até que não sabem amar mais nada, nem mais nada fazer. ...
Um saber acumulado de gerações é um legado de arte de bem-fazer vinho aliado a novas técnicas utilizadas por enólogos sedentos de fazerem dos vinhos do Douro os melhores do mundo.
O Douro corre sem correrias. É meigo com seu leito. As vinhas bebem suavemente de suas águas doces. Nós que aprendemos com o brilho do pôr-do-sol, que parece um verniz de esmalte que conforta crentes e não crentes.
O Douro que é de oiro está de deleite, de quarentena para nos ajudar a viver e a estar sempre perto da margem para embarcar na barca dum destino já traçado.
Victor Marques
Apr 10, 2014
Apr 10, 2014 at 8:31 AM UTC
Soterrados locais de nascimento,
Por entre as brumas do chorar ficaram
Perdidos neste Tempo que não tem espaço
Achados no centro do Lodo que encontraram.
Espécie de dor ridicularizado ao Poente
Loucura mórbida de um Amor quase doente
Pisados por uma crença animal
Enganados por uma vida que não é real.
E aqueles que com uma corda fazem o seu caminho
E na árvore penduram a sua alma devagarinho
Morte lenta para quem a tem
Muito Rápida para quem a vê.
E não sabemos nos que também morremos aos poucos
A cada dia perdemos um pedaço de carne do Ser
Por cada noite gasta um turbilhão de vidas por nascer.
E se somos a carne do pobre pensante
Achemo-nos dignos de crer na inexistência do senhor
Que pensa que nos tem mais que amor
Que nos da e tira o fôlego só por crer.
E na missa ajoelhados os pobres coitados
Rezando cada um para a a sua amargura
Filhos de um pai que não os segura
Descendentes dos filhos da Terra, mortais.
E aos *** elevam os braços por Ele
E matam e esfolam os seus irmãos em seu nome
E dizem que ele é Amor, e paz, e compaixão
E por pecarem e errarem pedem perdão.
E esta vida a que condenados somos
Sem pedirmos o nascer nem o morrer
Vamos todos em fila para a câmara ardente
Não vendo nunca o nosso expoente.
Procuramos o eterno sentir e o poder
Não sabendo realmente o que é viver
E a cada fôlego perdemos as forças
E a esperança num futuro sossega-nos a morte.
E para aqueles que iluminado esta o caminho
A morte é mais rápida que o dia
A luz mostra a direcção a tomar
E o sentido da rua é ficar sem Ar.
Definhar.
Jul 7, 2012
Jul 7, 2012 at 9:07 PM UTC
Chove ou amanhece
Os esqueletos dançam.
Estão mortos!
Vivem a morte, nutridos
Pelo sentido
Pela ardente vontade de
Fitar meus olhos.
Com aqueles seus buracos
Vazios do crânio
Sem mesmo
Lembrar da dor que tiveram
Por já terem vivido.
Se nutrem da seiva
De guardar a vida
Do escárnio imperecível do passado.
É somente para isso que
Os esqueletos dançam.
Nov 4, 2014
Nov 4, 2014 at 7:18 AM UTC
ah Χάρων!
tua barca é de tristeza e tédio
eu,
nela
sou quase teu remédio
desliza no meu ombro,
do teu barco de engano
que eu,
serei teu ladrão,
como aqueles
de antes
favorito de horas hediondas,
Χάρων de hálito juvenil,
da-me pressa homem,
da-me logo
antes,
que me precipite em mim
Sep 4, 2009
Sep 4, 2009 at 10:23 AM UTC
A vida é o jogo de emoções total,
É jogo sem regras, sem costumes,
Quando a temos, muito formal,
São mediações de perfumes!
Mas se eu não gosto afinal,
Ou se eu amo meu amigo,
Sentimento é ser informal
Importante se o consigo!
As misturas de regras são vagas,
As vagas de sentir, são viver,
E assim afinal, planar e dizer,
Te amo ou odeio, faz cócegas!
Sentimentos não são de dizer,
Palavras, não sentem o que fazer,
Carinhos, toques, gestos, são prazer!
É assim, um cheiro a perfume natural,
Sentimentos, são trocas de atenção,
Quem nunca sentiu chegar no plural?
Sentimentos, são energia no coração!
E assim sempre vou mostrar meus sentimentos, sejam duros, suaves ou possantes! É isto a natureza informal de eu chegar, junto de todos aqueles que no fundo, eu considero!
Autor: António Benigno
Código de autor: 2013.07.25.02.11
Aug 31, 2013
Aug 31, 2013 at 5:07 AM UTC
Eu queria ser grande, queria ter sonhos e ter esperança!
Eu queria ser grande, ter sonhos e sentir confiança!
Eu queria acreditar que existe esperança!
Eu queria acreditar que sonhos são uma lembrança!
Pois, quando eu sonho, eu acredito que eu quero aquilo,
Aquilo, com que sonho, afinal é o que eu quero!
Então e como podem explicar-me que o sonho, morreu!
Alguém pode acreditar fielmente no definitivo e no impossível!
Alguém pode dizer que não choverá nunca mais?
Ou poderá afirmar, que o sol jamais se esconderá.
Eu não acredito que eu sou um ser mau,
E eu acredito que sou realmente feliz!
Acredito que a minha felicidade depende dos meus amigos,
Aqueles amigos que me são amigos!
Não preciso que as pessoas finjam que a minha vida interessa,
E não mereço ter pessoas dessas, a perturbar os meus sonhos!
Sou suficientemente generoso, para com as pessoas que me são queridas!
Porque elas só são a minha vida, porque eu necessito do seu carinho!
Afinal de contas, ser amigo é ser prestável, disponível,
Não basta dizer:
- Eu sou o teu amigo!
Hoje percebo que sonhos são por vezes lições,
Sonhos são dádivas na escola da vida!
Sonhos são os auxiliares de memória necessários,
Para sobreviver neste mudo podre!
Neste antro medonho de abutres!
Mas amigos, eu sou feliz, no nosso oásis,
Porque a vossa amizade alimenta os meus receios!
Obrigado
Autor: António Benigno
Código de autor: 2012.02.12.01.04
Aug 30, 2013
Aug 30, 2013 at 2:00 PM UTC
vem pro calor das minhas mãos
ser a nota principal das minhas canções no violão.
vem fazer abrigo dentro do meu umbigo
juntar seus pés com os meus debaixo do meu cobertor antigo.
me dá de novo teu beijo com sabor de framboesa
deita comigo naquele meu lençol azul turquesa
deixa eu me esconder na mata dos seus cabelos
te abraçar quando tu tiver aqueles pesadelos
Jun 17, 2013
Jun 17, 2013 at 2:49 PM UTC
O vento sopra meu rosto,
E eu me pego em devaneios.
Sonhando com amores improváveis,
Não querendo amores resistentes.
Não sei a que se deve o fato,
De meu coração gelado,
Preferir o inacessível,
E descartar o mais favorável.
Não sei se é o passado,
Que me persegue,
Ou o presente,
Que há tempos, está mudado.
Mas ainda não esqueço, aqueles lindos olhos claros.
Feb 17, 2013
Feb 17, 2013 at 8:14 AM UTC
Era noite.
Na escuridão, cintilavam pequenas estrelas.
Abriam-se e fechavam-se os olhos castanhos
daquele rosto alegre.
Ouviu-se, no meio daquela noite quente, o miar de
um gato perdido! no momento, caíra em cima da
minha cama uma violeta, tal qual os olhos, aqueles
olhos sensuais que me prendiam!
Fui convidado a amar...
Perdi o senso do lugar,
o senso do momento e perdi-me na noite...
E amei!...
Amei aqueles lindos olhos pestanudos, aquela boca
de lábios quentes, aquele corpo suave, excitante e
carente!
E pensava em não acordar; não queria perder
aquela paixão, nem imaginar que estava a sonhar.
Aquilo não era um sonho, nem tão pouco fantasia!
Finalmente descobri e gritei de alegria!
É a pura realidade.
Voltando-me para o outro lado, agarrei na almofada
e adormeci,
a pensar
em
ti.
Mar 16, 2014
Mar 16, 2014 at 7:01 PM UTC
Me vi parada, sem conseguir andar
Encalhada em um momento do tempo em que não conseguia, mesmo que tentasse, prosseguir ou retornar.
Parei.
Não por escolha, não por desejo
Eu precisei parar
Aquele momento em que voce está meio perdido,
Meio lá meio cá
E praticamente pela primeira vez sem interferencia, voce pode observar sua vida como um todo
O que foi aquilo?
O que e por que havia feito?
Quem eram aqueles?
Por que não estão aqui?
O que será daqui para frente?
Continuaremos juntos?
Perderemos tudo?
E nessa chatice de pensamentos percebemos que talvez nem tudo seja discutível
Mas tudo podendo, com a possibilidade de ser vivido
Se tornar inesquecível
Mar 17, 2015
Mar 17, 2015 at 10:11 PM UTC
Dos mistérios escuros, os gritos convocam
Mil sombras perdidas ao mundo que pungem,
Rompendo os ossos, cruas almas que tocam
Da carne agredida, os corpos ressurgem
Atravessam o vestíbulo e os cadáveres deslocam
Permitem o fogo e o enxofre que o mundo turgem
Em mar de sangue, no inferno desembocam
Aqueles que a luz e o paraíso urgem
Com fúria ensurdecedora, o céu troveja
A face da estrela, na neblina encoberta
Suportando a noite d'alma que a flerta
Das montanhas, um último sol alveja
Lacrimeja a pálpebra antes aberta
Pois nas terras do anjo caído agora deserta
Jan 25, 2018
Jan 25, 2018 at 12:54 AM UTC
todos aqueles que escreveram as músicas que eu amo estão mortos. enterrados sobre grama e concreto em diferentes partes do mundo. os artistas que pintaram as telas que me alegram dentro e fora dos museus também. já não há mais fotógrafos do the post espalhados pela cidade que captariam uma foto do nosso beijo na times square. no fim, cabe a mim escrever e representar a arte dessa jornada
May 7, 2018
May 7, 2018 at 10:09 PM UTC
É incrível pensar que quando você se envolve com alguém e deixa esse alguém entrar em sua vida, sua casa, seu lar, você está deixando a energia dela entrar e integrar seu ser, sua casa, seu lar.
É incrível como nosso cérebro captura diversos momentos e mais tarde torna-os em memórias que ficam presentes nos ambientes que foram compartilhados por essas pessoas. E quando você experimenta dessa memória nesses ambientes, você se vê presente nela mais uma vez, trazendo a tona tudo o que foi vivido, compartilhado.
É incrível, tipo quando eu deito na minha cama (lugar onde acumula muito da nossa energia por ja termos passado variados instantes nela) e revivo cada toque seu, diversos sorrisos involuntários trocados e os seus com essa covinha marcante, carícias em minha pele, relembro aquele famoso cafuné no meu undercut que já cresce um pouco, respiradas profundas seguidas de abraços apertados, imagino e a imagem parece real de novo, retratando aqueles sorrisos que os olhos fazem questão de dar.
É incrível como me vejo nesta cena representada por lembranças e me sinto feliz.
May 21, 2017
May 21, 2017 at 7:57 PM UTC
cada momento passado na realidade
me dá mais certeza
de que te inventei alguns anos atrás
te coloquei numa gaiola de sonhos ansiados
da qual conseguiste escapar,
levando teus pés por um tapete de estrelas
pra chegar até mim.
desejos infinitos que cultivei antes do acontecimento de ti
(aqueles que pensei que pra sempre seriam fantasmas na minha mente)
agora desabrocham nas palmas de minhas mãos
toda vez que encosto em ti,
deságuam nos meus calafrios
toda vez que encostas em mim,
e vibram na nossa volta
toda vez que estamos juntas.
(sentimento doce esse de se construir
uma em volta da outra
e se conhecer
uma em volta da outra
e de dar voltas uma em volta da outra
incessa e incansavelmente.)
me sinto mar revolto de profundeza apaziguada quando deito contigo.
nossos movimentos como ondas que quebram uma em cima da outra e chiam num sussurro explosivo;
gemidos que vêm de furacões de dentro do peito
transbordam na curva do lábio
e derramam no lençol
como mel pingando da colmeia.
a maneira na qual esperamos o verão dobrar a esquina,
nos ocupamos achando maneiras de nos esquentar
dissertando uma sobre a outra
pelo fio invisível do telefone
o qual não nos separa e não mede distância:
quando estou perto de ti estou perto de mim mesma
e de toda minha luz
que se mistura com tua luz
e faz de nós sol.
Jul 3, 2018
Jul 3, 2018 at 12:43 AM UTC
Quando eu era pequena, eu via a morte, com uma capa preta e uma foice, e uma expressão melancólica no rosto, sombria por vezes, de quem já havia levado muitas vidas.
O peso, em suas vestes, das almas corrompidas, que não queriam partir, o sangue da sua foice, onde também haviam lágrimas de quem ficava.
Com o tempo, eu passei a ter medo dela.
A vi como má.
Injusta.
Insensível.
“Como pôde Dona Morte, levar aqueles que eu amava?” Eu perguntava.
Mas a morte é só uma passagem.
Eu demorei a entender.
A aceitar.
É como se a Dona Morte fosse uma guia turística, que vem nos buscar rumo às nossas férias eternas.
Ela vem, nos despimos de qualquer bagagem, a passagem, é a nossa vida. Esse é o preço.
E então embarcamos no trem.
Rumo ao desconhecido.
Mas ao eterno.
Sep 28, 2018
Sep 28, 2018 at 10:31 PM UTC
perceba que além do cinza tem também o azul do mar.
as flores que às vezes brotam por entre os dedos e suas pétalas que voam lindas na poesia do vento.
cheiro de vela apagada e cigarro ainda quente no cinzeiro.
tu não tá sozinha. ali na esquerda tem uma cadeira. senta e toma um gole de chá.
descendo quente pelo estômago, se sente o líquido rígido que se transforma em pequenas cigarras fazendo cócegas só pra te agradar.
o mundo de repente pareceu um tanto menos complicado.
tudo que se precisa é ter paciência.
não manda calar a boca.
beija teus inimigos e requebra numa dança gostosa com aqueles que mais se ama.
escrever uma frase bonita tem vezes que parece fácil demais. até demais.
lembrar que tudo tem um fim pode esperar.
hoje decididamente, é um bom dia pra rir do próprio reflexo e apalpar os seios sem medo da sensação.
Oct 26, 2017
Oct 26, 2017 at 11:48 PM UTC
você nunca me levou pra soltar pipa
aliás uma vez levou eu e o teu filho da outra mulher mas eu fiquei só olhando sentada no canto, era coisa de pai e filho você disse
e você deu 500 reais pra minha mãe me abortar e ela fez questão de me contar gloriosamente que comprou um enxoval ao invés de me matar e eu gritei de sopetão que preferia ter sido abortada do que ter que ouvir isso e logo em seguida um tapa na fuça mas esse não era o ponto o ponto é que eu não queria me sentir culpada por existir
mas não foi você que me colocou naquele carro com aqueles homens e nem na casa do vizinho ou naquele banheiro sujo da rodoviária interestadual nem mesmo na festinha de formatura da oitava série bêbada sentada na cadeira com os dedos dos meninos entre minhas pernas foi eu quem me coloquei nesses lugares todos
e nao sabia bem o que eu procurava e hoje só hoje vejo que era o seu rosto que eu nao lembrava mais direito de jeito nenhum e tentava incansavelmente desenhar a todo custo na cara dos homens maus
Apr 16, 2022
Apr 16, 2022 at 7:15 PM UTC
pedaços de sujeira enfiados embaixo das unhas
sobre um vento quente passado metade de janeiro.
e os olhos ardidos observando com toda calma
a tela branca acinzentada e retangular.
narizes que coçam em momentos impróprios
e cães que aguardam pacientemente
mãos de pele em seus pelos sujos de poeira.
os pelos da coxa pintados de loiro falsificado
brilham na luz do abajur como purpurina no carnaval de Recife.
e aqueles fios de cabelo teimosos que caem sobre o ombro
tocando a derme queimada pelo sol
que
por consequência, os dedos impacientes não cansam
de procurar
para então removê-los.
Jan 17, 2018
Jan 17, 2018 at 7:04 PM UTC